Presidente do sindicato da Receita rebate Bolsonaro: “Queria seu irmão a salvo?”

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A presidente da Federação Nacional do Fisco (Fenafisco), Charles Alcantara, rebateu as acusações feitas por Jair Bolsonaro de que Receita Federal estaria promovendo uma devassa contra a sua família. “O presidente queria que o irmão ficasse a salvo da fiscalização só por ser irmão dele?”, questionou Alcantara.

“A Receita tem sido alvejada pelo próprio presidente da República. Num regime republicano, a fiscalização deve começar pelos de cima. Não podemos permitir que o Brasil tenha uma casta de ‘infiscalizáveis”, disse o presidente da Fenafisco ao blog do jornalista Guilherme Amado.

A afirmação sobre a Receita ter virado um “alvo” do governo Bolsonaro foi uma referência aos rumores de que o secretário da Receita Federal, Marcos Cintra, poderia ser exonerado devido à fiscalização feita pelo órgão contra o comerciante paulista Renato Bolsonaro, irmão do presidente. (Leia mais no Brasil 247)

“É incapaz de construir discurso coerente”: especialistas franceses analisam linguagem de Bolsonaro

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Por Mário Lúcio Fernandes

O presidente Jair Bolsonaro afirmou na sexta-feira (9), em resposta a um questionamento de um jornalista sobre maneiras de preservar o meio ambiente, que bastava “fazer cocô dia sim, dia não”. Em reação à polêmica gerada, o chefe de Estado retrucou, na segunda-feira (12), que não era um “vaselina”, um “politicamente correto” ou muito menos um “isentão”. “Aqui é resposta direta”, disse. O discurso do dirigente foi um dos ingredientes de sua ascensão e vitória nas eleições de 2018, mas especialistas entrevistados pela RFI temem que a normalização dessa linguagem “crua” tenha consequências para a legitimidade do país, tanto no cenário internacional quanto no nível das instituições democráticas no Brasil.

Nas falas de Bolsonaro, há dois aspectos importantes: a forma e o público alvo, aponta Liz Feré, professora de Análise do Discurso na Universidade Sorbonne Paris 8. “E, nesse caso, não estamos falando apenas do eleitorado, mas de toda essa base que é de ordem da estrutura da sociedade. Temos aí os militares, os evangélicos, os lobbies que o apoiaram”, afirma a pesquisadora, que ressalta a coerência dos pronunciamentos do presidente brasileiro com aquilo que ele representa.

“É uma forma discursiva comum nos países de líderes autoritários, como é o caso do ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, ou do presidente americano Donald Trump, entre outros”, acrescenta Liz Feré. As tiradas de Bolsonaro – “Não é compatível com um presidente? Votem em outro em 2022, é muito simples”, para citar uma das mais recentes -, que fazem enorme sucesso entre seus apoiadores, são manobras para se esquivar de discussões sérias para as quais o chefe de Estado não tem preparo, analisa a especialista ouvida pela RFI.

Patrick Charaudeau, pesquisador francês e professor da Universidade Paris 13,   faz uma comparação entre o discurso de Bolsonaro e o do ex-candidato à presidência francesa Jean-Marie Le Pen, na época do partido de extrema direita Frente Nacional (atualmente chamado Reunião Nacional). Segundo o especialista, os dois compartilham a mesma linguagem do “carisma do poder e da brutalidade”. “É um paradoxo: quanto mais um líder político se mostra brutal, mais ele terá o favoritismo de uma parte da população que se encontra frustrada”, diz.

Quando estava visitando Ipanema, no Rio de Janeiro, Charaudeau ouviu um barulho que chamou sua atenção. Mais tarde ele se deu conta de que era um grupo de motoqueiros que faziam o sinal das armas com as mãos, como o presidente brasileiro. “Foi muito impressionante. Era o eco da brutalidade da linguagem de Bolsonaro”, declara.

“Eu diria que ele é incapaz de construir um discurso coerente”, declara Liz Ferré, sobre Bolsonaro. “Você vê que ele não fala dentro de um discurso público esperado de um chefe de Estado. Ele fala fora desse contexto protocolar de uma coletiva com jornalistas ou outros dirigentes, como se estivesse dentro de um âmbito de discurso privado, tomando uma cerveja num domingo com amigos.”

Discurso de brincadeira

O problema com a linguagem “franca” e “crua” de Bolsonaro é que ela parece ignorar as regras das instituições que, apesar de seus defeitos, manteve uma certa ordem durante anos. “A atividade dos políticos no Brasil, sobretudo na esfera federal, é submetida a um código de ética e de comportamento voltado à segurança dos valores deontológicos e morais compartilhados pela sociedade. A constituição federal de 1988 prevê, aliás, a perda do mandato de um deputado ou senador que não respeitar os princípios de dignidade ou integridade”, explica Ingrid Bueno Peruchi, professora na Universidade Paris Nanterre e analista do discurso do Brasil contemporâneo.

Para a pesquisadora, o estilo de comunicação de Bolsonaro reforça seu lado “outsider” e o aproxima ainda mais do povo, que leva suas falas “na brincadeira”. “A adoção de um comportamento e de uma comunicação baseados na ética permite uma atividade política mais transparente e democrática e assegura uma representação e um respeito de todos”, lembra Bueno Peruchi. Ela ressalta que o presidente brasileiro nega, em seu discurso, o apoio a minorias LGBT, mulheres ou comunidades indígenas para restaurar “uma tradição e os direitos de uma suposta maioria conservadora”.

As táticas discursivas de Bolsonaro não são inovadoras e são investigadas há muitos anos. Birgitta Dresp, especialista do Centro Nacional de Pesquisas Científicas (CNRS, na sigla em francês), estuda o assunto e consegue descrever o passo-a-passo para produzir esse tipo de linguagem. Ela cita, por exemplo, as contradições entre vários assuntos, o uso de mentiras que podem ser provadas com fatos, a recusa em responder uma questão que acabou de ser feita ou respostas inadequadas.

“A maneira como um discurso será recebido por uma audiência não depende apenas de seu caráter verídico ou tangível, mas sobretudo da capacidade do orador de captar a atenção da audiência”, diz Birgitta Dresp. “É um processo de sedução e não de comunicação no sentido científico do termo. A sedução ocorre por meio de vários mecanismos: o chocante pode seduzir às vezes até mais do que que é agradável. Tudo é uma questão de contexto no discurso político.”

A questão principal, de acordo com Liz Feré, é que, ao invés de questionar e cobrar um posicionamento mais de acordo com as normas internacionais da retórica de um presidente, boa parte dos apoiadores de Bolsonaro gostam dele justamente por sua atitude de provocação diante das instituições políticas clássicas. “Ele ganhou as eleições exatamente com esse discurso, por causa desse discurso. O mais grave é que foi se instalando, aos poucos, essa possibilidade de aceitar isso”, analisa.

Entre os estudantes estrangeiros de Liz Ferré, o espanto é generalizado, mas existe uma dificuldade em explicar como esse tipo de retórica passou a ser normalizada. “Nem Trump, nem Salvini fazem derrapagens tão nítidas, fortes e violentas quanto nós temos no Brasil. Para um país que emergiu na cena internacional, hoje nós temos uma ridicularização provocada pelo chefe de Estado, seu comportamento, as palavras utilizadas”, critica a professora.

Noruega também suspende repasses para o Fundo Amazônia

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O ministro do Clima e Meio Ambiente da Noruega, Ola Elvestuen, anunciou nesta quinta-feira a suspensão dos repasses de 300 milhões de coroas norueguesas, o equivalente a R$ 133 milhões, que seriam destinados ao Fundo Amazônia. A publicação, especializada em negócios, lembra que o país nórdico colabora há dez anos em iniciativas para conter o desmatamento na Amazônia. Desde a criação do Fundo, a Noruega doou 8,3 bilhões de coroas norueguesas, ou cerca de R$ 3,69 bilhões, para a iniciativa — o equivalente a 95% dos recursos obtidos até agora. O volume dos repasses varia de acordo com a área desmatada.

“Isso é muito sério para toda a luta pelo clima. A Amazônia é o pulmão do mundo e todos nós dependemos inteiramente da proteção da floresta tropical lá. Não há cenários para atingir as metas climáticas sem a Amazônia”, disse Ola Elvestuen para o “Dagens Næringsliv”.

O jornal norueguês destaca que, segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, o desmatamento das florestas tropicais — e a Amazônia é a maior delas — representa 11% das emissões anuais de gases do efeito estufa.

A suspensão do repasse é uma represália às mudanças na formação do Comitê Orientador do Fundo Amazônia. “O Brasil rompeu o acordo com a Noruega e a Alemanha desde que o país fechou a diretoria do Fundo Amazônia e o Comitê Técnico. Eles não podem fazer isso sem acordo com a Noruega e a Alemanha”, ressalta Elvestuen.

O ministro considera que os números do desmatamento apontam que a política ambiental brasileira está indo agora na direção errada: “Houve um aumento significativo em julho em relação ao visto no início passado, há motivos para preocupação. O que o Brasil fez mostra que ele não quer mais conter o desmatamento — pontua. — Um motivo extra para preocupação com o aumento do desmatamento na Amazônia é o chamado ponto de inflexão. Isso significa que, se você cortar muito da floresta, o resto será capaz de se autodestruir, porque o sistema depende da chuva gerada”.

Leão faz treino aberto para festejar reorganização do clube e 102 anos do Baenão

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O Remo realizou na manhã desta quinta-feira um treino aberto para a torcida no estádio Evandro Almeida, que completa hoje 102 anos de inauguração, coincidindo com os 108 anos de reorganização do clube. Foi também a movimentação final para o jogo contra o São José (RS), pela 17ª rodada da Série C. A aproximação com a torcida teve a intenção de aliviar a pressão sobre o time, marcado por insucessos nos últimos jogos.

A instabilidade na Série C e a má estreia na Copa Verde quase derrubaram o técnico Márcio Fernandes. Ele ganhou sobrevida, mas a diretoria admite que os resultados ruins mudaram o conceito que havia sobre o trabalho do treinador.

Para o jogo decisivo de amanhã contra o São José, a diretoria espera lotar o Mangueirão, embora o revés diante do Sobradinho-DF tenha afetado a venda de ingressos. Em caso de vitória, o Remo fica mais próximo da classificação à fase de mata-mata.

REORGANIZAÇÃO

Foi a 15 de agosto de 1911 que ocorreu a reorganização do Remo, então conhecido como Grupo do Remo e liderado por onze baluartes da agremiação (Oscar Saltão, Antonico Silva, Geraldo Mota (Rubilar), Jaime Lima, Candido Jucá, Harley e Nertan Collet, Severino Poggy, Mário Araújo, Palmério Pinto e Elzeman Magalhães).

O que há por trás dos cortes na ESPN

A demissão da cúpula da ESPN mostra uma mudança de postura da emissora para o futuro. A nova gestão, que ficará alinhada aos interesses do Grupo Disney, terá como prioridade reduzir a quantidade de programas de debates da grade e adquirir o direito de novos torneios e eventos para transmissões. Na visão da cúpula, somente assim será possível reverter a queda de audiência e de interesse na busca por pacotes vendidos ao consumidor.

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Ontem (14), a emissora rescindiu o contrato de João Palomino, vice-presidente de jornalismo e produção da sede da ESPN no Brasil. Além de Palomino, a ESPN rescindiu com seis comentaristas participantes dos programas de debate da casa. Deixam o canal Arnaldo Ribeiro, Claudio Arreguy, Eduardo Tironi, Juca Kfouri, Maurício Barros e Rafael Oliveira. O apresentador João Canalha também foi dispensado.

A curto prazo, a prioridade será trocar os programas de debate por noticiários. No futuro, a ESPN pretende equilibrar sua grande entre atrações noticiosas e jogos ao vivo. Atualmente, o canal tem como carro-chefe os direitos de transmissão do Campeonato Inglês. Com um aporte maior do Grupo Disney, que focará as atenções no canal no Brasil, o objetivo será adquirir outros torneios de peso. Com Fox e Sportv dominando a audiência, ficou claro para os novos responsáveis do grupo Disney que o modelo de programa de debate “o dia inteiro” já não se sustentava.

A emissora ainda não descarta novas mudanças. A direção do canal avalia os formatos já existentes na programação e o quadro de funcionários. Inicialmente, no entanto, novas trocas não devem afetar – ainda mais – a redação do canal. A mudança de postura tem relação com a compra de parte da FOX pelo Grupo Disney, empresa gestora da ESPN.

Para aprovar o negócio, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) exigiu que o FOX Sports seja vendido pela Disney de “porteira fechada” para outra empresa. Ou seja, a empresa que comprar o canal levará junto todos os imóveis da emissora, equipamentos, 200 funcionários, contratos com 11 ligas esportivas e o acordo com as operadoras de TV a cabo.

Em um primeiro momento, a fusão dificultará a vida da ESPN na compra de direitos de transmissão. O Cade determinou que o Grupo Disney não poderá participar da próxima rodada de contratações das ligas pertencentes ao FOX Sports. A principal delas é a Libertadores.

A demissão dos profissionais da ESPN repercutiu entre colegas de outras emissoras, que se solidarizaram nas redes sociais.

“Um grande abraço aos companheiros de ESPN. Eles podem ter perdido o emprego, mas quem mais perdeu foi o público da emissora. Gente muito qualificada foi dispensada hoje, o jornalismo esportivo deu uma empobrecida geral”. Sergio Xavier Filho

“Minha solidariedade a todos os companheiros que estão sofrendo hoje e os que ainda não se recuperaram do baque do EI no ano passado. Apesar de ter mantido o meu emprego, eu mesmo ainda não me recuperei daquele dia fatídico. Só quem vive, sabe como é. Uma derrota sem tamanho”. André Henning

“Trabalhei com @OliveiraRafa no EI em 2010! E ficava perplexa com a quantidade de jogo que ele via!! A propriedade que comentava/ comenta. Um dos melhores da profissão. Nesses últimos 9 anos aprendi DEMAIS com o Rafa! Certeza que já já estará no mercado de novo”. Barbara Coelho

(Com informações do UOL)