“Como a lei é a arma de combate à corrupção, violá-la é uma forma de corromper o combate à corrupção.”
Janio de Freitas, jornalista
“Como a lei é a arma de combate à corrupção, violá-la é uma forma de corromper o combate à corrupção.”
Janio de Freitas, jornalista

Na última colocação de seu grupo, com apenas 7 pontos, o Remo faz sua estreia no “returno” da fase classificatória precisando vencer a qualquer custo para afastar a crise instalada na equipe. Para superar o Atlético-AC, líder geral da Série C, o técnico Artur Oliveira fez várias mudanças no time titular, afastou ex-titulares e adotou o discurso de “vencer ou vencer” como motivação para iniciar a recuperação no campeonato.
Os dois primeiros jogos de Artur no comando do time terminaram com derrotas contra Salgueiro e Náutico, apesar de boas atuações. Depois de ter modificado o esquema para o 4-5-1, decidiu adotar o 4-4-2, aproveitando características de jogadores. Insatisfeito com o rendimento de alguns atletas, deixou de relacionar para o jogo de hoje o atacante Isac, o lateral Levy e o volante Dudu.

A partida entre Remo x Atlético-AC começa às 19h, no estádio Jornalista Edgar Proença. A provável escalação remista será: Vinícius; Nininho, Mimica, Bruno Maia (Moisés) e Esquerdinha; Leandro Brasília, Geandro, Rodriguinho e Everton; Elielton e Ruan.

Por Fernando Brito, no Tijolaço
Ontem, perdoem a parcial ausência os amigos e amigas do blog, foi dia de Brasil na Copa.
Dia de fazer o que, de quatro em quatro anos, o garoto que ouviu pelo rádio a tristeza de 1966, com a eliminação do Brasil – bicampeão do mundo – já na primeira fase da Copa, mal consolado pelo gol de Rildo nos 3 a um a que Eusébio e Simões abateram o sonho do tri do menino que nascera na primeira taça, não sabia de nada na segunda, mas que já cria, nas suas calças curtas, no tricampeonato afinal adiado.
E, vendo o jogo contra a Suíça, que está longe de ser um bicho-papão, viu o time desabar à primeira dificuldade, felizmente contra um time que não era, como a seleção alemã de 2014, capaz de se aproveitar do desmonte do time do Brasil.
Não, não, não falta futebol ao Brasil e só com muito contorcionismo mental se pode dizer que existe o “salto alto” dos “invencíveis da família Scolari” de quatro anos atrás. O time é bom e seu técnico foi capaz de lhe dar um estilo veloz e agressivo.
O que nos falta, até agora, é um líder dentro de campo. Alguém que seja capaz não só de dançar na felicidade, mas de arrostar os infortúnios. Como o Didi, que carrega calmamente a bola de volta ao meio do campo depois de termos começado perdendo a decisão contra a Suécia, em 58. Como Carlos Alberto Torres e a “cacetada” dada no inglês Francis Lee, que havia acertado o goleiro Félix já no chão, depois que este defendera sua quase mortal cabeçada de “peixinho”, quando a Inglaterra dominava o nosso mais difícil jogo na Copa de 70.
Porque futebol é uma mistura, claro, de talento e de personalidade.
O papel de líder teria tudo para ser de Neymar, mas sua estrutura psicológica, até agora, não se mostrou à altura de exercê-lo. Esteve ausente do jogo e se isso aconteceu por compreensível falta de condições físicas depois de três meses parado foi errado não deixar para lançá-lo no segundo tempo, seja para entrar com o jogo resolvido e adquirir ritmo, seja para chamar a responsabilidade de resolver uma “pedreira”.
A simplicidade do Neymar que surgiu garoto no time do Santos, porém, parece ter dado lugar a uma vaidade que se expressaria melhor na bola.
Exatamente o inverso do que se passou com Cristiano Ronaldo, o grande nome da Copa nesta primeira rodada. Apanhou tanto ou mais que Neymar, mas não se ausentou, chamou para si a responsabilidade, contagiou os companheiros e evitou a derrota de Portugal para a muito melhor seleção espanhola com seus três gols e a concentração de gelo polar que conseguiu ter na cobrança de uma falta que, claro, ele mesmo sofrera. Era, como todos já vimos todos algumas vezes, daquelas certezas que moldavam o inevitável.
O resultado do jogo brasileiro, em si, não foi um desastre, mas foi preocupante ver todos os jogadores repetindo, depois do jogo, um discurso ensaiado com o mesmo teor: “O gol suíço foi irregular, mas não cabia ficar comentando arbitragem”. Nunca fomos campões com um time “politicamente correto”, frio, sem ganas. Nem seremos, trocando o espírito de vira-latas pelo de pavão.
As coletividades humanas, sejam um time de futebol ou uma nação, precisam de referências e de solidariedade, em porções generosamente iguais.

“Por exemplo, pensemos: há uma lei da mídia, da comunicação, se cancela aquela lei; se concede todo o aparato da comunicação a uma empresa, a uma sociedade que faz calúnia, diz falsidades, enfraquece a vida democrática. Depois vêm os juízes a julgar essas instituições enfraquecidas, essas pessoas destruídas, condenam e assim vai avante uma ditadura. As ditaduras, todas, começaram assim, adulterando a comunicação, para colocar a comunicação nas mãos de uma pessoa sem escrúpulo, de um governo sem escrúpulo.”
Papa Francisco

O Paris Saint-Germain está disposto a ser protagonista mais uma vez na janela de transferências. Após investir pesado em Neymar e Mbappé, o clube francês pode desembolsar uma nova fortuna para tirar Cristiano Ronaldo do Real Madrid.
A informação, divulgada originariamente pelo site italiano SportMediaset, ganhou repercussão no diário As, da Espanha, nesta segunda-feira. Fala-se em uma futura proposta de 300 milhões de euros (cerca de R$ 1,3 bilhão, na cotação atual), valor que superaria em larga escala os 222 milhões de euros despendidos na compra de Neymar junto ao Barcelona.
O PSG, que visa se reforçar ainda mais na busca obstinada pelo inédito título da Liga dos Campeões, faria uma oferta salarial de 45 milhões de euros (cerca de R$ 195 milhões) por ano ao craque português.
Ainda de acordo com a publicação espanhola, o Manchester United seria outra possibilidade de futuro ao jogador cinco vezes eleito como melhor do mundo pela Fifa. O passado ajudaria na contratação do atacante de 33 anos, que fez história no clube inglês entre 2003 e 2009. No entanto, apesar dos recorrentes elogios ao compatriota, o técnico José Mourinho sabe que o United não poderia competir de igual para igual com o PSG em uma disputa direta pela contratação. (Da Gazeta Esportiva)

Quem acordou cedo para acompanhar o confronto entre suecos e sul-coreanos em Níjni Novgorod não viu um espetáculo ao nível de alguns dos jogos já disputados nesta Copa do Mundo, mas presenciou a tecnologia novamente agindo em prol do acerto no futebol. Depois de um primeiro tempo que nem de longe encheu os olhos, um pênalti marcado com o auxílio do VAR determinou a vitória da Suécia por 1 a 0.
Coube ao minuto 17 do o lance que mudaria toda a história da partida, mas com o auxílio da tecnologia. Claesson antecipou a jogada e acabou tocado por Kim Min-Woo. Inicialmente o lance seguiu, mas quando a Coréia esboçou o contra-ataque Joel Aguilar voltou atrás e recorreu ao VAR, que confirmou a marca da cal. Na cobrança, Granqvist deslocou o goleiro e abriu o marcador.
Com o triunfo, a Suécia assumiu a liderança do Grupo F, que possui México e Alemanha empatados com um ponto e a Coréia na lanterna. No próximo sábado, em Sochi, o clássico europeu pode definir o futuro da atual campeã mundial na Rússia, enquanto a seleção comandada por Shin Tae-Yong tenta manter viva as chances de classificação e conter a empolgação de Juan Carlos Osorio e seus jogadores. (Do Portal Terra)

Sono dos justos. Nilton Santos, com a taça Jules Rimet a tiracolo, ao lado de seu compadre Mané Garrincha no voo de volta para o Brasil após a conquista do título mundial na Copa da Suécia, em 1958.

O francês Eric Cantona postou uma foto no seu Instagram pessoal com macarrão na cabeça, segurando uma foto de Neymar. Na legenda, ele escreveu: “Estilo Neymar… espaguete ao dente!”. A brincadeira do ex-jogador rapidamente viralizou nas rede sociais.
Dentro de campo, Cantona era conhecido por ser um atacante de muitos gols e de pavio curto, sempre disposto a comprar uma briga. Depois que abandonou os gramados, virou ator, sendo protagonista de alguns filmes.
Neymar tem sido criticado pelo cabelo, gerando uma onda de memes na internet. Na estreia na Copa do Mundo, o atacante apareceu mais em função do penteado esquisito. Teve atuação apagada no empate do Brasil com a Suíça (1 a 1).
Após o empate, a insatisfação da torcida brasileira tomou conta da internet. A campanha #RaspaNeymar chegou aos assuntos mais comentados do Twitter, com vários motivos e sugestões para o craque brasileiro desistir do novo estilo.

POR GERSON NOGUEIRA
A estreia brasileira na Copa deixou mais perguntas do que respostas na cabeça do torcedor. A confiança cega no trabalho de Tite começam a ser questionada e as dúvidas passam a dominar as impressões após o empate com a Suíça, em 1 a 1.
As circunstâncias do empate quebraram o clima festivo que dominava o país até a bola rolar em Rostov. O time tomou pressão no começo, mas teve serenidade para controlar as ações e rapidamente inverteu a situação, movimentando seus homens de frente e sufocando o adversário em seu campo.
A abertura do placar logo aos 19 minutos, com golaço de Philippe Coutinho, batendo de curva bem ao seu estilo, aumentou a sensação de que o time podia deslanchar e obter uma vitória até tranquila.
A Suíça pouco incomodava. Só chegava em cruzamentos altos, sem maiores consequências. Apesar de Neymar não aparecer para o jogo, priorizando firulas, a estratégia era compensada pela rapidez de Coutinho e os deslocamentos de Gabriel e Willian.
No restante da etapa inicial, surgiram ainda duas outras chances, enquanto a Seleção se mostrou a fim de manter a pressão. Mas, antes mesmo do término do período, o Brasil arrefeceu as subidas e passou a tocar a bola de forma confusa, sem explorar as visíveis fragilidades da zaga suíça.
Veio o segundo tempo e o que antes era apenas desconforto se tornou preocupação séria. Neymar seguiu exagerando na retenção da bola, atraindo faltas e pontapés, sem produzir o que a Seleção mais precisava: jogadas em velocidade que surpreendessem a marcação.
Tenso e atrapalhado na saída, o time cedeu escanteio e não cuidou de vigiar a marcação do ataque suíço, que aproveitou para empatar, com a conivência do árbitro mexicano, indiferente ao empurrão sofrido por Miranda.
Além do erro de arbitragem, é preciso observar que Tiago Silva não acompanhou o centroavante e Alisson não saiu para cortar um cruzamento que também era de sua responsabilidade, pois foi direcionado para a pequena área. Um simples soco para afastar a bola teria evitado o prejuízo.
Depois ocorreria ainda um penal claro sobre Gabriel Jesus, agarrado dentro da área, sem que o badalado VAR fosse acionado. Neymar seguia levando pancada e insistindo em carregar a bola. Atrasou inúmeras manobras com a preocupação em mostrar perícia e malabarismo.
A pouca presença de seu principal jogador ajuda a entender porque o sistema ofensivo viveu de lampejos, como nos lances agudos na área da Suíça quando o Brasil resolveu sufocar nos minutos finais.
Outra explicação para a atuação decepcionante está nas escolhas de Tite. Deixou Douglas Costa de lado, preferindo substituir Casemiro por Fernandinho e Paulinho por Danilo Augusto. As duas providências não deram em nada e Firmino ainda custou a ser lançado.
Pior mesmo foi o surpreendente abatimento da Seleção após o gol sofrido. Foi como se o time não estivesse preparado para enfrentar contrariedades. O impacto custou a ser assimilado. Sofrer gol é ruim, mas não pode se transformar em sentença mortal.
Nada está perdido.
O Brasil segue favorito, tem chances ainda de terminar a primeira fase em primeiro, mas exibiu defeitos em quantidade acima do desejável.
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Papão tropeça, mas ganha alternativa ofensiva
Pouco mais de 4 mil torcedores estiveram na Curuzu no sábado à noite para ver o Papão jogar e repetir erros bem conhecidos. Se alguém saiu aparentemente satisfeito da partida foi o técnico Dado Cavalcanti, que fez uma análise surpreendente após o apito final.
Para ele, o time teve volume, criou muito e só não foi feliz nas finalizações. Uma visão que conflita com a realidade da partida, na qual o PSC poucas vezes incomodou de verdade o goleiro do CSA. O primeiro chute bicolor só aconteceu aos 27 minutos do primeiro tempo.
O autor foi Dionatã, jovem atacante vindo do futebol gaúcho, que marcou sua estreia pelo destemor de arriscar chutes de fora da área. Faria um outro disparo no começo do segundo tempo, quase abrindo o placar.
Dionatã, por sinal, foi o que o Papão apresentou de melhor. Movimentou-se com desembaraço, mostrou iniciativa e habilidade para se aproximar tanto pela direita como pela esquerda. Difícil até entender como ainda não havia sido notado e aproveitado.
Foi mais um resultado negativo de uma série que ameaça empurrar o PSC para a segunda página da classificação. Nos últimos oito jogos, o time só venceu uma vez (Boa Esporte), não conseguindo mais empreender as ações bem sucedidas e objetivas do começo do campeonato.
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Um jogo decisivo no caminho do Leão
O técnico Artur Oliveira chega hoje a três jogos no comando do Remo e tenta uma vitória sobre o líder geral da Série C para iniciar uma jornada de recuperação dentro da competição. A tarefa de superar o Atlético-AC torna-se mais complicada pelo momento de instabilidade que ronda o time azulino.
Mudanças foram feitas na escalação, jogadores foram afastados por deficiência técnica e as escolhas de Artur não escapam a questionamentos. Optou por Leandro Brasília e Geandro na marcação, mesmo sabendo que o adversário conta com jogadores rápidos e velozes pelo meio.
No ataque, Gabriel Lima foi deixado de lado e a aposta é em Elielton, que será companheiro de Ruan, estreando diante do público de Belém.
Por todas as variáveis envolvidas, é um jogo de altíssimo risco para a sobrevivência do Remo na Série C.

Por Joaquim de Carvalho
Lula pode ser solto no dia 26 de junho, caso a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal vote o pedido de efeito suspensivo apresentado pela defesa do ex-presidente.
Não é uma torcida, é a conclusão óbvia com base nos fatos e nos antecedentes de cada um dos cinco ministros que compõem aquele colegiado.
Quatro desses cinco ministros votaram a favor do habeas corpus a Lula na sessão no dia 4 de abril — quando Rosa Weber, mesmo contrariando sua consciência, negou o direito a Lula e abriu caminho para que ele fosse preso.
Rosa Weber não faz parte da segunda turma e nele estão os chamados ministros cascudos, aqueles que não tremem de medo da velha empresa — Gilmar Mendes, Celso de Mello e Ricardo Lewandowski.
Dias Toffoli é alinhado a Mendes e também votou pelo habeas corpus a Lula.
Fachin votou contra Lula na discussão do habeas corpus, e deve votar pela manutenção da prisão novamente, mas o simples fato de decidir levar a discussão para a Segunda Turma e não para o plenário do STF indica que algo mudou no comportamento dele.
Na opinião de alguns juristas, Fachin já deveria ter feito isso quando o habeas corpus de Lula foi apresentado.
Por esse entendimento, a segunda turma seria o juízo natural e competente para questões desse tipo.
Mas Fachin levou o HC de Lula ao plenário, porque ali Rosa Weber poderia ser convencida a negar o HC, como de fato negou, mesmo já tendo votado em outras oportunidades contra a prisão a partir de decisão de segunda instância.
Era um jogo de cartas marcadas: a prisão de Lula era uma exigência verbalizada por colunistas da TV Globo, notadamente Merval Pereira.
Se havia um plano de que, com Lula preso, ele morreria politicamente, o resultado mostrou que ocorreu o inverso.
O ex-presidente mostra vitalidade incomum em todas as pesquisas de intenção de voto. Seria este o motivo que levou Fachin a se render ao princípio do juízo natural e competente?
Jamais saberemos.
O que se tornou óbvio é que Lula é muito maior do que o cárcere na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba.
Tentou-se de tudo para que Lula fosse esquecido, inclusive com a proibição judicial de que recebesse visitas.
Até o Prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel foi proibido de visitar Lula.
Foi uma tentativa, não deu certo, e a Justiça se tornou mais flexível quando, aparentemente, percebeu que não conseguiria romper o cordão de solidariedade a Lula.
A força de Lula vem de muitos setores, mas nenhum deles deles é mais simbólico do que homens e mulheres anônimos que se mantêm em vigília na capital do Paraná.
Mulheres como uma senhora fotografada por Eduardo Matysiak, dona Ivani, militante da vigília. O cineasta Manoos Aristide viu a foto (que abre o texto, não é montagem) e escreveu.
O texto vale para dona Ivani, mas vale para muitas outra mulheres e homens que não arredam pé da vigília:
— Quando a vida nos presenteia com imagens que nos bate na cara e diz, — Veja, onde você está? Veja o que esta acontecendo. Não, não finja que pensa e isso não vai dar em nada. A esperança está entre as grades e o olhar solta na brisa do no frio que faz em Curitiba. A esperança de Dona Ivani derrama no seu rosto de vigília as orações que faltou para o povo e as partículas da névoa se agarram nos fios de bigode de uma mulher que, além da esperança, sonha com a liberdade. Quem é essa mulher? Não interessa saber quem é, o que interessa é ver e sentir essa foto de Eduardo Matysiak. Rostos que representam o povo e acredita da justiça.
Lula, como ideia, se tornou mais forte com a prisão. A liberdade dele, agora mais próxima, faz lembrar momentos épicos da história.
Sócrates, condenado à morte, não se intimidou com seus carcereiros em nenhum momento, e um deles narrou a um discípulo — diálogo registrado por Platão — que nunca havia visto um preso com tamanha confiança e esperança.
Sócrates disse a um dos discípulos, que chorava: “Pensa que Sócrates é isto?”, questionou, beliscando o próprio braço. “Engana-se”, acrescentou.
Paulo, fundador do Cristianismo, passou grande tempo na prisão e sorria quando lhe diziam que não sairia dali vivo. Sorria também quando lhe diziam que seria libertado.
Para ele, tanto fazia.
O homem, com a ideia do seu tempo, é indestrutível. Assim se tornou Lula, muito mais pela truculência dos adversários. Dia 26, se ainda resta um fiapo de luz nas pessoas que representam as instituições brasileiras, Lula será solto.
Primeiro porque, na sentença que o condenou, não há prova de culpa.
Mas, fundamentalmente, porque nenhuma cadeia no mundo pode conter pessoas com a estatura de Lula.

POR GERSON NOGUEIRA
Minhas expectativas sobre a Seleção Brasileira estão, por assim dizer, dentro da mais absoluta normalidade. Não espero mais do que é possível, nem menos do que seja razoável. Com cinco jogadores acima da média – Phillipe Coutinho, Neymar, Marcelo, Gabriel Jesus e Willian –, o time tem plenas condições de ir bem longe nesta Copa do Mundo.
A estreia contra a fechadíssima seleção da Suíça representa um teste sobre a capacidade do jovem ataque brasileiro. Os jogos preparatórios contra Croácia e Áustria mostraram afinação e maturidade, com total domínio de sua força ofensiva e postura firme na zaga.
Cabe considerar que, ao contrário de Copas recentes – 2006, 2010 e 2014 –, a média etária de atacantes e meias é baixa, o que permite ter um time que voe em campo ao longo dos 30 dias de Mundial. Esta será uma Copa (também) da resistência física, como em 1970 e 1994.
Pelo que exibiu nas Eliminatórias, desde que Tite assumiu, a Seleção terá poucos adversários na Rússia capazes de lhe criar dificuldades. Alemanha, Espanha, Argentina e França, exatamente nesta ordem, poderão ser os times mais duros e travosos na caminhada até a decisão.
Creio que o Brasil será finalista, como palpitei na coluna de 10 de dezembro de 2017, logo após o sorteio dos grupos do Mundial. Para refrescar a memória do prezado leitor, relembro que previ os cruzamentos das oitavas: Rússia x Portugal, França x Croácia, Espanha x Uruguai, Argentina x Dinamarca, Bélgica x Polônia, Alemanha x Suíça, Brasil x México e Colômbia x Inglaterra.
Na ocasião, antecipei as quartas de final, entre Portugal x França (jogo 57), Brasil x Bélgica (J58), Alemanha x Inglaterra (J59) e Espanha x Argentina (J60). Semifinais entre França x Brasil e Alemanha x Argentina.
A coluna daquele domingo apontava o Brasil decidindo contra a atual campeã, Alemanha, ou contra a vice, Argentina. Em qualquer das situações, uma decisão inédita em Copas, com previsão minha de um triunfo brazuca após embate espetacular com os alemães.
Não mudo uma vírgula do que escrevi há seis meses. Há três dias surgiu uma estatística de pesquisadores e matemáticos de universidades de S. Paulo apontando, através de números e algoritmos, o mesmo duelo na final, mas com vitória alemã.
Fico com a minha continha básica e seu desfecho mais palatável.
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Exército de um homem só
Cristiano Ronaldo desafia e supera limites. Depois de levar o Real Madri à glória absoluta no universo dos times e de faturar cinco troféus de melhor do mundo, ele se prepara para firmar sua marca na história das Copas. O que fez na sexta-feira contra a favorita Espanha é próprio de um atacante diferenciado e, acima de tudo, iluminado.
O futebol costuma ser cruel com pernas de pau e extremamente generoso com os bons. CR7 fez os gols que garantiram uma estreia em alto nível para a seleção portuguesa, depois do desastre na primeira fase em 2014.
É claro que dele se espera sempre alto rendimento, mas o adversário exigiu muito da seleção lusa. Apesar de sofrer o gol inicial, aos 4 minutos, em pênalti meio mandrake, a Espanha controlava as ações bem ao seu estilo, retendo a bola o máximo possível.
Depois do empate, ainda no primeiro tempo, o próprio CR7 colocou Portugal novamente em vantagem no instante final, num chute rasteiro aceito bisonhamente pelo goleiro David de Gea.
Ocorre que logo no começo da segunda etapa a Espanha botou os lusos na roda e virou o placar. Por um bom tempo, Portugal parecia perdido. A Espanha até ensaiou um showzinho de toques curtos, estilo tiki-taka, tamanha a facilidade que encontrava nas trincheiras adversárias.
Quase ao final, um erro de Piqué permitiu ao goleador a chance de evitar a derrota – e ele não desperdiçou. As imagens mostram Cristiano se preparando, focado e contrito, para cobrar a falta junto à meia-lua. Bateu tirando da barreira e do goleiro. A bola foi na forquilha, indefensável.
A Copa começou meio devagar, com jogos pouco empolgantes no primeiro dia, mas viveu momento especialmente luminoso com o clássico ibérico, valorizado pela performance desconcertante do fora-de-série luso.
Modesto, ou tentando ser, CR7 disse que gostou da maneira como “a equipa reagiu depois do terceiro gol”. O gajo, além de bom de bola, é chegado a um gracejo. É claro que sua equipa não reagiu, nem poderia tendo Quaresma como esperança tardia.
Quem reagiu mesmo foi Cristiano, sozinho, valente e dono daquela fé cega que só os gigantes possuem. Faz lembrar Mané Garrincha em 1962 e Diego Maradona em 1986, jogadores que conseguiram o feito consagrador de ganhar uma Copa carregando suas seleções nas costas.
Portugal é uma seleção comum, ruim em certos aspectos, cujas chances dependem exclusivamente de seu afortunado craque. A retumbante estreia de CR7 tem o efeito adicional de motivar seus concorrentes diretos – Messi, Neymar –, o que no fim das contas é bom pra todo mundo.
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Joias do pensamento futeboleiro
“Campo de futebol não é loteamento. Ninguém é dono de lote, de posição fixa”.
“Eu não brigo para ganhar. Eu brigo porque tenho razão”.
“Nosso país tem 470 anos de história. Nesses 470 anos foram mortos menos índios do que em dez minutos de guerra provocada por vocês. Os selvagens são vocês”. (durante programa de TV na Alemanha no qual o Brasil era criticado)
João Saldanha, o João Sem Medo.
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Bola na Torre
Guilherme Guerreiro apresenta o programa, a partir das 21h, na RBATV, com informações e análises sobre as séries B e C. Participação de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião.
(Coluna publicada no Bola desta domingo, 17)
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