O Baú da Infelicidade e o “soldado Abravanel, 392”

392

Os serviços prestados por Sílvio Santos ao poder não são novidade.

No final dos anos 70 – e por 20 anos seguidos – apresentou o quadro “Semana do Presidente”, iniciado para agradecer a João Figueiredo a formação da rede que viria a ser o SBT, formada basicamente com a compra de parte da Record, em São Paulo, o canal 11 do Rio e pedaços da falecida Tupi.

Por 20 anos, até Fernando Henrique, o apresentador fez sua “Agência Nacional” de todos os presidentes: além do general, Sarney, Collor, Itamar e FHC.

Volta a fazer, agora, com Temer e certamente terá seu reconhecimento, como quando ganhou sua “Medalha do Mérito Militar”, em 1993, na qual se apresentou como “Soldado Abravanel, 392“, sua identificação no serviço militar.

Agora, presta serviços a Temer e desserviço aos de sua geração, emprestando seu programa para fazer terrorismo contra os aposentados, permitindo que o presidente aposentado desde os 55 anos e com vencimentos que superam os R$ 30 mil por mês, use seu programa de amenidades para dizer que não haverá dinheiro para pagar proventos e que, se não aprovado seu projeto, os servidores terão seus vencimentos cortados.

Ameaçam , assim, com um baú de infelicidades os trabalhadores brasileiros que, como o Baú do Sílvio, serviu sempre de tesouro para uns poucos. O drama dos que ascendem no Brasil é não estenderem a mão aos que estão no  lugar de onde vieram, mas os pés, a  pisar-lhes, para que nunca saiam da carência. (Do Tijolaço)

Intensidade premiada

REMO X PAYSANDU.

REMO X PAYSANDU.

POR GERSON NOGUEIRA

O Remo foi incansável na busca pela vitória e acabou recompensado com um golaço aos 48 minutos, naquele tipo de lance que eletriza qualquer torcida. Elielton acreditou na bola alta erguida na área, foi mais ágil que Perema, driblou o goleiro Marcão e mandou um tiro cruzado para as redes, garantindo a vitória de virada no primeiro clássico do ano.

Ataques agudos, investidas em velocidade e luta incessante no meio-campo deram um tempero emocionante a um jogo que o temporal parecia ter estragado. O fato é que as propostas diferentes – Papão mais contido e buscando toque de bola; Remo mais vibrante e alongando passes – deram um grande equilíbrio ao confronto.

O gol de Diego Ivo premiou a perícia do Papão nos lances de bola parada, quase todos executados por Pedro Carmona. Além de duas chances com Moisés, os bicolores ameaçaram sempre quando apostaram no jogo aéreo. A falha da zaga remista não diminui o oportunismo de Diego, que cabeceou à meia altura, vencendo a barreira de jogadores junto à linha fatal.

Na virada para o 2º tempo, o Remo assumiu a dianteira das ações. Avançou suas linhas, inclusive a trinca de volantes (Geandro, Leandro e Fernandes) e acentuou a exploração do lado direito, com Levy e Felipe Marques caindo sempre nas costas de Vítor Lindenbergh.

O problema é que Isac era o homem de centro, mas precisava sempre voltar para jogar com Fernandes e Adenilson, este em jornada novamente improdutiva. Apesar da velocidade imposta às jogadas, as chances não apareciam. A superioridade só se acentuou quando Jefferson Recife substituiu Adenilson e passou a dinamizar a distribuição de jogo, conduzindo a bola e lançando os companheiros.

Foi dele o cruzamento para a área que originou o penal, cobrado por Isac, aos 21 minutos. Marquinhos tentou reagir substituindo os exaustos Cáceres e Moisés por Fábio Matos e Magno, mas o Remo já era absoluto, tanto que Felipe Marques perdeu lance claro, aos 37 minutos, batendo na trave direita do gol de Marcão. A virada se confirmou aos 48’ como resultado natural do esforço e da superioridade – inclusive física – dos azulinos.

Pela intensidade e presença em todos os setores do campo, o Remo mereceu a vitória. Sem discussão. Resultado tão justo que foi reconhecido até pelo técnico adversário. (Fotos: Wagner Santana/Diário)

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Marquinhos admite Remo melhor e mais determinado

Em entrevista à Rádio Clube, Marquinhos Santos foi pontual na leitura do jogo: Ney da Matta foi mais feliz nas mexidas e o time dele teve muito mais presença nos duelos pela bola, sabendo explorar melhor as condições do gramado. Admitiu que o Remo exibiu mais força e brio, merecendo a vitória, mas saiu reclamando de um suposto pênalti sobre Cáceres.

Admitiu que o cansaço e as condições do campo contribuíram para o apagão do time bicolor no segundo tempo. A entrada de Fábio Matos visava estabelecer aproximação com Carmona e obstruir os avanços de Levy e Felipe Marques pelo corredor direito do Remo. Não deu certo.

Senti falta de explicação mais plausível para a demora em mexer no time quando já era patente a evolução azulina. O momento exigia mais força e resistência no meio contra um time que sobrava no aspecto físico.

Foi o final oficial da tal pré-temporada prolongada, que Marquinhos usou como vacina para possíveis tropeços no Parazão.

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Da Matta e a mão certa nas substituições

Com a velha prudência mineira, Ney da Matta fez uma pregação de humildade ao final do clássico, evitando entrar no oba-oba que costuma ocorrer em situações de triunfo. Revelou que começou a mudar a formatação do time a partir da derrota contra o Independente, mas que recomendou aos jogadores buscar dosar a energia nos dois tempos.

Sempre enfatizando a importância da paciência em relação ao crescimento técnico do time, Da Matta afirma que, apesar das críticas à qualidade do elenco, o Remo conseguiu reunir um grupo forte. A ponto de contar com suplentes que podem ser acionados em momentos decisivos, como Jaime e Elielton, lançados no finalzinho com excelentes resultados.

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Fernandes, o melhor; Elielton, o herói da virada

Elielton sai como o herói da tarde pela habilidade e frieza no lance decisivo da partida. Jefferson Recife foi muito bem pela mudança de atitude que imprimiu à meia-cancha, mas a principal figura foi Fernandes, impecável nos passes e no auxílio aos atacantes. De maneira geral, quase todos os jogadores remistas tiveram atuação destacada. Felipe Marques, Mimica e Levy também tiveram papel destacado na produção do time.

Do lado alviceleste, o melhor foi Diego Ivo, que ganhou todas na defesa e ainda foi à frente fazer gol. Pedro Carmona apareceu bem enquanto teve velocidade para acompanhar Cassiano e Moisés nas subidas ao ataque. Com cinco reposições erradas, duas delas nos pés de jogadores do Remo, o goleiro Marcão foi o personagem negativo.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 29) 

Leão e Papão: imbatíveis na paixão popular

A renda superior a R$ 1 milhão e o público de 31.123 pagantes (com 16.070 do lado remista e 15.053 do lado bicolor) reafirmam o gigantismo da paixão paraense pela dupla Re-Pa. Mesmo com chuva forte durante toda a tarde e mil problemas no trânsito, o Mangueirão encheu.

E o público fez a festa estrondosa de sempre, só possível de ver no choque-rei.

Bate-papo no boteco virtual – Re x Pa

Campeonato Paraense 2018 – 4ª rodada

Paissandu x Remo – estádio Jornalista Edgar Proença, às 16h

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Na Rádio Clube, Guilherme Guerreiro narra; Carlos Castilho comenta. Reportagens – Dinho Menezes, Paulo Caxiado, Carlos Estácio, Tony Carapirá e Valdo Souza. Banco de Informações – Adilson Brasil

O clássico das incertezas

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POR GERSON NOGUEIRA

Como ocorre sempre no início de cada temporada, os times custam a pegar embalo e ganhar entrosamento suficiente para voos mais competitivos. O Re-Pa de hoje traduz perfeitamente essa situação. Nenhum dos rivais pode ser apontado como inteiramente pronto, nem seria possível.

Pela campanha mais regular no campeonato, o Papão pode ser visto como o time mais próximo de seus objetivos no aspecto da organização tática e do repertório de jogadas.

O Leão, que foi completamente remontado pelo técnico Ney da Matta, parece num estágio inferior quanto à evolução, embora nem tão distante do que tem sido apresentado pelo rival.

De maneira geral, o único termômetro confiável para as avaliações é o desempenho dos times nas três primeiras rodadas. Por esse prisma, o Papão tem melhores números. Ganhou todos os jogos que disputou, marcou sete gols e sofreu dois, sem correr grandes riscos.

Seu pior momento foi no primeiro tempo em Castanhal, quando a zaga ficou excessivamente exposta à pressão adversária. A equipe não sofreu gol, mas o sistema mostrou fragilidades. Ocorre que, na mesma partida, a reabilitação foi alcançada, com sobras.

Além de vencer, o time cravou uma goleada, só se atrapalhando nos minutos finais por puro relaxamento. Ficou, porém, a certeza de que Marquinhos Santos havia encontrado a combinação mais calibrada para a fase inicial da competição, com quatro homens no meio e dois atacantes que se movimentam muito, Cassiano e Moisés.

São essas virtudes que o Papão precisará exibir hoje à tarde para se sair bem no clássico. É óbvio que o time não pode repetir as hesitações e erros de posicionamento exibidos em Castanhal. O time azulino, provavelmente, não desperdiçaria tantas chances.

Por seu turno, o Leão acumula seis pontos no campeonato, com duas vitórias e uma derrota, cinco gols pró e dois contra. Dos seis tempos que disputou, só se apresentou em bom nível em dois deles, contra Bragantino e Águia.

A imagem de um time desnorteado e pouco disciplinado taticamente, deixada no confronto contra o Independente em Tucuruí, foi quase superada pela exibição surpreendentemente intensa nos primeiros 30 minutos do jogo com o Águia, na terça-feira.

Além de marcar um gol logo de início, o time criou cerca de dez bons ataques, com cinco chances de gol. Pecou por não saber definir a fatura e pagou o preço do sufoco na etapa final, sendo envolvido pela jovem equipe marabaense em vários momentos. Um gol salvador a 10 minutos do fim trouxe o necessário alívio, mas as incertezas ficaram no ar.

Como se vê, os rivais têm recursos e valências, mas o embate promete ser extremamente disputado. Se há mais qualidade no elenco bicolor, a força de superação pode sorrir aos azulinos. Trocando em miúdos, qualquer aposta é temerária.

Aliás, a história centenária do choque-rei está aí mesmo para provar que ninguém perde de véspera e que favoritismo é moeda sem valor quando se trata de Re-Pa.

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Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda o programa, a partir das 21h, na RBATV. Tudo sobre a quarta rodada do Parazão, com destaque para a análise e debate em torno do primeiro clássico do ano.

O telespectador participa do programa, enviando perguntas e concorrendo a prêmios. Na bancada de debatedores, Giuseppe Tommaso e este escriba de Baião.

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Técnicos imunes aos sacolejos do grande jogo

Ao participar do programa Clube na Rede, na sexta à noite, na Rádio Clube do Pará, com apresentação de Paula Marrocos, recebi algumas perguntas relacionadas ao futuro dos técnicos, levando em conta um eventual insucesso no primeiro clássico do certame estadual.

Entendo que, ao contrário de outras épocas, os clubes adotam uma política mais profissional e consequente. É raro ver atualmente decisões inopinadas, movidas apenas pelo fígado. Daí a impressão de que nenhum resultado – a não ser um desastre absoluto, como uma goleada histórica – abala a caminhada de Ney da Matta no Remo e de Marquinhos Santos no PSC.

A tendência é de assimilação do resultado nas duas frentes, até pela compreensão de que o trabalho se encontra em fase inicial e que desfazer o planejamento trará prejuízos mais sérios. No Remo, em particular, uma mudança de rota implicaria em gastos desnecessários a essa altura, repetindo a traumática estratégia do ano passado.

No Papão, onde predomina a estabilidade de gestão, a situação de Marquinhos é igualmente tranquila. Os resultados a serem avaliados envolvem a produção do time ao longo do semestre e não apenas por um jogo.

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Candidatos a destaque no duelo de titãs

Com base no que as equipes apresentaram até o momento, alguns jogadores entrarão em campo sob expectativa maior de suas torcidas quanto a um desempenho satisfatório.

No Papão, Cassiano é o grande nome do ataque, tendo feito dois gols. Pedro Carmona, que nem é titular, também já marcou duas vezes. Moisés, de atuações convincentes desde a estreia, é outra boa aposta.

Do lado remista, Adenilson concentra as atenções pelo potencial exibido contra Bragantino e Águia. Jayme, que pode substituir a Isac, é outro nome em alta, assim como Felipe Marques, o veloz atacante que corre pela esquerda.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 28) 

Documentário sobre o golpe concorre a prêmio no Festival de Berlim

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Por Hildegard Angel

Dilma Rousseff perdeu a Faixa Presidencial, mas poderá levar pra casa o cobiçado “Urso de Ouro”. Retratando os bastidores de seu Impeachment, o filme “O Processo”, de Maria Augusta Ramos, foi selecionado para a mostra Panorama, do Festival de Berlim, um dos principais do mundo, de 15 a 25 de fevereiro, na Alemanha.

A diretora já confirmou a presença na exibição do longa, marcada para 21 de fevereiro, na Alemanha. Dilma Rousseff ainda não se sabe se irá. As possibilidades de premiação não são pequenas, Maria Augusta costuma levar todas as glórias, nas competições que disputa.

Com seu filme “Desi”, emplacou o mais importante prêmio do cinema holandês, o ‘Bezerro de Ouro’, e o Prêmio de Público no Festival Internacional de Documentários de Amsterdã, considerado o Cannes do cinema não-ficcional.

Quatro anos depois, em 2004, “Justiça” recebeu 9 prêmios, entre eles o Grand Prix de melhor filme, no Festival Internacional de Cinema ‘Visions du Réel’, na Suiça; o Grand Prize no Festival Int. de Documentários de Taiwan; o La Vague d’Or de melhor filme, no Festival Internacional de Cinema de Bordeaux, França; o Prêmio da Anistia Internacional no CPH Dok – Festival Int. de Documentários de Copenhagen, e o Prêmio de Melhor Filme no Play-Doc – Festival Internacional de Documentários de Tui, Espanha.

Seu filme “Juízo”, de 2013, recebeu da crítica o Prêmio Melhor Filme, no DOK Leipzig – Festival Int. de Documentário na Alemanha e os Prêmios de Melhor Filme no One World Int. Documentary Festival, em Praga, e no Watch Docs Internarional. Film Festival, em Varsóvia.

“Morro dos Prazeres” abiscoitou os prêmios de melhor direção, melhor fotografia e melhor som no 46º Festival de Cinema de Brasília, em 2013. No VIII Janela Internacional de Cinema de Recife, “Futuro Junho” mereceu o Prêmio de Melhor Filme, e no Festival de Cinema do Rio, o de Melhor Direção, em 2015.

Mesmo ano em que “Seca”, o sétimo longa da diretor, foi exibido na Competição Internacional do Festival Internacional ‘Visions du Reel’, na Suiça, e recebeu o ‘Merit Prize’ – Prêmio especial do Júri no Festival Internacional de Documentários de Taiwan.

Mais do que um documentário sobre os bastidores do julgamento que culminou no impeachment de Dilma, em 31 de agosto de 2016, “O Processo” poderá se tornar um extraordinário instrumento político para informação à opinião pública internacional da profunda crise política que o Brasil atravessa e do colapso das instituições democráticas em nosso país. Os filmes de Maria Augusta Ramos costumam bater recorde de participação em festivais pelo mundo. Só o documentário “Justiça” foi exibido em mais de 50 festivais internacionais.

O longa é produzido por NoFoco Filmes, coproduzido por Canal Brasil e tem distribuição de Bretz Filmes.

Parazão 2018 – classificação

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Resultados dos jogos deste sábado: Águia 0 x 1 Parauapebas, Bragantino 0 x 1 Castanhal e São Raimundo 2 x 2 Independente.