Archive for 11 de outubro de 2017

Sobre ‘Blade Runner 2049’

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POR NATÁLIA BRIDI, no Omelete

Philip K. Dick perguntava se Androides Sonham com Ovelhas Elétricas? para entender o que nos torna humanos em um mundo sem vida. Em 1982, Hampton Fancher e David Peoples adaptaram o livro de 1968 e responderam com a ambição de autonomia dos androides: em Blade Runner o desejo pela vida é o verdadeiro fator de humanidade em um mundo sintético. Passados 35 anos, Fancher retorna para continuar essa explicação, agora ao lado do roteirista Michael Green, mas em um tom muito mais otimista.

A começar pelas condições mais favoráveis em que Blade Runner 2049 chega aos cinemas. Ao contrário do filme de Ridley Scott, vindo de uma produção infernal, com cobranças do estúdio, mudanças de última hora (incluindo do seu final) e uma recepção fraca de público e crítica, o longa de Denis Villeneuve é fruto da compreensão dos esforços estéticos e narrativos de Scott. Longe de ter sete versões para a mesma história até chegar à “do diretor”, essa é a visão completa de Villeneuve, com liberdade para reverenciar o antigo e colocar a sua própria marca, sem restrições.

Falar muito sobre a trama de Blade Runner 2049 é estragar a experiência da narrativa. Basta que se saiba que a Tyrell Corporation, originalmente responsável pela criação dos androides, foi comprada por Niander Wallace (Jared Leto), que fez novos e melhorados seres sintéticos para assumir trabalhos humanos degradantes nas colônias espaciais ou no que restou da Terra. Não que revelações e reviravoltas sejam a essência da trama, mas essa continua a ser fundamentalmente uma história de detetive, seja do caso investigado por K (Ryan Gosling), seja na contínua indagação metafísica sobre humanos e replicantes.

É a percepção de K que inicialmente transforma e sincroniza esse novo universo com o velho. Logo, assistir ao primeiro filme (na versão do diretor) não é mandatório, mas certamente muda essa concepção no instante em que o nome de Deckard (Harrison Ford) é mencionado. Quem já conhece o Blade Runner original fica um passo à frente de K, o que não significa que não seja eventualmente surpreendido na própria investigação de como as histórias se conectam.

Com o roteiro de Fancher e Green, Villeneuve não esconde o seu respeito pelo trabalho de Scott (que assina como produtor-executivo) e pelo livro de K. Dick, mas todas as referências são colocadas de forma a instigar um novo público, não atrapalhá-lo. Trata-se de não apenas continuar, mas atualizar e assinar essa nova perspectiva. Assim, o diretor amarra pela fotografia de Roger Deakins o neo-noir cyberpunk do filme de 1982 com a grandiosidade estética que estabeleceu em A Chegada (Arrival, 2016).

A influência da revista Heavy Metal e dos traços de Mœbius e Enki Bilal permanecem na criação dos personagens, mas Villeneuve usa o avanço nos efeitos visuais para alternar os ambientes fechados da cidade com uma visão ampla dessa Terra desolada. Entretanto, sua busca não é por realismo. Cada cena é calculada em detalhes – posicionamento de câmera, personagens e objetos de cena – em uma tradução da relação entre real e artificial que segue a história.

É uma escolha que leva a excessos, com cenas que se estendem mais pela beleza do momento do que por sua importância factual, mas que faz parte da essência atmosférica de Blade Runner. Suas questões filosóficas precisam ser mais sentidas do que respondidas, o que sobrepõe a composição de cena complexa aos diálogos simples em atuações deliberadamente programadas. A ambientação evita a banalização das perguntas repetidas sobre o que é real ou humano, com a trilha sonora de Benjamin Wallfisch e Hans Zimmer, assim como fizera Vangelis, rompendo os limites da tela nessa climatização.

Blade Runner 2049 justifica sua existência como sequência tardia ao ampliar conceitos do filme de 1982 e outros estabelecidos por Philip K. Dick. Faz isso não para responder velhas perguntas ou simplesmente renovar uma franquia, mas para seguir com questionamentos pertinentes, cinematográficos e humanos. Essa continua a ser uma história de detetive e uma história sobre a existência.

11 de outubro de 2017 at 11:46 Deixe um comentário

Galeria do rock

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John e Yoko fotografados no apartamento do edifício Dakota, em Nova York, em 1980, meses antes da tragédia.

11 de outubro de 2017 at 11:35 Deixe um comentário

Pois é…

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11 de outubro de 2017 at 11:32 5 comentários

Atacante festeja bom momento e aposta na recuperação do Papão

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Depois da boa atuação na vitória do Papão sobre o Boa Esporte, por 2 a 1, em Varginha, Welinton Júnior foi um dos atletas que mais vibraram com o resultado e a reabilitação bicolor no returno da Série B. O atacante, que entrou no segundo tempo, cavou o pênalti que deu origem ao empate. Nos minutos finais da partida, ele roubou a bola do adversário e sofreu a falta que ocasionou o gol da virada.

“O professor optou por mim no segundo tempo, tive que entrar e dar o meu melhor. Vi a nossa situação do lado de fora, estávamos perdendo. Fui feliz de ter entrado, de poder ter ajudado meus companheiros e aí pudemos sair com a vitória de lá”, afirmou.

Para o atacante, a vitória fora de casa veio em bom momento para fortalecer o elo entre time e torcida. “Agora as coisas estão acontecendo para que a gente possa ter uma boa relação com a torcida, para que a gente possa estar tranquilo com eles e eles tendo alegria com a gente”, observou.

No treino desta terça-feira, na Curuzu, o volante Renato Augusto voltou a se movimentar depois de quase duas semanas de ausência devido a uma contusão. (Foto: FERNANDO TORRES/Ascom PSC) 

11 de outubro de 2017 at 11:26 Deixe um comentário

Política seletiva de combate às drogas

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11 de outubro de 2017 at 11:04 Deixe um comentário

O pensamento vivo da besta-fera

POR BERNARDO MELO FRANCO, na Folha SP 
https://www.youtube.com/watch?v=MkBJuABRey8
Jair Bolsonaro desembarcou nos Estados Unidos para divulgar sua candidatura a presidente. Em segundo lugar nas pesquisas, o deputado tenta suavizar o discurso para parecer menos radical. É um bom momento para ouvir o que ele dizia antes de sonhar com o Planalto.
Em 1999, o capitão reformado expôs suas ideias no programa “Câmera Aberta”, na Bandeirantes. Em 35 minutos, ele defendeu a ditadura e a tortura, pregou o fechamento do Congresso e disse que o Brasil precisava de uma guerra civil, mesmo que isso provocasse a morte de inocentes.
A entrevista mostra um Bolsonaro sem retoques. À vontade, ele se gaba de sonegar impostos e estimula os telespectadores a fazerem o mesmo. “Conselho meu e eu faço. Eu sonego tudo que for possível”, afirma. Depois, diz que a democracia é uma “porcaria” e conta o que faria se chegasse ao poder: “Daria golpe no mesmo dia. Não funciona”.
O deputado afirma que Chico Lopes, ex-presidente do Banco Central, merecia ser torturado em pleno Senado. “Dá porrada no Chico Lopes. Eu até sou favorável a CPI, no caso do Chico Lopes, tivesse pau de arara lá. Ele merecia isso: pau de arara. Funciona. Eu sou favorável à tortura.”
Mais adiante, Bolsonaro defende o fuzilamento do presidente Fernando Henrique e revela desprezo pelas eleições diretas: “Através do voto, você não vai mudar nada neste país. Nada, absolutamente nada. Você só vai mudar, infelizmente, quando nós partirmos para uma guerra civil aqui dentro. E fazendo um trabalho que o regime militar não fez. Matando 30 mil, e começando por FHC”.
O apresentador Jair Marchesini ainda ensaia conter o deputado. Ele insiste: “Matando. Se vai [sic] morrer alguns inocentes, tudo bem. Tudo quanto é guerra, morre inocente”.
Bolsonaro não era um jovem desavisado ao dar essas declarações, que podem ser vistas no YouTube. Tinha 44 anos e exercia o terceiro mandato de deputado —hoje está no sétimo. Era filiado ao PPB (atual PP), o partido de Paulo Maluf.

11 de outubro de 2017 at 11:02 2 comentários

O julgamento da “prisão” de Aécio: várias vergonhas num dia só

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POR FERNANDO BRITO, no Tijolaço

Será hoje, afinal, o insólito julgamento no qual não ninguém é inocente e do qual ninguém sairá absolvido: nem Aécio Neves, nem o Senado, nem o STF.

Porque parte de um evento inexplicável: o de não ter sido decretada a prisão em flagrante – legal e constitucional – quando vieram à tona as gravações de Aécio Neves achacando Joesley Batista e de seu primo apanhando as malas de dinheiro.

Todos os elementos para o estado de flagrância estavam presentes: o suposto crime estava em curso e havia evidência até de que uma ação parcial poderia ser muto perigosa, uma vez que Aécio aventava, de maneira nada velada, até a possibilidade de assassinar o “apanhador” do dinheiro caso este resolvesse falar.

Era mais grave, até, que o Delcídio do Amaral, onde se falava em dar dinheiro e fuga a um prisioneiro, mas não havia, ao que se sabe, atos criminosos em curso, que fossem além da ideia ou desejo. Não fizeram como com Delcídio por uma única razão: Aécio é tucano, líder dos tucanos, presidente (até agora) do partido tucano.

Cinco meses depois, óbvio, não se pode falar na prisão em flagrante prevista na constituição como única alternativa para deter parlamentar.

Parte-se então, para as chamadas “medidas alternativas à prisão” simplesmente para “fingir que prendem”, diante de uma opinião pública que foi, persistentemente, ensinada que processo judicial se faz com o acusado preso ou será “marmelada”.

As medidas restritivas à prisão tem uma lógica que nada tem a ver com o recolhimento domiciliar noturno, a não ser que o vagar pela noite possa ter relação com o crime que lhe é imputado: um “Jack, o estripador”, por exemplo, que se servisse da noite para assassinar.

É o que diz a lei ao condicional sua aplicação à “necessidade para aplicação da lei penal, para a investigação ou a instrução criminal e, nos casos expressamente previstos, para evitar a prática de infrações penais”.

Por tudo, justifica-se o previsto ali: afastamento do cargo público onde possa interferir no processo – por exemplo, usar o mandato de senador  para negociar/votar/aprovar medidas que o beneficiem um simplesmente impeçam a aplicação da lei penal. Idem para proibi-lo de frequentar o Senado ou até de manter contato com outros senadores e agentes políticos através dos quais pudesse faz-elo, assim como a entrega do passaporte e o comparecimento periódico ao Juízo.

Mas é evidente que o “recolhimento domiciliar noturno”, salvo como justificada medida cautelar, caso antes mencionado, em tudo se confunde com a prisão em regime aberto, que prevê o mesmo recolhimento noturno como privação de liberdade, que é o ponto essencial da prisão.

Tanto é assim que é pacífico que a privação preventiva, total ou parcial, de liberdade – inclusive o recolhimento domiciliar noturno – é considerada pela jurisprudência brasileira como tempo a ser “descontado” no cumprimento de pena derivada de sentença.

Ninguém aqui duvida dos crimes praticados por Aécio Neves. Ao contrario, ele se evidenciaram de forma tão flagrante que nada – senão a histeria “pega-Lula” – o diferenciam do episódio Delcídio do Amaral.

E o Senado? Dele, não é preciso dizer nada quando, depois do escândalo, simplesmente engavetou um processo ético contra Aécio. Abriu mão de sua autojurisdição e decretou a impunidade do senador que, como só pode ser processado com autorização da casa, ganhava ali o direito de não sê-lo, por mais grave fosse o que tivesse feito.

Vamos, portanto, ao impensável julgamento de hoje, onde o Supremo terá de escolher se atropela a Constituição em nome da moralidade ou se passa por cima da moralidade e respeita a Constituição.

11 de outubro de 2017 at 10:45 Deixe um comentário

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