Doleira confirma pressão na Lava Jato para delações premiadas contra Lula

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A primeira presa na Lava Jato afirmou nesta quarta-feira, 7, que a pressão e o desejo de liberdade podem levar suspeitos ou condenados a mentir em depoimentos e delações. Beneficiada por um indulto concedido no final de 2017 pelo ex-presidente Michel Temer, Nelma Kodama teve a pena extinta. Em 2014, ela foi condenada a 18 anos por corrupção, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Depois de um acordo de delação premiada, cumpriu apenas 3 anos e teve direito ao benefício.

Em entrevista exclusiva à Rádio Bandeirantes, a doleira disse que o relato é comum entre presos na operação. “Quando você está preso, você faz qualquer coisa. Chega a um ponto que você fala até da sua mãe porque a pressão é muito grande, e o sofrimento é muito grande. Nessa altura do campeonato, você acaba falando, às vezes, até o que você não tem e o que você não deve. Certamente [pessoas mentiram em depoimento], senão você não sai”.

Segundo Nelma Kodama, presos na Lava Jato também relatavam pressão para citar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “O Lula era o assunto. Eu não sou PT, não estou falando sobre política e sim sobre crime. Todo crime precisa ter prova e não houve prova. Cadê o cadáver? Então, qual foi o objetivo? (da prisão)”, afirmou. Ela ainda confirmou que existiu uma delação premiada para entregar o principal alvo da Lava Jato, no caso o ex-presidente da República. “Havia esse tipo de conversa, claro, por parte das pessoas que queriam sair [da prisão]”.

Torcida lota treino para incentivar o Leão

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A torcida azulina marcou presença, em grande número, lotando as arquibancadas do estádio Baenão, para incentivar os jogadores no último treino antes do embarque para o Rio de Janeiro, onde o Remo enfrenta o Volta Redonda na próxima sexta-feira.

Por seu turno, a diretoria do clube pagou antecipadamente 50% dos salários de julho (vencimento é no dia 10 de agosto) aos jogadores e acertou com o elenco o valor da premiação em caso de classificação.

Maia, centrão e deputado do PSDB dizem que transferência de Lula é perseguição e absurdo

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Na Câmara dos Deputados, o presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ), parlamentares de partidos do centrão e até do PSDB criticaram, nesta quarta-feira (7), a decisão da juíza federal Carolina Lebbos de autorizar a transferência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de Curitiba para uma unidade prisional em São Paulo, seu estado de origem.

A juíza negou um pedido da defesa de Lula para aguardar decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre eventual suspeição das decisões do ex-juiz Sergio Moro (hoje ministro da Justiça) e anulação do julgamento do ex-presidente.

No plenário, o deputado Joaquim Passarinho (PSD-PA) afirmou estranhar a decisão da juíza. “Apesar de nunca ter votado nele, acho que [Lula] é um ex-chefe de Estado e merecia um outro tratamento”, disse. Para ele, tocar no assunto mais de um ano depois parece “perseguição à toa.”

Maia respondeu, concordando. “Tem toda razão, deputado”, afirmou. O presidente da Câmara se colocou à disposição “para que o direito do ex-presidente seja garantido.” 
José Nelto (GO), líder do Podemos, também qualificou a decisão da juíza de perseguição. “O que a Justiça fez hoje, eu quero aqui condenar publicamente. Não se justifica retirar o ex-presidente Lula de Curitiba e levar para Tremembé. Isso é humilhação, esta juíza deveria repensar os seus atos. Perseguição eu não aceito com ninguém, seja de direita ou de esquerda.”

Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), deputado ligado a Aécio Neves (PSDB-MG), qualificou a decisão judicial de “verdadeiro absurdo”. Segundo ele, é algo que “coloca em risco o respeito que o Brasil conquistou como país garantidor dos direitos.”

Adivinhe quem nomeou juiz que decidiu transferir Lula… ele mesmo: Moro

O juiz Paulo Eduardo de Almeida Sorci, responsável pelo deferimento da transferência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o presídio de Tremembé, no interior de São Paulo, foi nomeado pelo atual ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro. A informação foi dada pela deputada federal e presidente do PT, Gleisi Hoffmann, durante entrevista coletiva na Câmara dos Deputados, na tarde desta quarta-feira (7). A reportagem do R7 checou a informação e constatou que, de fato, o juiz foi indicado por Moro.

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De acordo com a publicação no Diário Oficial da União do dia 26 de fevereiro de 2019, o ministro Moro anunciou o quadro de magistrados que iam compor o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, com mandado de dois anos. Entre os nomes, está o de Paulo Sorci, qualificado como membro titular.

No final da manhã desta quarta, Sorci especificou em decisão judicial o presídio que ia abrigar o ex-presidente. Segundo o documento, o magistrado “autorizou a remoção do preso para este Estado (São Paulo), onde ficará recolhido na Penitenciária II de Tremembé “Dr. José Augusto César Salgado”. A data da transferência, porém, ainda não foi determinada.

A decisão de Soric é uma resposta, dada no mesmo dia, a deliberação dada pela juíza substituta Carolina Lebbos, da 12ª Vara Federal de Curitiba, que autorizou a transferência de Lula a partir de um pedido da PF (Polícia Federal). O órgão afirma que a manutenção da prisão de Lula na capital paranaense gera prejuízo ao interesse público, com o emprego de recursos humanos e financeiros destinados à atividade policial na custódia do ex-presidente.

Lula havia sido condenado a 12 anos e 1 mês de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no caso do tríplex no Guarujá (SP). Um ano e três meses depois da condenação, o STJ (Supremo Tribunal de Justiça) reduziu a pena para 8 anos, 10 meses e 20 dias de prisão.

Gabigol: artilheiro ou marqueteiro?

“Eu me recuso a chamar esse rapaz de Gabigol. O nome dele é Gabriel Barbosa. Na camisa dele está escrito como? Então, pronto. A gente tem que chamá-lo de G. Barbosa, porque ele não está nem entre os 10 maiores artilheiros dos pontos corridos da Série A. Se ele fizesse os gols que ele perde, aí sim eu chamaria de Gabigol. Vou chamar o Claudio Adão como? Vou chamar o Diego Souza, do Botafogo, como? De Diegogol? Diego tem mais gols que ele (Gabigol). Não sou contra o Gabriel Barbosa. Quando ele jogava no Santos ele deu entrevista pedindo que parasse de chamá-lo de Gabigol, é uma responsabilidade imensa”.

Carlos Alberto, ex-jogador de Fluminense e Vasco 

Para Comitê, transferência viola direitos legais de Lula

Nota emitida pelo Comitê Nacional pela Liberdade de Lula, entidade suprapartidária, em protesto contra a decisão de transferir o ex-presidente para uma prisão em São Paulo:

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Causa indignação e é motivo de repúdio a decisão da juíza Carolina Lebbos, responsável pela execução penal do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, transferindo-o para São Paulo. Atendendo a requerimento da Polícia Federal, a magistrada determina que seu encarceramento seja deslocado sem garantir o direito a uma sala de estado-maior, configurando risco de drástica deterioração em suas condições carcerárias. Indeferiu, assim, o argumento principal apresentado pelos advogados de defesa, que submetem qualquer hipótese de traslado ao respeito incondicional às atuais condições carcerárias.

Tanto a PF quanto o Ministério Público e a juíza manifestam claramente disposição de aumentar o grau de isolamento do ex-presidente, elencando mobilizações e atividades da Vigília Lula Livre como uma das razões para a transferência. Também buscam impedir o fluxo atual de visitas, já bastante limitado.

Preso de forma injusta e arbitrária, como está claramente comprovado pelas mensagens recentemente publicadas pelo site The Intercept e outros veículos de comunicação, o ex-presidente Lula é vitima de mais uma ofensiva patrocinada por seus algozes, atropelando a Constituição, as leis e a jurisprudência firmada pelas cortes superiores.

A deliberação da juíza Lebbos não passa de ato mesquinho e vingativo da Operação Lava Jato.

A transferência deve ser suspensa até que o STF decida sobre o habeas corpus que demanda anulação do julgamento por suspeição do ex-juiz Sérgio Moro, conforme já se pronunciaram os advogados do ex-presidente, sempre respeitando sua integridade e seu direito à prisão em sala de estado-maior.

Convidamos todos os democratas a protestar contra mais esse atropelo ao devido processo legal, aos direitos humanos e de cidadania.

Convocamos todos os ativistas e apoiadores da Campanha Lula Livre a intensificar sua mobilização pela liberdade do ex-presidente e o reconhecimento de sua inocência.

O Brasil precisa de justiça.

Comitê Nacional Lula Livre

São Paulo, 7 de agosto de 2019

Ordem de transferência é novo ato de perseguição a Lula, diz PT

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Em nota, a presidência do PT reagiu à decisão de transferência do ex-presidente Lula para São Paulo:

1) A decisão de transferir o presidente Lula de Curitiba para São Paulo é de exclusiva responsabilidade da Superintendência da Polícia Federal do Paraná, que solicitou a medida, e da juíza de Execuções Penais Carolina Lebbos, que deferiu o pedido sem considerar os argumentos da defesa do ex-presidente.

2) Lula não deveria estar preso em lugar nenhum porque é inocente e foi condenado numa farsa judicial. Não deveria sequer ter sido julgado em Curitiba, pois o próprio ex-juiz Sergio Moro admitiu que seu processo não envolvia desvios da Petrobrás investigados na Lava Jato.

3) A decisão da juíza Carolina Lebbos caracteriza mais uma ilegalidade e um gesto de perseguição a Lula, ao negar-lhe arbitrariamente as prerrogativas de ex-presidente da República e ex-Comandante Supremo das Forças Armadas.
4) O Partido dos Trabalhadores exige que os direitos de Lula e sua segurança pessoal sejam garantidos pelo estado brasileiro, até que os tribunais reconheçam a sua inocência, a parcialidade da sentença de Moro e a ilegalidade da prisão, onde quer que seja cumprida.

Gleisi Hoffmann, presidenta nacional do PT
Paulo Pimenta, líder do PT na Câmara dos Deputados
Humberto Costa, líder do PT no Senado Federal

Brasília, 7 de agosto de 2019