Torcida só volta com vacina

POR GERSON NOGUEIRA

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Sem torcida nas arquibancadas e grana nas bilheterias, os clubes se angustiam com a falta de receita e passam a pressionar pela volta de público. A coluna de ontem tratou disso, focalizando a movimentação da dupla Re-Pa, unida pelo mesmo objetivo. A ideia, porém, não deve prosperar, se levado em conta o posicionamento manifestado pelo presidente da Comissão Médica da CBF, Jorge Pagura.

Segundo ele, as partidas só voltarão a ter presença de torcida quando houver uma vacina contra a doença. Pagura não falou nenhuma novidade, apenas repetiu uma tese unânime entre especialistas do mundo inteiro. Os novos tempos exigem sacrifícios e novas responsabilidades.

O retorno, diz o médico da CBF, só pode ocorrer com responsabilidade e respeito às normas da Organização Mundial da Saúde (OMS). Quando o país atinge 90 mil óbitos por covid-19, com mais de 1.500 casos no dia, torna-se inaceitável qualquer tese de afrouxamento de regras. Uma tragédia que podia ser evitada (ou atenuada) assola o país.  

Além de presidir a comissão médica da CBF, Jorge Pagura é o coordenador do “Guia Médico para o retorno das atividades do futebol brasileiro”, responsabilizando-se pelas estratégias da entidade na pandemia.

O fato de alguns campeonatos estaduais terem reiniciado em julho e outros com recomeço previsto para agosto (como o Parazão) não altera o entendimento vigente na CBF: os jogos devem se cercar de todos os cuidados e normas protocolares.

Para a retomada do Campeonato Paraense, a partir deste fim de semana, protocolos também deverão ser cumpridos pelos clubes, sob pena de punições drásticas – em caso de negligência, o clube perde pontos e pode ser excluído de competições oficiais em 2021.

Na última terça-feira, 28, um encontro ajustou os itens dos protocolos do Parazão, reunindo técnicos da Secretaria de Segurança Pública, diretores da FPF, Sespa, Corpo de Bombeiros, Seel e Polícias Civil e Militar.

Os testes rápidos serão feitos pelo menos um dia antes de cada partida, no caso de jogadores, comissões técnicas, árbitros e funcionários dos clubes. Os demais – policiais, pessoal de segurança, jornalistas e radialistas – devem fazer exames nos locais de trabalho ou por conta própria.

Um procedimento se repetirá em todos os jogos: na chegada ao estádio, as pessoas terão a temperatura medida, com a presença de equipe médica para atender emergências. É o preço a pagar pela segurança e saúde de todos.

Com novidades, ponteiros do campeonato definem times

Saiu ontem a provável escalação do Castanhal, 3º colocado no Parazão (14 pontos), para o jogo de sábado à tarde contra o Tapajós, na Curuzu. Artur Oliveira tem algumas posições a definir, mas o time provável é este: Iago; Léo Rosa, Lucão, Rafael Lima e PC Timborana; Marcos, Samuel, William Fazendinha e Dioguinho; Pecel e Bruno Santa Maria.

O PSC, que lidera o campeonato (19 pontos) e enfrenta o Paragominas no sábado à noite (Mangueirão), deve confirmar os titulares no treino desta quinta-feira. Escalação mais repetida por Hélio dos Anjos: Gabriel Leite; Tony, Micael, Perema e Bruno Colaço; PH (Uchoa), Serginho e Luís Felipe; Mateus Anderson, Nicolas e Vinícius Leite.  

O Remo, vice na classificação (17 pontos), também está praticamente pronto para o embate de domingo, diante do Águia, no Baenão. Mazola Jr. tem treinado esta formação, no 4-3-2-1: Vinícius; Everton, Mimica, Fredson (absolvido anteontem) e Dudu Mandai; Charles (Xaves), Gelson e Julio Rusch; Eduardo Ramos e Gustavo Ermel; Zé Carlos.

Bajulação do Pé de Anjo faz redobrar saudades do Doutor

Não há protesto, nem queixumes exaltados, pelo morticínio de brasileiros devido à covid-19. O comportamento errático do governo federal, que minimizou a gravidade da doença e economizou dois terços das verbas previstas – discriminando Estados, como o Pará, um dos mais castigados pela pandemia –, está a desafiar a lógica e a indignação coletiva. Séculos de escravidão cobram seu preço nessas horas.

Em meio a isso, um ex-jogador resolveu bajular o presidente da República, levando como mimo a camisa do Corinthians. O presenteado não tem culpa, a iniciativa foi do boleiro. Marcelinho Carioca, o Pé de Anjo, deu uma bicuda nas tradições de um clube vinculado às liberdades.

Casagrande reagiu nas redes sociais, lembrando a grandeza do Timão. O próprio clube se manifestou desautorizando a “homenagem”. O fato é que tem gente que sabe cobrar falta e bater na bola, mas não bate bem da cabeça. E tem, ainda, quem envelheça mal e perca o trem da história.

A atitude acentua o valor de vozes como a de Casão e de Dr. Sócrates, craque paraense que envergou com galhardia e altivez a alva camisa da democracia corintiana. O Doutor certamente sofreria muito com a patética cena de ontem.

Remanescente de 2014 tenta jeitinho para jogar em 2022

Com passagem pelo Internacional e Chelsea, além de defender a Seleção Brasileira no Mundial de 2014 (fez o gol de honra na surra diante da Alemanha), o meio-campista Oscar varou com uma ideia gaiata: se naturalizar chinês para disputar a Copa de 2022. Único obstáculo: a Fifa não permite que atletas que já atuaram em competições oficiais – principalmente Copas do Mundo – por um país sejam inscritos por outro. Oscar defende hoje o Shanghai SIPG.

Oscar não é chamado para a Seleção desde 2015 e viu suas chances minguarem ainda mais depois de trocar o Chelsea pelo Shanghai. Ao contrário dele, o ex-botafoguense Elkeson (hoje Ai Kesen) está garantido no selecionado chinês, com três gols em quatro jogos. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 30)

Um comentário em “Torcida só volta com vacina

  1. Prezado Gerson
    Boa tarde.
    O título da sua matéria diz tudo: “Torcida só volta com vacina”. Sou favorável pelo retorno aos estádios de futebol somente quando o povo e as torcidas tiverem sido vacinadas. Estádio sem torcida é estádio para boi dormir. Agora, sobre a parte de que “Casagrande reagiu nas redes sociais, lembrando a grandeza do Timão.”, se referindo àquela duplinha oportunista que vestiu a camisa do Corinthians, estou com ele e, se me permite, aproveito para deixar aqui essa pequena crônica “Terra plana da jabuticaba”, porque sei que ele gosta de música, além de futebol, tanto quanto você:
    http://cacamedeirosfilho.blogspot.com/2020/07/terra-plana-da-jabuticaba.html?view=magazine
    Abraços,
    Heraldo

    Curtir

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