A imagem do dia

O bandeirão da Gaviões da Fiel estendido na avenida Paulista.

Che, presente! Viva a Revolução!

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“Se você é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros.”

Ernesto Rafael Guevara de la Serna. Médico, escritor, um dos comandantes da Revolução Cubana. Faria 92 anos hoje. Nasceu em Rosário, na Argentina, e morreu executado por tropas do governo boliviano, em La Higuera.

O executivo brasileiro que enquadrou e enfrentou Neymar no PSG

Ex-jogador é diretor esportivo do clube francês em que atuou na década de 90 há exatamente um ano - Divulgação

Há um ano, o diretor de futebol do Paris Saint-Germain, Leonardo, chegou com carta-branca para promover mudanças e tomar o controle do vestiário. Em pouco tempo, virou desafeto dos jogadores e passou toda a temporada sendo ignorado por Neymar. Agora, a decisão de colocar um fim na história dos ídolos Thiago Silva e Cavani no clube é um novo ponto de atrito com o elenco e aumenta o ambiente de tensão com o qual convive o PSG.

Leonardo é visto internamente como centralizador. Fala diretamente com o proprietário do PSG, o emir do Qatar, Tamim bin Hamad Al-Thani, sem precisar passar pela ponte do presidente Nasser al-Khelaifi, e tem força interna justamente por tocar em jogadores poderosos. Do entorno dos brasileiros do PSG, Thiago Silva, Marquinhos e Neymar, a reportagem do UOL Esporte já ouviu diversas críticas ao comportamento do dirigente.

A gestão Leonardo ainda colhe outros desafetos no vestiário. Há relatos de calorosa briga com o goleiro Keylor Navas, que defendia o elenco de críticas do dirigente por comportamento festivo. Navas, Neymar e Cavani foram repreendidos por apareceram em vídeo girando a camisa e dançando em uma festa de aniversário de Di Maria, Cavani e Icardi dois dias depois da derrota por 2 a 1 para o Borussia Dortmund, no jogo de ida das oitavas de final da Liga dos Campeões. A virada e classificação foram celebradas justamente com a imitação do festejo do trio, estando o elenco ali “cutucando” diversos críticos como Leonardo.

Neymar tem relação "inexistente" com o principal dirigente do PSG - REUTERS

A relação de Leonardo com Neymar inexiste, definem pessoas próximas do atacante. Já foram várias atitudes do dirigente apontadas como irritantes, tais como um suposto jogo de cena em negociação de transferência para o Barcelona, críticas à celebração em festa de aniversário sendo expostas ao elenco e até uma proibição de jogar quando já estava recuperado de lesão – este último caso levou Neymar a criticar o PSG abertamente.

SALÁRIOS ACIMA DA MÉDIA

Por outro lado, há quem defenda de que Leonardo virou uma figura anti jogador tão ativa que acabou unindo o vestiário. A temporada do PSG é ótima, sendo o time campeão francês, finalista da Copa da França e da Copa da Liga da França, e garantido nas quartas de final da Liga dos Campeões.

O zagueiro Thiago Silva, do PSG - Reprodução/Instagram

Thiago Silva explicitou a prioridade de permanecer no Paris Saint-Germain. No entanto, jamais contou com proposta de renovação. O zagueiro esperava por oferta de, ao menos, um ano de contrato, mas acredita que Leonardo teve papel fundamental para a decisão. A postura do diretor esportivo do PSG é a de não renovar contratos no PSG.

Assim, Cavani e Choupo-Moting também já são considerados fora dos planos do time para a próxima temporada. O entendimento é que os ordenados pagos pelo PSG estavam muito acima da média do mercado. Leonardo acredita que o clube francês criou uma cultura do dinheiro inviável desde que foi adquirido por um fundo de investimentos do Qatar, em 2011.

O primeiro a se irritar com as decisões de Leonardo foi o brasileiro Daniel Alves. O ato inicial do dirigente assim que voltou ao clube há um ano foi o de não renovar o contrato do lateral por entendimento que o salário pago a ele era exagerado. Com pouco interesse em renovação, outro que passa pelo mesmo cenário é o lateral direito Thomas Meunier. Sem contrato a partir de junho, nunca partiu do belga uma iniciativa de renovação.

Já o mesmo não se pode dizer de Di Maria, com vínculo até o junho de 2021. O argentino de 32 anos quer seguir, mas desconfia que vai passar pelo mesmo sofrimento de Cavani e Thiago Silva.

Na contramão dos jogadores que sofreram com a chegada de Leonardo está Marquinhos. O dirigente acredita que o zagueiro é o jogador-modelo para o futuro do clube por conta da idade, 25 anos, experiência, e identificação com a torcida do PSG. Ele ganhou aumento ao renovar o contrato no fim do ano passado — o vínculo atual é até junho de 2024. Já a situação de Neymar ainda é tratada com cautela no clube. Leonardo ainda não conversou com representantes do jogador sobre a renovação, mas está ciente que o desejo de transferência para o Barcelona jamais teve um final.

Leonardo é figura de grande aceitação entre os fãs do PSG. Ele foi o primeiro dirigente da era Qatar no clube e teve atuação capital para a contratação de vários reforços de peso, como Verratti, Maxwell, Ibrahimovic, Thiago Silva, Thiago Motta, Pastore, Marquinhos e Cavani.

A primeira passagem pelo PSG foi finalizada em 2013 depois que o dirigente foi suspenso por um ano pela Federação Francesa de Futebol (FFF) sob a acusação de ter empurrado um árbitro. Leonardo negou ter praticado a agressão.

ESTILO LINHA DURA

A volta de Leonardo ao PSG aconteceu justamente pela análise de que o perfil linha dura faria com que os jogadores mudassem comportamentos. Tanto que a apresentação por parte do presidente, Nasser al-Khelaifi, veio logo após um duro discurso ao elenco.

“Nesta temporada, os jogadores terão que assumir responsabilidades muito maiores do que antes Tem que ser completamente diferente. Terão que fazer mais, trabalhar bem mais. Não estão aqui no Paris-Saint Germain para se divertirem. E se não concordarem com este ponto de vista, as portas estão abertas. Adeus! Não quero continuar a ter jogadores com comportamentos de popstars”, foi o recado do presidente do PSG em entrevista à revista France Football.

Outro ponto de Leonardo que agrada os fanáticos pelo PSG está no volume de declarações oficiais. Esse era uma das principais críticas aos dirigentes do clube na gestão Qatar. Desde que o dirigente brasileiro retornou ao clube, os principais assuntos são tratados publicamente.

“Sobre Thiago Silva e Cavani a gente sempre se pergunta se é preciso continuar o caminho juntos, ou se é melhor evitar um ano a mais. As histórias foram muito bonitas. Mas sim, chegamos ao fim”, comunicou Leonardo em entrevista ao “Le Journal du Dimanche”, da França.

A frase do dia

“Invadir hospitais é crime – estimular também. O Ministério Público (a PGR e os MPs Estaduais) devem atuar imediatamente. É vergonhoso – para não dizer ridículo – que agentes públicos se prestem a alimentar teorias da conspiração, colocando em risco a saúde pública”.

Gilmar Mendes, ministro do STF

O passado é uma parada

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Elenco de “Anos Incríveis” (“Wonder Years”), em 1988.

A seleção de todas as torcidas

POR GERSON NOGUEIRA

Antes de qualquer entidade brasileira se manifestar, a Fifa publicou na quinta-feira (11) em seu Twitter oficial uma mensagem sobre a monumental trajetória da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1970, no México. Publicou também parte de um documentário que será divulgado nos próximos dias – precisamente no dia 21 de junho, quando a vitória sobre a Itália, que garantiu o tricampeonato mundial, completa 50 anos.

Para ver Pelé em campo: jogos da Copa de 1970 serão reprisados na ...

A produção ganhou o título de “When the World Watched Brazil 1970” (“Quando o Mundo Assistiu o Brasil de 1970”) e traz depoimentos de jogadores que tornaram possível a conquista, como Jairzinho e Rivellino. A Copa de 70 foi a primeira da história a ser televisionada no sistema de cores, fato vinculado à seleção em um dos depoimentos: “Enviamos uma mensagem através das cores da nossa camisa”.

Muitos jogos daquele mundial têm sido reprisados durante a quarentena, o que permite às novas gerações entenderem um pouco do que ocorreu naquele junho iluminado. Eu era moleque, Baião não tinha TV e acompanhei as partidas com o ouvido grudado no rádio.

Era no rádio que eu ouvia futebol e acompanhava as ondas do rock. Era ano de “Let It Be”, a última bolacha do pacote beatle. Ainda não havia certeza, mas era visível que a banda estava se desintegrando. Os Stones tinham lançado um ano antes a clássica “Gimme Shelter”, mas ninguém parecia preparado para o fim do Fab Four. Talvez por um mecanismo de justa compensação, o mundo ganhou o timaço brasileiro.

O rádio permite a rica construção de imagens mentais que a TV não consegue dar. Escutava os jogos imaginando quadro a quadro as manobras endiabradas de Jairzinho pelo corredor direito, as jogadas de aproximação de Rivellino e os passes milimétricos de Gerson.

A curiosidade pela figura do Rei Pelé era fartamente atendida pela narrativa poética de Fiori Gigliotti, cuja narração parecia sempre a um passo de um libreto de ópera. Começava em tom apoteótico com aquele “abrem-se as cortinas do espetáculo…”. Se o jogo ensaiava complicar, ele mandava: “o tempo passa, torcida brasileira…”, espalhando angústia.

Por sorte, aquele time era soberbo e imbatível, não permitia nem sustos no torcedor. Logo nos primeiros três jogos, contra Tchecoslováquia, Romênia e Inglaterra, a empolgação tomou conta de todo mundo. Não havia dúvida de que o tri era uma meta possível. Havia certa apreensão apenas em relação aos três fortes europeus da época. Inglaterra, Alemanha e Itália tinham organização e muitos craques.

Quando a Seleção passou pela Inglaterra no jogo que foi a final antecipada da Copa, o jeito seguro como o time utilizou estratégia e método para superar um adversário altamente qualificado deixou claro que estávamos a caminho da grande conquista.

O mais interessante é que o Brasil, sem abrir da carpintaria individual de suas estrelas, aplicava-se às partidas com surpreendente inteligência tática, inversão de posicionamentos e preenchimento de espaços, recursos que fizeram imensa falta quatro anos na Copa do Mundo da Inglaterra.

Em entrevista recente, Gerson, eleito o 2º melhor do mundial, falou que qualquer dos jogadores de meio e ataque podiam entrar a qualquer momento, sem prejuízo para o conjunto. E falou com autoridade, pois ficou fora das partidas contra Romênia e Inglaterra, por contusão, e foi substituído com extremo apuro por Paulo César Caju.

Às vezes, sinto falta de uma análise mais apurada da campanha por parte de quem viveu tudo tão de perto, lá dentro do campo. Gerson, Jairzinho e Rivellino são os mais ouvidos em matérias que reconstituem aquela caminhada, sem acrescentar grandes novidades sobre o que ocorreu nos campos do México, mas segue faltando a fundamental visão de Pelé.

Quando o Rei se dispôs a falar, disse muito pouco. Jogadores derrotados na Copa, como Franz Beckenbauer, disseram até mais sobre a grandeza daquela seleção. “O Brasil da Copa de 1970 foi a melhor coisa que existiu, na minha opinião. Carlos Alberto, Tostão, Jairzinho. Era um sonho ver aquele time jogando. Eu cresci em uma geração antiga. Meu herói era Pelé”, afirmou o Kaiser. Quem somos nós para discordar dele?

Bola na Torre

Lino Machado apresenta o programa, a partir das 21h15, na RBATV. Saulo Zaire e Mariana Malato compõem a bancada. Participações, via home office, de Guerreiro, Tommaso e deste escriba de Baião. A expectativa pela retomada do Campeonato Estadual é a principal pauta da noite.

Cinco substituições têm potencial para repaginar o futebol

Os técnicos da dupla Re-Pa, Mazola Junior e Hélio dos Anjos, falam positivamente sobre a mudança oficializada pela Fifa para o futebol pós-pandemia: a permissão de cinco substituições por partida. É natural que pensem assim. Bons profissionais lidam bem com a possibilidade de alterar a cara de um jogo a partir da entrada de atletas descansados em campo.

Esta é a mais importante mudança aprovada pela Fifa desde a modificação na regra do impedimento, favorecendo os atacantes, juntamente com a proibição de recuos com os pés para os goleiros.

É claro que as mexidas precisam ser bem utilizadas, mas é inegável que irá favorecer elencos qualificados. Além disso, dependerá muito do ritmo de cada jogo e da capacidade de observação dos treinadores. Mudanças ruins podem ter efeito contrário ao pretendido, com o problema adicional de gerar uma previsível tempestade de críticas.

Jogos Memoráveis: a saga do maior clássico da Amazônia

Com apresentação de Giuseppe Tommaso e participação de Guilherme Guerreiro, o programa vai ar às 15h deste domingo na Rádio Clube do Pará, fazendo uma viagem pelos 106 anos de história do Re-Pa. Reconstituição de jogos icônicos e relatos de personagens do clássico e de comentaristas esportivos compõem o programa especial.

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 14)