
Tempos de reforma


Por Luis Nassif
Ontem o governador do Rio de Janeiro sobrevoou Angra dos Reis, de helicóptero, de onde snipers atiraram contra a população, a pretexto de combater os bandidos. Witzel é um genocida, que mais cedo ou mais tarde, será submetidoa um tribunal internacional por crimes contra a humanidade. Mas, antes disso, precisa ser detido.
Veja, no vídeo, as cenas dantescas da operação.
Desde a campanha estimulava a ação de snipers, atiradores especializados, para matar à distância pessoas suspeitas de carregarem armamentos. Em entrevista a O Globo, admitiu que os snipers estão agindo. E há inúmeros relatos de pessoas sendo mortas por atiradores à distância. E as vítimas não são apenas suspeitos, mas cidadãos comuns.
O ápice dessa loucura foi o assassinato do vendedor por uma tropa do Exército. Mais de 80 tiros em um carro, que não foram interrompidos nem após se perceber que havia uma criança. Executaram até o bravo cidadão, catador de lixo e cidadão, sim, que mostrou a solidariedade de tentar salvar os ocupantes do carro.
Agora, Witzel aparece em Angra dos Reis em um jogo de cena mortal, ocupando um helicóptero que dispara do alto contra casas humildes. Depois, vai comemorar seu banquete de sangue hospedando-se em um hotel de luxo com a família, sem revelar quem está pagando as diárias. É um bufão que, se tivesse coragem mesmo, estaria na linha de frente enfrentando o PCC.
Witzel é de mesma farinha de Marcelo Bretas, Sérgio Moro, do procurador militar Carlos Frederico de Oliveira Pereira, que não apenas ordenou a soltura dos dez militares envolvidos no assassinato do músico Evaldo Rosa dos Santos, e catador de material reciclável Luciano Macedo como deu um parecer endossando os assassinatos. Na entrevista ao Estado, ele disse que “se eles (os militares presos) soubessem que aquele carro era de pessoas que não eram bandidas, eles não fariam isso. Os caras não saíram de casa para matar os outros”, diz o subprocurador ao Estado.
A manifestação é a comprovação sangrenta de duas suspeitas sobre direitos humanos.
A primeira, é que a Justiça Militar não é isenta para julgar os seus. O parecer de Carlos Frederico conspurca toda a Justiça Militar. A segunda, é que o excludente de ilicitude de Sérgio Moro é endosso, sim, para a ampliação dos assassinatos. Carlos Frederico usou ao pé da letra o argumento. Em seu parecer, o subprocurador Pereira considerou que os militares não descumpriram as regras de conduta, porque “tentavam salvar um civil da prática de um crime de roubo”.
Hoje em dia, não há ameaça maior à democracia e aos direitos básicos do que os estímulos de Witzel à violência policial. (Transcrito do Jornal GGN)

Por Wilson Roberto Vieira Ferreira, no blog Cinegnose
O “Hilbert da Polícia Federal”, o policial “hipster lenhador”, a agente federal que posa de biquíni em redes sociais. São exemplos de uma glamourização midiática diária de policiais e agentes federais, com suas armas negras reluzentes, lubrificadas, coldres, metralhadoras empunhadas ao nível da virilha prontas para entrar em ação. Em tudo se assemelha àquilo que em cinema chama-se “product placement” (inserção de produtos de forma natural em cenas) – sistemática construção semiótica da “meganhagem” (o uso do poder de polícia para fins políticos) como diagnóstico e solução para as mazelas nacionais. Assim como fez a SS na Alemanha, transformando-se em poder paralelo no Estado. E a pedra de toque dessa estratégia é a freudiana fetichização das armas – ganhar apoio da opinião pública para o golpe dentro do golpe que se prepara: o Estado policial que manterá nas rédeas a Justiça, a Política e o povo.
O “Hilbert da PF”, o “policial gato que prendeu o Lula” como deu manchete a grande mídia em 2018; a anual “Corrida Contra a Corrupção” promovida pela Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF) como parte da “Campanha pela Autonomia da PF”, com destaque na mídia com fotos de atletas correndo com camisas negras com insígnia da ADPF.
Uma matéria na revista Época sobre “10 perguntas” ao “hipster lenhador”, apelido dado pela mídia corporativa ao policial que participou da prisão do deputado Eduardo Cunha, cuja reportagem mais parecia um editorial de moda; a garota de 8 anos, fã da PF, que ganhou uma festa surpresa dos policiais na sede de Juiz de Fora/MG (clique aqui);
A agente federal “que faz sucesso nas redes sociais” e “na imprensa internacional” pelas suas fotos de biquíni em “praias paradisíacas que vai quando está de férias”, exibindo “curvas acentuadas” (clique aqui).

Desde o “hip” do “japonês da Federal”, que virou máscara de carnaval ao lado do indefectível Sérgio Moro, paulatinamente policiais federais, com suas armas negras reluzentes, são plantados no noticiário diário da grande imprensa. Uma explícita estratégia daquilo que na indústria cinematográfica chama-se “product placement” – inserir um produto em cena tornando-o naturalmente parte do contexto e do ambiente dos personagens.
Ao lado do discurso do atual governo francamente favorável a posse (e futuramente também do porte) de armas e da pressão no Brasil do lobby armamentista nacional e internacional (National Rigle Association, Israel etc.) desde 1999, o que testemunhamos nos últimos anos é uma sistemática construção semiótica da “meganhagem” como diagnóstico e solução para as mazelas nacionais.
“Meganhagem”: o uso do poder de polícia para fins políticos. Estratégia que se tornou paradigmática com a SS, tropa de proteção de Hitler, que aos poucos se tornou uma organização paramilitar, se transformando em grande influência no interior do governo nazi quando absorveu a polícia secreta (Gestapo) e serviços de inteligência e de controle das polícias.
Mas a meganhagem precisa também contar com o apoio da opinião pública. Nos EUA, enquanto cigarros e bebidas alcoólicas são retirados nos filmes das mãos e bocas dos mocinhos (para ficar exclusivamente nos RAVs – russos, árabes e vilões em geral), com armas é o contrário.
Tanto lá como aqui, observamos uma fila interminável de armas lubrificadas, reluzentes, coldres, metralhadoras empunhadas ao nível da virilha prontas para entrar em ação tanto no cinema como na TV, em minisséries nacionais, telenovelas e na enésima operação da Lava Jato nos telejornais.

Armas e meganhas (soldado de polícia) se transformaram em diagnóstico de todos os problemas nacionais: indicadores sociais como educação, saúde e emprego estão caindo? Então a culpa só pode ser da corrupção e meganhas com armas brilhantes e seus óculos “thug life” são a solução – caçar e prender corruptos e expô-los às câmeras como fossem caçadores de cabeças a prêmio.
O filósofo Walter Benjamin defendia a tese de que o fascismo era um fenômeno principalmente estético com a politização da arte, cinema e fotografia através da propaganda. Então, o que acompanhamos no Brasil é a construção semiótica das armas como um fenômeno estético. Com a evidente finalidade política de construir um Estado paralelo de procuradores públicos e PF – os corvos alimentados com muito carinho pelo STF e Congresso dentro do jogo da guerra híbrida que culminou no golpe de 2016, agora vem bicar seus olhos. E com o apoio da opinião pública e grande mídia.
No nazi-fascismo, insígnias, símbolos e armas foram transformados em fenômenos estéticos através da promoção fetichista pela propaganda – a despolitização da Política por meio da promoção fetichista.
Da mesma forma, a atual guerra semiótica brasileira promove a meganhagem como a pedra de toque da ideologia que justificará o futuro Estado policial. E a fetichização das armas é a sua principal estratégia semiótica.

O crítico cultural e escritor Stephen Marche tem algumas ideias que nos ajudam a compreender esse mecanismo. Ele defende a tese de que as armas, antes de mais nada, são uma estranha forma de expressão de beleza, uma forma clara de fetiche e simbolismo fálico (leia (MARCHE, Stephen. “Guns Are Beautiful.To stop gun violence, we need to stop fetishizing guns”– clique aqui) .
Valendo-se de um largo estudo feito pela Universidade de Berkeley em 2007 que concluiu não existir uma causalidade clara entre filmes violentos com a extensiva presença de armas de fogo na tela e a violência nas ruas, Marche argumenta que a questão das armas é de outra natureza. Para começar, o autor demonstra que todo o discurso que justifica as armas não tem nenhuma aplicação prática: casas com armas são mais seguras? Estatisticamente casas com armas são menos seguras do que casas sem armas. Defesa contra um governo tirânico? Quanto tempo a melhor milícia armada resistiria contra um simples destacamento de Mariners?
Para Marche, armas são um fenômeno estético. Para começar, um óbvio símbolo fálico no sentido atribuído por Freud como uma reação do indivíduo à ameaça da castração. A possibilidade da privação fálica conduz à sedução por esse simbolismo.
Por isso, Marche argumenta que a simples legislação que proíba ou restrinja a propriedade de armas, somente alimenta esse imaginário da castração. A presença massiva e exibicionista de armas nas telas de cinema é a expressão direta dessa ameaça da privação de um simbolismo fálico tido como um dos direitos constitucionais do cidadão.

É curioso que muitos desses filmes apresentem homens veteranos como Bruce Willis, Stallone, Schwarzenegger etc., atores que surgiram nos anos 1980 (a grande década dos filmes de ação da era conservadora do presidente republicano Ronald Reagan). Eles envelheceram, perderam a relevância e os cabelos, estão enrugados e com uns quilos a mais, mas ainda tentam provar que ainda têm munição: com as armas a impotência se foi! Quanto mais velhos, maiores as armas e o arsenal bélico.
A meganhagem cotidiana na grande mídia através da glamourização das ações de policiais federais e toda a polêmica em torno da legislação das armas faz parte dessa construção semiótica da criação do novo Estado policial: a fetichização das armas como símbolo fálico de poder e afirmação.
O País está em crise? Cresce o desalento e o desemprego? Educação e saúde se deterioram? Então, a culpa é dos ladrões e corruptos e a meganhagem (armas + força policial) é a única resposta para o País novamente se tornar forte e potente.
Então, as únicas coisas que realmente serão empoderadas no Brasil serão policiais e militares.

Wilson Rocha, torcedor do Paysandu, voltou ao estádio graças a projeto popular
Por Breiller Pires, no El País
Juntos na Série C do Campeonato Brasileiro, Remo e Paysandu voltam a disputar a mesma divisão após 13 anos. Apesar da rivalidade, ambos demonstram sintonia fora dos gramados. Tradicionais, mas distantes dos investimentos milionários de elencos bancados pelos clubes da elite, os maiores times do Pará tentam mobilizar a massa de seus torcedores para reviver os bons tempos de evidência no futebol nacional. Lançando mão de planos populares e até ingressos gratuitos, a dupla quer restabelecer a conexão com a parcela mais pobre da torcida e fazer dos estádios cheios um diferencial competitivo em busca de conquistas.
No fim do ano passado, o Paysandu anunciou a criação do projeto Alegria do Povo, que, em parceria com o curso de serviço social da Universidade da Amazônia (Unama), selecionou torcedores para um programa de concessão de entradas gratuitas em jogos do clube. Após uma análise socioeconômica, assistentes priorizaram pessoas consideradas hipossuficientes, que não têm condições financeiras para se sustentar. Inicialmente, o projeto conta com 250 bicolores beneficiados pela cota de ingressos nas partidas como mandante.
Primeiro a se cadastrar no programa, Wilson dos Santos Rocha, 63, assistiu à estreia do Papão no Campeonato Paraense. Com salário de 200 reais por mês, ele não frequentava o estádio da Curuzu havia cinco anos. “Fiquei muito emocionado de ver meu time de perto outra vez. Não sobra dinheiro pra comprar ingresso e ajudar o clube, infelizmente, mas sempre que tiver a oportunidade de voltar, vou estar na arquibancada apoiando os jogadores”, diz Rocha, que ainda ganhou uma camisa oficial doada por um grupo de torcedores.
“Nosso clube acabou ficando elitizado nos últimos anos. Precisamos nos reconectar com a cultura popular”, afirma Ricardo Gluck Paul, presidente do Paysandu, ao detalhar a motivação para oferecer ingressos aos desfavorecidos. “Esse é o torcedor que queremos resgatar, porque sabemos de sua paixão incondicional pelo time, ganhando ou perdendo. Futebol é alegria do povo. E, por ser um clube de massa, o Paysandu tem obrigação de abraçar todas as classes sociais.”
Do outro lado, o Remo não ficou atrás. Em dezembro de 2018, a agremiação azulina reformulou seu plano de sócio-torcedor e incluiu a categoria Ouro Social, destinada a beneficiários de programas sociais como o Bolsa Família. Em apenas um mês, as 600 vagas da modalidade foram esgotadas. Nela, os torcedores pagam mensalidade de 30 reais e têm acesso garantido em todos os jogos. “Fizemos questão de não colocar nenhuma distinção na carteirinha de sócio”, conta o presidente Fábio Bentes. “Para cumprir nosso papel social é fundamental mostrar que todo torcedor tem importância.”

Além do plano de popularização, o clube remista também tem investido em ações para tornar o estádio mais atrativo às mulheres e fidelizar torcedoras. Paralelamente a campanhas de conscientização sobre assédio, foram disponibilizados itens de higiene específicos nos banheiros femininos e catracas exclusivas. “Aos poucos, as mulheres estão perdendo o medo de frequentar as arquibancadas”, diz Mariana Moraes, 23, ainda rouca de tanto torcer depois do jogo em que o Remo garantiu o título paraense. Moradora da periferia de Belém, a estudante que integra a torcida feminina Azulindas paga 60 reais por mês para poder ir a todas as partidas de seu time na cidade e se orgulha da atitude do clube em abrir portas aos torcedores mais pobres. “Todos devem ter oportunidade de ir ao estádio. Se eu morasse em São Paulo, por exemplo, não teria condições de ver jogos do Corinthians.”
Na contramão dos clubes do eixo Sul-Sudeste, o preço do ingresso praticado pela dupla “Repa”, como é conhecido o clássico paraense, ainda se encaixa no orçamento de boa parcela de seus torcedores. Enquanto o Corinthians, terceira bilheteria mais caro do país, cobra em média 50 reais na Arena, Remo e Paysandu se mantém estáveis na casa dos 20 reais. O valor acessível reflete em calor nas arquibancadas.
Com aproximadamente 10.000 torcedores por partida, os grandes do Pará superam médias de público até mesmo de times da Série A, como Botafogo, Chapecoense, Fluminense e Goiás. O foco na revitalização dos planos de sócio visa aumentar as cifras. Enquanto o Paysandu tem 5.500 pagantes ativos e planeja triplicar o número mobilizando sua base de 25.000 cadastrados, o Leão Azul saltou de 800 para 5.000 sócios em menos de seis meses.
Para a final do Parazão, contra o Independente, o Remo levou mais de 27.000 pessoas ao Mangueirão. Empurrados pela torcida, azulinos e bicolores projetam boas campanhas na Série C e um clássico, previsto para a 9ª rodada, com lotação máxima no estádio, que tem capacidade para 40.000 torcedores. Diante do sucesso de adesão, os dois times também já trabalham na abertura de novos lotes de ingressos populares, convictos de que a incorporação de baixa renda na arquibancada resulta em alto desempenho no campo.
“Para competir com times de outros Estados, nosso trunfo é o apoio maciço do torcedor”, afirma Bentes. “Vamos provar que, aproximá-lo do clube, não importa de onde venha, vale a pena.”


Por Bruno Lima Rocha e Pedro Guedes, no Jornal GGN
Ocorrida no dia 30 de abril, a tentativa de levante militar e consequente golpe contra o governo de Nicolás Maduro trouxe maior preocupação quanto a já precária situação da Venezuela, bem como um maior pessimismo quanto a uma solução “política e pacífica” para o impasse. Ou seja, o ato de incorporar a oposição política legítima ou então aprofundar a mudança de regime. Em um espaço de poucas horas, o autoproclamado presidente, Juan Guaidó, juntamente com alguns oficiais do SEBIN (Serviço de Inteligência Venezuelano) e algumas dezenas de militares (basicamente oficiais da Guarda Nacional Bolivariana, GNB) tentaram em vão, paralisar a cadeia de comando por via de um levante no interior das Forças Armadas.
Ainda que no momento inicial aparentemente bem-sucedido, com a presença de Guaidó e Leopoldo Lopéz “liberto” da prisão domiciliar (com o aval do SEBIN e da GNB, ao menos de suas escoltas), os líderes da oposição foram incapazes de condicionar a troca de lealdade de outros líderes militares. Essa tentativa em um automático contragolpe resultou em apoio pró-Maduro e repressão contra os apoiadores de Guaidó e especificamente o início dos expurgos contra os oficiais da GNB conspiradora.
A movimentação de Guaidó e seus apoiadores começou na madrugada de 30 de abril, com o empresário Alberto Federico Ravell (diretor de comunicação do autoproclamado presidente) anunciando que Juan Guaidó, Leopoldo López e militares tinham tomado a Base Aérea de La Carlota (ponto famoso pelo seu uso em atividades culturais). Este lugar tem importância por ser um local de projeção política dentro da cidade de Caracas, dando acesso a uma larga avenida que pode chegar diretamente ao Palácio Miraflores. Essa ação se viabilizou com a defecção de um dos comandantes do Sebin, general Manuel Ricardo Cristopher Figuera, justamente promovido ao cargo por Maduro (e pela lógica, com o aval dos cubanos). A partir do envolvimento de Figueira e seus subordinados, o grupo liderado por Guaidó obteria base de contato dentro do aparato de segurança.[1]
Para corroborar esta informação, os golpistas gravam um vídeo com Guaidó afirmando ter tomado a base, cercado de militares. Nesta peça político-publicitária, o autoproclamado pede que os principais quartéis os militares promovam adesão às manifestações contra o governo Maduro, bem como que a população vá às ruas. Antes das sete horas da manhã, o alto-comando das Forças Armadas Venezuelanas (sigla FANB em espanhol) publica em um comunicado que as tropas permanecem nos quartéis, sem movimentações anormais[2].
Em um espaço de duas horas, entre 07:30 e 9:30, há um fluxo intenso de comunicados por parte do governo e em menor medida, da oposição, que começa a entrar em silêncio, ao menos nas mídias sociais. Cabe destacar desse período, o aviso do governo venezuelano de que os envolvidos na conspiração para derrubar o governo sofreriam sanções jurídicas pelas suas ações, e que ao mesmo tempo, chamava a população a demonstrar apoio nas ruas. Do lado conspirador, há de interessante a manifestação do presidente colombiano, Iván Duque Márquez (do Centro Democrático, afilhado político do ex-presidente Álvaro Uribe Vélez, pai do paramilitarismo moderno no país), declarando em sua conta no Twitter apoio ao movimento golpista[3].
Enquanto isso, a diplomacia colombiana mobilizava o Grupo de Lima para uma reunião de emergência, com o objetivo de acompanhar os desdobramentos da tentativa de golpe de estado e, para se necessário, legitimar um possível governo Guaidó. Para tentar criar divisão nas fileiras, os conspiradores anunciaram que oficiais de alto escalão da FANB teriam desertado para o lado golpista, o que foi logo desmentido[4] por uma gravação oficial do general Vladimir Padrino López, ministro da Defesa, comandante em chefe das FANB que junto a oficiais generais e um comando paraquedistas, todos em uniforme de campanha, proclamam o lema chavista: “Leais sempre, traidores nunca!”.
Resposta de Caracas e fracasso dos conspiradores
Ao longo do final da manhã, as forças de segurança venezuelanas (basicamente compostas de efetivos da GNB) iniciam operações para dispersão dos protestos e prisão dos líderes e militares envolvidos na tentativa de golpe de Estado. Aqui, percebe-se a pouca adesão entre os militares nas ações de Guaidó e correligionários; boa parte dos militares envolvidos nas ações de início da manhã do dia 30 foi enganada. Foram avisados que a mobilização era de repressão contra uma rebelião carcerária no interior do país, mas ao chegar nas proximidades de La Carlota, perceberam do que se tratava e rapidamente entraram em contato com oficiais leais e voltaram aos seus quartéis de origem[5]. Segundo o comando das FANB e na GNB, oitenta por cento dos militares concentrados em La Carlota no chamado “Madrugadazo Escuálido” sequer sabia o motivo de sua convocatória e não estavam de acordo com Guaidó e López.
Neste momento, o golpe já é dado como fracassado, tanto pelo governo Maduro, que prontamente comunica o controle da situação ainda no início da tarde, quanto pelos conspiradores, que fogem dos protestos e começam a procurar refúgio nas embaixadas de países europeus e nos membros do Grupo de Lima, incluindo o Brasil. Enquanto Leopoldo López procura as embaixadas de Chile e Espanha respectivamente, cerca de 25 militares envolvidos na tentativa de golpe requisitam asilo político na embaixada brasileira[6,7].
Enquanto a trama conspiratória se desenrolava em Caracas, aqui no Brasil a cobertura midiática realizada pelos principais grupos de comunicação beirava a panfletagem política. Imagens de marchas pró-Maduro televisionadas como protestos da oposição, análises de “especialistas” rasas e um profundo sentimento de torcida pelos conspiradores pautaram a transmissão, principalmente em rede de televisão a cabo, já que a rede de televisão aberta pouco ou nada cobriu, para além da reprodução das falas advindas do governo brasileiro.
Em Washington, o governo Trump, através de John Bolton (Conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos), declarava total suporte para os revoltosos, pedindo ainda, maior engajamento da FANB no golpe, então em andamento; em pronunciamentos via rede social, Bolton e Mike Pompeo (empresário, ex-diretor da CIA e atual chefe do Departamento de Estado) bradavam por sublevação militar e vociferavam contra a presença russa na Venezuela. Já Trump, ameaçou o governo cubano de mais embargos econômicos e bloqueio à ilha, como resposta ao suporte dado ao governo Maduro.
Na visão dos Estados Unidos, Cuba é um dos pilares que mantêm o sucessor de Chávez no poder. Como resultado do fracasso da “Operción Libertad” em derrubar o vice-presidente eleito em novembro de 2012, novamente eleito em abril de 2013 e reeleito em maio de 2018, a Casa Branca mantém a possibilidade de usar a força militar como recurso para mudar o governo na Venezuela.[8]
Vale reforçar a guerra híbrida, o combate de 4ª geração. Na terça, 30 de abril, vivemos cenas nos meios de comunicação do Brasil, da América Latina e até da cobertura globalizada que beiram o surrealismo. Um golpe que não foi, a ameaça pela metade e o “clima de tensão” propagado pela inteligência do Império fazendo crer que algo estava acontecendo para além da guarimba (“balbúrdia violenta” no neologismo político da extrema direita alucinada que desgoverna o Brasil) no entorno da Base Aérea de La Carlota. Mas, para além das mentiras de sempre, chama atenção o fato de que a contrainteligência do chavismo e seus aliados (cubanos, em primeiro plano, e russos, como rede independente) não perceberam a “virada” de Manuel Christopher Figuera.
O general comandante do Serviço de Inteligência Bolivariano (Sebin) simplesmente trocou de lado. Como isso não foi percebido é o que deve ser debatido e rastreado o que resta da conspiração, para identificar e expurgar o tamanho da fratura na espinha dorsal do aparelho de segurança de Estado (FANB-SEBIN-GNB). O problema é ainda incomensurável.
Os esquálidos aventaram que o major general José Adelino Ornella Ferreira – general de divisão e chefe do Estado Maior Conjunto do Comando Estratégico Operacional (unidade de armas combinadas de pronta resposta) estaria mancomunado com os golpistas. Ornella Ferreira negou na mesma manhã do “Madrugadazo” e com isso gerou duas reações. Uma reação, ao menos publicamente, ficou evidente que não havia um oficial general no comando de tropas terrestres da FANB na conspiração. Outra reação, se ele – Ornella – estava na conspiração, negou-a e assim certamente afastou a intenção de trair de demais oficiais generais ou oficiais superiores na frente de organizações militares operacionais. O efeito contrário, foi não permitir que o governo Maduro localize, identifique e puna os conspiradores.
Outra conclusão lógica, e a mais delicada de todas, é o fato inequívoco de que estamos diante de um dilema. Se todo o comando da Milícia Nacional Bolivariana de Venezuela ficar em mãos de oficiais de carreira, sua espinha dorsal pode estar comprometida. Se vale a experiência da história recente, no Chile o G2 cubano (DGI é a sigla formal) aconselhou ao presidente Salvador Allende que sua Guarda Presidencial deveria ter um efetivo de 2000 combatentes a tempo completo e sob ordem direta do mandatário eleito em La Moneda. Allende não ouviu e estabeleceu a Guardia Técnica com 45 escoltas pessoais. Tampouco o governo ouviu ao MIR e armou as já preparadas milícias de autodefesas nos cordões industriais. Nem Allende, nem o PSI e tampouco o PC chileno tinham plano B. Deu no que deu.
Se Hugo Rafael Chávez Frías determinou como palavra de ordem que “el Chávez pendejo se quedó en 2002”, era bom seu sucessor pensar o mesmo e garantir a última linha sobre as bases populares, nunca apenas em militares de carreira, ainda que no comando de milícias populares.
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Bruno Lima Rocha (pós-doutorando em economia política, doutor em ciência política) e Pedro Guedes (internacionalista) atuam na área de relações internacionais e estudos estratégicos; ambos são membros do Grupo de Pesquisa Capital e Estado (www.capetacapitaeestado.wordpress.com)
O Bayern de Munique anunciou na manhã deste domingo que um dos seus maiores nomes está de saída. Após o fim de contrato no dia 30 de junho, o atacante francês Ribéry não renovará seu vínculo e finalizará uma história de 12 anos no clube alemão. Robben também já anunciou que esta é sua última temporada pelo clube.

Após o anúncio no Twitter, o Bayern agradeceu o jogador. “Obrigado por tudo, Franck”, diz a nota, seguida de outras publicações do craque. O futuro do atleta de 36 anos segue indefinido e ele postou uma sequência de vídeos nesta manhã agradecendo o clube por todos esses anos de trabalho.

O Santos montou uma lista de dispensa nos últimos dias. Além de jogadores fora da rotina do elenco profissional há algumas semanas, o Peixe liberou quatro: Arthur Gomes, Copete, Felippe Cardoso e Yuri.
O objetivo do Alvinegro é ter pelo menos oito atletas a menos até o fechamento da próxima janela internacional de transferências, em julho. A economia seria de pelo menos R$ 1 milhão por mês.
Arthur já treina pela Chapecoense, Yuri está perto de ser anunciado pelo Fluminense. Ambos saem até dezembro. O atacante terá os salários integralmente pagos pela Chape, enquanto o Peixe dividirá os vencimentos do volante com o Flu.
Felippe Cardoso recebeu proposta do Vitória, mas não aceitou. Mesmo fora dos planos do técnico Jorge Sampaoli por ora, o centroavante acredita numa chance em breve, como foi com Eduardo Sasha, antes dispensável e hoje com dois gols em dois jogos no Campeonato Brasileiro.
Arthur Gomes, Copete, Felippe Cardoso e Yuri foram avisados na semana passada pelo gerente de futebol Gabriel Andreata sobre a opção do Santos pela saída. Por Copete, o argumento foi financeiro, não técnico, pois Sampaoli gosta do colombiano.
Enquanto isso, o Santos tenta resolver dois grandes problemas: Cleber Reis e Bryan Ruiz, ambos com treinamentos em separado do restante do elenco. Juntos, os dois ganham cerca de R$ 600 mil por mês e não há propostas concretas neste momento. No caso de Cleber, houve interesse do Oeste para a Série B, mas o clube não aceitou arcar com mais de R$ 50 mil e a negociação por uma troca com o jovem Pedrinho não avançou.
O Peixe vê chance de negociar Bryan depois da Copa Ouro. O meia deve ser convocado pela seleção da Costa Rica. Houve sondagem recente da MLS.
A situação de Guilherme Nunes também é complexa. O volante recebe um salário alto para quem não teve sequência no elenco profissional e ainda tem aumento previsto para esse mês de maio. Esse foi o motivo da negociação encaminhada com o Atlético-GO esfriar. Clubes como América-MG, Avaí, Coritiba, Figueirense e Guarani fizeram sondagens recentes.
Grande cover do clássico do Creedence Clearwater Revival.
POR GERSON NOGUEIRA
A semana foi rica na exposição das diferenças entre o futebol moderno que a Europa se dá ao luxo de praticar e o estilo arranca-toco que prevalece no Brasil, principalmente, e na América do Sul, de maneira geral. Dois jogos, válidos pelas semifinais da Champions League, impuseram de forma até constrangedora (para nós) o brutal descompasso entre o que times e treinadores fazem por lá e o que se vê aqui.
Cada finta insinuante, troca de passes estilosa dos jovens jogadores do Ajax diante do Tottenham, em Londres, equivalia a um tapa na cara dos que se prestam ao estelionato visto em gramados brasileiros. Sim, o que se vê nesta década perdida é uma forma de enganação, de ludibriar a boa fé das pessoas.
Refiro-me ao torcedor que se mantém fiel ao futebol como entretenimento. Pela paixão, ele pode sair dos estádios comemorando um título a mais. Como consumidor, tem sido ordinariamente trapaceado. Compra ingressos caros – principalmente na Série A –, paga pacotes na TV fechada, para ver espetáculos que não simplesmente não acontecem.
A não ser que o conceito de espetáculo esteja subvertido, as partidas de futebol lesam o espectador quanto ao tempo de bola rolando – quase sempre abaixo dos 50 minutos! – e na quantidade de jogadas verdadeiramente caprichadas. Não que se espere arroubos de genialidade, lampejos de iluminação, mas é plenamente aceitável que se exija um apuro maior nos fundamentos do jogo.
No país pentacampeão mundial, que já se autodenominou a terra do futebol – com boa dose de razão até os anos 90 -, é alarmante constatar o festival de matadas de canela, chutes na orelha da bola, trombadas e outros tipos de tortura futebolística.
Os europeus, enquanto isso, ajustaram os seus conceitos mais tradicionais, combinando necessidades práticas do jogo com a beleza estética do evento futebol, permitindo-se fazer jogos tão competitivos quanto tecnicamente exuberantes. Em resumo, unindo o útil ao agradável.
É claro que lá existe investimento alto, capaz de atrair sempre os melhores jogadores, mas há um inegável capricho na forma de jogar que não depende apenas de grana. Requer conhecimento, estudo e apego ao talento.

O Ajax, citado lá em cima, é legítimo representante desse futebol moderno e desassombrado, que não se intimida diante de gigantes mundiais – eliminou o Real Madri dentro do Santiago Bernabeu – e joga ofensivamente o tempo todo, até mesmo quando finge se resguardar.
Há uma fina semelhança entre o estilo holandês e a troca de passes tão ao gosto do Barcelona. Apesar de menos rápido que o Ajax, o time de Lionel Messi é mais cerebral, até pelas peças experientes de que dispõe.
Curioso é notar que até os times mais pragmáticos na forma de operacionalizar o jogo, como Liverpool e Tottenham, não abrem mão de lances plasticamente bonitos, à brasileira, como se dizia antigamente – e quase não se pode dizer mais.
Durante décadas, acreditamos que os europeus estavam condenados eternamente ao estilo bate-estaca, com passes pouco naturais e jogadores de cintura dura, sem molejo para o drible. Foi bom enquanto durou. Eles evoluíram. Conseguiram montar a equação que junta arte e resultado.
É justo reconhecer que eles deixaram de ser broncos. Os verdadeiros carrascos da bola estão deste lado do planeta e o assustador é que há quem goste e defenda a indigência do futebol que os clubes brasileiros praticam.
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Leão festeja êxito da campanha pró-Baenão
Um sucesso estrondoso. Até sexta-feira à noite, a promoção “Retorno ao Reino” havia garantido a venda de 5.670 ingressos para a reinauguração do estádio Evandro Almeida. Ao custo individual de R$ 80,00, garantindo uma renda parcial antecipada na casa de R$ 453 mil.
Diante da expectativa para o grande evento do dia 6 ou 7 de julho, ouvinte mandou a letra no Cartaz Esportivo de sexta-feira: irão convidar para a festa o ex-presidente que destruiu o estádio e causou sua inutilização por cinco anos?
O bom senso diz que não. A conferir.
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Copa Verde: maná dos céus para a dupla Re-Pa
A confirmação da Copa Verde para o mês de agosto, logo em seguida à Copa América, soa como bálsamo para os combalidos cofres da dupla Re-Pa. Os azulinos, principalmente, têm motivos para soltar foguetes pelo anúncio feito na sexta-feira pela CBF, após longo período de boatos e especulações.
Não haverá o caráter binacional, como chegou a proclamar o coronel Nunes no ano passado, mas a CBF procurou e achou um parceiro do mundo privado para subsidiar as passagens e despesas com transporte das equipes participantes.
E o grande atrativo da competição foi mantido. A vaga nas oitavas de final da Copa do Brasil, com direito à bonificação de R$ 2,5 milhões, está garantida.
Pode-se até recriminar a CBF por ter deixado a competição de lado, quase na geladeira e sob a ameaça de extinção, mas a essa altura a melhor coisa a fazer é elevar as mãos aos céus e agradecer.
É verdade que a competição paga muito mal e sempre foi subvalorizada, mas adquiriu importância especial em meio a um cenário de incertezas e extremas dificuldades financeiras para os clubes do Norte.
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Bola na Torre
Giuseppe Tommaso apresenta o programa, a partir das 22h, na RBATV, com a participação de Rui Guimarães e deste escriba de Baião. Em pauta, os lances e análises dos jogos das séries C e D.
(Coluna publicada no Bola deste domingo, 05)

Os jogos do Bragantino na Série D terão transmissão pela internet e serviço de streaming através da parceria entre MyCujoo-CBF e a TV Braga Sports. Os jogos serão transmitidos pela plataforma junto com a CBF TV. Além da Braga Sports, a Innov Mídia também foi escolhida para gerar as imagens e a narração para o site. A Innov ficará transmitindo os jogos do São Raimundo com exclusividade.
Bragantino x Santa Cruz (12/05)
Bragantino x Floresta (19/05)
Bragantino x River (07/06)
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