Apontado por muitos como candidato a sucessor de Tite na seleção brasileira, Jorge Jesus disse que aceitaria um convite. No entanto, o treinador português não acredita que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) faça um convite a qualquer treinador estrangeiro.
“Qual treinador do mundo não aceitaria treinar o Brasil? O Brasil tem um leque de jogadores que forma duas seleções no maior nível do mundo. Mas acho que a Confederação Brasileira de Futebol não convidaria um treinador estrangeiro. Acho difícil. Mas as coisas mudam. Nunca achei que o Flamengo iria querer um português. Nunca achei que treinaria o Flamengo. E cá estou, feliz e contente”, declarou em entrevista ao Jogo Sagrado, do Fox Sports.
Ainda no assunto seleção, Jorge Jesus lamentou que o Brasil não conquiste a Copa do Mundo desde 2002. Na opinião do treinador, um país com tantos jogadores bons não poderia ficar tanto tempo sem vencer a competição. “O Brasil já não é campeão desde 2002? Nem sabia que eram tantos anos. O Brasil não pode estar há tantos anos sem ser campeão do mundo. Sabe por quê? Porque tem os melhores jogadores do mundo. Não pode! Não pode!”, disse.
O treinador ainda falou sobre a recepção dos seus colegas de profissão brasileiros quando chegou ao país e minimizou as opiniões negativas. “Não fiquei muito preocupado com a opinião dos meus colegas treinadores brasileiros. Não respondi e não vou responder. Eu quis provar a qualidade do meu trabalho vencendo. E em todo mundo é assim. Talvez o que o Valentim falou foi o mais pesado”, disse. (Do UOL)
A Justiça do Paraguai negou na manhã desta terça-feira (10) o pedido para que Ronaldinho Gaúcho e seu irmão Roberto de Assis cumpram a pena preventiva em prisão domiciliar. A informação foi passada por Osmar Legal, promotor de justiça paraguaio. O ex-jogador e o irmão estão sendo investigados por uso de documentos falsos.
A defesa entrou com pedido de prisão domiciliar e deu como garantia de que os brasileiros não sairiam do Paraguai uma casa na região metropolitana de Assunção, capital do país, avaliada em 800 mil dólares, aproximadamente R$ 4 milhões.
O Ministério Público tinha negado por achar o valor oferecido como garantia muito baixo diante dos ganhos de Ronaldinho ao longo da carreira. O juiz Gustavo Amarilla concordou com as justificativas do MP. As autoridades paraguaias investigam o envolvimento do ex-jogador em outros crimes no país, como o de lavagem de dinheiro.
Ronaldinho e Assis estão presos preventivamente desde a última sexta-feira e podem ficar detidos por até seis meses. A defesa considera a prisão “ilícita, ilegal e abusiva”. Os advogados alegam que ex-jogador não sabia que o passaporte que deram a ele havia sido adulterado.
O caso envolvendo prisão de Ronaldinho Gaúcho e seu irmão Assis ganhou um novo capítulo. Em entrevista à Rádio ABC Cardinal 730 AM, do Paraguai, o ministro da Secretaria Nacional Anticorrupção, René Fernández, revelou que há indícios que ex-jogador e o seu irmão depositaram dinheiro para iniciar o processo de naturalização.
A quantia depositada gira em torno de 59 milhões de guaranis (cerca de R$ 42,6 mil reais) em uma conta do Banco Nacional do Fomento (BNF), do Paraguai. O valor seria uma espécie de caução para o início do processo. René Fernández, no entanto, não explica se é possível fazer tal pagamento mesmo sem os pré-requisitos mínimos para a naturalização.
– Temos o dado de que uma funcionária do banco andou com os trâmites. O depósito foi feito e não chegou a ser identificado como parte de um trâmite de naturalização. Eles, por ser estrangeiros, não podem ter contas comerciais. O dinheiro segue depositado e não foi extraído ainda. Esse depósito é do fim de dezembro e tentaram retirá-lo em janeiro – afirmou René.
Ronaldinho Gaúcho foi preso na última quinta-feira, no Paraguai, por conta de passaporte falso. A defesa do ex-jogador e do seu irmão Assis, que também foi detido, alega que eles não sabiam que os documentos eram falsos e já solicitou um pedido para cumprir prisão domiciliar. Eles cumprem prisão preventiva decretada no último sábado. (Com informações de Reuters, Lance e Folha de SP)
O Campeonato Paraense entra na fase mais aguda, com definição de posições para classificação às semifinais. Com isso, vai ficando mais atraente aos olhos do torcedor, em função da ousadia que os times passam a adotar porque não interessa mais a ninguém ficar preso a cautelas. Vencer é o que importa, empatar é péssimo negócio
Aliá, a baixa quantidade de empates é um sintoma da agressividade dos ataques. Curiosamente, o Remo é o segundo colocado na pontuação geral, mas tem baixa produção ofensiva, com 9 gols. Segue bem posicionado porque ganhou cinco vezes e empatou apenas uma, mas fica atrás do PSC, que tem o segundo melhor ataque, com 16 gols.
A sétima rodada teve 18 gols marcados, média de 3,6 por partida. Só perde para a primeira rodada, que teve 19 gols. No total, o campeonato registra 98 gols, média de 2,8. São números expressivos, que inserem o Parazão 2020 entre os mais movimentados e ofensivos da década. E esses números podem subir ainda mais.
Um bom comparativo está na tábua de artilheiros. Enquanto no ano passado, o lateral Michel (do Paragominas) foi o principal anotador, com apenas 5 gols, nesta edição a artilharia está com o atacante Pecel (Castanhal), com 8 gols.
Talvez o aspecto mais especial do Parazão 2020 é a postura assumidamente destemida de algumas equipes interioranas, que noutras temporadas se agarravam a esquemas conservadores. Castanhal e Paragominas, posicionados no G4 e com um balaio de gols na competição, são a confirmação de que atacar é bom negócio.
O Japiim, comandado por Artur Oliveira, é o time que mais fez gols até agora – 17. O Jacaré, de Robson Melo (Rogerinho ficou até a sexta rodada), fez 14. São times que correm riscos naturais pela maneira desassombrada com que se entregam aos jogos.
O Paragominas, por exemplo, aplicou goleadas sobre Carajás (5 a 0) e Independente (4 a 0), mas levou de 5 a 0 do PSC. O Castanhal venceu três jogos com contagem de três gols.
As três próximas rodadas prometem ainda mais arrojo e apetite, pois alcançar o G4 ainda é sonho possível para Independente (9 pontos) e Águia (8). Ao mesmo tempo, os quatro primeiros terão que se lançar em busca de vitórias que permitam consolidar posições.
Os quatro da parte inferior da tabela – Tapajós, Itupiranga, Bragantino e Carajás – encaram uma missão quase suicida para escapar ao rebaixamento. Serão jogos interessantes, travados por time abertos e dispostos a vencer a qualquer custo. Com isso, ganha o torcedor, que já vivia enfastiado de tantos confrontos travados e insossos.
Djalma, o polivalente que resolve problemas
Depois do jogo de domingo, o técnico Mazola Junior destacou o comportamento tático do Remo e elogiou as atuações de Eduardo Ramos e Laílson. É claro que outros jogadores também tiveram desempenho satisfatório, embora não mencionados pelo comandante azulino. Djalma foi, seguramente, um dos mais participativos da equipe, desdobrando-se na marcação e na cobertura à frente da linha de zagueiros.
Diante disso, é inevitável o questionamento acerca das escolhas de Rafael Jaques, que ficou por três meses dirigindo o time e não notou as habilidades do meio-campista. Ou não percebeu isso nos treinos ou não foi informado a respeito. Com a dinâmica que Djalma imprime ao jogo teria sido mais útil do que Xaves, titular imexível no esquema de Jaques.
No clássico, além de ajudar a cobrir espaços pelo lado direito da defesa, bastante vulnerável com Nininho, a movimentação de Djalma no meio propiciou a Eduardo Ramos liberdade para ações em direção à área adversária. Com o time mais ajustado, Djalma pode vir a ser o jogador capaz de funcionar como escolta para Ramos, que já não tem fôlego e velocidade para funções de vigilância, como Jaques pretendia.
Gavião do Norte quer jogar sempre aos sábados
O Manaus, adversário da dupla Re-Pa no Brasileiro da Série C, protocolou ontem um ofício junto à Federação Amazonense de Futebol, solicitando a realização das suas partidas como mandante pela competição nacional sempre aos sábados, às 16h (horário local), na Arena da Amazônia.
Segundo o vice-presidente do autointitulado Gavião do Norte, “definimos o dia da semana, o horário e o local para mandarmos nossos jogos pela Série C. Acreditamos que esta uma boa escolha, principalmente para o nosso torcedor, que terá o domingo livre para descansar e curtir a família”.
Como se sabe, a capital baré curte mais torneios de peladas do que futebol profissional, o que tirou dos domingos a primazia de ter jogos importantes.
A generosa e cara mania de repatriar veteranos
Robinho, o eterno “rei das pedaladas”, quer retornar ao futebol brasileiro, depois da passagem fugaz e atribulada pelo Atlético-MG. Atualmente no futebol turco, o atacante ensaia um revival no Santos, clube que o revelou, juntamente com Diego. Viria por R$ 1 milhão mensais.
É compreensível que Robinho tenha esse projeto. Duro de entender é que o Santos embarque na aventura cara de repatriar um veterano que há muito tempo não mostra nada de útil em campo. Sem esquecer dos problemas com a Lei – Robinho responde a processo por estupro na Itália.
(Coluna publicada na edição do Bola desta terça, 10)
“É crime Bolsonaro dizer que foi eleito no primeiro turno. Mentira. Tem gente pedindo responsabilidade. Não tem nenhuma. Despreparado, agravará crise e culpará imprensa, Congresso, coronavírus. Podia apresentar prova da fraude eleitoral junto com a do empréstimo ao Queiroz”.
Ronaldinho Gaúcho, ex-astro do Brasil e do Barcelona, está se adaptando rapidamente à vida em uma prisão do Paraguai, disse o chefe da instalação à Reuters nesta segunda-feira, mas seus advogados têm esperança de que ele pode ser posto em prisão domiciliar em breve enquanto a investigação continua.
“Em termos gerais, ele está indo muito bem”, disse o diretor Blas Vera à Reuters em uma entrevista por telefone. “Vejo que ele está bem disposto, do jeito que você o vê na televisão, sempre sorrindo.”
Vera disse que Ronaldinho e seu irmão, Roberto Assis, que foram presos na sexta-feira por usarem um passaporte paraguaio falsificado, irão se apresentar perante um juiz na terça-feira. Seu advogado, Sérgio Queiroz, disse à Reuters que eles pediram à Justiça que os coloque em prisão domiciliar e que ofereceram garantias de que não há risco de fuga.
Vera disse que o ex-meia-atacante do Paris St-Germain e do Milan e seu irmão têm camas, uma televisão e um ventilador em sua cela na prisão situada nos arredores da capital Assunção. Os irmãos usam um banheiro comunitário e têm direito de usar o pátio externo com frequência.
Os advogados da dupla lhes têm proporcionado as refeições, e eles não comeram a comida oferecida pela prisão. A instalação de segurança máxima tem cerca de 195 detentos, entre eles políticos e policiais acusados de corrupção e traficantes de droga renomados.
Os prisioneiros mais perigosos estão em uma ala diferente da de Ronaldinho, explicou Vera, acrescentando que está trabalhando para que a estadia dos irmãos seja “tão confortável quanto possível”.
Carlos Gamarra, ex-capitão da seleção do Paraguai que também jogou em vários times do Brasil, visitou Ronaldinho com um grupo de ex-jogadores no domingo.
Vera disse que outras pessoas presentes para a visita de praxe de domingo fizeram amizade com o brasileiro. “Também havia um grupo de meninos e meninas e ele lhes deu as boas-vindas, abraçou-os e bateu papo com eles”, contou.
Ronaldinho, que no ano passado foi nomeado embaixador do turismo do governo do Brasil, foi convidado ao Paraguai pelo proprietário de um cassino local e chegou na quarta-feira para participar de eventos no país.
Apesar de ter jogado profissionalmente pela última vez em 2015, Ronaldinho, que ainda representou Atlético Mineiro, Flamengo e Fluminense, ainda é imensamente popular entre torcedores de futebol e anunciantes de todo o mundo.
Ele conquistou a Copa do Mundo com o Brasil em 2002 e a Liga dos Campeões com o Barcelona em 2006, e foi eleito Jogador do Ano da Fifa em 2004 e 2005. (Da Reuters)
Os membros do partido Democrata nos Estados Unidos concordam plenamente a respeito de qual a meta para 2020: impedir a reeleição de Donald Trump. Em tudo o mais, multiplicam-se discórdias.
O risco do cenário político atual é palpável. Trump não concedeu aos migrantes nenhum direito mínimo de dignidade, encarcerou até mesmo crianças que cruzaram as fronteiras com os seus pais, naturalizou no debate público a xenofobia, a misoginia, a LGBTfobia, aumentou a desigualdade de um sistema de tributação já profundamente desigual. E o processo que ensejou a abertura de um impeachment do presidente deixou clara sua disposição de abusar do cargo com o intuito de prejudicar os prospectos eleitorais de Joe Biden, seu então provável opositor.
Um dos cientistas políticos que vêm investigando as ameaças atuais à democracia, Yasha Mounk, argumenta que o que está em jogo nas eleições de 2020 é ainda mais preocupante. A história demonstra que os líderes similares a Trump que foram reeleitos para um segundo mandato passaram a colocar as instituições democráticas sob um risco muito mais grave. Quando reconduzido ao poder, o mandatário alcança maior autoridade e consegue assumir um controle mais amplo de instituições independentes, como o Judiciário, o Congresso, as agências executivas, a mídia, impedindo que essas exerçam suas funções democráticas de freio e contrapeso.
O cenário é grave, mas as discórdias no interior do Partido Democrata tornam as expectativas ainda mais inquietantes.
A grande aposta do establishment do partido para 2020, Joe Biden, começou a disputa de forma decepcionante. Politicamente experiente, moderado, com uma boa base de apoio entre a classe trabalhadora branca e os afro-americanos, o candidato não parecia ser uma má jogada eleitoral.
A idade avançada de Biden (77 anos) era uma desvantagem. Pior, era a baixa adesão que teria entre os eleitores e movimentos mais propositivos de uma renovação no Partido Democrata. E, como havia sido previsto por alguns analistas, a abertura do impeachment contra Trump, proposto por evidências de suborno e extorsão, também poderia comprometer a imagem do pré-candidato democrata. O problema era que seu nome e o de seu filho ficariam expostos na mídia durante todo processo, junto ao telefonema em que o presidente intimava seu colega na Ucrânia a investigar os negócios de Hunter Biden no país.
Por uma mistura de razões, Biden demorou a decolar. O establishment se dividiu: o ex-prefeito Pete Buttigieg foi um dos principais favorecidos. Amy Klobuchar buscou ao máximo competir os votos disponíveis no centro político, mas pouco se beneficiou dos financiamentos, que preferiram o ex-prefeito. Correndo por fora, Mike Bloomberg, o maior bilionário a concorrer a presidência dos Estados Unidos em toda história, com uma fortuna 18 vezes maior do que a de Trump, investiu mais em publicidade do que todos os outros pré-candidatos combinados (precisamente, duas vezes mais do que todo o resto). O foco das propagandas era justamente os 14 estados que foram às urnas no último dia 3 de março, a chamada “Super Terça”.
O cenário pulverizado da disputa e os resultados oficiais do candidato Joe Biden começaram a mudar com a “Ameaça Bernie”. Bernie Sanders é senador de Vermont, autointitula-se um “socialista democrata” e foi tradicionalmente um político independente, mas se filiou ao Partido Democrata em 2016 e agora novamente em 2020 para concorrer às eleições primárias que decidem o candidato a presidente.
Na disputa contra Hillary Clinton em 2016, Sanders já havia desafiado o establishment partidário e, mesmo não chegando a se tornar uma ameaça real, prolongou a decisão de quem seria o candidato oficial até o fim. Mais do que isso, diversos elementos sugerem que vários dos seus apoiadores se ressentiram do tratamento dado pelo partido, dos indícios de favorecimento a Clinton e que alguns se abstiveram do pleito eleitoral.
Do ponto de vista do establishment, o quadro de 2020 é mais ameaçador. A fragmentação de candidatos ao centro fez com que Sanders vencesse a maioria das disputas primárias até a Super Terça. Seus apoiadores são profundamente mobilizados, com uma estrutura de organização mais avançada do que em 2016 e a enorme exposição que o candidato teve até agora estava criando um impulso em sua campanha que poderia torná-lo irrefreável.
O “centro moderado” e o establishment circundante se reestruturaram. Antes perdendo doadores, a campanha de Biden recebeu US$ 2 milhões nos quatro dias que antecederam a primária na Carolina do Sul e mais US$ 2,5 milhões via SUPER PAC. Um aumento expressivo para quem tinha menos do que a metade das verbas arrecadadas por Sanders em início de fevereiro (o primeiro tinha US$ 7,1 milhões, e o último, US$ 16, 8 milhões).
O investimento deu certo. Biden venceu na Carolina do Sul, com uma larga vantagem sobre Bernie (48,4% x 19,9%). Outros pré-candidatos moderados, especificamente Pete Buttigieg e Amy Klobuchar, abandonaram a disputa e apoiaram o ex-vice presidente. Poucos observadores notaram, no entanto, que a vitória do candidato do establishment em 2020 foi bem abaixo do que as marcas alcançadas por Hillary Clinton no mesmo estado em 2016 (76,4% x 26%).
Já os apoiadores de Sanders logo captaram e denunciaram em redes sociais como, em todas as primárias antecedentes, houve demora no anúncio do vencedor, exceto na Carolina do Sul. O resultado final de Iowa levou mais de 20 dias, mas mesmos os demais estados anunciaram o vencedor apenas madrugada adentro, quando todos os eleitores já dormiam. Já o sucesso de Biden na Carolina do Sul foi proclamado pela mídia em poucos minutos, com base em um survey com os eleitores e foi amplamente analisado durante toda noite. A larga vantagem entre um pré-candidato e outro permitia o anúncio antecipado, antes dos resultados oficiais. De qualquer forma, a “denúncia” de eleitores de Bernie de um complô da mídia e do establishment para diminuir o impacto de toda vitória do senador “radical” tinha raízes reais. Raízes que possuem bases profundas e históricas no Partido Democrata.
Há pouco mais de 50 anos, o partido de Roosevelt, que havia sido hegemônico na política estadunidense entre 1932 e 1968, sofreu uma grande derrota, cujos efeitos ainda podem ser sentidos. Dois pré-candidatos conectados à juventude e aos movimentos mais à esquerda do partido disputavam com o presidente Johnson e, logo a seguir, com seu vice e candidato substituto (Hubert Humphrey). Eugene McCarthy e Bob Kennedy (que acabou sendo assassinado antes do fim das primárias) desafiaram o vice-presidente especialmente por causa do descrédito da Guerra do Vietnã. A principal base destas campanhas advinha dos movimentos antiguerra. Embora McCarthy e Kennedy tenham colecionado mais vitórias nas primárias que Humphrey, os chefes locais partidários (os bosses) participaram de todo o tipo de negociatas e de trocas de favores e asseguraram a nomeação do candidato do establishment. Estavam dados todos os componentes que levaram ao desastre da Convenção Nacional do Partido em Chicago em 1968, quando Humphrey foi anunciado como o representante do partido nas eleições, ao mesmo tempo que manifestantes contrários à Guerra do Vietnã eram violentamente reprimidos pela polícia em cenas televisionadas e transmitidas para todo o país.
Depois deste momento trágico, o partido que até então era o hegemônico elegeu apenas três presidentes dos Estados Unidos: Carter, Clinton e Obama. Mas 1968 é apenas uma face da saga dos conflitos internos ao partido Democrata. A outra face aconteceu em 1972 e pode ser vista como a história de 1968 invertida.
Entre 1968 e 1972, a disputa eleitoral intrapartidária se transformou em batalhas sobre a melhor maneira de reformar a estrutura partidária, especialmente, o método de condução das primárias. A “nova esquerda” se organizou em torno de um movimento (conhecido como New Politics) que buscou garantir a realização de primárias em todos os estados e tentou promover um aumento de participação e influência dos militantes na agenda política partidária. Além disso, buscou adotar medidas para o recrutamento afirmativo de minorias e de jovens como delegados nas convenções do partido.
Apesar das reações do establishment, um dos líderes na condução destas reformas, George McGovern, foi nomeado o candidato a presidente na eleição de 1972. Os democratas foram às eleições extremamente divididos, porém, e McGovern sofreu, primeiro de tudo, a oposição de seu próprio partido. Esta campanha foi criticada por seu “excesso de radicalismo”, sendo que alguns políticos e grupos da base do próprio Partido Democrata se recusaram a anunciar apoio a McGovern, incluindo, o presidente da federação dos sindicatos AFL-CIO (George Meany).
O resultado foi a maior derrota eleitoral do partido desde o NewDeal de Roosevelt. Nixon arrancou votos até mesmo de bases que eram, então, tradicionalmente democratas (como os dos trabalhadores de baixa escolaridade e os estados do Sul), e McGovern venceu apenas em Massachusetts e no Distrito de Columbia. Entre os grupos da coalizão democrata, apenas os negros se mantiveram fiéis e não votaram nos republicanos. Esta foi a última vez que um candidato mais à esquerda e em contato com os movimentos sociais conseguiu alcançar a nomeação do partido. Algumas campanhas tiveram, no entanto, repercussões significativas, como as de Jesse Jackson, em 1984 e 1988, e a de Bernie Sanders, em 2016.
O impacto da derrota massiva de McGovern pode ser sentido até hoje. Durante as eleições de 2016, por exemplo, um comentarista do Wall Street Journal comparava aquela eleição à de 1972 e chegava mesmo a “culpar” McGovern pelo fenômeno Trump.
Em 2020, é comum o comentário entre membros do establishment, da mídia e de analistas de diferentes posições políticas do quanto é arriscada a escolha de Sanders como candidato oficial do partido, já que seu radicalismo afastaria os setores majoritários do partido. Apesar de atrair ativistas e a juventude, não atrai a maioria e compromete assustadoramente a eleição para o Congresso, especialmente nos swingstates (que ora dão vitória aos democratas, ora aos republicanos), o que potencialmente pode levar a que Trump conquiste novamente maioria nas duas casas legislativas.
De fato, por um lado, existem argumentos razoáveis que permitem sustentar tal precaução. Por outro, um olhar atento à história permite levantar um outro risco igualmente plausível. Um partido dividido como é o Democrata, cujo dissenso vem crescendo nos últimos anos, precisa tanto de sua base moderada, quanto de sua base mais progressista e à esquerda. Em meio ao crescimento da desigualdade nos Estados Unidos, da evolução de dívidas com saúde e com financiamento da universidade, parece ainda mais problemático imaginar que é possível não satisfazer a ala mais à esquerda do partido e conquistar uma vitória nas eleições presidenciais.
O pronunciamento de Bernie Sanders na noite do dia 3 de março, logo após a divulgação dos primeiros resultados da Super Terça, denunciava claramente como o outro pré-candidato apoiou a Guerra do Iraque e ratificou o polêmico resgate aos bancos, entre outras pautas que o movimento que ele lidera rejeita. Outros temas, não mencionados por Bernie, também já se transformaram em controvérsias eleitorais, como o apoio de Biden à lei de Clinton contra o crime (1994), considerada por muitos como responsável pelo aumento do encarceramento em massa nos Estados Unidos. O debate sobre cada um desses pontos vem sendo desenvolvido nos últimos meses e não é de pouca importância para os grupos mais progressistas.Leia também: EUA e a redefinição dos Direitos Humanos, por Hannah de Gregório Leão
O discurso de Biden na última terça, por sua vez, denunciou novamente que uma campanha divisiva, radical, distanciada da ala moderada do partido não conseguiria unir a base dos democratas e derrotar Trump.
É possível reconhecer, no entanto, que os três candidatos democratas que tiveram sucesso em ser eleitos presidentes depois de 1972 foram justamente aqueles que conseguiam atrair e aproximar tanto a ala mais progressista do partido, quanto a mais centrista, fabricando uma imagem de si perfeitamente ajustada a estas duas paixões.
Jimmy Carter surgiu em meio à crise do Vietnã e do Watergate, prometendo resgatar a moralidade na política estadunidense, abraçou os direitos humanos, escolheu assessores representativos de minorias, mas tinha também um discurso fortemente associado aos princípios do ajuste fiscal e controle das finanças e ainda era um candidato religioso da região sul do país.
Bill Clinton é atualmente lembrado pelo amplo compromisso com o neoliberalismo e por um discurso criminal punitivista, mas naquele período ele também apelava claramente para uma ideia de um “novo sul” e de modernidade. O ex-presidente prometeu “acabar com a assistência social como a conhecemos”, mas sua “mão esquerda” se comprometeu com o crescimento econômico, com a expansão de empregos e com uma maior estabilidade. Tudo isso, permitindo algo que a direita conservadora republicana não admitia: o respeito aos direitos das mulheres, aos direitos civis e à defesa do meio ambiente, pautas que atraíam suburbanos de classe média mais liberais.
Barack Obama é um grande retrato dessa dupla face. Subiu nas pesquisas anunciando a mudança, ele próprio representando um grande avanço, em um país que enfrentou o racismo a ponto de estar apto a eleger seu primeiro presidente negro. Embora tenha sido eleito durante a crise de 2008, nunca usou a oportunidade, no entanto, para assumir uma batalha contra o sistema financeiro. Decepcionou, com isso, alguns eleitores mais à esquerda.
Com base em uma perspectiva histórica, é difícil, sim, imaginar que Sanders consiga conquistar o restante da base do Partido Democrata. Mesmo que convencesse, a eleição poderia repetir a derrota de 1972 para a campanha ao Congresso, uma vez que haveria uma grande chance de o partido se voltar contra o nomeado, assim como fez com McGovern. Alternativamente, o outro lado também apresenta fraquezas consideráveis que nos fazem perguntar qual será o alcance deste novo impulso de Biden. Vencer as primárias é uma possibilidade provável, mas poderá ele conseguir uma vitória contra Trump sem a base progressista do partido?
O desenrolar das eleições de 2020 nos darão estas respostas. Por enquanto, podemos esperar que, nos próximos meses, cada um dos pré-candidatos continuará a denunciar o outro como inelegível. Existem grandes chances de que o bordão mais repetido ao longo desta campanha continue a ser o típico início de frase que vem sendo usado para acusar o adversário de excesso de radicalismo, ou sob outro ponto de vista, de um exagerado compromisso com o sistema atual. Refiro-me à sentença tão reproduzida que já é um clássico: “We are not going to beat Donald Trump, if we…”.
* Natália Mello é professora de Relações Internacionais da PUC- SP e pesquisadora do INCT-INEU.
** Este texto é uma republicação da análise publicada pela autora no Boletim Lua Nova, em 5 mar. 2020. A versão original está disponível aqui.
Belém volta a ficar sob o domínio da água, entregue à força dos elementos e ao poder destruidor de seu gestor tucano, legítimo continuador do descalabro de Duciomar Costa. A resistência da cidade chega a se heoica, após 15 anos de demsnados, inépcia e incompetência adminitativa.
Não é mole, não. Foram oito anos sob a regência de Dudu. Agora, são sete anos já sob o desgoverno tucano. Curiosamente, dois des-prefeitos que têm o amarelo (palidez) como cor preferencial.
Valha-nos quem?
Na TV, o prefeito argumenta que o caos tem origem nas ações de São Pedro. Tudo cai do céu, segundo o energúmeno, que ainda teve a pachorra de chamar o apresentador de banana – logo ele, o próprio néscio em figura de gente.
A coincidência de maré alta com saneamento mal feito é a razão maior das desditas do povo de Belém, que sofre a cada novo dia debaixo d’água.
Até quando esperar?
Com a palavra, o Legislativo municipal, o Ministério Público Estadual e a Justiça – será que existe? – deste fim de mundo.
Uma das atrações anunciadas para a estreia da CNN Brasil, marcada para o domingo (15), às 20h, é uma entrevista exclusiva com o presidente Jair Bolsonaro, que já declarou esperar que o canal seja diferente da Globo, emissora tratada por ele como sua inimiga.
O novo canal também prevê uma plataforma de streaming, a CNN Brasil GO, a princípio só para os assinantes que já dispõem do acesso ao canal pela TV paga. O endereço deverá ser lançado poucos dias depois do canal, segundo o seu presidente e cofundador, Douglas Tavolaro, em entrevista à Folha, por email.
Sócio de Rubens Menin, empresário do ramo da construção civil, Tavolaro só aceitou responder às perguntas da entrevista por e-mail, alegando tempo escasso para honrar todas as tarefas até a estreia do canal.