Bolsonaro agride maior grupo editorial do país e volta a atacar jornalistas

Jair Bolsonaro voltou a criticar a imprensa nesta quinta-feira, 22, e afirmou que o jornal Valor Econômico “vai fechar”. O motivo, segundo o presidente, é o fim da obrigatoriedade de empresas de capital aberto publicarem seus balanços em jornais, previsto em medida provisória editada pelo seu governo no início do mês.

O presidente Jair Bolsonaro 
O comentário do presidente foi feito durante café da manhã com representantes da Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão (ACAERT), no Palácio do Planalto. “Sabe o que eu posso fazer? Chamo o presidente da Petrobrás aqui e digo: ‘Vem cá, (Roberto) Castello Branco. Você vai mostrar seu balancete este ano no jornal O Globo’”, disse o presidente, acrescentando que, mesmo que custasse R$ 10 milhões, poderia determinar.

“Posso fazer ou não? Vinte páginas de jornais para isso (publicação de balanços). E o jornal Valor Econômico, que é da Globo, vai fechar. Não devia falar? Não devia falar, mas qual é o problema? Será que eu vou ser um presidente politicamente correto? Uai. É isso daí aqui no Brasil”, afirmou Bolsonaro durante o encontro.

A MP permite a empresas com ações em bolsa a publicação de seus balanços no site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ou no Diário Oficial gratuitamente. Ao anunciar a medida, no dia 6 de agosto, Bolsonaro afirmou que era uma “retribuição” ao tratamento que recebeu da imprensa. Uma lei sancionada pelo próprio presidente em abril previa que os balanços fossem publicados de forma resumida nos jornais a partir de 2022.

“Há uma briga com a mídia tradicional, com a grande mídia, na questão de deturpar (informações)“, disse o presidente no encontro.

Mais cedo, Bolsonaro falou sobra a MP durante conversa com jornalistas. “Tirei de vocês (jornalistas) R$ 1,2 bilhão com publicação de balancetes. Não é maldade. É bondade e Justiça com os empresários, que não aguentam pagar isso para publicar páginas e páginas que ninguém lê. Então, publica no site oficial, CVM, a custo zero”, disse.

O presidente afirmou ainda que “a imprensa” está acabando como acabou a profissão de datilógrafo. “Já estamos ajudando assim a não ter desmatamento, porque papel vem de árvore. Estamos em uma nova era. Assim como acabou no passado o datilógrafo, a imprensa está acabando também. Não é só por questão de poder aquisitivo do povo que não está bom. É porque não se acha a verdade ali.”

CR7, Lewis Hamilton, Daniel Alves e Corinthians se mobilizam pela Amazônia

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As queimadas dos últimos dias na Amazônia vem causando repercussão no mundo todo. As celebridades puxaram a fila e iniciaram os protestos nas redes sociais. Em seguida, atletas de relevância mundial, como o atacante Cristiano Ronaldo e o piloto Lewis Hamilton, aderiram ao movimento e demonstraram sua opinião usando a hashtag #PrayForAmazon (“Reze pela Amazônia”).

Cristiano Ronaldo relembrou que a Amazônia produz mais de 20% do oxigênio do mundo e está queimando há três semanas. “É nossa responsabilidade ajudar a salvar nosso planeta”.

O pentacampeão de Fórmula 1 Hamilton afirmou que é devastador ver o mundo sofrendo e fez uma comparação com o esporte para explicar o tamanho da destruição. “Um espaço maior que um campo de futebol está sendo queimado a cada minuto”.

Até um clube brasileiro fez o seu protesto. O Corinthians editou um vídeo que mostra a região da Amazônia no mapa brasileiro pegando fogo dentro do símbolo da equipe – a bandeira brasileira está dentro da paulistana, no centro do escudo. Daniel Alves, do São Paulo, o argentino Paulo Dybala, da Juventus, e o jogador espanhol de basquete Pau Gasol também se manifestarem via redes sociais.

Macron convoca reunião emergencial do G7 para conter destruição da Amazônia

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O presidente da França, Emmanuel Macron, foi às redes nesta quinta-feira (22) para denunciar a onda de queimadas que vêm atingindo a Amazônia. Ele convocou uma reunião com países do G7 para discutir quais atitudes serão tomadas.

“Nossa casa está em chamas. Literalmente. A Amazônia, pulmão do nosso planeta, que produz 20% do nosso oxigênio, está queimando. É uma crise internacional. Membros do G7, vamos discutir esta emergência nos dois dias”, diz Macron no Twitter.

Ao mesmo tempo, a fumaça dos incêndios florestais que afetam a Amazônia no Brasil e na Bolívia há mais de duas semanas chegou a algumas províncias do Peru, segundo o Centro de Operações de Emergência Regional (COER) do departamento de Madre de Dios.

Autoridades peruanas informaram na quarta-feira (21/08) que uma cortina fina de fumaça apareceu na última segunda-feira na província de Tambopata, situada na região de Madre de Dios, devido ao ar que chega proveniente dos dois países vizinhos.

O fenômeno é percebido pela população através de um cheiro não muito forte, e por enquanto as autoridades regionais não tomaram medidas de emergência. A qualidade do ar está sendo monitorada pelo Serviço Nacional de Meteorologia e Hidrologia (Senamhi) e outras instituições competentes.

Diversos fogos de incêndio estão queimando a Floresta Amazônica no Brasil e na Bolívia. O Serviço Nacional Florestal e de Fauna Silvestre do Peru (Serfor) descartou, no entanto, que as chamas que se alastram pela região boliviana de Santa Cruz de la Sierra representem perigo para o território peruano.

Com relação ao Brasil, ainda não há dados oficiais sobre a dimensão do estrago causado pelos incêndios. Estima-se, porém, que milhares de hectares estão sendo consumidos pelo fogo nos estados de Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), os focos de fogo em todo o país neste ano superam em 83% a quantidade registrada no mesmo período em 2018.

O presidente Jair Bolsonaro culpou a seca pela tragédia e, sem qualquer prova, chegou a acusar ONGs ambientalistas de estarem por trás das queimadas para supostamente prejudicar seu governo.

Nesta quinta-feira, o presidente da Colômbia, Iván Duque, ofereceu ajuda aos governos vizinhos para combater os incêndios. “A tragédia ambiental na Amazônia não tem fronteiras e deve chamar a atenção de todos. Nós, do governo nacional, oferecemos aos países irmãos o nosso apoio para trabalhar conjuntamente em um propósito urgente: proteger o pulmão do mundo”, escreveu o mandatário no Twitter.

O descaso do governo brasileiro com o meio ambiente tem sido alvo críticas da comunidade internacional. As imagens dos incêndios que já atingiram vários estados brasileiros, no entanto, dispararam um alerta mundial nesta semana e repercutiram em massa nas redes sociais, com intensa pressão para que as autoridades trabalhem para solucionar o problema.

Como parte dessa mobilização, circula nas redes a convocação para um protesto na sexta-feira, em frente à embaixada do Brasil em Bogotá, com o objetivo de cobrar medidas do país. Um protesto semelhante também foi convocado por grupos ambientalistas no Equador. Coordenado pelos ativistas do movimento Extinction Rebellion, os manifestantes se reunirão em frente à embaixada brasileira em Quito.

Uma ação semelhante foi convocada para a próxima segunda-feira em frente ao consulado brasileiro da cidade equatoriana de Guayaquil, uma das mais povoadas do país. O equatoriano ativista Beno Bonilla, do grupo Yasunidos, afirmou que a situação na Amazônia é dramática e representa uma séria ameaçada à humanidade.

Segundo Bonilla, esse fenômeno tem explicações na prática histórica de queimar grandes florestas para expandir as fronteiras agrícolas, uma atividade que no passado já mostraria efeitos negativos em áreas sensíveis como a Amazônia. O ativista equatoriano acredita também que a atual situação foi impulsionado por Bolsonaro que flexibilizou o controle ambiental.

Papa se manifesta sobre desmatamento na Amazônia e cobra responsabilidades

A desmoralização de Jair Bolsonaro não para de aumentar. O Papa Francisco manifestou sua indignação com o desmatamento na Amazônia. De acordo com o jornal italiano La Stampa, o Papa Francisco acredita que é papel dos líderes mundiais salvar a floresta, que abrange nove países da América do Sul. De acordo com o Pontífice, a bioma “é um lugar representativo e decisivo”.

“Junto com os oceanos, contribui determinantemente para a sobrevivência do planeta”, recordou o Papa, que convocou para outubro um sínodo de bispos sobre esse tema no Vaticano.

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Somente em junho deste ano, foram destruídos 920,2 km² de floresta na Amazônia, um aumento de 88% em comparação com o mesmo mês do ano passado, de acordo com o Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), serviço de alerta sobre o desmatamento e a degradação florestal na Amazônia Legal. De abril a junho, houve o desmatamento de 1.907,1 km². Em 2018, foram registrados 1.528,2 km² no mesmo período, ou seja, houve um crescimento de 24,8%.

O Papa convidou os líderes políticos a eliminarem “os próprios conluios e corrupções” para que se concentrem nesses temas. “Devem ser assumidas responsabilidades concretas, por exemplo, sobre o tema das minas ao ar livre, que envenenam a água provocando tantas doenças”, afirmou Francisco,

A revista The Economist pediu um boicote à carne e à soja do Brasil, contra o desmatamento ilegal. A Alemanha congelou um financiamento de R$ 155 milhões para projetos de preservação da Amazônia e a Noguega anunciou a suspensão de uma cifra superior a R$ 130 milhões.

O presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), o goiano Marcello Brito, CEO da Agropalma, também prevê prejuízos para a economia brasileira. Questionado pelo Valor se “é questão de tempo que parem de comprar do Brasil”, o presidente da Abag foi taxativo: “É questão de tempo”.

Efeitos da privatização dos Correios em debate na Assembleia Legislativa

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Para debater as consequências que a privatização dos Correios poderá acarretar à sociedade a Comissão de Direitos Humanos e Defesa do Consumidor da Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), juntamente com o Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos do Estado do Pará (Sincort-PA), realiza audiência pública nesta quinta-feira (22) no auditório João Batista, na sede da Alepa, às 14h.

Na primeira semana do mês, dia 2, o presidente Jair Bolsonaro anunciou que a privatização dos Correios “está no radar” do seu governo. Uma das principais implicações que a privatização poderá acarretar é o fim da universalização de serviços postais e o comprometimento do acesso a políticas públicas por parte da população; o envio e distribuição de vacinas e entrega de livros didáticos são realizados pelos Correios.

Israel Rodrigues, presidente do SINCORT, informa que em municípios pequenos com pouca receita são os Correios que oferecem serviços bancários, com a ameaça da privatização a população ficará ou sem o serviço ou terá que se descolar para outras cidades.

Ele ainda completa que é a entidade federal mais presente no território nacional, com agências em cerca de cinco mil municípios do país. Em se tratando da realidade Amazônica de dimensões continentais e onde o acesso à comunicação ainda é precário em algumas localidades são os Correios que mantém um elo de presença do Estado. No Pará existem cerca de 170 agências em todo o território paraense.

“Às vezes os Correios são as únicas instituições públicas de uma região, não tem banco, não tem INSS; os Correios fazem também alguns serviços do INSS, ele poderia ser um porta-voz se tivesse investimento e entendimento geral do governo”, diz Rodrigues.

De acordo com dados da União Postal Universal (UPU), agência da ONU responsável por regulamentar o serviço postal no mundo, dos 192 correios do mundo, apenas oito são privatizados (Malásia, Malta, Países Baixos, Cingapura, Líbano, Portugal, Aruba e Grã-Bretanha). Outros oito os serviços postais contam com participação privada.

O momento da audiência também será de lançando da campanha nacional em defesa dos Correios no Pará: Correios. Orgulho de um país inteiro. Nas redes sociais a campanha tem sido mobilizada com a hashtag #TodosPelosCorreios.

Satélite da Nasa registra queimadas na Amazônia

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A notícia sobre os incêndios na floresta amazônica ganhou o mundo hoje, com as imagens impressionantes captadas pelo satélite da Nasa.

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A legenda traduzida diz o seguinte:

“A fumaça de incêndios florestais na Amazônia se espalha por vários Estados brasileiros nesta imagem de cor natural tirada por um instrumento da @NASAEarth no satélite Suomi NPP. Embora seja uma temporada de incêndios no Brasil, o número desses incêndios pode ser recorde”. 

Leão avança, mas passa aperto

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POR GERSON NOGUEIRA

O Remo cumpriu o seu papel, venceu por três gols de diferença e se classificou à 2ª fase da Copa Verde, coisa que não conseguia há dois anos. Apesar do placar folgado, a equipe foi inferior ao Sobradinho em grande parte do confronto. Na primeira meia hora de jogo não se via sinal de organização e plano tático do lado azulino. As coisas só começaram a mudar (discretamente) após o gol de Gustavo Ramos, aos 38 minutos.

O lance nasceu de num lançamento alto de Dedeco na área, pegando a zaga desprevenida. Gustavo partiu da direita para o centro da área e recebeu livre para tocar no canto direito do gol de Léo.

Antes disso, porém, o Remo passou maus pedaços. Os primeiros 30 minutos de partida mostraram um Sobradinho jogando com liberdade, inicialmente em ritmo lento, mas tocando a bola com consciência pelos lados e se insinuando em direção à área azulina.

Com boa movimentação dos meias Geovane e Carlos Henrique, o time visitante acionava bem os atacantes Gilvan e Winsman, criando seguidas oportunidades quando exploravam o lado esquerdo da zaga remista.  Ronaell não tinha cobertura e era constantemente envolvido nas triangulações.

Os volantes Pingo e Dedeco não faziam o bloqueio à frente da defesa e permitiam espaços para as manobras do Sobradinho. A melhor chance foi desperdiçada por Winsman. Após confusão na área remista, o atacante recebeu sem marcação, mas bateu rente ao poste do gol de Tiago, aos 29 minutos.

A situação só ficou mais tranquila para o time e a torcida presente ao Mangueirão após Gustavo balançar as redes. Minutos depois, Dedeco também marcou, mas a jogada foi invalidada por impedimento.

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Na etapa final, o panorama não se alterou muito. O Remo voltou mais plugado, marcando mais em cima e com Neto Baiano saindo da área para tentar jogadas pelo lado esquerdo. O problema é que o meio-campo não se acertava. Os erros de passe não permitiam a elaboração de jogadas. Zotti, que devia ser o organizador, foi um dos menos produtivos da equipe.

Aos 15’, Márcio Fernandes decidiu fazer uma alteração dupla, substituindo Neto Baiano e Geovane por Hélio Borges e Wesley. A modificação fez o Remo sair da apatia no meio. Surgiram mais jogadas pela direita com Hélio, que insistiu com tentativas de driblar e chegar à área.

Aos 20 minutos, Emerson Carioca perdeu chance preciosa. Recebeu passe longo de Fredson, chegou à frente dos zagueiros, mas chutou rasteiro facilitando a defesa parcial do goleiro.

Cansado, Zotti foi substituído por Eduardo Ramos aos 30’. Foi o último cartucho de Márcio Fernandes para tentar garantir a vitória por dois gols de diferença e fugir à cobrança de penalidades.

Ramos deu mais qualidade e dinamismo à meia-cancha, liberando Wesley para se juntar a Gustavo, Carioca e Hélio no ataque. Deu certo. Aos 34’, Hélio avançou pela direita, passou pela marcação e chutou cruzado. A bola bateu em dois zagueiros e entrou no meio do gol.

Depois de alcançar a vantagem que precisava, o Remo passou a marcar em seu próprio campo, facilitando a chegada do desesperado Sobradinho. A marcação sempre atrapalhada permitiu duas chegadas agudas do time candango, com Gilvan e Erick.

Aos 46, o goleiro Tiago apareceu muito bem para evitar o gol do Sobradinho. Andrei mandou um chute forte e o goleiro espalmou. No rebote, o próprio Andrei cabeceou e Tiago desviou com a ponta dos dedos quando a bola tomava o rumo das redes.

Aí o Remo saiu em contra-ataque rápido com Gustavo Ramos, que driblou o lateral e cruzou para Emerson. Livre de marcação, ele chutou no canto direito. A bola ainda bateu na trave antes de entrar.

Com o terceiro gol, o público finalmente se manifestou comemorando a vitória e a classificação. Apesar do resultado positivo, a atuação relaxada e o desempenho ruim de vários jogadores deixaram um rastro de preocupação na cabeça dos torcedores.

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Jogadores exibem coragem e dão exemplo

Ainda repercute, pelo ineditismo, a reação dos jogadores do Figueirense, anteontem à noite, recusando-se a entrar em campo contra o Cuiabá pela Série B do Campeonato Brasileiro. O ato resultou em derrota do Figueira por W.O. e derrota por 3 a 0. Em sua defesa, a diretoria do clube tentou se justificar, atribuindo toda a responsabilidade aos jogadores.

O ato foi de iniciativa dos atletas, mas a causa do problema tem a ver com atos de irresponsabilidade administrativa da diretoria, que vem protelando o pagamento de salários e perdeu a confiança do elenco profissional.

A equipe catarinense ainda será ser julgada pelo STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva), correndo perigo de novas sanções. A recusa dos jogadores foi uma resposta à atitude da presidência, que não cumpriu promessas de quitação da folha salarial, atrasada desde julho de 2019.

Os direitos de imagem também estão pendentes desde maio. A decisão de não entrar em campo já era consensual entre os jogadores desde o começo da semana passada. Em nota, a diretoria tentou evitar a greve prometendo quitar as dívidas até o dia 28 de agosto, mas o diálogo já havia sido suspenso entre as partes.

Situações desse tipo ocorrem frequentemente na Argentina e no Chile, onde os sindicatos de atletas são mais participativos e os atletas demonstram maior consciência trabalhista. Que o exemplo do Figueira sirva de exemplo para atletas e dirigentes. Respeito aos profissionais deve ser prática diária.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 22)