Bolsonaro confirma ato de vingança contra jornais

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta terça-feira, 6, durante inauguração de uma fábrica de remédios oncológicos em Itapira (SP), que a decisão de disponibilizar o Diário Oficial da União para que as empresas publiquem seus balanços anuais a custo zero é uma “retribuição” à forma como foi tratado pela imprensa durante a campanha eleitoral.

“(Bolsonaro foi eleito) sem televisão, sem tempo de partido, sem recursos, com quase toda a mídia o tempo todo esculachando a gente. (Chamavam de) Racista, fascista e seja lá o que for. No dia de ontem eu retribuí parte daquilo que grande parte da mídia me atacou”, disse o presidente.

Até a Medida Provisória anunciada na segunda-feira, 5, por Bolsonaro, as empresas eram obrigadas a pagar pela divulgação dos balanços em jornais privados. Embora tenha associado a MP ao tratamento que recebeu durante a campanha eleitoral, Bolsonaro disse que não se trata de retaliação.

“Os empresários que gastavam milhões de reais para publicar seus balancetes em jornais agora podem fazê-lo no Diário Oficial da União a custo zero. Não é uma retaliação contra a imprensa, é tirar o Estado de cima daquele que produz”, afirmou o presidente.

Bolsonaro participou hoje da inauguração da planta de farmoquímica oncológica do laboratório Cristália, em Itapira. Ele foi recepcionado por políticos locais, parlamentares, executivos e funcionários da empresa.

Vestindo um jaleco branco, Bolsonaro posou para fotos e distribuiu abraços entre os participantes. Alguns o chamaram de “mito”. O presidente teve quase 80% dos votos no segundo turno da eleição presidencial em Itapira.

ANJ 

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) divulgou nota na qual afirma ter recebido com “surpresa e estranhamento a edição da Medida Provisória 892”.

“Além de ir na contramão da transparência de informações exigida pela sociedade, a MP afronta parte da Lei 13.818, recém aprovada pela Câmara e pelo Senado e sancionada pelo próprio presidente da República em abril. Por essa lei, a partir de 1º de janeiro de 2022, os balanços das empresas com ações negociadas em bolsa devem ser publicados de modo resumido em veículos de imprensa na localidade sede da companhia e a sua integralidade nas versões digitais dos mesmos jornais”, diz a nota da ANJ.

Papão terá time mesclado para enfrentar o Naça na abertura da Copa Verde

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Começa nesta quarta-feira a campanha do Papão na Copa Verde 2019. Bicampeão do torneio, o time enfrenta o Nacional-AM pelas oitavas de final, fazendo o possível para não comprometer a campanha na Série C, onde briga pela classificação ao mata-mata do acesso. Por essa razão, vários titulares serão poupados para o jogo de ida, em Manaus.

O técnico Hélio dos Anjos ressalta a importância da Copa Verde, mas enfatiza a necessidade de ter força máxima nos próximos três jogos da Série C.

Nós vamos ter um grupo muito forte para disputar a Copa Verde, sem sacrifício. Naturalmente vão ter jogadores que participam do Brasileiro para esse jogo de quarta-feira, caso do Victor [Oliveira], que já adianto. Se eu optar por Dieguinho [Matos] ou Collaço [na lateral-esquerda], qualquer um dos dois foi titular da equipe. Tecnicamente, nós não temos o pensamento de escalar uma equipe menosprezando a competição, mas temos que ser inteligentes”, disse.

Falou também sobre a utilização do goleiro Giovanni (foto acima), que ainda não teve chances no time titular. “O Mota tem sido um jogador importantíssimo, mas o Giovanni é um atleta de 26 jogos na temporada, de Paulista, de segunda divisão, campeão pelo Atlético-MG. Não muda nada. Giovanni não está jogando porque o Mota não deixou, não é por falta de qualidade”.

Outro jogador que será poupado é o meia-atacante Tomas Bastos, preservado para o jogo decisivo de sábado contra o Atlético-AC pela Série C. Adiantou, ainda, a escalação de dois jogadores que não enfrentaram o São José-RS.

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“Tomas é um jogador que vamos recuperar melhor, o Hygor vamos recuperar melhor. Vou segurar dois jogadores que chegaram e entraram para jogar. Quem vai jogar na função do Hygor é o Elieton, quem vai no lugar do Tomas é o Tiago [Luís]. Ele foi contratado para ser o cara. Ele está tentando, está buscando. Naturalmente a responsabilidade é nossa. Eu vou ser muito sincero, time grande é que tem duas, três disputas no ano. Agora, naturalmente, a vida do Papão é subir para segunda divisão e o jogo de sábado é muito importante”, afirmou. 

Artilheiro admite estreia fraca, mas promete volta por cima no Leão

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A estreia não foi o que a torcida esperava. Nem a que Neto Baiano acreditava poder fazer. Último reforço de peso anunciado pelo Remo na Série C, o centroavante de 36 anos chegou cercado de expectativa, mas entrou por cerca de 35 minutos contra o Tombense e não conseguiu jogar bem.

Só teve uma oportunidade, mas errou o cabeceio, aos 41 minutos do segundo tempo, e a bola foi nas mãos do goleiro. “Não fiz um jogo legal, entrei com um tempo legal para poder mostrar e acabei não rendendo o que esperava. Agora espero que no próximo jogo eu possa ter um pouquinho mais de tempo e mostrar o que realmente eu vim fazer aqui, que é gol”.

Neto acredita em recuperação já a partir do jogo com o Volta Redonda. “Eu vim aqui para ajudar, para poder somar. Acho que na partida que entrei não fui legal, poderia ter feito aquele gol de cabeça e acabei perdendo, mas eu me cobro muito. Pode ter certeza que nessas três partidas que faltam eu vou dar a minha vida para fazer gols e trazer o resultado positivo para o Remo. São três partidas totalmente difíceis [pela Série C], mas o Remo é grande e a gente vai buscar as três vitórias”.

Otimista, ele assegura à torcida que o Remo estará na segunda fase da Série C e que vai brigar pelo acesso de divisão.

“Não é legal perder, derrota é sempre ruim da torcida entender, mas é melhor perder agora do que no mata-mata. Tenho certeza que o Remo vai classificar. A equipe que o Remo tem é para subir para a Série B. Vamos buscar o mais rápido possível esse resultado fora de casa, porque dentro tenho certeza que vamos ganhar”

Neto diz confiar na qualidade da equipe, apesar dos últimos percalços. “A equipe é qualificada, tem um grande treinador, tem grandes jogadores, atletas que têm rodagem. Nas horas decisivas os jogadores de verdade têm que aparecer. O Remo precisa da classificação e essa é a hora de mostrar quem é quem. Estou aqui para mostrar quem eu sou, porque eu fiquei chateado. Escuto rádio, escuto tudo porque gosto que ouvir as coisas boas e ruins que estão falando de mim, principalmente as ruins, porque aí eu procuro no dia a dia me aperfeiçoar mais. A cobrança é legal. Não adiantar ser só elogiado e não ter cobrança”, concluiu.

O próximo jogo do Leão será na próxima sexta-feira, às 20h, contra o Volta Redonda, no estádio Raulino de Oliveira, no Rio de Janeiro. (Com informações da Rádio Clube) 

Antes da MP que golpeia mídia tradicional, Bolsonaro fez ameaça grosseira

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Os donos da mídia tradicional e seus principais colunistas, com talvez nenhuma exceção, apostaram fortemente em Jair Bolsonaro na campanha eleitoral do ano passado. Ele ganhou, mas a mídia que o apoiou está perdendo.

Já na véspera de baixar a MP que desobriga empresas de fazerem publicidade legal em jornais de grande circulação, na Bahia, ontem, Bolsonaro já mostrou suas garras: “A campanha acabou para a imprensa, eu ganhei. Eu, Jonnhy Bravo, Jair Bolsonaro ganhou, porra!”

O monstro saiu da caixa mais uma vez – com raiva e palavrão. Quem apoiou, se não sabia muito bem quem ele era, agora sabe!

Corinthians publica nota repudiando ação da PM contra torcedor

O Corinthians divulgou nota oficial hoje repudiando ação da Polícia Militar, que retirou um torcedor da arquibancada no clássico contra o Palmeiras no último domingo, em Itaquera, por gritar palavras contra o presidente Jair Bolsonaro (PSL).

Entenda o caso:

Em publicação no Facebook na madrugada desta segunda-feira (5), o vendedor Rogério Lemes Coelho afirma que foi preso neste domingo (4) ao gritar palavras contra Jair Bolsonaro no clássico entre Corinthians e Palmeiras, no Itaquerão, em São Paulo.

“Gente boa do meu Brasil, hoje entrei na Arena Corinthians expondo minha opinião contra o atual governo e olha o q aconteceu!!! Fui preso!Humilhado! Algemado!!”, afirma Rogério, que compartilhou imagem do Boletim de Ocorrência. Leia mais aqui.

Leia a íntegra da nota:

A Arena e o Sport Club Corinthians Paulista vêm a público repudiar o episódio que resultou na prisão do torcedor Rogério Lemes Coelho durante o jogo ocorrido no último domingo (04) contra o Palmeiras na Arena Corinthians, após sua manifestação contra o Presidente da República. O clube historicamente reitera seu compromisso com a democracia e a defesa do direito constitucional de livre manifestação, desde que observados os princípios da civilidade e da não violência. A agremiação lembra que diferentes autoridades, entre elas o presidente do clube, já foram alvo de manifestações da torcida durante os mais variados eventos esportivos realizados no local e o episódio caracteriza-se como um grave atentado às liberdades individuais no Estado Democrático de Direito.

“Future-se” é o fim da democratização das universidades, avalia reitor da UFC

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Por Lu Sudré, no Brasil de Fato

“É um programa simples que vai dar nova dinâmica para a Educação”. Com essas palavras, Jair Bolsonaro definiu o programa Future-se, anunciado em julho por seu governo em meio a uma profunda crise na área da educação devido ao corte de 30% no orçamento das universidades federais.

O projeto  prevê a criação de um fundo de cerca de R$ 102 bilhões para atrair investimentos privados nas instituições de ensino superior do país, mas causou mal-estar e preocupação dentro de setores da comunidade acadêmica.

Com a ideia central de diminuir a participação do Estado na manutenção das federais, o plano de financiamento defendido por Abraham Weintraub, ministro da Educação, permitirá que Organizações Sociais (OSs) compartilhem a gestão das universidades. O Future-se também permitirá a contratação de professores sem concurso público.

Em entrevista ao Brasil de Fato, Henry Campos, reitor da Universidade Federal do Ceará (UFC), analisa que o projeto abre espaço para a privatização do ensino superior.

“É inadmissível conviver com uma proposta dessa em um momento em que as universidades são duramente penalizadas com cortes sucessivos em seus orçamentos, porque além dos 30% já houve cortes adicionais de custeio. A minha universidade, por exemplo, há duas semanas, foi penalizada com um corte adicional de R$1,3 milhão em custeio”, afirma Campos.

Para o professor associado da Université Paris-Descartes, a pluralidade socioeconômica das federais está em jogo. “Esse projeto significa claramente o fim da democratização das universidades, processo que nós temos tido nos últimos anos. Hoje, na nossa universidade [UFC], 60% dos alunos são oriundos de escola pública. É um mecanismo de ascensão social dos mais relevantes”, ressalta Henry.

Segundo pesquisa da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), os universitários brasileiros que ingressam o ensino superior nas instituições públicas são, em sua maioria, pessoas de baixa renda, negros e mulheres. O estudo endossa que a democratização no ensino superior de fato aconteceu nos últimos 15 anos. A inclusão de estudantes mais pobres, por exemplo, com renda familiar per capita de um salário mínimo e meio, subiu de 42,8% para 70,2% de 2003 para 2018.

Preocupado com o desmonte da bem-sucedida política de expansão universitária pública, o reitor da UFC, lança a pergunta: “Qual o patrimônio maior da sociedade brasileira que não suas universidades públicas?”.

Confira entrevista na íntegra.

Brasil de Fato: O que o Future-se representa para o ensino superior brasileiro? Qual sua análise sobre essa proposta?

Henry Campos: É uma pergunta difícil de responder com a especificidade que merece, até porque é uma proposta muito pouco clara. Muito evasiva. E que suscita, por isso mesmo, muita dúvida e muita insegurança no meio acadêmico.

Essa questão do fundo, por exemplo, não é clara. O que faz pensar que esse fundo seria constituído em parte pelo orçamento atual das universidades e outra parte pela alienação de imóveis da União, preferencialmente das universidades. Estamos em um processo que não traz segurança e, pelo contrário, assinala e sinaliza um futuro muito incerto.

É inadmissível conviver com uma proposta dessa em um momento em que as universidades são duramente penalizadas com cortes sucessivos em seus orçamentos, porque além dos 30% já houve cortes adicionais de custeio. A minha universidade, por exemplo, há duas semanas, foi penalizada com um corte adicional de R$ 1,3 milhão em custeio.

Então, como podemos debater qualquer coisa nesse sentido, ou dar algum crédito para uma proposta vinda de um governo que age dessa maneira. E que não tem mostrado, nenhuma intenção, em fazer um grande investimento na educação. Seja na superior ou na educação básica. Há muita apreensão, muita insegurança e muita insatisfação com relação a isso.

O que está sendo discutido é principalmente a questão do investimento privado nas universidades. Qual sua opinião sobre esse e outros pontos do projeto? 

Tudo aponta para uma privatização. Essa questão da universidade ser administrada por uma Organização Social (OS)… Será uma única? Será uma organização social por universidade?

Tem muita coisa que se coloca que as universidades já fazem e que precisam de condição para fazer melhor. A universidade já arrecada recursos. O problema é que quando podemos arrecadar recursos, tem um determinado limite. Depois o governo confisca porque vai pra conta única da União.

Então, nos deem liberdade e nós arrecadamos. Diminuiremos o custo das universidades para o Ministério da Educação. Vamos fazendo isso progressivamente. Não precisamos de uma proposta de Organização Social.

E nem de uma proposta completamente absurda como, por exemplo, remunerar professor por trabalho científico publicado. O que é isso? O Brasil é um dos grandes produtores de ciência no mundo: 95% das pesquisas são feitas nas universidades públicas.

Como é que se propõe abolir concurso público na universidade? Isso é sério? Qual seriedade que existe? É dar vez a privatização e todos os mecanismos que regem as entidades que se orientam pelo lucro. É muito claro que tudo está caminhando nessa direção.

Então, sua avaliação é que a proposta é danosa…

É uma proposta absurda, inaceitável. Ninguém pode ser convencido do contrário principalmente porque não se diz como isso vai ser feito. Pelo menos 16 leis teriam que ser mudadas para que isso aconteça.

Esse projeto significa claramente o fim da democratização das universidades, processo que nós temos tido nos últimos anos. Hoje, na nossa universidade [UFC], 60% dos alunos são oriundos de escola pública. É um mecanismo de ascensão social dos mais relevantes.

Uma parte, diria mais que 50% dos alunos, tem renda familiar a um salário mínimo e meio. São os primeiros de várias gerações a ter acesso à universidade. A sociedade precisa estar atenta para isso. Estamos correndo um sério risco.

Temos uma universidade diversa, plural, com grupos étnicos merecidamente contemplados por meio de cotas. Podemos perder tudo isso, nossa autonomia, nossa governança, que só faz melhorar… Nós somos controlados diariamente pelos órgãos de controle.

Possuímos uma posição muito boa com relação ao sistema de governança. Reconhecido pelos órgãos de controle. Pelo Tribunal de Contas da União (TCU), pela Controladoria-Geral da União (CGU). Seja a governança de maneira geral ou da tecnologia da informação. É uma falácia dizer que as universidades são mal administradas, não é verdade.

Agora, desde 2014 estamos sofrendo restrições orçamentárias. O dinheiro só encolhe e continuamos dando continuidade ao processo que tinha sido desenhado. Realmente, é um golpe. É um duro golpe na educação superior pública.

E é interessante que tudo isso acontece de par. Ocorre em um momento em que está havendo a fusão de grandes conglomerados de educação privada que certamente estão fortalecidos. E que, obviamente, em uma situação dessa, onde as leis passam a ser outras, vão poder absorver. Vai ser lei de mercado. É realmente muito preocupante.

Tem uma previsão de que ações do Fundo poderão ser negociados na Bolsa. Como isso funcionará?

Isso é uma pura falácia. Não há nenhuma indicação de que esse fundo terá liquidez. Qual é a segurança que se vai ter de liquidez desse Fundo para dizer que ele vai ser negociado na Bolsa de ações e que será valorizado? Nenhuma.

Isso é um absurdo. Deixa as universidades jogadas a sorte e ao acaso, e a todo um jogo de interesses em que se vai manipular e certamente favorecer os interesses de grandes conglomerados da educação privada. É a destruição do sistema de unidade das universidades federais do país.

Em longo prazo, com as sinalizações que o governo Bolsonaro tem colocado para as universidades, como o senhor analisa que será o futuro das federais?

O futuro não existirá. A tendência é que as universidades morram de inanição aos poucos. Como já começam a sofrer nesse momento. Não temos a menor segurança de como chegaremos ao fim do ano.

Na minha universidade, por exemplo, teremos recursos para trabalhar até o fim de agosto. E mais nada. Quando é que vão ser liberado mais recursos? Se quer falar em futuro da universidade, tem que começar criando um momento diferente e não um em que deixa a universidade sem condições de funcionamento com esses cortes.

Outra coisa: Por que essa proposta não foi construída as claras, construídas com as universidades? Dizem que houve discussão.. Uma apresentação e um show midiático, onde tudo foi contato e pegou todo mundo de surpresa? Realmente é um absurdo. É uma tristeza, uma lástima. Espero que a universidade resista a esse projeto. Que tenhamos apoio, no Congresso, para combatê-lo porque é um absurdo.

O que significa um governo, no primeiro semestre, decidir por esse tipo de projeto? 

É muito claro que há todo um interesse, uma obsessão pela questão ideológica. As universidades como centro de pensamento livre não são de direita e nem de esquerda, por mais que se procure rotular. São centro de pensamentos livres indispensáveis para o crescimento de qualquer sociedade. Há essa preocupação em introduzir um mecanismo de controle nas universidades.

Qual a marca que o governo Bolsonaro deixa no ensino superior público ao propor esse projeto?

É uma profunda tristeza. É uma falta de respeito, as coisas sendo tratadas de uma maneira pouco respeitosa. Medidas realmente muito estranhas. É uma obsessão pela ideologia, tudo é ideológico. Isso é terrível. Está nos colocando em uma posição vergonhosa no mundo.

As posições que tem sido tomadas pelo Brasil, o descompromisso com as metas estabelecidas pela Organização das Nações Unidas (ONU), para atingir os objetivos do milênio… Isso é muito triste.  Essa questão de querer esconder o aumento do desmatamento. Infelizmente, não é um governo do qual possamos nos orgulhar. É um governo que divide a sociedade, estimula a violência, o preconceito. É muito preocupante para as próximas gerações o país que teremos.

Lamentamos muito e esperamos que, de alguma maneira, o bom senso prevaleça, e que se faça uma análise. Há questões muito mais graves a serem tratadas e que as universidades não se recusam a discutir. Esse projeto é destruidor para as universidades. Qual o patrimônio maior da sociedade brasileira que não suas universidades públicas?

O Rock in Rio continua relevante?

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Por Daniel Abreu, no Whiplash.Net

Nos anos 80, quando Roberto Medina teve uma deia de fazer um festival de música de nível internacional no Brasil, todos achavam que ele era louco. Até aquele momento, poucos nomes tinham se arriscado por aqui. Alice Cooper, Queen e Genesis são alguns deles. O problema era a falta de estrutura que os países da América do Sul tinham para receber grandes shows. Relatos de corrupção, equipamentos que eram roubados, violência, tudo isso afastava bandas do calibre dos Rolling Stones.

Isso tudo mudou no dia 11 de janeiro de 1985, data da primeira edição do Rock in Rio. Foram dez dias de música em 250 mil metros quadrados na Barra da Tijuca para um público de 1,5 milhão de pessoas. Queen, Iron Maiden, Scorpions, AC-DC, Ozzy Osbourne, Rod Stewart, Yes, alguns dos expoentes da música internacional. O time da casa também não fez feio, com Ney Matogrosso, Paralamas do Sucesso, Gilberto Gil, entre outras feras.

De lá para cá o Rock in Rio ganhou mais seis edições no Brasil, com a sua sétima marcada para esse ano, algumas outras fora do país e festivais de música surgiram e desapareceram na mesma velocidade, mas a pergunta que fica é a seguinte: o Rock in Rio continua relevante?

Como apontado, a primeira edição foi a porta de entrada para os grandes artistas e bandas internacionais. A segunda (1991) e a terceira (2001) edições solidificaram o Brasil como uma praça viável de shows. Porém em 2011, quando o festival teve a sua quarta edição, o mundo e o Brasil já eram outros. Com a popularização dos smartphones e redes sociais, o Rock in Rio se tornou um evento para estar e não apenas para curtir música.

As novas gerações se interessam mais em registrar em fotos e vídeos os momentos mais especiais e compartilhar no facebook, instagram, twitter, etc., do que viver realmente aqueles momentos. E isso não é diferente nos grandes festivais de música. Eles automaticamente preferem postar do que aproveitar. Antigamente a única “preocupação” era apenas ver os shows.

A relação dos fãs com seus ídolos também mudou. Antigamente era mais raro um grande artista aparecer por aqui. Hoje não. O Beatle Paul Mccartney é um grande exemplo disso. Sua primeira vinda ao Brasil foi em abril de 1990. Em março ele desembarca por aqui para shows solo pela sétima vez desde 2010. Dessa forma, o Rock in Rio geralmente acaba escolhendo sempre os mesmos nomes, pois eles geram público e renda.

Para ser ter uma ideia, a banda californiana Red Hot Chili Peppers será um dos headliners deste ano. É a quarta participação do grupo no festival e a segunda seguida. Nas primeiras edições, por conta do ineditismo, vários grupos de peso estrearam em terras tupiniquins no Rock in Rio. Prince, Guns N’ Roses, Neil Young, são alguns dos grandes nomes que perderam a “virgindade” na América do Sul por aqui.

Portanto, respondendo à pergunta do título e do terceiro parágrafo, não, infelizmente o Rock in Rio deixou de ser relevante há muito tempo.

Ao mesmo, o negócio continua hiper lucrativo. O colunista Lauro Jardim em sua coluna no Globo Online publicou que a gigante norte-americana de eventos Live Nation comprou 60% das ações do Rock in Rio, que segue comandado por Roberto Medina – fundador e dono dos outros 40% do festival.