Daniel Alves confirma acerto com o São Paulo

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Daniel Alves é o do São Paulo. O clube tricolor chegou a um acordo com o lateral direito da seleção brasileira. O anúncio foi feito em um vídeo nas redes sociais da equipe paulista. O contrato é válido até dezembro de 2022. “Agora, é domingo, e nós estamos assistindo aos jogos de futebol na TV preto e branco. Para nós, esse é o melhor dia da semana, com muita alegria na nossa casa. Agora, é 2019, e eu poderia ter escolhido qualquer lugar para jogar, mas eu escolhi voltar para o Brasil. Pelo meu país, pelo meu povo. Pelo meu clube de coração. É irreal, mas eu estou aqui”, diz Daniel no vídeo.

O jogador de 36 anos também comemorou o acerto em sua conta no Instagram. “Sonhar é possível e realizar também…. Um dia sonhei com meu primo jogar no São Paulo e no Barcelona e hoje estou realizando a parte que faltava desse sonho!”, escreveu. No site oficial do clube, o presidente do Tricolor, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, falou sobre a contratação. “Daniel Alves é a personificação do que essa gestão vislumbra para o São Paulo. Um dos principais jogadores no mundo e reconhecido pelo seu imenso profissionalismo, por sua determinação ferrenha e sua sede interminável por títulos e vitórias”, disse.

“É, também, um cidadão engajado socialmente e apaixonado pelo nosso país. O São Paulo, portanto, ganha em todas as frentes possíveis. Um dia disse ao Daniel que ele viria jogar no São Paulo, seu clube do coração. Hoje tenho a imensa alegria e orgulho de ter cumprido essa promessa”, acrescentou. O São Paulo soube que Dani Alves gostou do interesse do clube em contratá-lo e apresentou um projeto esportivo de longo prazo para que ele tenha visibilidade mesmo atuando no Brasil.

O lateral gostou da possibilidade de assinar um vínculo de longo prazo e agora ficará mais perto dos filhos, que moram em Alphaville, na Grande São Paulo. O jogador ainda esperava propostas da Europa e estava sem clube desde que deixou o PSG, onde atuou nas últimas duas temporadas. Foi justamente por estar sem time que ele pôde assinar com o São Paulo mesmo depois do fechamento da janela de transferências na Europa, que ocorreu ontem.

Dani Alves foi o capitão do Brasil e melhor jogador da Copa América. Ele curtia férias no país após a conquista do título. Ao mesmo tempo, começou a fazer sua mudança de Paris para Barcelona, já que tinha o retorno ao Barça como prioridade antes de surgir o interesse do São Paulo. (Do UOL)

Trivial variado de um país de joelhos diante do retrocesso

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“Já dá para dizer com 100% de segurança. A parceria do site Intercept com Folha, Veja e Band sobre as conversas secretas da Lava Jato está produzindo uma das melhores investigações do jornalismo brasileiro. É uma aula de como se lapida informação de interesse público”. Gilberto Dimenstein

 

“Treta bilionária com a energia de Itaipu, que envolvia familiares de Bolsonaro, desarmada no Paraguai, foi classificada de traição à Pátria e ameça com impeachment mandatário. Aqui, o presidente entrega o país de graça aos Estados Unidos e a mídia acha muito natural”. Palmério Dória

“Desde março, o governo Bolsonaro cortou o envio de água da transposição do Rio São Francisco até Monteiro, na Paraíba. A obra pronta desde 2017, e Bolsonaro simplesmente interrompe o fluxo de água para o sertão. É incompreensível e desumano. E silêncio na imprensa”. Lula

“Tá aí a estratégia. Bolsonaro ataca credibilidade da Comissão da Verdade, chamando suas conclusões de balela. Mente sobre desaparecido de 64. Aí troca membros da comissão que decide reparações a vítimas da ditadura. Método tá descrito na página 79 de ‘Como as Democracias Morrem'”. Kennedy Alencar

“A chantagem de @deltanmd e cia aos ministros era para desencorajá-los a ser juízes.Sempre que magistrados iriam decidir casos como @LulaOficial,as monstruosidades voltavam. Até quando isso vai ficar impune? Eles precisam sair da Procuradoria,não só da Lava-Jato”. Renan Calheiros

Pesquisa diz que 62,8% são contra filho de Bolsonaro na embaixada nos EUA

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Do El País:

“Vou nomear, sim. E quem disser que não vai mais votar em mim, lamento”, repetiu Jair Bolsonaro no mês passado, em uma das inúmeras vezes em que teve de defender sua decisão de indicar o filho Eduardo, de 35 anos, para posto de embaixador nos Estados Unidos. A resistência ao desejo do mandatário, que aparecia em comentários nas redes sociais e nas declarações até de aliados, agora tem uma cifra: 62,8% dos brasileiros, segundo uma pesquisa inédita da consultoria Atlas Político, se opõem a que Eduardo deixe seu mandato de deputado para assumir um dos cargos mais nobres da diplomacia brasileira —o que para ser tornar efetivo ainda depende da aprovação do Senado. Outros 29,1% se dizem favoráveis e 8,1% não quiseram ou não souberam responder.

O levantamento, com 2.000 entrevistados recrutados pela Internet e com dois pontos percentuais na margem de erro, foi feito entre o último domingo e segunda-feira, 28 e 29 de julho, e registra uma oposição da opinião pública ainda maior quando o tema é exploração de reservas indígenas e ambientais na Amazônia, outro tema caro ao presidente. Na pesquisa, nada menos que 81,8% de dizem contra a extração de madeira e minério nas áreas protegidas da floresta, contra apenas 12,9% que se dizem a favor.

A pesquisa também mostra estabilidade para a aprovação de Jair Bolsonaro, que acaba de completar 200 dias na presidência. Sua aprovação está em 31%, em comparação aos 30,4% medidos pelo Atlas Político em junho. Já a desaprovação teve um pequeno repique, passando de 37,4% em junho para 39,3% agora. Pela primeira vez, há empate técnico entre quem tem imagem negativa de Bolsonaro (46,8%) e positiva (46,2%).

Punição para Dallagnol ou fim de linha para Lava Jato

“Se, depois da reportagem publicada nesta quinta por Folha e pelo The Intercept Brasil, o procurador Deltan Dallagnol continuar à frente da Lava Jato, então será preciso decretar, agora sim, a falência não só da força-tarefa, mas também do Ministério Público Federal, uma vez que até a Procuradoria-Geral da República, como ente, restará desmoralizada. Por quê? Contra a lei, Dallagnol investigou, de forma secreta, ao menos dois ministros do Supremo: Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Faltassem outras evidências de que a Lava Jato atuava — atua ainda? — como um Estado paralelo e policial, agora não há mais. Para piorar o quadro: os bravos da força-tarefa, liderados por Dallagnol, primeiro selecionavam os alvos para, então, dar início a uma investigação informal. E, por óbvio, o trabalho se completava com o vazamento para a imprensa não exatamente de informação. Podia ser um simples boato. A Receita Federal acabou fazendo parte da arquitetura criminosa”.

Reinaldo Azevedo

Apresentador pede demissão da Globo após faturar R$ 7 milhões trabalhando para o Bradesco

Reportagem de Daniel Castro no site Notícias da TV informa que o jornalista Dony De Nuccio pediu demissão da Globo após o Notícias da TV revelar o envolvimento do âncora do Jornal Hoje em negociações com clientes de uma empresa de comunicação que ele abriu em 2017. Nesta quinta-feira (1º), De Nuccio enviou e-mail a Ali Kamel, diretor-geral de Jornalismo, reconhecendo que contrariou o código de conduta dos jornalistas da emissora e, por isso, decidiu apresentar sua carta de demissão.

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O executivo aceitou a decisão “com pesar”, segundo nota divulgada pela Globo (veja no final deste texto). Dony já não apresenta mais o JH. A saída do âncora quase dois anos após assumir a bancada do Jornal Hoje (ele estreou em 7 de agosto de 2017) interrompe uma carreira meteórica. Ele já era apresentador substituto do Fantástico e do Jornal Nacional e visto como candidato à vaga de William Bonner na bancada do principal telejornal do país.

De acordo com a publicação, no e-mail a Ali Kamel, De Nuccio reconhece que se envolveu em “serviço pontual que pode ser interpretado como assessoria de imprensa”, o que viola as normas de quase todos os veículos de comunicação. Ele reclamou de ter sido vítima de “campanha para me destruir e sangrar a qualquer custo” e de “criminosa invasão de computadores, arquivos e mensagens”. Depois de revelar que a empresa de Dony, a Prime Talk, faturou R$ 7 milhões escondido da Globo com a produção de vídeos para treinamento de funcionários do Bradesco, alguns com a participação do jornalista, o Notícias da TV apresentou à Globo um e-mail que mostrava que De Nuccio esteve envolvido ativamente na negociação de um contrato com o Banco Bradesco que geraria uma receita de R$ 60.436.800 em três anos. Antes, ele havia negado que participava diretamente das discussões de valores.

“Procurei vasculhar o histórico de dois anos de e-mails enviados por mim enquanto cumpria função na empresa. De fato, na esmagadora maioria das vezes, eu não tratava de valores com contratantes. Mas, em algumas circunstâncias pontuais, e das quais eu sinceramente não me recordava, há sim menção a cifras e projetos”, discursa De Nuccio no e-mail enviado a Kamel. Na sexta-feira passada (26), Samy Dana, sócio de De Nuccio na Prime Talk, não teve seu contrato renovado pela Globo. Ele trabalhava para o grupo desde janeiro de 2013 e somava, além de suas entradas na TV, uma coluna nos jornais O Globo e Valor Econômico, no portal G1 e na Rádio Globo, completa o site.

Advogado acredita em possível acordo entre Najila e Neymar fora dos autos

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O advogado Danilo Garcia de Andrade, ex-representante de Najila Trindade, entregou uma petição à delegada da 11ª Delegacia de Polícia de São Paulo, Monique Patrícia de Lima. No documento ao qual o UOL Esporte teve acesso, Danilo esclarece os passos que acompanhou do inquérito policial enquanto esteve à frente da defesa de Najila e diz que acredita que a modelo e Neymar “possam ter se entendido fora dos autos”.

O ex-advogado afirma crer ainda que Najila teria sido orientada por pessoas próximas a produzir provas e a gravar o segundo encontro com Neymar em Paris.

“Acredito que algo de relevante aconteceu na primeira noite dela com o jogador Neymar no quarto em Paris. E que deste ocorrido, Najila, ao desabafar, teria sido instruída a gravar o jogador no dia seguinte e, dessa forma, outras pessoas ligadas à Najila de forma direta ou indireta construíram toda a situação que acompanhamos até o presente momento”, diz trecho do documento. “Assim, analisando os fatos como advogado criminalista, diria eu que as partes, Neymar e Najila, possam ter se entendido fora autos, fazendo assim com o que o conteúdo e/ou continuação do vídeo de 01 minuto e 06 segundos já não seja mais divulgado”.

Danilo, no entanto, diz não ter provas de qualquer entendimento entre eles. “Esclareço que, enquanto advogado, jamais participaria de tal empreitada e muito menos tenho conhecimento de que ela de fato ocorreu”. Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa de Neymar não deu declarações sobre o “suposto entendimento entre as partes”. O advogado afirma ter esperado a conclusão do relatório da delegada da 6ª DDM Juliana Bussacos para se pronunciar para não prejudicar ou influenciar o trabalho da autoridade policial. Sua ideia com o documento é esclarecer os fatos que foram levados ao conhecimento das autoridades e da sociedade por considerar que sua honra foi violada. “Toda vez que a honra do advogado é violada, é com ela violada a honra de toda a advocacia”.

O sumiço do vídeo

No documento, o advogado questionou a postura da ex-cliente ao se negar a entregar provas que ela dizia ter contra o suposto agressor. À época, ele ameaçou deixar o caso se Najila não apresentasse as provas que afirmava ter. “Esclareço que me estranha a postura de uma vítima de estupro que diz ter provas que corroborem suas alegações e, ao decorrer de sua instrução de defesa, ela faz, à revelia de seu defensor, manobras para dificultar a entrega das provas. Acredito que talvez este vídeo do celular tenha mais valor e relevância e seu conteúdo jamais aparecerá”.

“Acredito que este vídeo do celular tenha mais relevância no que corresponde ao seu conteúdo se não aparecer. Digo isso, pois ninguém vê qualquer deles (Neymar e/ou Najila) levantar e desligar a gravação. Então, se existe mais um minuto, mais cinco minutos de vídeo, eu particularmente não sei dizer porque não vi. Mas acredito que a sua continuação deva sim existir”, afirma. Najila chegou a acusá-lo de ter furtado o tablet com o vídeo em questão. Em 12 de junho, Danilo prestou esclarecimentos à polícia sobre a acusação e deixou o caso.

Danilo disse na petição que trouxe elementos aos autos de que a Justiça está sendo violada “e a necessidade de não se obstruir a busca pela verdade, ainda que isso signifique mudar a condição de uma vítima para averiguada e quiçá réu ou na melhor interpretação de legalidade autora ré”. O atual advogado de Najila Trindade, Cosme Araújo, considerou a postura de Danilo “um blefe” e o desafiou a provar suas suspeitas.

“Ela está comigo como advogado e em nenhum momento eu fiz qualquer tipo de acordo com alguém ligado ao pessoal do senhor Neymar. E ela não conversou com ninguém em relação a isso. Tem até um advogado de Santos que estava querendo ser advogado dela, mas diante de uma suspeita que ele poderia estar conversando com esse pessoal, ele foi descartado. Em relação a isso, você pode garantir que não existe nada”, disse. (Do UOL)

Ações do MPF no Pará apontam provas do descontrole da cadeia econômica do ouro no Brasil

Em plena era digital, falta sistema informatizado de fiscalização, e notas fiscais ainda são preenchidas à caneta.

Da Revista IHU

A informação é publicada por Ministério Público Federal no Pará, 30-07-2019.

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Uma investigação inédita para esmiuçar o funcionamento de uma das maiores empresas compradoras de ouro no maior polo da mineração ilegal no Brasil, a bacia do Tapajós, no sudoeste do Pará, resultou em um retrato do completo descontrole do país sobre essa cadeia econômica, responsável por prejuízos financeiros, sociais e ambientais de proporções devastadoras.

Coletadas durante três anos pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Polícia Federal (PF), uma série de provas do quanto é frágil a regulamentação e a execução do papel fiscalizador do Estado foram reunidas em duas ações propostas pelo MPF à Justiça Federal em Santarém em maio e julho deste ano.

Uma ação, na área criminal, foi ajuizada contra os responsáveis por um posto de compra de ouro da empresa Ourominas em Itaituba, acusados de formarem uma organização criminosa para fraudar documentação e, assim, “esquentar” (acobertar) a origem clandestina do ouro. Só entre 2015 e 2018, o grupo fraudou a compra de 610 quilos do minério, causando um prejuízo de R$ 70 milhões à União.

A outra ação, na área cível, foi proposta contra a Agência Nacional de Mineração(ANM), a União, o Banco Central, o posto de compra e a Ourominas. Nessa ação o MPF cita, pela primeira vez, trechos de um manual de atuação da instituição para o combate à mineração ilegal. O documento foi elaborado pela força-tarefa Amazôniado MPF, integrada por procuradores da República de todos os estados da região, que fizeram um diagnóstico aprofundado sobre os problemas, indicando soluções para a questão.

Procedimentos de controle arcaicos

Como ainda não contam com um sistema informatizado, os procedimentos atuais para o controle da compra, venda e transporte do ouro são um campo fértil para fraudes.

As notas fiscais são preenchidas manualmente, à caneta. O máximo de tecnologia exigido pela legislação para a confecção dos documentos da cadeia do ouro é a máquina de escrever e o papel-carbono. As notas fiscais em papel ficam estocadas com os compradores. Não há nota fiscal eletrônica, não há acesso automático às informações pelo poder público, e muito menos cruzamento de dados.

atividade garimpeira sequer é definida de modo claro na legislação, permitindo que a atuação de uma empresa mineradora de porte industrial tenha seus impactos considerados equivalentes à atividade de um garimpeiro artesanal.

Não há limites para a emissão de autorizações de exploração de lavra: uma mesma pessoa ou cooperativa pode ser detentora de quantas permissões de lavra conseguir registrar em seu nome.

Também não há controle sobre o uso das permissões de exploração, facilitando muito o “esquentamento” do ouro clandestino. As permissões continuam em vigor mesmo que as áreas não tenham sido exploradas, ou que seus detentores não apresentem relatórios de produção, ou que apresentem relatórios zerados ou incompatíveis com a quantidade de minério indicada em notas fiscais.

A legislação prevê a criação de um sistema de certificação de reservas e de recursos minerais. No entanto, o sistema ainda não está criado. Houve consulta pública no final de 2018, e a avaliação das propostas está a cargo da ANM.

O sistema deveria servir para subsidiar a formulação e implementação da política nacional para as atividades de mineração, fortalecer a gestão dos direitos e títulos minerários, consolidar as informações relativas ao inventário mineral brasileiro, definir e disciplinar os conceitos técnicos aplicáveis ao setor mineral, entre outras funções.

Amazônia brasileira já tem mais de 450 áreas ou pontos de mineração ilegal, registra o relatório Amazônia Saqueada, publicado no final do ano passado por pesquisadores da Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada(Raisg).

Só na bacia do Tapajós são comercializadas ilegalmente 30 toneladas de ouro por ano – R$ 4,5 bilhões em recursos não declarados –, seis vezes mais que o comércio legal na mesma região, segundo informações apresentadas pela ANM em audiência pública realizada em abril deste ano na Câmara dos Deputados.

Envenenamento em massa

De acordo com laudo elaborado pela PF e pela Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), nas águas do Tapajós a mineração ilegal de ouro despeja, a cada 11 anos, o equivalente à barragem da Samarco que rompeu em Mariana (MG) em 2015, destruindo a calha do rio Doce, entre Minas Gerais e Espírito Santo.

Há estimativas de que até 221 toneladas de mercúrio são liberadas por ano para o meio ambiente pela mineração ilegal no Brasil, indicam estudos preliminares apresentados em 2018 na primeira reunião do Grupo de Trabalho Permanente da Convenção de Minamata sobre Mércurio (GTP-Minamata), realizada pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA).

Convenção de Minamata é um acordo global para controlar o uso do mercúrio, tendo em vista a letalidade da substância para a saúde humana e para o meio ambiente. Em agosto de 2018 foi publicado decreto presidencial que concluiu a internalização jurídica, pelo Brasil, da Convenção. Com a promulgação do decreto, as determinações daConvenção de Minamata tornaram-se compromissos nacionais oficiais.

O mercúrio envenena principalmente quem trabalha em áreas de mineração ou vive perto delas, como povos indígenas e comunidades ribeirinhas, além da população consumidora do pescado. No ser humano, a substância afeta o sistema nervoso central, causando problemas de ordem cognitiva e motora, perda de visão, doença cardíaca e outras deficiências.

Urgência sanitária

Na região do Tapajós, já foram detectadas alterações cardiológicas e neurológicas em pessoas que têm alto nível de metilmercúrio, relatou na audiência da Câmara dos Deputados o neurocirurgião Erick Jennings Simões, da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde.

Ele destacou que não há cura para esses problemas originados pela contaminação por mercúrio, e que no Tapajós as pesquisas indicaram que a contaminação tem afetado até mesmo moradores de áreas urbanas distantes da região de garimpo, como os moradores de Santarém, um dos municípios mais populosos do Pará, com cerca de 300 mil habitantes.

Uma das lideranças indígenas presentes na audiência pública, Alessandra Korap, da etnia Munduruku, denunciou que as crianças estão reclamando de dores e que as mulheres grávidas estão sofrendo abortos espontâneos, algo que não acontecia nas aldeias. Segundo o neurocirurgião Erick Jennings, o metilmercúrio consegue atravessar a placenta, podendo causar danos irreversíveis ao feto.

Para pesquisadores do Ministério da Saúde e da Ufopa ouvidos por deputados federais, é “urgência sanitária” o monitoramento clínico e laboratorial das populações submetidas à contaminação de mercúrio na bacia do Tapajós.

Invasão originou ação

A mineração ilegal é um dos principais vetores de invasões a áreas protegidas, como Terras Indígenas e Unidades de Conservação (UCs). A investigação que deu origem às ações ajuizadas pelo MPF em Santarém, por exemplo, começou a partir das operações Dakji I e II, realizadas em 2016 para combater garimpagem ilegal de ouro na zona de amortecimento da Terra Indígena Zo’é, no município de Óbidos. A zona de amortecimento é uma área de proteção integral.

As operações deram origem a três inquéritos policiais. Em um deles, investigados que atuavam na área conhecida como garimpo Pirarara, na zona de amortecimento da Terra Indígena, relataram que vendiam o minério à Ourominas sem a necessidade de apresentar qualquer tipo de comprovante de legalidade da origem do produto.

Interditados nas operações, os garimpos ilegais foram sucessivamente reocupados por novas levas de garimpeiros, agora em 2019 pela terceira vez. “Este fato denota a dificuldade em se combater a extração ilegal de ouro tão somente a partir do exercício do poder de polícia ambiental in loco nos ‘garimpos’ ilegais. Esta ação civil pública busca promover um reenquadramento da problemática, impelindo os entes públicos a também exercerem sua atribuição regulatória e fiscalizatória sobre elos da cadeia que até então operam à margem do olhar estatal: os compradores de ouro ilegal”, explica o MPF na ação cível.

A ação cível foi assinada pelos procuradores da República Camões Boaventura, Paulo de Tarso Moreira de Oliveira, Ana Carolina Haliuc Bragança, Patrícia Daros Xavier e pelo assessor jurídico do MPF Rodrigo Magalhães de Oliveira. A denúncia criminal foi assinada pelos mesmos membros do MPF autores da ação cível, além dos procuradores da República Hugo Elias Silva Charchar e Antônio Augusto Teixeira Diniz.

Impactos em série

Além dos prejuízos financeiros bilionários para o país, dos graves riscos à saúde da população, e das invasões a áreas protegidas, a mineração ilegal estimula uma série de outros problemas socioambientais: desmatamento ilegal – que já eliminou 20% da cobertura vegetal original da Floresta Amazônica –, assoreamento de rios, grilagem (usurpação de terras públicas), conflitos agrários, trabalho insalubre, trabalho escravo, tráfico de pessoas e exploração sexual, doenças como malária, leishmaniose, e as sexualmente transmissíveis (DSTs), entre outras consequências.

Na prática

Nas próximas semanas, o MPF vai publicar uma série de matérias para resumir como as várias fragilidades do sistema de controle da cadeia do ouro possibilitaram a atuação da organização criminosa denunciada pela instituição.

Também serão descritos os pedidos feitos pelo MPF à Justiça relativos às instituições públicas e às empresas processadas.

O conteúdo integral das ações, com todos os detalhes disponíveis, já pode ser acessado nos links abaixo:

Ação cível: processo nº 1003404-44.2019.4.01.3902 – 2ª Vara da Justiça Federal em Santarém (PA):

Íntegra da ação

Consulta processual

Ação criminal: processo nº 0000244-28.2019.4.01.3902 – 2ª Vara da Justiça Federal em Santarém (PA):

Íntegra da ação

Decisão judicial

Leão encara jogo-chave

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POR GERSON NOGUEIRA

O Remo tem outra batalha decisiva hoje à noite. Contra o Tombense, no estádio Jornalista Edgar Proença, estarão em disputa três pontos fundamentais para os planos de classificação ao mata-mata do acesso. Após desperdiçar pontos preciosos em casa – contra Ypiranga, Juventude e Luverdense –, o time de Márcio Fernandes não pode vacilar na fase de afunilamento da competição.

As contas mais primárias indicam que, em caso de triunfo contra o Tombene, o Remo fica muito perto de alcançar a classificação. Vai precisar, em tese, de mais três pontos nas três rodadas finais. O site Chance de Gol projeta 75,7% de probabilidades para se classificar à fase seguinte.

Acontece que o visitante não pode ser subestimado. Oferece perigo por ter uma equipe experiente e porque busca se afastar da zona do rebaixamento. É de se imaginar que os azulinos estejam vacinados contra o clima de favoritismo, que foi tão prejudicial ao rendimento do time no embate com o Luverdense.

Com formação estável a partir do meio-campo, com Yuri e Ramires na marcação e com Eduardo Ramos e Garré (ou Emerson) na articulação, o Remo pode promover a estreia do centroavante Neto Baiano, recentemente contratado.

A entrada de um atacante com experiência no jogo aéreo indica uma mudança importante nas características do sistema ofensivo. Com Neto Baiano, o Remo terá que explorar muito mais a funcionalidade dos laterais Djalma e Ronaell e aprimorar os cruzamentos.

Neto Baiano, além de cabecear bem, é também um jogador que sai da área e participa de jogadas de aproximação. Tem um bom disparo de média distância, o que seria bastante útil para furar bloqueios defensivos como o Tombense deve apresentar no Mangueirão.

Ao lado de Gustavo Ramos, Neto pode dar ao ataque um equilíbrio no confronto com as zagas adversárias que o Remo até hoje abriu mão de ter, até pelas carências óbvias no centro da linha de frente. Nem Emerson, nem Alex Sandro, muito menos Marcão. Nenhum funcionou atuando por ali.

Essa dificuldade deve ser avaliada para que o novo comandante da ofensiva não venha a sofrer da solidão que vitimou os três acima citados. Terá que ser construída uma estratégia para que ele seja acionado. Eduardo Ramos e Garré (ou Emerson) serão fundamentais no abastecimento de jogadas para o ataque e também com a movimentação dos laterais.

De toda sorte, é um jogo que vai depender de intensidade e envolvimento. O time não pode cair na armadilha de forçar o jogo de qualquer maneira contra uma defesa em linha dupla, como fez diante do Ypiranga. Precisará jogar com a torcida e focar nas oportunidades criadas.

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Libertadores: arbitragens ‘caseiras’ abrem caminhos

Na terça-feira, o Palmeiras passou pelo Godoy Cruz com uma goleada de 4 a 0. Quem não viu o jogo, deve ter achado que foi um passeio. Nada disso. A coisa só ficou mais fácil depois que o árbitro inventou um pênalti, que o Alviverde converteu, abrindo caminho para o placar mais dilatado.

Ontem, no Maracanã, nova pisada de bola da arbitragem, com presença do não-VAR. O argentino Nestor Pitana, que apitou a final da Copa do Mundo na Rússia, viu um pênalti sobre Rafinha em lance altamente discutível. O lateral desafiou as leis da física e forçou passagem sobre o defensor do Emelec, ganhando o pênalti, muito contestado pelos equatorianos.

O gol logo no começo deu o gás necessário para que o Flamengo tivesse tranquilidade para avançar e chegar ao segundo gol logo aos 19 minutos. A partida ficou tão simpática que a trepidante narração da TV Globo disse que a atuação foi magistral, embora no 2º tempo o Emelec tenha jogado bem mais. Na série de penalidades, deu Fla até com tranquilidade – 4 a 2.

Os erros em lances capitais, para Palmeiras e Flamengo, só confirmam que a qualidade da arbitragem sul-americana está em nível crítico, quase calamitoso, principalmente quando estão em ação times de massa e economicamente poderosos.

Espantoso que no jogo do Maracanã o árbitro de vídeo não tenha orientado Pitana a rever o lance, claramente uma jogada forçada e não faltosa. O VAR, de novo, preferiu se omitir quando o assunto envolve o Flamengo, como na falta violenta de Cuellar domingo contra o Botafogo.

Enfim, vida que segue.

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Direto do blog campeão

“Djalma é das melhores contratações do Remo em 2019. Reafirma a qualidade que mostrou no Paysandu ao se mostrar sempre bem disposto em cumprir a tarefa que lhe cabe em campo. Marcou bem quando foi preciso e apoiou o ataque quando teve oportunidade. É um jogador inteligente e importante para o Remo na reta final. Prata da casa preterida pelo PSC, é mais um caso de jogador regional desvalorizado. Se ocorreu isso na Curuzu, não pode se repetir no Baenão, embora eu ache que isso vá se repetir no Remo também, porque é cultural, é necessário mudar a forma como os titãs tratam nossos atletas regionais. No mais, é preciso haver mais acerto nas contratações dos ‘importados’. Entendo que profissionalismo na gestão dos clubes é saber valorizar atletas regionais e ter critérios rigorosos para a contratação de atletas de outras praças”.

Lopes Junior, azulino crítico e atento à mexida das pedras no tabuleiro

(Coluna publicada no Bola desta quinta-feira, 01)