Começa a busca pelo hexa

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POR GERSON NOGUEIRA

Minhas expectativas sobre a Seleção Brasileira estão, por assim dizer, dentro da mais absoluta normalidade. Não espero mais do que é possível, nem menos do que seja razoável. Com cinco jogadores acima da média – Phillipe Coutinho, Neymar, Marcelo, Gabriel Jesus e Willian –, o time tem plenas condições de ir bem longe nesta Copa do Mundo.

A estreia contra a fechadíssima seleção da Suíça representa um teste sobre a capacidade do jovem ataque brasileiro. Os jogos preparatórios contra Croácia e Áustria mostraram afinação e maturidade, com total domínio de sua força ofensiva e postura firme na zaga.

Cabe considerar que, ao contrário de Copas recentes – 2006, 2010 e 2014 –, a média etária de atacantes e meias é baixa, o que permite ter um time que voe em campo ao longo dos 30 dias de Mundial. Esta será uma Copa (também) da resistência física, como em 1970 e 1994.

Pelo que exibiu nas Eliminatórias, desde que Tite assumiu, a Seleção terá poucos adversários na Rússia capazes de lhe criar dificuldades. Alemanha, Espanha, Argentina e França, exatamente nesta ordem, poderão ser os times mais duros e travosos na caminhada até a decisão.

Creio que o Brasil será finalista, como palpitei na coluna de 10 de dezembro de 2017, logo após o sorteio dos grupos do Mundial. Para refrescar a memória do prezado leitor, relembro que previ os cruzamentos das oitavas: Rússia x Portugal, França x Croácia, Espanha x Uruguai, Argentina x Dinamarca, Bélgica x Polônia, Alemanha x Suíça, Brasil x México e Colômbia x Inglaterra.

Na ocasião, antecipei as quartas de final, entre Portugal x França (jogo 57), Brasil x Bélgica (J58), Alemanha x Inglaterra (J59) e Espanha x Argentina (J60). Semifinais entre França x Brasil e Alemanha x Argentina.

A coluna daquele domingo apontava o Brasil decidindo contra a atual campeã, Alemanha, ou contra a vice, Argentina. Em qualquer das situações, uma decisão inédita em Copas, com previsão minha de um triunfo brazuca após embate espetacular com os alemães.

Não mudo uma vírgula do que escrevi há seis meses. Há três dias surgiu uma estatística de pesquisadores e matemáticos de universidades de S. Paulo apontando, através de números e algoritmos, o mesmo duelo na final, mas com vitória alemã.

Fico com a minha continha básica e seu desfecho mais palatável.

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Exército de um homem só

Cristiano Ronaldo desafia e supera limites. Depois de levar o Real Madri à glória absoluta no universo dos times e de faturar cinco troféus de melhor do mundo, ele se prepara para firmar sua marca na história das Copas. O que fez na sexta-feira contra a favorita Espanha é próprio de um atacante diferenciado e, acima de tudo, iluminado.

O futebol costuma ser cruel com pernas de pau e extremamente generoso com os bons. CR7 fez os gols que garantiram uma estreia em alto nível para a seleção portuguesa, depois do desastre na primeira fase em 2014.

É claro que dele se espera sempre alto rendimento, mas o adversário exigiu muito da seleção lusa. Apesar de sofrer o gol inicial, aos 4 minutos, em pênalti meio mandrake, a Espanha controlava as ações bem ao seu estilo, retendo a bola o máximo possível.

Depois do empate, ainda no primeiro tempo, o próprio CR7 colocou Portugal novamente em vantagem no instante final, num chute rasteiro aceito bisonhamente pelo goleiro David de Gea.

Ocorre que logo no começo da segunda etapa a Espanha botou os lusos na roda e virou o placar. Por um bom tempo, Portugal parecia perdido. A Espanha até ensaiou um showzinho de toques curtos, estilo tiki-taka, tamanha a facilidade que encontrava nas trincheiras adversárias.

Quase ao final, um erro de Piqué permitiu ao goleador a chance de evitar a derrota – e ele não desperdiçou. As imagens mostram Cristiano se preparando, focado e contrito, para cobrar a falta junto à meia-lua. Bateu tirando da barreira e do goleiro. A bola foi na forquilha, indefensável.

A Copa começou meio devagar, com jogos pouco empolgantes no primeiro dia, mas viveu momento especialmente luminoso com o clássico ibérico, valorizado pela performance desconcertante do fora-de-série luso.

Modesto, ou tentando ser, CR7 disse que gostou da maneira como “a equipa reagiu depois do terceiro gol”. O gajo, além de bom de bola, é chegado a um gracejo. É claro que sua equipa não reagiu, nem poderia tendo Quaresma como esperança tardia.

Quem reagiu mesmo foi Cristiano, sozinho, valente e dono daquela fé cega que só os gigantes possuem. Faz lembrar Mané Garrincha em 1962 e Diego Maradona em 1986, jogadores que conseguiram o feito consagrador de ganhar uma Copa carregando suas seleções nas costas.

Portugal é uma seleção comum, ruim em certos aspectos, cujas chances dependem exclusivamente de seu afortunado craque. A retumbante estreia de CR7 tem o efeito adicional de motivar seus concorrentes diretos – Messi, Neymar –, o que no fim das contas é bom pra todo mundo.

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Joias do pensamento futeboleiro

“Campo de futebol não é loteamento. Ninguém é dono de lote, de posição fixa”.

“Eu não brigo para ganhar. Eu brigo porque tenho razão”.

“Nosso país tem 470 anos de história. Nesses 470 anos foram mortos menos índios do que em dez minutos de guerra provocada por vocês. Os selvagens são vocês”. (durante programa de TV na Alemanha no qual o Brasil era criticado)

João Saldanha, o João Sem Medo.

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Bola na Torre

Guilherme Guerreiro apresenta o programa, a partir das 21h, na RBATV, com informações e análises sobre as séries B e C. Participação de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião.

(Coluna publicada no Bola desta domingo, 17)

3 comentários em “Começa a busca pelo hexa

  1. Gerson, vou guardar suas previsões para conferir em 15 de julho. Se confirmadas, em pelo menos 2/3, indicarei vc como substituto de Dado Cavalcanti, se este já não tiver jogado a toalha antes….!!!

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  2. Até agora não vi nenhuma seleção se destacar, argentina parece ter problemas internos com o Messi, França favorita sofreu para vencer, essa copa está sendo a da retranca, times menos qualificados estão jogando por uma bola, parece defesa espartana onze jogadores na frente da grande área, penso que o Brasil leva lavantagem por ter jogadores com habilidade acima dos demais, o que pode defenir o jogo em uma jogada individual. Bora Brasillllllllllllllllllll.

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  3. Na minha “continha”, vai dar Uruguai x Alemanha. O time sul-americano será o vencedor. A seleção canarinho vai disputar o 3º lugar com a Argentina.

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