Centro das Indústrias do Pará critica mobilização em defesa da Amazônia

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Em nota, assinada pelo presidente José Maria Mendonça, o Centro das Indústrias do Pará (CIP) manifestou-se nesta quinta-feira contrário à mobilização de ambientalistas e políticos em defesa da Amazônia. “A maioria destes senhores são neófitos sobre Amazônia, desconhecem nossas particularidades, realidade e expectativas. Outros, não sabem o que faziam ali ao se limitarem apenas a apoiar um amigo, somando àqueles que buscam por um minuto de fama”, critica.

Ocorre que o mesmo CIP que se arvora a legítimo conhecedor das realidades e expectativas da Amazônia não se constrangeu em apoiar, de maneira ostensiva, o ministro Ricardo Salles, do Meio Ambiente, que declarou em reunião ministerial que estava na hora de fazer aprovar “de baciada” leis que “flexibilizem a legislação” sobre desmatamento na Amazônia. Em resumo: a tal indústria representada pelo CIP mostra-se conivente com a política de destruição movida pelo atual governo, tendo à frente o notório ministro Salles.

Afinal, de que lado a indústria paraense está? O fato é que já passou da hora de os verdadeiros defensores da Amazônia saírem do imobilismo a fim de enfrentar os inimigos da região, externos e internos, que aqui se encastelam há décadas usufruindo de suas riquezas naturais sem mover uma palha para impedir a degradação da floresta e do solo.

A frase do dia

“Fernando Pimentel deixa a Prefeitura de BH com 87% de aprovação, torna-se ministro do Desenvolvimento, elege-se governador no primeiro turno em 2014. Dai pra frente, fecha-se círculo de fogo sobre ele e a mulher, perde a reeleição. Agora arquiva-se tudo. Nota de rodapé na mídia”.

Palmério Dória, jornalista e escritor

Torcida só volta com vacina

POR GERSON NOGUEIRA

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Sem torcida nas arquibancadas e grana nas bilheterias, os clubes se angustiam com a falta de receita e passam a pressionar pela volta de público. A coluna de ontem tratou disso, focalizando a movimentação da dupla Re-Pa, unida pelo mesmo objetivo. A ideia, porém, não deve prosperar, se levado em conta o posicionamento manifestado pelo presidente da Comissão Médica da CBF, Jorge Pagura.

Segundo ele, as partidas só voltarão a ter presença de torcida quando houver uma vacina contra a doença. Pagura não falou nenhuma novidade, apenas repetiu uma tese unânime entre especialistas do mundo inteiro. Os novos tempos exigem sacrifícios e novas responsabilidades.

O retorno, diz o médico da CBF, só pode ocorrer com responsabilidade e respeito às normas da Organização Mundial da Saúde (OMS). Quando o país atinge 90 mil óbitos por covid-19, com mais de 1.500 casos no dia, torna-se inaceitável qualquer tese de afrouxamento de regras. Uma tragédia que podia ser evitada (ou atenuada) assola o país.  

Além de presidir a comissão médica da CBF, Jorge Pagura é o coordenador do “Guia Médico para o retorno das atividades do futebol brasileiro”, responsabilizando-se pelas estratégias da entidade na pandemia.

O fato de alguns campeonatos estaduais terem reiniciado em julho e outros com recomeço previsto para agosto (como o Parazão) não altera o entendimento vigente na CBF: os jogos devem se cercar de todos os cuidados e normas protocolares.

Para a retomada do Campeonato Paraense, a partir deste fim de semana, protocolos também deverão ser cumpridos pelos clubes, sob pena de punições drásticas – em caso de negligência, o clube perde pontos e pode ser excluído de competições oficiais em 2021.

Na última terça-feira, 28, um encontro ajustou os itens dos protocolos do Parazão, reunindo técnicos da Secretaria de Segurança Pública, diretores da FPF, Sespa, Corpo de Bombeiros, Seel e Polícias Civil e Militar.

Os testes rápidos serão feitos pelo menos um dia antes de cada partida, no caso de jogadores, comissões técnicas, árbitros e funcionários dos clubes. Os demais – policiais, pessoal de segurança, jornalistas e radialistas – devem fazer exames nos locais de trabalho ou por conta própria.

Um procedimento se repetirá em todos os jogos: na chegada ao estádio, as pessoas terão a temperatura medida, com a presença de equipe médica para atender emergências. É o preço a pagar pela segurança e saúde de todos.

Com novidades, ponteiros do campeonato definem times

Saiu ontem a provável escalação do Castanhal, 3º colocado no Parazão (14 pontos), para o jogo de sábado à tarde contra o Tapajós, na Curuzu. Artur Oliveira tem algumas posições a definir, mas o time provável é este: Iago; Léo Rosa, Lucão, Rafael Lima e PC Timborana; Marcos, Samuel, William Fazendinha e Dioguinho; Pecel e Bruno Santa Maria.

O PSC, que lidera o campeonato (19 pontos) e enfrenta o Paragominas no sábado à noite (Mangueirão), deve confirmar os titulares no treino desta quinta-feira. Escalação mais repetida por Hélio dos Anjos: Gabriel Leite; Tony, Micael, Perema e Bruno Colaço; PH (Uchoa), Serginho e Luís Felipe; Mateus Anderson, Nicolas e Vinícius Leite.  

O Remo, vice na classificação (17 pontos), também está praticamente pronto para o embate de domingo, diante do Águia, no Baenão. Mazola Jr. tem treinado esta formação, no 4-3-2-1: Vinícius; Everton, Mimica, Fredson (absolvido anteontem) e Dudu Mandai; Charles (Xaves), Gelson e Julio Rusch; Eduardo Ramos e Gustavo Ermel; Zé Carlos.

Bajulação do Pé de Anjo faz redobrar saudades do Doutor

Não há protesto, nem queixumes exaltados, pelo morticínio de brasileiros devido à covid-19. O comportamento errático do governo federal, que minimizou a gravidade da doença e economizou dois terços das verbas previstas – discriminando Estados, como o Pará, um dos mais castigados pela pandemia –, está a desafiar a lógica e a indignação coletiva. Séculos de escravidão cobram seu preço nessas horas.

Em meio a isso, um ex-jogador resolveu bajular o presidente da República, levando como mimo a camisa do Corinthians. O presenteado não tem culpa, a iniciativa foi do boleiro. Marcelinho Carioca, o Pé de Anjo, deu uma bicuda nas tradições de um clube vinculado às liberdades.

Casagrande reagiu nas redes sociais, lembrando a grandeza do Timão. O próprio clube se manifestou desautorizando a “homenagem”. O fato é que tem gente que sabe cobrar falta e bater na bola, mas não bate bem da cabeça. E tem, ainda, quem envelheça mal e perca o trem da história.

A atitude acentua o valor de vozes como a de Casão e de Dr. Sócrates, craque paraense que envergou com galhardia e altivez a alva camisa da democracia corintiana. O Doutor certamente sofreria muito com a patética cena de ontem.

Remanescente de 2014 tenta jeitinho para jogar em 2022

Com passagem pelo Internacional e Chelsea, além de defender a Seleção Brasileira no Mundial de 2014 (fez o gol de honra na surra diante da Alemanha), o meio-campista Oscar varou com uma ideia gaiata: se naturalizar chinês para disputar a Copa de 2022. Único obstáculo: a Fifa não permite que atletas que já atuaram em competições oficiais – principalmente Copas do Mundo – por um país sejam inscritos por outro. Oscar defende hoje o Shanghai SIPG.

Oscar não é chamado para a Seleção desde 2015 e viu suas chances minguarem ainda mais depois de trocar o Chelsea pelo Shanghai. Ao contrário dele, o ex-botafoguense Elkeson (hoje Ai Kesen) está garantido no selecionado chinês, com três gols em quatro jogos. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 30)

Fator Guardiola pesou na preferência do Flamengo por Torrent

Torrent foi auxiliar de Pep Guardiola - Laurens Lindhout/Soccrates/Getty Images - Laurens Lindhout/Soccrates/Getty Images

O “mochilão” rubro-negro na Europa vai chegando ao fim após muitos almoços, jantares e conversas com candidatos a substitutos de Jorge Jesus no Flamengo. Nome que não constava inicialmente na cabeça dos dirigentes, Domènec Torrent passou de azarão a favorito e está próximo do acerto. O interesse no ex-auxiliar de Pep Guardiola foi revelado no blog do jornalista Mauro Cezar Pereira, do UOL Esporte, e ganhou corpo após as chegadas dos diretores Bruno Spindel e Marcos Braz na Europa.

Um dos primeiros sabatinados, o catalão deixou boa impressão, o que aumentou à medida que outros postulantes saíram da corrida. Um dos mais cotados para o cargo, Leonardo Jardim logo sinalizou que pretendia seguir seu trabalho na Europa. O mesmo ocorreu com Carlos Carvalhal, que agradeceu a lembrança e informou que não estava em seus planos sair do Velho Continente.

A dupla rubro-negra ainda manteve reuniões com José Peseiro e Fernando Hierro. Além de ouvir diferentes visões de futebol, a ideia também era estreitar laços com empresários e nomes importantes do mundo da bola na Europa.

Pesou a favor de Torrent o “selo de qualidade” Guardiola, mas a inexperiência foi um ponto debatido. Ao passo que ele auxiliou o treinador em campanhas vitoriosas no Barcelona, no Bayern de Munique e no Manchester City, sua principal passagem como treinador foi no New York City. As referências, no entanto, foram determinantes.

“Estamos redigindo os contratos do treinador e do estafe, que serão de um ano e meio. Creio em um desfecho em até dois dias”, disse Josep Maria Orobitg, agente do treinador. Após pouco mais de um ano do trabalho vitorioso com o Mister, o Flamengo está prestes a trocar o sotaque lusitano pelo espanhol. A busca por um substituto europeu funcionou e o clube só espera que a rotina de títulos não mude.