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POR GERSON NOGUEIRA

Não lembro de outra Copa do Mundo recente começar com a Seleção Brasileira em estágio tão incompleto. Não há esboço de um time, apesar dos amistosos e dos últimos dias de treinos, em Nova Jersey. Há sempre a possibilidade de Carlo Ancelotti estar apostando no mistério como estratégia, mas a constante mistura de titulares e reservas só aumenta o clima de incertezas.
No futebol atual, os corredores laterais encurtam o caminho em direção ao gol. Na verdade, sempre foi assim. Nilton Santos, lá em 1958, provou isso. Ocorre que o time brasileiro não tem, pela primeira vez, um grande lateral para chamar de seu. Nem mesmo Wesley, cujo corte tem sido muito lamentado, é um nome incontestável.
Para uma potência do futebol que já levou a Copas laterais do porte de Junior Capacete, Roberto Carlos, Cafu, Jorginho e Leonardo, a atual safra é decepcionante. Nos treinos, Ancelotti observa Ibañez e Danilo (Flamengo) correndo pela direita; Alex Sandro e Douglas Santos na esquerda. Os quatro são bem fracos. Não digo fraqueza para jogar na Seleção apenas – são fracos para clubes também.
Não se sabe bem como esses jogadores foram escolhidos. Convocações para a Seleção Brasileira sempre se constituíram em autênticas caixas-pretas, cercadas de especulações e desconfianças. Sempre foi assim, mas piorou ainda mais nas últimas três décadas.

Como Ancelotti não é muito adepto do sistema de três zagueiros, a tendência é que Danilo (34 anos) e Alex Sandro(35) sejam mesmo escalados na estreia diante do rápido time de Marrocos, sábado (13), no MetLife Stadium.
Quem acompanha a evolução do time marroquino, 4º colocado na Copa do Mundo do Qatar, sabe que um dos trunfos é a transição extremamente rápida, com aceleração pelos lados do campo. Prenúncio de momentos difíceis para a veterana dupla de laterais rubro-negros.
Correr em perseguição ao veloz Achraf Hakimi, melhor lateral/ala direito da Europa nas duas últimas temporadas, será um tormento para Alex Sandro, o que obrigará Ancelotti a montar um esquema de suporte defensivo naquele lado do campo. Casemiro deve ser deslocado para dobrar a marcação ou Raphinha pode ser obrigado a recuar.
O drama para preencher as laterais é apenas um dos pontos obscuros do time. No meio-de-campo, persiste a dúvida se a Seleção terá três ou quatro peças. O ataque parece entregue (ainda) a Vini Jr. e Raphinha, mas no balanço das horas tudo ainda pode mudar.
Acesso à Série A amplia o patrimônio do Leão
A subida para a Primeira Divisão só trouxe boas notícias para o Remo. O patrimônio subiu no ano passado para R$ 281,6 milhões (em 2024, o valor era de R$ 138 milhões). No balanço entre o total ativo, com o desconto da dívida, o clube aparece no pelotão de cima da elite nacional.
Em patrimônio líquido, o Leão está em 8º lugar na Série A na lista que inclui os 20 clubes que disputam a competição deste ano e os quatro que foram rebaixados em 2025. Está à frente de gigantes como Corinthians, Atlético-MG, Botafogo, Grêmio, Fluminense e Vasco, alguns com saldo negativo.
El Loco diz sobre a Copa o que deve ser dito
Justiça se faça. Marcelo El Loco Bielsa não decepciona jamais: “Isso será a pior organização de Copa do Mundo de todos os tempos”, disparou ele, ontem, sobre os transtornos vividos por torcedores e jornalistas barrados, time que só pode jogar e não dormir em território americano e – o pior de todos – o veto à entrada de um árbitro, o somali Omar Artan.
Aliás, sobre o atual técnico da seleção do Uruguai, o artilheiro argentino Gabriel Omar Batistuta relatou recentemente um episódio que expressa o respeito e a admiração por Bielsa.
“A última vez que vi Bielsa foi naquele momento, muito triste. Éramos a seleção que deveria ganhar a Copa do Mundo (2002). Dominamos as eliminatórias; éramos candidatos ao título e tínhamos feito tudo o que precisávamos fazer. Eu o acompanhava porque o respeitava; ele me ensinou tudo o que depois apliquei ao futebol.”
“Recentemente, eu estava em um hotel no centro de Buenos Aires. Desci para tomar café da manhã; eu tinha um voo mais tarde. Saí do elevador e o recepcionista estava conversando com outro treinador, um mexicano, que tinha ido consultá-lo. Ele (Bielsa) estava de costas para mim.”
“Eu o vi e pensei: ‘O que eu faço? Cumprimento-o ou não?’ Terminei o café e, antes de ir embora, o abracei. Foi um daqueles abraços profundos que dizem tudo, sem precisar de palavras. Ele se emocionou um pouco, porque também me disse: ‘Bati, eu também te admiro muito.’ Gostei de dizer isso a ele, porque se não tivesse dito teria perdido aquele momento.”
Com Caxiado, na “Conversa com o Leão”
A convite do amigo Paulo Caxiado, estarei nesta quinta-feira (11) no programa ‘Conversa com o Leão’, na Rádio Clube do Pará, às 20h. Vamos falar de jornalismo esportivo, futebol paraense e a campanha do Remo na Série A.
(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 11)

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