
Capa do Bola – sábado, 20



Mais cedo, recebi o vídeo de meia dúzia de provocadores irem para a frente do prédio onde mora Lula, em São Bernardo do Campo. Típica provocação fascista com a qual aqui jamais se concordou, mesmo quando era contra “direitistas”, porque “escracho” é método fascistoide.
Duas horas depois, mais de uma centena de moradores da ocupação “Povo sem Medo”, no mesmo município, os puseram a correr. Sem agressão, sem bravatas, sem valentias infantis.
As massas populares são disciplinadas, ao contrário da pequeno-burguesia radicalizada, que tem em seu umbigo o centro do universo.
Na disputa política, vence quem ganha apoio e perde quem o espanta.
(Do Tijolaço)

POR MARCOS PAULO LIMA, no Correio Braziliense
Pelo menos quatro torcidas provaram indo ao estádio que estavam com saudade dos seus times. Cruzeiro, Palmeiras e o Remo-PA colocaram mais de 30 mil pagantes no Mineirão, no Allianz Parque e no Mangueirão, respectivamente. Atual campeão paulista e do Campeonato Brasileiro, o Corinthians atraiu 19.622 pagantes ao Pacaembu na derrota para a Ponte Preta.
O melhor público da primeira rodada dos campeonatos estaduais é do Cruzeiro. A Raposa levou 33.187 pagantes ao Mineirão na vitória por 2 x 0 sobre o Tupi. Uma das atrações era a estreia do centroavante Fred, o principal reforço do time celeste para a temporada.
Ansiosa para ver o timaço montado para 2018, a torcida do Palmeiras colocou 31.678 pagantes no Allianz Parque na vitória por 3 x 1 sobre o Santo André. Lucas Lima, um dos estreantes da noite, não decepcionou e marcou um golaço na primeira exibição pelo clube.
E Belém do Pará? A cidade mais apaixonada por futebol no país ficou fora das 12 sedes da Copa de 2014, mas continua lotando estádio. No último domingo, o Remo levou 30.860 pagantes ao Estádio Olímpico Mangueirão na goleada por 3 x 0 sobre o Bragantino, na abertura do Campeonato Paraense. E lá não tinha nenhum Fred ou Lucas Lima para atrair o povo.
Sem a Arena Corinthians, o Timão usou o Pacaembu na estreia diante da Ponte Preta. A Fiel levou 19.622 pagantes ao estádio na primeira exibição no ano. No Campeonato Gaúcho, o Internacional derrotou o Veranópolis com 12.649 pagantes no Beira-Rio.
Vasco e Botafogo também jogaram em casa na primeira rodada dos estaduais. Em crise política, o time cruz-maltino perdeu por 2 x 0 para o Bangu com portões fechados. O Botafogo empatou com a Portuguesa diante de 4.055 pagantes.
Entre os 12 gigantes do futebol brasileiro, Flamengo, Fluminense, Atlético-MG e Grêmio não jogaram como mandantes na primeira rodada dos estaduais.

Recorte de um anúncio especial nos anos 50. O ainda jovem Edyr de Paiva Proença como garoto-propaganda dos cigarros Casablanca, produto da fábrica paraense Therezita. (Do arquivo pessoal de Edyr Augusto)

A performance no programa de Sílvio Santos, vagas a serem preenchidas com o afastamento – a contragosto – dos vice-presidentes da Caixa colocados em situação suspeita por uma auditoria, bilhões em verbas oficiais e nem assim a coisa vai bem para Michel Temer aprovar a reforma da Previdência na Câmara.
Kennedy Alencar, um dos raros comentaristas de política que escapa da simples aceitação servil e submissa da pauta do “mercado” disse hoje na CBN que o “quem quer dinheiro” pouco adiantou:
Apesar do discurso público otimista do presidente Michel Temer, que faz parte do papel dele, a situação nos bastidores continua exatamente do mesmo jeito que em dezembro passado. O governo continua a busca por mais 50 votos a fim de levar a proposta ao plenário da Câmara em 19 de fevereiro, como marcou o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Para aprovar a reforma na Câmara, são necessários 308 votos em dois turnos. Até ontem, ministros e articuladores políticos do governo no Congresso diziam que não tinham esses votos.
A “esperança” da reforma, cochicha-se nem sempre em murmúrios apenas, está no dia 24. Acham que uma condenação de Lula por 3 a 0 deixará os renitentes a salvo de uma maré eleitoral onde o voto contra as aposentadorias possa impedi-los de surfar.
É improvável que, mesmo ocorrendo o “placar dos sonhos” no TRF-4 altere-se o “placar do desejo” da votação da reforma. É que, até agora, o primeiro está mais no foco das atenções que o segundo e estes planos se inverterão, até porque a cassação de uma candidatura de Lula vai encontrar, de imediato, suas representações em questões objetivas.
É por isso que o MP, disposto a condenar Lula a penas maiores, beirando a eternidade, se preocupa em avisar que ele não será preso de imediato. Se quebrarem o cristal da legalidade, sabem que passam a andar sobre cacos de vidro. (Por Fernando Brito, no Tijolaço)

POR GERSON NOGUEIRA
A atuação do Papão contra o Parauapebas cumpriu parcialmente o ritual de expectativas da torcida, que estava ansiosa para ver em ação os novos contratados. Deu para observar oito deles – Maicon Silva, Fernando Timbó, Cáceres, Danilo Pires, Renan, Peu, Moisés e Mike. A exibição dos novatos foi valiosa, não por influenciar na vitória de 1 a 0, arrancada no sufoco, já na bacia das almas, mas pela maneira como os jogadores se comportaram.
Mesmo levando em conta o curto período de preparação do elenco, que só está sendo completado agora com a chegada do lateral esquerdo Mateus Miller (que defendeu o Remo em 2015), cedido ao clube pelo Palmeiras, o fato é que a apresentação foi aprovada pelos mais de 14 mil torcedores que lotaram a Curuzu.
O torcedor está aprendendo a avaliar com equilíbrio e comedimento as condições de um time. Mesmo aqueles mais fundamentalistas, que esperam e cobram resultados imediatos, sabem que no começo de temporada é impossível ver um time jogando plenamente, executando jogadas elaboradas e achando o caminho do gol com facilidade.
A primeira parte do jogo foi quase um treino de luxo, tamanha a lentidão na saída do time ao ataque e nas dificuldades que os jogadores encontravam para trocar passes. Raros foram os lançamentos mais longos, refletindo a insegurança normal dos estreantes.
Dos reforços que começaram jogando, o lateral direito Maicon foi um dos mais acionados e, por tabela, o que mais errou também. Cruzamentos longos ou curtos demais chegaram a impacientar a torcida na primeira etapa. No segundo tempo, tornou-se ala ofensivo e rendeu bastante.
Na outra lateral, Timbó foi pouco à frente e acabou se expondo menos, por isso teve falhas mínimas. No meio-campo, Danilo Pires e Cáceres entraram no segundo tempo, com aproveitamento discreto, mas deixando entrever qualidades importantes para uma equipe informação, principalmente Pires, que entrou com personalidade e mostrou atitude.
Moisés se destacou pela presença na frente e pelos deslocamentos constantes. Tipo do jogador que não sossega e, com isso, leva muita preocupação aos zagueiros. Foi o que deixou melhor impressão.
Renan entrou nos instantes finais e ia fazendo um gol de cabeça, lance salvo pelo goleiro Bruno. Um pouco lento, Peu teve alguns bons momentos. Disparou um belo chute de fora da área no 1º tempo e deu um bom cabeceio na etapa final. Mike se encolheu muito, aceitou a marcação e foi o de desempenho mais fraco entre todos os novos legionários bicolores.
De toda sorte, o comportamento do time pode ser considerado satisfatório, pois a defesa praticamente não correu riscos – um chute apenas, muito bem defendido por Marcão – e o ataque buscou incessantemente chegar ao gol, embora com as previsíveis dificuldades ocasionadas pela pouca familiaridade quanto a estilos e características dos jogadores.
Óbvio, também, que é preciso conter os disparates. Acreditar em presepadas como comunicação gestual e distribuição espacial calculada, como no vôlei, é embarcar nas lorotas próprias de teóricos da neurolinguística calcada na hipotenusa com base no conceito dos parâmetros de Sebastião Lazaroni. Ou seja, nada vezes nada. Futebol é simples, dispensa complexidades vazias.
——————————————————————————————–
Adenilson, escolha óbvia para comandar meiúca do Leão
Como era do conhecimento prévio até das pedras do cais, Adenilson será titular no meio-campo do Remo, amanhã, em Tucuruí, contra o Independente. Ney da Matta vai entregar a ele a incumbência de organizar o time para superar os donos da casa. Caso jogue o que jogou em 45 minutos na estreia, diante do Bragantino, o Remo terá muito a lucrar com sua presença em campo.
Adenilson clareou as coisas. Tornou simples o que estava complicado. A bola não chegava nos homens de frente e os laterais não eram convidados a participar do jogo. Bastou ele entrar para o Remo se tornar rápido pelos lados e agressivo nas ações de ataque.
Além disso, ainda abriu caminho para a vitória com um calibrado chute de esquerda, evidenciando o talento para arremates de média distância, tão em falta no Evandro Almeida desde tempos longínquos.
Com Adenilson na armação de jogadas, resta saber como o ataque será armado. O mais provável é que Marcelo permaneça como o número 9, tendo Elielton e Felipe Marques pelos lados.
Nas laterais, Levy segue firme pela direita, tomando como referência sua grande atuação no segundo tempo do jogo contra o Braga, quando passou apoiar o ataque com determinação e marcou um bonito gol. Esquerdinha precisa ganhar mais familiaridade com o próprio esquema de Ney da Matta para render acima do que mostrou domingo.
O setor que mais carece de cuidados é o defensivo. Zagueiros muito lentos e volantes excessivamente preocupados com a marcação, sem mostrar talento para distribuir o jogo e até para dar passes simples. Caso queira ir longe na competição, Da Matta terá que corrigir essas deficiências, com treinamentos ou mudando as peças.
——————————————————————————————
Sair à francesa nem sempre é o melhor caminho
O afastamento de Rodrigo Andrade, momentos antes do jogo, por razões de ordem física e comportamento inadequado, segundo a nota da assessoria do PSC, deixa claro que o jogador parece mesmo a fim de provocar sua saída do clube. Coincidência ou não, a punição veio no mesmo dia em que a Traffic desistiu oficialmente do processo que movia contra o Papão para obter a liberação do atleta. Frustração¿ Propostas tentadoras¿ Ninguém sabe. O certo é que Rodrigo tem contrato a cumprir e não pode descuidar de suas responsabilidades. Simples.
(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 19)


À beira da extinção, informação e curtição sem perder o sinal do Wi-Fi.
futebol - jornalismo - rock - política - cinema - livros - ideias