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POR GERSON NOGUEIRA
Quando o Campeonato Brasileiro ia começar, escrevi aqui que o Remo tinha montado um time de Série B para disputar a Série A. Uma análise baseada na caótica política de contratações capitaneada por Marcos Braz, começando pela temerária aquisição de Juan Carlos Osório. Por conta disso, durante dois meses, o Remo perdeu tempo demais com decisões confusas que afetaram as campanhas no Campeonato Paraense e no Brasileiro.
Foi preciso que Osório fosse demitido e Léo Condé contratado para que as coisas entrassem no terreno da normalidade. Desde sua estreia, contra o Fluminense, quando o Remo foi derrotado no Mangueirão, Condé iniciou um cuidadoso processo de construção de um time. Levou quatro rodadas para achar a melhor escalação possível, variando entre o 4-3-3 e o 4-4-2.
A partir do triunfo sobre o Bahia, quando o trabalho começou a ser bem avaliado, o Remo gradualmente vem adquirindo consistência, apesar de algumas perdas individuais importantes, como Vítor Bueno e Taliari. A má condução de campanha na Copa Norte pode ser atribuída a uma falta de identificação do time com uma competição secundária.
No Brasileiro, a necessidade de resultados imediatos atropela algumas atuações e gera angústia na torcida. O revés diante do Cruzeiro, em casa, motivou reações exageradas, como se fosse um resultado anormal. Já as vitórias sobre o Bahia na Copa do Brasil e sobre o Botafogo na Série A tiveram efeito tranquilizador, com reflexos positivos no desempenho do time a partir de agora.
A atuação contra o Palmeiras, que poderia ter resultado em vitória, agradou o torcedor e trouxe uma constatação importante: o Remo ganhou uma pegada competitiva, que permite crer numa reação efetiva dentro do campeonato. Alguns jogadores têm sido fundamentais na estratégia de dar ao time solidez na marcação e eficiência ofensiva.
Yago Pikachu, Patrick, Alef Manga, Zé Welison e Tchamba têm sido fundamentais para garantir a estabilidade da equipe, que começa pela excepcional presença de Marcelo Rangel no gol. Note-se que, a partir da assimilação de um modelo de jogo reativo e baseado em transições rápidas, todos os setores passaram a funcionar em bom nível.
O trabalho de Condé tem hoje à noite (21h30), no Mangueirão, um novo teste desafiador pela frente. A boa vantagem estabelecida no jogo de ida (3 a 1) sobre o Bahia não pode iludir ninguém quanto a facilidades. Será um duelo duríssimo contra uma equipe qualificada e muito bem treinada. (Foto: Samara Miranda/Ascom Remo)
Papão é franco-atirador em São Januário
Jogar em São Januário não é missão fácil para ninguém. O Vasco costuma ser fortíssimo dentro de seus domínios, ao lado de sua vibrante torcida. Sob o comando de Renato Gaúcho, o time tem se comportado bem na Copa do Brasil e faz campanha positiva no Brasileiro, ocupando no momento a 8ª posição com 20 pontos.
Na partida de ida, em Belém, o Vasco venceu por 2 a 0, com alguma dificuldade no 1º tempo e certo desembaraço na etapa final. Para este segundo confronto, Renato deve mesclar o time, aproveitando para poupar alguns titulares, que estão na disputa da Sul-Americana e do Brasileiro.
O Papão volta a São Januário uma década após vencer o Vasco pela Série B 2016, por 2 a 0 (gols de Jonathan), precisando superar os donos da casa por três gols de diferença para conquistar a vaga nas oitavas da competição.
Invicto há cinco partidas, o PSC faz empolgante caminhada na Série C e tem o objetivo de seguir em frente na Copa do Brasil. Um aspecto tem feito a diferença no esquema montado pelo técnico Júnior Rocha: o entrosamento do setor de meio-campo, onde o volante Caio Mello é um dos vértices de maior destaque.
A corajosa visão humanista de um jovem craque
O futebol, que é terreno fértil para a alienação, tem proporcionado ao longo dos tempos manifestações que trazem alento e esperança quanto aos princípios civilizatórios. Sócrates, Afonsinho, Maradona e Eric Cantona se posicionaram corajosamente quando ainda jogavam.
Casagrande e Juninho Pernambucano também nunca deixaram dúvidas sobre opiniões políticas progressistas, em contraponto a alguns notórios apoiadores da direita no Brasil, como Neymar, Lucas Moura e Felipe Melo.
No cenário atual, quase ninguém se arrisca a tomar posição. Há um claro e até compreensível receio de arranjar problemas num país marcado pela polarização doentia.
Lá fora, porém, Kyllian Mbappé e Lamine Yamal fazem notável diferença. Mbappé se posicionou nas eleições francesas, pedindo voto em candidatos de esquerda. Lamine empunhou uma bandeira da Palestina, anteontem, durante os festejos pelo título do Barcelona na Espanha.

Enquanto Cristiano Ronaldo e Lionel Messi se regalaram em solenidades recentes na Casa Branca, o jovem Lamine optou por deixar claro a defesa da liberdade e soberania do povo palestino, ora assolado por um genocídio praticado pelas tropas israelenses de Benjamin Netanyahu. Um gesto corajoso e emblemático.
(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 13)


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