A imagem tenebrosa do dia

Sujeito infectado com a covid-19, após três testes que confirmaram a doença, passeia de moto sem máscara e conversa sem a distância mínima com garis em Brasília. O problema mais grave é que o personagem é presidente da República e um contumaz descumpridor das normas de isolamento social e medidas de prevenção contra o novo coronavírus. Na verdade, age como um aliado da propagação do vírus.

Estudo de 55 hospitais mostra que hidroxicloroquina e azitromicina não funcionam contra covid-19

Pesquisa realizada pela Coalizão Covid-19 Brasil – formada pelo Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital do Coração – HCor), Hospital Sirio-Libanês, Hospital Moinhos de Vento, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, BP – a Beneficência Portuguesa de São Paulo, Brazilian Clinical Research Institute (BCRI) e Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva BRICNet) – concluiu que o uso da hidroxicloroquina em pacientes hospitalizados apresentando nível leve a moderado de gravidade da Covid-19 não melhora a evolução clínica da doença. A medicação também não previne a necessidade de ventilação mecânica, não reduz o tempo de internação ou o índice de mortalidade. 

O trabalho foi publicado na edição online de hoje do The New England Journal of Medicine, um dos mais respeitados jornais científicos do mundo. A pesquisa teve a participação de 667 pacientes, de 55 hospitais no Brasil, com confirmação ou suspeita de Covid-19, internados em estado leve a moderado de gravidade (necessitavam de no máximo 4 litros de oxigênio por dia).

esquisa realizada pela Coalizão Covid-19 Brasil – formada pelo Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital do Coração – HCor), Hospital Sirio-Libanês, Hospital Moinhos de Vento, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, BP – a Beneficência Portuguesa de São Paulo, Brazilian Clinical Research Institute (BCRI) e Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva BRICNet) – concluiu que o uso da hidroxicloroquina em pacientes hospitalizados apresentando nível leve a moderado de gravidade da Covid-19 não melhora a evolução clínica da doença. A medicação também não previne a necessidade de ventilação mecânica, não reduz o tempo de internação ou o índice de mortalidade. 

O trabalho foi publicado na edição online de hoje do The New England Journal of Medicine, um dos mais respeitados jornais científicos do mundo. A pesquisa teve a participação de 667 pacientes, de 55 hospitais no Brasil, com confirmação ou suspeita de Covid-19, internados em estado leve a moderado de gravidade (necessitavam de no máximo 4 litros de oxigênio por dia).

O estudo mostrou que a adição de hidroxicloroquina ou do remédio em conjunto com a azitromicina não teve qualquer efeito na evolução do estado clínico dos pacientes. As taxas de mortalidade também não foram diferentes entre os grupos. Assim sendo, durante o período de hospitalização, a taxa de óbitos foi cerca de 3%, esperada para pacientes com nível moderado de gravidade.

Zagueiro não entra em Israel e volta a treinar no Leão

Remo 2x1 Carajás (Rafael Jansen)

O zagueiro Rafael Jansen voltou a treinar com o elenco do Remo. Ele havia pedido desligamento do clube para jogar no Hapoel Tel Aviv de Israel, mas a fronteira do país foi fechada para estrangeiros vindos de países com alto índice de contágio pela covid-19.

Jansen retornou a Belém nesta quarta-feira (22), realizou exames médicos e está treinando separado do restante dos jogadores. O zagueiro tem contrato em vigência com o Remo até 15 de outubro. Caso a transferência para Israel não se confirme, ele será reincorporado ao elenco.

Além de Rafael Jansen, o Remo tem mais cinco zagueiros no elenco profissional: Kevem, Mimica, Fredson, Neguete e Gilberto Alemão. Kevem está lesionado e só volta a treinar em duas semanas e Fredson está suspenso por três partidas, devendo desfalcar o Remo até as semifinais do Campeonato Paraense.

Sérgio Ricardo morre, no Rio, aos 88 anos

Morreu na manhã desta quinta-feira, aos 88 anos, no Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro, o músico, compositor escritor, pintor e cineasta João Lutfi, que passou à história com o nome artístico de Sergio Ricardo. Um dos integrantes de primeira hora da bossa nova, autor de canções como “Zelão”, e diretor de expressão do cinema novo (com o longa “Esse mundo é meu”, de 1963), Sergio ganhou fama, a contragosto, em 1967, por ter quebrado um violão no III Festival da Música Brasileira, quando foi vaiado ao apresentar a canção “Beto bom de bola”.

Não foi divulgada a causa da morte do artista. Descendente de libaneses, Sergio Ricardo nasceu em 1932 em Marília, no estado de São Paulo. Em 1940, entrou para o Conservatório da cidade, onde estudou piano e teoria musical, e, seis anos depois, mudou-se com a família para a capital. Em 1949, ele foi para Santos, onde trabalhou com rádio e como pianista de boate.

O nome Sergio Ricardo, ele ganhou em meados da década de 1950, em São Paulo, quando foi contratado como ator pela TV Tupi. Sua carreira de compositor começou logo depois, quando a cantora Maysa gravou sua canção “Buquê de Isabel”. Apresentado ao pessoal da bossa nova por Miele, Sergio participou, em 1958, de espetáculos com o grupo e, dois anos depois, gravou o LP “A bossa romântica de Sérgio Ricardo”.

“O Miele me pegou na televisão e me levou para a casa da Nara (Leão) porque o pessoal queria as minhas músicas. Ali, nasceu o meu trabalho na bossa, mas eu não fiquei muito tempo, não, porque a questão política me chamou, e eu passei para a música de protesto. E dali eu não saí mais”, disse o compositor ao GLOBO em 2017. Naquela época, ela lançaria sua mais famosa canção engajada, “Zelão”.

Em 1962, ele ainda participou do show da bossa nova no Carnegie Hall, em Nova York, mas no ano seguinte já estaria fazendo a trilha sonora de “Deus e o diabo na terra do sol”, filme clássico do cinema novo, com fortes tons políticos, do diretor baiano Glauber Rocha.

Depois de estrear em 1961, como diretor, com o premiado curta-metragem “O menino da calça branca”, Sergio Ricardo estreitou seus laços com o cinema novo, de filmes realistas com temática social, e lançou em 63 o seu primeiro longa, “Esse mundo é meu”, que acompanha a vida de dois moradores de favela.

Com direção de fotografia do seu próprio irmão, Dib Lutfi (que se tornaria um dos mais celebrados profissionais do cinema brasileiro), o filme estrelado por Antonio Pitanga, Ziraldo e Agildo Ribeiro deu a partida numa carreira de diretor que ainda incluiria longas como “A noite do espantalho” (1973, cujo protagonista foi vivido pelo cantor Alceu Valença) e “Bandeira de retalhos” (2018, que Sergio filmou no morro do Vidigal, Rio, onde morava).

Nos últimos anos, o músico e cineasta vinha se dedicando à pintura (chegou a vender algumas telas para complementar o orçamento) e ao espetáculo “Cinema na música”, em que cantava as suas composições feitas para filmes, acompanhado pelos filhos Marina e Adriana Lutfi (vozes) e João Gurgel (voz e violão). O show virou CD e DVD ao vivo, com participações especiais de Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Dori Caymmi e João Bosco. (Com informações de O Globo)

CBF divulga o novo calendário das competições de base

A CBF divulgou nesta quinta-feira, 23, o novo calendário das competições de base. O Brasileirão Sub-20 puxa a fila começando no dia 23 de setembro e indo até o dia 7 de fevereiro de 2021. Com o Bragantino representando o Pará, a Copa do Brasil Sub-20 terá início no dia 7 de outubro. A CBF ainda não detalhou a tabela, porém, com base na primeira tabela divulgada em fevereiro, o Tubarão do Caeté deverá enfrentar o Tupi-MG na primeira fase. Inicialmente, o mando da partida era do Bragantino.

Confira a data das outras competições:

Brasileirão Sub-17: 11 de outubro a 20 de dezembro

Brasileirão de Aspirantes: 18 de outubro a 21 de janeiro de 2021

Copa do Brasil Sub-17: 25 de novembro a 31 de janeiro de 2021

Supercopa Sub-17: 11 de fevereiro de 2021

Supercopa Sub-20: 11 de fevereiro de 2021

Copa do Nordeste Sub-20: 2 de dezembro a 14 de março de 2021

Marvin Gaye e o Timão

Por Heraldo Campos (*)

Nesses tempos de quarentena e de pandemia do coronavírus, que aqui na terra da jabuticaba não quer baixar o tal do patamar do número de óbitos, quase que diariamente ultrapassando o número de mil vítimas fatais por causa desse governo militar genocida, a gente acaba ficando que nem cachorro tentando pegar o próprio rabo, procurando coisas para fazer e não pirar de uma vez por todas.

Se estamos mais ou menos vivos é por causa do isolamento social e dessa quarentena que não acaba.

E o que não canso de ver é o show do Marvin Gaye em Montreux de 1980, que repetiu umas quatro vezes em um desses canais de TV por assinatura, e assisti todos eles como se fossem a primeira vez. Outro, que repetiu outro dia, foi um pequeno documentário, com meia hora de duração, no mesmo canal, que mostrou a versatilidade desse genial compositor e cantor da soul music, e que nos deixou trágica e prematuramente nos seus 45 anos de idade.

No ano de 1971, os Estados Unidos estavam levando um couro na guerra do Vietnã e por aqui o povo estava levando um couro do governo militar instalado pelo golpe de 1964. 

Músicas memoráveis como “What’s Going On” e “Mercy Mercy Me” (The Ecology) de Marvin Gaye do ano de 1971, são de uma beleza ímpar e extremamente atuais, pelas suas mensagens, para esses tempos confusos e autoritários que estamos vivendo nos dias de hoje.

O trecho traduzido de “What’s Going On” como “Piquetes e cartazes / Não me puna com brutalidade / Fale comigo, então você poderá ver / Oh, o que está acontecendo / O que está acontecendo / Sim, o que está acontecendo / Ah, o que está acontecendo”, será que nos faz lembrar a polícia descendo a ripa nas manifestações de rua das pessoas que não apoiam o atual governo militar?

O trecho traduzido de “Mercy Mercy Me” (The Ecology) como “Misericórdia, misericórdia de mim / Ah, as coisas não são o que / costumavam ser, não, não / Óleo desperdiçado no oceano e em cima / nossos mares peixe cheio de mercúrio”, será que nos faz lembrar aquele misterioso derramamento de óleo no mar que atingiu as praias do nordeste brasileiro e ninguém do atual governo militar falou mais nada?

Mas e o Timão, o Corinthians, o que tem a ver com isso? Talvez alguma coisa, porque cá entre nós, o Marvin Gaye tem a cara do Corinthians, não é mesmo?

O Marvin Gaye nesses programas, do show e do documentário reprisados, não faz você pregar o olho na frente da TV. Foi o mesmo o que aconteceu para quem esteve presente no Campeonato Paulista do ano de 1971, num Morumbi com mais de 66 mil pessoas, na frente do inesquecível Corinthians 4 x Palmeiras 3, com dois gols de Mirandinha, um de Adãozinho e outro de Tião, para um Timão escalado com Ado; Zé Maria, Sadi, Luis Carlos e Pedrinho; Tião e Rivelino; Lindóia (Natal), Samarone (Adãozinho), Mirandinha e Peri.

Já esse jogo de ontem foi “sin salero”, como dizia minha avó Gregória. Num Itaquerão sem torcida por causa do isolamento da pandemia do coronavírus, o Corinthians 1 x Palmeiras 0 foi o mesmo que chupar dropes Dulcora, “a delícia que o paladar adora”, sem tirar o papel celofane.

Até quando vai durar esse “novo normal”?

O que está acontecendo? Misericórdia, misericórdia de mim!

*Heraldo Campos é Graduado em geologia (1976) pelo Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Universidade Estadual Paulista – UNESP, Mestre em Geologia Geral e de Aplicação (1987) e Doutor em Ciências (1993) pelo Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo – USP. Pós-doutor (2000) pelo Departamento de Ingeniería del Terreno y Cartográfica, Universidad Politécnica de Cataluña – UPC e pós-doutorado (2010) pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento, Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo – USP.

A falta que a torcida faz

POR GERSON NOGUEIRA

O futebol não vai ficar eternamente órfão de torcida nos estádios. É possível que, até o fim da temporada, o avanço do novo coronavírus seja controlado no país, com redução de contágio e queda do número de óbitos. Ao nível de hoje, porém, com média superior a 1.200 mortes diárias (81.487 no total), é impraticável a normalização plena dos espetáculos esportivos até dezembro de 2020.

A maioria dos clubes perde uma receita brutal com a restrição de presença dos torcedores. A dupla Re-Pa, que arrasta multidões a seus jogos, já começa a sentir o impacto da falta de bilheteria. O Parazão, que será reiniciado a 1º de agosto, será de portões fechados.

É o ônus a pagar em troca da segurança e do bem-estar da população. Nenhum país europeu liberou jogos com torcedores, embora a Fifa tenha estudos encaminhados a respeito. Acontece que o nível de incertezas quanto ao risco de contágio proíbe qualquer passo nessa direção.

Quando vários institutos de pesquisa e universidades apontam o risco de recontaminação de pessoas pela covid-19, a ideia de normalização plena do futebol soa temerária. Os clubes mais prejudicados no aspecto financeiro são obviamente os mais empenhados em defender o abrandamento do critério de reabrir as arquibancadas ao público.

No Rio de Janeiro, a federação quase acatou um decreto da prefeitura para permitir torcedores pagantes nos estádios, ocupando 50% dos lugares. A previsão era que isso ocorresse em junho, ainda no Campeonato Carioca, também apelidado sugestivamente de Covidão 2020. A intensa repercussão negativa evitou que a proposta macabra fosse levada a cabo.

Fiel Torcida - Paysandu Sport Club

Em entrevista, ontem, o presidente do PSC, Ricardo Gluck Paul, indicou a intenção de levar um plano elaborado pelo clube para a avaliação da Prefeitura de Belém, propondo a liberação de parte da lotação da Curuzu para os jogos do Brasileiro da Série C.

Sem estabelecer prazos, Ricardo explicou que o clube executa o seu protocolo para que possa vir a ter público pagante ainda durante a Série C 2020. O plano a ser encaminhado à PMB, segundo ele, prevê que a abertura seja segura e gradual.  

O clube tem o direito legítimo de defender essa possibilidade. Embora impraticável no momento, a ideia pode ser o embrião para a flexibilização das normas que envolvem o futebol. O problema é que, a seguir no ritmo atual de casos da doença no Pará, com 144 mil infectados e 5.616 óbitos (segundo o boletim atualizado da Sespa), a proposta do Papão só terá chance de aprovação em 2021.

Torcida encarnada protesta contra contratação de Jesus

Para surpresa de muita gente, a chegada do técnico Jorge Jesus a Lisboa não foi tão triunfal e festiva como se previa. Muito ligado ao Benfica, o Mister voltou por cima, consagrado pela brilhante passagem pelo futebol brasileiro comandando o Flamengo. Ocorre que o maior clube português enfrenta período financeiro turbulento, o que motiva e explica a rejeição de boa parte da torcida à contratação milionária de JJ.

A agremiação encarnada tem sido sacudida por embates políticos virulentos nos últimos anos. A participação pouco convincente nos torneios europeus enfraqueceu a atual diretoria e fez com que a oposição ganhasse fôlego para protestos cada vez mais frequentes. Jesus é a bola da vez e sentiu o bafo do dragão logo no desembarque. E, pelo visto, os problemas estão apenas no começo.

Jesus preferiu trocar, por um salário polpudo, a tranquilidade e a glória de “rei do Rio” pelas águas revoltas do Tejo. Precisará mais do que nunca sacar alguns novos truques da cartola.

Cores da Revolução Cabana inspiram nova camisa azulina

Sempre que a história é lembrada em cores vivas no país que não valoriza o passado, o ato deve ser aplaudido. O Remo se baseou nos ideais da Revolução Cabana, a única rebelião de inspiração popular no Brasil, para formatar sua terceira camisa para a temporada.

Nas cores da bandeira do Pará, com predomínio do tom vermelho, a nova camisa foi bem recebida nas redes sociais, não apenas pelos torcedores remistas. Gente de outras praças e até torcedores bicolores aplaudiram a iniciativa, que deveria ser seguida pelos demais clubes.

Estádio da Curuzu sediará o clássico Re-Pa após 18 anos

A tabela das nove primeiras rodadas da Série C liberadas ontem pela CBF traz uma novidade de caráter histórico para o futebol paraense: o primeiro Re-Pa do Brasileiro será realizado no estádio da Curuzu no domingo, 4 de outubro, às 20h. Será a primeira vez que o Remo visitará o arquirrival em mais de 18 anos. O pesquisador Jorginho Neves informa que o último choque-rei disputado no campo do Papão ocorreu em 17 de março de 2002, valendo pela Copa Norte. Balão fez o gol da vitoria remista.

O campeonato começa primeiro para o Papão, no sábado, 8 de agosto, recebendo o Santa Cruz na Curuzu, às 17h. O Leão estreia no domingo (9), às 18h, no acanhado estádio Eliel Martins, em Riachão do Jacuípe (BA), contra o Jacuipense.

Cidades e estádios pré-definidos são os utilizados habitualmente pelos clubes mandantes. A CBF ainda lembrou que os clubes concordaram em jogar fora de suas cidades ou Estados, caso haja necessidade de cumprimento das restrições sanitárias. Nesse caso, as mudanças devem ocorrer até 10 dias antes da data do jogo.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 23)