
POR GERSON NOGUEIRA
O Re-Pa que fecha a fase de classificação do grupo B da Série C tem tudo para ser a mais vibrante e dramática decisão entre os centenários rivais paraenses. Pelo andar da carruagem, ambos chegarão ao choque-rei precisando vencer para obter classificação.
Escrevo antes do fim da 15ª rodada, mas o equilíbrio reinante na parte de cima da tabela indica que tanto Papão quanto Leão irão precisar pontuar na 18ª rodada. É improvável que um deles consiga gordura suficiente nas próximas duas rodadas para não depender do último jogo.
No caso do Remo, a situação é ainda mais grave, pois o time teve amplas possibilidades de garantir antecipadamente a vaga desde o começo do returno da etapa classificatória. O mérito de ser a equipe mais regular até a 14ª rodada, permanecendo sempre no G4, o time de Márcio Fernandes patinou nos dois últimos jogos do turno – derrotas para São José e PSC.
A defesa nunca fraquejou, mas os problemas de articulação se acentuaram com a saída de Douglas Packer e a perda do ala-zagueiro Rafael Jansen, lesionado. Junte-se a isso o crescimento técnico dos adversários, que passaram também a rastrear (e anular) as virtudes do time azulino.
O fato é que a virada de fase flagrou um Remo mais fragilizado no meio-campo e pouco contundente na frente. Tudo o que foi positivo no começo se tornou preocupante na segunda fase. Não há desespero, mas é evidente que os tropeços frente a Ypiranga, Juventude, Luverdense e Tombense tornaram o trajeto até a classificação mais complicado.
Apesar de ainda depender de suas forças – classifica-se caso vença dois dos jogos restantes –, não há mais a tranquilidade de administrar a caminhada, como estava mais ou menos desenhado antes da derrota para o Tombense. Cresce, a probabilidade de não alcançar as duas primeiras colocações, que dão vantagem de fazer em casa o jogo de volta do mata-mata.
Do lado alviceleste, a recuperação empreendida nas últimas oito rodadas pode ser atribuída ao trabalho de Hélio dos Anjos, que inverteu as expectativas na Curuzu. Reenergizou o time quando torcida e diretoria já se conformavam com a possibilidade de uma campanha frustrante.
A perspectiva de obtenção da vaga depende do resultado diante do São José (jogo disputado depois do fechamento da coluna). Caso vença, o PSC somará 23 pontos, habilitando-se a garantir a classificação com uma vitória e dois empates nos jogos que restam – Atlético-AC, Luverdense e Remo.
Um empate mantém preserva chances de classificação, embora não permita voltar ao G4. Com 21 pontos, haverá necessidade de ganhar dois dos três jogos. Já uma derrota deixa o time fora do G4, com o risco de cair uma posição, e torna obrigatório conquistar duas vitórias e um empate.
Por essas e outras variáveis, é quase certo que o 4º clássico do ano será uma portentosa luta fratricida, com sérios desdobramentos para quem perder e imenso contentamento para o vencedor. Sem desprezar, obviamente, a hipótese sempre possível de um empate que pode ser mortal para ambos.
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Trabalho de Fernandes encara momento mais delicado
Márcio Fernandes quase conquistou a unanimidade junto ao torcedor remista quando o Remo empreendeu um bom começo na Série C e chegou à liderança do grupo B. A performance veio se juntar à conquista o título estadual e fez do técnico um nome inquestionável no Baenão.
Esse conceito vem sendo corroído pela maneira como o Remo se atrapalha em jogos fáceis, desperdiçando pontos importantes, principalmente em confrontos disputados em casa. A crônica dificuldade em mexer no time, a demora em operar mudanças ao longo dos jogos e a teimosia com algumas peças têm comprometido o trabalho do treinador.
Na derrota para o Tombense, a queda de rendimento ficou evidente, assim como a incapacidade reativa do Leão ante um adversário limitado e que só começou a atacar quando percebeu que a fragilidade remista. Há o forte receio de que o time, caso se classifique, não consiga superar um oponente da chave nordestina na briga pelo acesso.
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Bola na Torre
Giuseppe Tommaso apresenta o programa, a partir das 20h (excepcionalmente), na RBATV. Integram a bancada de debates a jornalista Paula Marrocos (Rádio Clube) e este escriba de Baião. Na pauta, tudo sobre a Série C e a Copa Verde.
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Azarão, Braga pode surpreender na Copa Verde
Para o Bragantino, a Copa Verde já começou, e com sucesso. O time dirigido por Robson Melo passou com louvor pelo primeiro obstáculo, o São Raimundo-RR. Duas vitórias, uma em Bragança e outra em Boa Vista, ambas por 2 a 1. Pelo ritmo apresentado, o Tubarão deixou para trás a fase ruim experimentada no mata-mata da Série D.
Fidélis voltou a ser peça importante e Wendell é uma aquisição que agrega habilidade ao setor de criação, além de ser um definidor. Na 2ª fase, pega o Santos-AP e tem chances de ir em frente. Na condição de franco-atirador, o Braga pode ser uma boa surpresa na competição regional.
(Coluna publicada no Bola deste domingo, 04)


