Mês: junho 2018
Via crúcis

Por Leandro Fortes, no Facebook
Assim que começou essa modinha de agência de checagem de fake news, capitaneada justamente pela velha mídia brasileira – maior produtora de notícias falsas do planeta -, eu avisei aqui: esse movimento não tem interesse público algum, nem nenhum compromisso com a verdade.
Foi pensado para criminalizar a mídia alternativa e intimidá-la, de modo a acabar com o único contraponto que a sociedade tem às máfias noticiosas, Grupo Globo à frente. Essa polêmica em torno do rosário enviado pelo papa Francisco ao presidente Lula, preso político em Curitiba, é extremamente reveladora disso.
Essa tal de Lupa, em meio a uma miríade de desmentidos sobre o tema, ignorou completamente que o UOL foi o primeiro a dar a notícia no Brasil e, a partir de uma checagem porca feita com um certo Vatican News, apontou o dedo para o Brasil 247 e a revista Fórum. Um expediente de calúnia que visa desmoralizar esses veículos e provocar sanções junto ao Facebook.
Na origem dessa pilantragem está o pavor dessa cristandade paneleira de bunda suja diante da possibilidade de o papa intervir a favor de Lula, o que colocaria a Igreja na luta direta contra essa farsa jurídica comandada pelo juiz Mazzaropi, no maior país católico do mundo.
O fato é que o tal rosário foi abençoado por Francisco e entregue a Lula por um emissário oficial do Vaticano.
E isso não tem nada a ver com religião.
Cobertura da Copa faz Globo perder até para programa de fofoca

A Globo amargou o terceiro lugar na audiência durante 24 minutos na tarde desta terça-feira (12) durante a exibição do Vídeo Show. De acordo com a prévia do minuto a minuto do Ibope da Grande São Paulo, obtida pelo Notícias da TV, o programa apresentado por Otaviano Costa e Sophia Abrahão foi derrotado não somente pelo Balanço Geral, da Record, como de praxe, mas também pelo seriado Chaves e pelo Fofocalizando, ambos do SBT.
O programa da Globo apostou no lançamento do clipe da música “Fica Tudo Bem”, parceria de Anitta com o cantor Silva. Otaviano e Sophia também bateram papo com os jornalistas Sandra Annenberg e Alex Escobar, que entraram ao vivo diretamente do estúdio da emissora em Moscou, na Rússia, mas o conteúdo afugentou o público. (Do UOL)
Direto do Twitter

Fake news em debate
Em decisão surpreendente, Espanha demite técnico às vésperas do Mundial

A Federação Espanhola não assimilou o anúncio de que Julen Lopetegui (foto) será o novo treinador do Rael Madrid após o Mundial da Rússia e decidiu afastá-lo do comando técnico da seleção. A surpreendente decisão foi tomada depois de reunião entre o treinador, o presidente da Federação Luis Rubiales e os jogadores Sergio Ramos, Piqué e Iniesta. O substituto de Lopetegui na seleção ainda não foi anunciado. Luis Enrique e Vicente Del Bosque, ex-técnico da Fúria, são os mais cotados.
Pelas declarações do presidente da federação, Lopetegui caiu por não ter avisado com antecedência sobre seu acordo com o Real Madri. “Fui informado 5 minutos antes do anúncio oficial que Lopetegui iria pro Real. Pedi que segurassem o anúncio. Que fizessem de outra forma, mas 5 minutos depois o anúncio foi feito. As coisas não podem ser feitas assim. É uma falta de respeito à Federação Espanhola”, disse Rubiales.
Copa do Mundo de 2026 será nos EUA, México e Canadá
A Fifa definiu, na manhã de hoje (13), que a Copa do Mundo de 2026 será realizada na América do Norte. Três países do subcontinente irão sediar o evento: Estados Unidos, México e Canadá, sendo que 60 jogos será realizados nos EUA, 10 no México e 10 no Canadá. A expectativa é de um lucro recorde de 14 bilhões de dólares.
Os três países disputavam o direito de sediar o Mundial com o Marrocos. Antes da votação, a secretária-geral da Fifa, Fatma Samoura, mostrou o relatório de avaliação das candidaturas. EUA tirou nota 4 (de 5) e Marrocos tirou nota 2,7 (de 5). A próxima Copa, em 2022, vai ocorrer no Qatar.
Juiz de Maringá concede proteção extra a delatores

Sem razões justificáveis, o juiz Sérgio Moro decidiu negar acesso às provas geradas na Lava Jato por órgãos oficiais do governo com responsabilidade para investigar contas e outras possíveis fraudes na máquina pública. Estão atingidos pela estranha atitude a Advocacia Geral da União (AGU), a Controladoria Geral da União (CGU), o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), o Banco Central, a Receita Federal e o Tribunal de Contas da União (TCU). Uma mordaça jurídica que surpreendeu a todos.
“Apesar do compartilhamento de provas para a utilização na esfera cível e administrativa ser imperativo, já que atende ao interesse público, faz-se necessário proteger o colaborador ou a empresa leniente contra sanções excessivas de outros órgãos públicos, sob pena de desestimular a própria celebração desses acordos”, escreveu o juiz.
A atitude é ainda mais esquisita (e suspeita) porque são órgãos que investigam bancos e empresas que praticaram monopólio, dumping, cartel e outras atividades das quais o próprio Moro é acusado de envolvimento, como no Caso Banestado. Para isso, o juiz que parece ser uma espécie de “Primeiro Juiz” do Brasil, alega que deve proteger seus “colaboradores” ou empresa leniente, vetando que forneçam provas aos outros órgãos, a fim de proteger as negociações de delação premiada.
Tais órgãos ficam protegidos por Moro, mesmo que seus “colaboradores” tenham cometido outros crimes, dos quais existam ou não provas e que outros órgãos desejem empreender investigações.
A pergunta é: afinal, quem protege quem?
Um papo com Juca
O perigo ronda a necessidade

POR GERSON NOGUEIRA
Quando a esmola é grande, o santo desconfia. A máxima popular vale para quase todas as instâncias da vida, principalmente o futebol. Como o ano é eleitoral, os clubes mais populares costumam ser um alvo natural para candidatos ávidos pelo apoio das massas. Apesar de o problema persistir, é justo reconhecer que os artifícios de sedução foram bem mais convincentes (e eficientes) no passado.
O torcedor ficou um pouco mais consciente, a ponto de saber que o mecenas do período pré-eleitoral é quase sempre – há exceções, obviamente – um oportunista à procura de incautos cegos pelo fanatismo clubístico. Acontece que alguns sabem entoar bem o chamado canto da sereia e terminam por engabelar muita gente, além de causar estragos consideráveis para as agremiações.
Pelas multidões que arrebanham, clubes como Leão e Papão têm uma espécie de imã para tais aventureiros. No caso do Remo, cuja situação financeira é reconhecidamente grave, cresce bastante o risco das soluções miraculosas. A necessidade acaba por abrir brechas para oportunistas.
Nos últimos dias, após a quarta derrota consecutiva na Série C, as redes sociais ecoaram especulações de que um notório ex-presidente azulino iria oferecer um lote de reforços ao clube. Logo em seguida, veio a boataria sobre possível interesse pelo zagueiro Fernando Lombardi, que defendeu o PSC até o ano passado.
Tanto a oferta de reforços quanto à súbita reaparição do referido cartola em momento ruim não causam surpresa, mas significam péssimas notícias para o Remo. Os torcedores que têm memória mais aguda irão lembrar que o estádio Evandro Almeida foi parcialmente destruído – e até hoje não voltou a ser utilizado – durante a gestão do tal promesseiro, há quatro anos.
Ainda bem que a diretoria de Futebol desmentiu o interesse pelo ex-jogador do PSC, que foi liberado após temporada particularmente ruim.
Milagreiros e feiticeiros nunca deram muito certo em futebol. Se funcionassem, como bem pontua a velha máxima de Neném Prancha, o campeonato baiano terminaria empatado. No caso específico do Leão, uma série de gestões deletérias ajuda a explicar o buraco em que o clube se encontra hoje.
Ao contrário do rival, que ousou adotar gestão mais coerente com os novos tempos, o Remo é um museu de grandes novidades que nunca florescem. A cada começo de temporada a torcida se enche de esperanças, mas a realidade logo chega para afundar os sonhos.
Aliás, sonhos até modestos, como subir para a Série B. Nunca foi tão fácil obter o acesso. A Série C atual é nivelada por baixo, com times medíocres e sem maior expressão técnica, mas o Remo tropeça, chafurda e termina se atrapalhando nas próprias pernas. Para piorar, como na natureza selvagem, o cheiro de carniça atrai hienas e predadores vorazes.
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O apostolado germânico contra a acomodação
A Alemanha campeã do mundo desembarcou ontem, em Moscou, com a pompa dos que sabem que são superiores. Não se trata de arrogância, mas de consciência das próprias forças.
Com uma renovação radical para uma seleção vitoriosa, com apenas nove remanescentes da Copa do Mundo de 2014, o escrete germânico chega à Rússia mais favorito do que nunca.
A coisa é tão forte no sentido de não marcar passo que, vitorioso na Copa das Confederações – o que nunca foi bom sinal para ninguém –, o selecionado de Joachim Löw deu-se ao luxo de abrir mão do atacante que fez o gol do título mundial no Maracanã, há quatro anos, contra a Argentina.
Mario Gotze, autor de um golaço matando no peito e batendo cruzado, era um dos jovens convocados daquela seleção. Seria, portanto, nome quase certo para 2018. Acabou descartado pelo rígido esquema alemão de avaliação de desempenho.
Uma prova óbvia de que não é por mera sorte que a Alemanha acumula tantas conquistas e presenças em finais de Copa. Há trabalho e determinação, consciência e foco. Cuidado com eles.
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Walter Lima e o mistério da desvalorização da base
Um comentário feito pelo técnico Walter Lima nas redes sociais é revelador das mazelas que envolvem as divisões de base no Pará. “Assistindo o jogo Remo x Náutico, observo uns três jogadores que jogaram contra a Desportiva na Copa São Paulo de Juniores – ganhamos o jogo, inclusive. Robinho, que fez o gol contra o Remo, era o atacante. Eles foram eliminados na primeira fase e nós chegamos às oitavas de finais”, observa Waltinho.
“Agora me perguntem: cadê nossos jogadores em algum time¿ E o artilheiro? E os outros? E Samuel, o Búfalo, revelação no campeonato paraense pelo Troféu Camisa 13? E Matheus Silva? Ah sim… este está jogando”, indaga, questionando os critérios de nossos principais clubes na busca de reforços.
Finaliza com a esperança de que algo bom possa vir da mudança no regulamento da Segundinha: “Acho que agora, com a nova fórmula, de apenas 5 jogadores acima de 20 anos de idade por equipe, inevitavelmente alguém vai ver que existe qualidade no Estado, e que a geografia não separa os bons dos ruins, os fracos dos fortes, apenas não permite que sejam vistos. E, infelizmente, no futebol às vezes o valor do salário separa o campo da arquibancada”.
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Joias do pensamento futeboleiro
“Só os subdesenvolvidos têm escrúpulos… O inglês é um grande povo. Na guerra, salvou o mundo com a sua resistência. Mas em 66 a Inglaterra foi de um descaro empolgante. Manipulou juízes, baixou o pau, fez horrores e ganhou. Portanto, com suas qualidades, o inglês salvou o mundo; com os seus defeitos, ganhou a taça.
“O tempo é uma convenção que não existe, nem para o craque, nem para a mulher bonita”.
Nelson Rodrigues
(Coluna publicada no Bola desta quarta-feira, 13)
Rock na madrugada – Franz Ferdinand, Do You Want To
Capa do Bola – quarta-feira, 13
