O Baú da Infelicidade e o “soldado Abravanel, 392”

392

Os serviços prestados por Sílvio Santos ao poder não são novidade.

No final dos anos 70 – e por 20 anos seguidos – apresentou o quadro “Semana do Presidente”, iniciado para agradecer a João Figueiredo a formação da rede que viria a ser o SBT, formada basicamente com a compra de parte da Record, em São Paulo, o canal 11 do Rio e pedaços da falecida Tupi.

Por 20 anos, até Fernando Henrique, o apresentador fez sua “Agência Nacional” de todos os presidentes: além do general, Sarney, Collor, Itamar e FHC.

Volta a fazer, agora, com Temer e certamente terá seu reconhecimento, como quando ganhou sua “Medalha do Mérito Militar”, em 1993, na qual se apresentou como “Soldado Abravanel, 392“, sua identificação no serviço militar.

Agora, presta serviços a Temer e desserviço aos de sua geração, emprestando seu programa para fazer terrorismo contra os aposentados, permitindo que o presidente aposentado desde os 55 anos e com vencimentos que superam os R$ 30 mil por mês, use seu programa de amenidades para dizer que não haverá dinheiro para pagar proventos e que, se não aprovado seu projeto, os servidores terão seus vencimentos cortados.

Ameaçam , assim, com um baú de infelicidades os trabalhadores brasileiros que, como o Baú do Sílvio, serviu sempre de tesouro para uns poucos. O drama dos que ascendem no Brasil é não estenderem a mão aos que estão no  lugar de onde vieram, mas os pés, a  pisar-lhes, para que nunca saiam da carência. (Do Tijolaço)

5 comentários em “O Baú da Infelicidade e o “soldado Abravanel, 392”

  1. O Sílvio Santos tanto ajudou os donos do poder, quanto foi ajudado. E muito. E o caso do Banco Panamericamo era só o exemplo mais recente desta via de mão dupla. Digo, era, porque não demora, o temer vai ser chamado a liquidar esta fatura. Se é que ainda não foi.

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  2. Entender ideologicamente é mais fácil. Tudo gira em torno do capital. Entre os ideais liberais e os comunistas existe o Estado. Entre a ideologia e a prática, o Estado colocará entraves. O Estado é central na realização, ou na aproximação, do ideário contido numa e noutra ideologia. De um lado e de outro, capitalistas e comunistas se lançam ao Estado porque este é necessário para realizar este ou aquele. Pois bem, os capitalistas o querem mínimo, e os comunistas, máximo. É o resultado o que interessa nesse dualismo, embora os riscos sejam grandes. E tudo porque o Estado tem a função de regular a vida do povo, ou das pessoas, entre ricos e pobres.

    Os ricos querem um Estado menos regulador, mais ausente da economia e isso quer dizer, menos protetor do pobre. O Estado pode intervir na economia de tal modo a corrigir as distorções sociais, reduzindo a distância socioeconômica entre ricos e pobres. Um Estado mínimo é um Estado incapaz de interferir nesse problema, incapaz de dar proteção social.

    Um Estado máximo seria um Estado capaz de realizar todas as tarefas necessárias para assegurar o equilíbrio social, embora um Estado forte e pesado seja um caminho fácil para o totalitarismo e a injustiça.

    Mas num e noutro, no Estado máximo e no mínimo, é possível uma consolidação do poder policial. É uma característica do Estado, portanto, e o Estado policial é sempre uma sombra aterrorizadora. O poder de polícia do Estado, sem dúvida, é um poder importante e necessário, mas não deve ser o mais importante porque baseia-se na autoridade e um exagero do poder à autoridade é o próprio autoritarismo. No autoritarismo, a autoridade recebe o poder de polícia e o exerce em nome dos interesses dos representantes do Estrado e amigos destes, e contra os demais, o povo.

    Sem dúvida que é um problema para ser resolvido por um lado e outro, capitalismo e comunismo, mas o Estado tem essa multiplicidade de possibilidades que vai do nazi-fascismo até o autoritarismo comunista da União Soviética.

    No capitalismo brasileiro, vê-se no programa Sílvio Santos o abuso de poder econômico do “andar de cima” sobre o debaixo, dos ricos contra os pobres. Vê-se o uso de uma concessão pública, uma cessão do povo à Sílvio, usada contra quem lhe concede o direito de ter uma rede de TV. O uso estético da comunicação para interesses do capital é a trivialidade do capitalismo e uma forma de manter as coisas como estão, péssimas para o pobre.

    A melhor solução para o problema, pelo menos a melhor que conhecemos, é a democracia, porque a participação democrática dos cidadãos regula o Estado antes que este os regule. É a democracia que fará o controle dos exageros, das exceções, dos autoritarismos. E democracia sem eleições diretas, ou com candidatos previamente cassados, é golpe, assim como um usurpador usar de um canal público para mentir ao povo é um acinte.

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