Série C: empate no Re-Pa classifica o Papão e elimina o Leão

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Quadro final de classificados à próxima fase da Série C mostra a incrível coincidência na pontuação: todos terminaram com 28 pontos, forçando o desempate nos critérios técnicos (vitórias e saldo de gols) para definir as colocações. O empate no Re-Pa, 1 a 1 (gols de Wesley e Vinícius Leite), classificou o Papão, mas não foi suficiente para o Leão, que amargou a desclassificação no final da rodada, pois o pênalti que garantiu a vitória do Ypiranga sobre o Juventude foi assinalado aos 44 minutos do 2º tempo.

Bolsonaro se supera e ataca Macron por ter uma mulher 24 anos mais velha

Por Kiko Nogueira

Sempre que você imaginar que Jair Bolsonaro chegou ao fundo do poço, lembre-se de que ele pode cavar mais fundo. O presidente do Brasil achou razoável fazer troça da mulher de Emmanuel Macron, Brigitte, pelo fato de que ela é 24 anos mais velha que ele.

No Facebook, um seguidor postou foto dos dois casais com a legenda: “Agora entende por que Macron persegue Bolsonaro?”. O próprio respondeu, num tom inacreditavelmente cafajeste, mesmo para seus padrões: “Não humilha cara. Kkkkkkk”. 

Desde que Macron declarou sua preocupação com as queimadas na Amazônia, Bolsonaro reagiu à sua maneira delinquente. O filho Eduardo, candidato à embaixada nos EUA, replicou um vídeo chamando o francês de “idiota”.

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O pai, que faz das fake news uma missão de vida, acusou Macron de usar uma foto antiga para falar da floresta, como se o problema fosse isso e não os incêndios. O golpe baixo deixa o Brasil ainda mais isolado, com uma imagem virtualmente destruída.

Brigitte tem 66 anos. A diferença etária com o marido foi usada na campanha pelos adversários, até a sociedade francesa, que não é a americana, repelir a baixaria. Ela o conheceu quando era sua professora.

“Um amor frequentemente clandestino, muitas vezes escondido, incompreendido por muitos antes de se impor”, disse Macron. “Se eu tivesse 20 anos mais que minha esposa, ninguém pensaria por um segundo que não poderíamos estar legitimamente juntos”.

É tida como sua principal conselheira. Vai ensinar desempregados num programa para aqueles que ainda não terminaram o ensino secundário.

Lecionará literatura clássica em Clichy-Sous-Bois, a leste de Paris, uma zona conhecida por ter sido o ponto de partida para os distúrbios de 2005.

Na semana passada, Bolsonaro foi às redes reclamar que Michelle estava “arrasada” com matérias sobre sua família — a avó que foi presa por tráfico, a mãe que teve dupla identidade, o tio miliciano, o avô materno assassinado etc.

Agora endossa um ataque repugnante a um desafeto.

É Bolsonaro sendo Bolsonaro, afundando um país consigo.

O clássico dos clássicos

Re-Pa

POR GERSON NOGUEIRA

O Re-Pa de verdade já está rolando há uma semana. Hoje acontece a formalização do duelo. O fato é que a torcida vive o clima do grande clássico desde a rodada do último fim de semana. Pelo meio do caminho, aconteceram os jogos da Copa Verde, mas o pensamento de todos já estava no choque-rei.

O cenário já garante naturalmente fortes emoções. Desde o encarniçado cruzamento na Copa Havelange, no começo deste século, os velhos rivais não se viam frente a frente em parada decisiva dentro de uma competição nacional.

Será o quarto confronto da temporada entre os velhos rivais. O PSC venceu dois e houve um empate. Na Série C, os bicolores venceram por 1 a 0. Os azulinos buscam, além de um resultado que garanta a classificação à etapa seguinte, a quebra da invencibilidade do rival nesse duelo particular.

Para projetar o que pode vir a ocorrer no confronto vale tomar o primeiro jogo como referência. Naquela partida, o PSC foi superior em planejamento tático e execução de jogadas. Tomou a iniciativa do jogo, pressionando pelos lados e com Tiago Luís como falso atacante.

Com postura mais agressiva desde os primeiros minutos, Hélio dos Anjos conseguiu ditar o ritmo do jogo até quase ao final. Não fez gol no primeiro tempo, mas conseguiu deixar o Remo excessivamente ocupado em marcar as chegadas dos laterais e preocupado com o posicionamento diferente de Tiago Primão, que atuou como um meia recuado, quase um volante.

Ao longo daquele jogo, o Remo teve chances fortuitas, mas em nenhum evidenciou força e capacidade de incomodar o adversário, nem mesmo quando se lançou ao ataque em desespero após sofrer o gol de Uchoa. Pode-se dizer, em retrospectiva, que o PSC teve vida mansa e ganhou sem maiores sustos.

É improvável que as facilidades propiciadas pelo Remo venham a se repetir hoje. Pelo menos, não daquele mesmo jeito. Há, principalmente, a certeza de que Márcio Fernandes vai encarar o jogo com outros olhos.

É preciso entender que, a quando do primeiro Re-Pa, a situação azulina era cômoda na tabela e o time mostrava estar mais arrumado. Desta vez, a tranquilidade está do lado bicolor, que joga por um empate simples para conquistar a vaga.

Tudo virou do avesso após a vitória bicolor por 1 a 0. O Remo não achou mais o jeito certo de jogar, emendou uma sequência de resultados ruins que só terminou com a vitória sobre o Atlético-AC, em Rio Branco. Ainda assim, o time voltaria a ter oscilações, como a terrível atuação diante do Tombense. Em sentido contrário, o PSC só evoluiu após o triunfo no clássico.

A batalha de hoje tem ingredientes que amplificam o nervosismo em comparação com o primeiro embate. Em caso de empate, o futuro dos dois times na competição dependerá de outros resultados. Caso haja um vitorioso, restará ao derrotado rezar para que o Juventude cumpra o seu dever, lá em Caxias do Sul.

Time por time, posição por posição, reina um notório equilíbrio técnico. Os maestros são conhecidos e atendem pelo nome completo – Tomas Bastos e Eduardo Ramos. Nos ataques, Higor x Neto Baiano. No gol, Mota x Vinícius. Restam dúvidas (Garré e o próprio Vinícius) do lado remista e isto pode afetar bastante a correlação de forças.

Por fim, deve-se prestar atenção nos heróis inesperados. Re-Pa tem dessas coisas. A saga histórica reserva espaço para jogadores pouco badalados e não cotados para brilhar no jogo. Questão de predestinação, beneficiando um garoto que sai do banco para incendiar o jogo nos minutos finais ou de um reserva que sai do nada para a glória de fazer o gol decisivo.

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Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda o programa, a partir das 22h, na RBATV, com a participação de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Em pauta, a análise do clássico Re-Pa e seus desdobramentos.

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O duro choque entre consciência política e alienação

Com longos três dias de atraso, depois que todo mundo havia se manifestado, Neymar finalmente se deu conta do desastre ambiental na Amazônia e postou na sexta-feira uma pouco afirmativa mensagem. Optou pelo tom neutro, em nota típica de assessoria, dizendo no Twitter que lamentava o fogaréu mas pegando leve com os desmandos ao dizer que as queimadas “ano a ano se repetem” na Amazônia.

Cristiano Ronaldo, Mbappé, Lewis Hamilton, Leonardo DiCaprio e até Madonna foram muito mais enfáticos nas declarações, condenando o descaso das autoridades com a ação criminosa na região. Todos os citados – nenhum brasileiro – demonstram consciência sobre a importância de um posicionamento.

Neymar age, outra vez, como personalidade desconectada da realidade, movido exclusivamente a superficialidades e interesses comerciais, tanto que na quinta-feira fazia postagens de uma marca de relógio enquanto os outros astros defendiam a Amazônia.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 25)

Um gigante brasileiro no ataque do Aston Villa

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Wesley Moraes chama a atenção. Fora o porte físico com 1,91 m de altura e 95 kg, o atacante brasileiro de 22 anos desembarcou na Inglaterra sob a responsabilidade de liderar a reconstrução do Aston Villa, campeão da Liga dos Campeões da Europa em 1982 e recém-promovido para o Campeonato Inglês. O destaque natural por ser o reforço mais caro da história do clube ganhou nova projeção anteontem (23), diante do Everton de Richarlison e Bernard.

O centroavante abriu o placar na primeira vitória do Aston Villa desde o retorno à Premier League. O gol no triunfo por 2 a 0 contra o rival de Liverpool, em casa, abre o caminho para Wesley se apresentar ao torcedor, sob a expectativa de contar com um atacante de 22 milhões de libras (R$ 105 milhões) e com características consideradas ideais para a posição, como força física e finalização precisa.

“Cheguei há algumas semanas na Inglaterra e ainda estou me acostumando com a cultura e o jeito da Premier League. A competição é a melhor do mundo e os jogos são intensos e com muito choque. Aos poucos, vou melhorando e tenho certeza de que será uma ótima temporada”, declarou o centroavante, após balançar a rede pela primeira vez no novo clube.

A carreira de Wesley se assemelha a de jogadores como a Roberto Firmino, outro camisa 9 e que chegou à seleção brasileira como um “desconhecido”. Mineiro de Juiz de Fora, o mais novo brasileiro a anotar gol no Inglês teve rápidas passagens pelas divisões de base de Cruzeiro e Atlético-MG, mas só embalou rumo ao profissionalismo no Itabuna, com apenas 17 anos de idade.

Ao invés de chamar a atenção de fato de cruzeirenses e atleticanos, Wesley se transferiu para o Atlético de Madri, onde permaneceu por seis meses treinando na divisão de base da equipe. Da Espanha, o centroavante desembarcou no Nancy, da França, para mais três meses de experiência.

A carreira alternativa e sem grandes referências no Brasil ganhou maior proporção na primeira chance como profissional. Em 2015, aos 18 anos, Wesley acertou contrato com o Trencin, da Eslováquia. No desconhecido futebol eslovaco (pelo menos do público brasileiro em suma maioria), o gigante brasileiro anotou 11 gols e chamou a atenção do Club Brugge, da Bélgica.

Na equipe belga, Wesley se promoveu de fato. Foram 130 jogos, quatro títulos e 38 gols. Em 2018, ganhou o prêmio de melhor jovem da temporada e rapidamente ganhou comparações com Romelu Lukaku, centroavante titular da seleção da Bélgica e um dos grandes destaques na vitória sobre o Brasil na Copa do Mundo de 2018.

O desempenho em solo belga encantou Roberto Martínez, treinador da seleção local, e rendeu uma indicação para a Premier League. O Aston Villa, recém-promovido, não poupou gastos e transformou o brasileiro na contratação mais cara da história do clube, o símbolo da reconstrução neste retorno à elite. O gol nesta terceira rodada, somado ao desempenho diante do Everton, animam o campeão europeu nesta volta à elite. (Do UOL)