Archive for 2 de outubro de 2017

Grito a um país refém de justiceiros

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POR NILSON LAGE (*)

Eis o motivo pelo qual nenhum homem honrado deve assumir cargos de mando em um país dominado por arrogantes bacharéis plenipotenciários. Os supostos atos ilícitos aconteceram antes de sua gestão; mas bastou a denúncia de um dedo-duro para que a polícia o prendesse com ridículo espalhafato.

A mídia de porta de cadeia, que desdenha da honra dos outros, fez o resto. Destruída a reputação, suicidou-se por ela. Do ponto de vista da meganhada, pode ser até uma confissão. Para mim, é um grito à consciência desse país refém de justiceiros e malfeitores.

MORTE E COMOÇÃO

O reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, professor Luiz Carlos Cancellier de Olivo, valeu-se do suicídio para praticar um ato político de forte impacto na população.  Além de optar pelo espaço mais visitado e de maior movimentação nas manhãs de segunda-feira, em Florianópolis, ele deixou um bilhete que pode explicar as razões de seu gesto. Segundo fonte da Policia Civil, um bilhete foi escrito pelo professor Cancellier, onde teria escrito:  “Minha morte foi decretada no dia de minha prisão”.

O reitor não conseguiu neutralizar os efeitos políticos, sociais e psicológicos da sua prisão na Operação Ouvidos Moucos. Com toda a vida dedicada à Universidade e à educação viu o esforço acadêmico e político de décadas desmoronar do dia para a noite.

A partir da prisão viveu dias terríveis, segundo os amigos mais chegados. Iniciou um processo depressivo, tinha aconselhamento psiquiátrico e tomava medicamentos para neutralizar o impacto psicológico da prisão e todo o processo humilhante a que foi submetido.

Seu irmão, o jornalista Júlio Cancellier, está inconsolável com a morte do reitor.  Com ele esteve no domingo e constatou que Luiz Cancellier estava duplamente contente: por ter autorização para ir à UFSC participar de banca examinadora no Curso de Pós-Graduação em Direito e pela vitória do Hercilio Luz, seu time de coração em Tubarão.   

Ele costumava se manifestar inconformado sobretudo porque todos os supostos atos irregulares na UFSC foram praticados, segundo a própria Polícia Federal, nas gestões anteriores à sua. Além disso, sua formação acadêmica ocorreu na área do Direito e da Justiça. E ele se sentia o maior dos injustiçados com a prisão na Operação Ouvidos Moucos. Dizia que não encontrava qualquer explicação para o ocorrido. Nos primeiros dias ficou confiante em decisão da Justiça que o beneficiasse, especialmente, depois dos esclarecimentos dados no longo depoimento na Polícia Federal.

De acordo com pessoas mais próximas, a autorização da juíza federal de autorizar sua presença na UFSC por apenas duas horas e meia pode ter sido o fato que o levou a praticar o suicídio. Ele já meditara sobre a possibilidade de retorno, mas sempre preocupado com o abalo da imagem e o ferimento mortal de sua liderança, fatos que o impediriam de concluir o mandato na Reitoria da UFSC. Ele completou o primeiro dos quatro anos de gestão no mês de maio. 

O campus da Trindade está com bandeiras a meio mastro. As atividades administrativas foram suspensas. E os trabalhos acadêmicos também deverão ser encerrados em vários cursos à tarde e à noite.

2 de outubro de 2017 at 20:56 Deixe um comentário

Folha lança jornalismo de inquisição

POR FERNANDO BRITO, no Tijolaço

A inclusão da pergunta, inédita em suas pesquisas, tinha endereço certo para o Datafolha: contrabalançar o que já sabiam ser o crescimento de Lula nas intenções de voto. Então, criaram uma “estatística Chacrinha”: “vai para o trono ou não vai?” e um “vai pra cadeia ou não vai?”.

Ao melhor estilo do Coliseu romano, põe a decisão sobre vida e a liberdade de alguém na base ou “você acha” que Lula deveria ser preso?  Por que não logo “executado”?  Ficaria mais coerente com o tipo de linchamento proposto.

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Gloriosos 54% acham que “deve prender” e é uma milagre que 40% digam que não, depois de anos de Jornal Nacional acusando Lula de ter roubado apartamento, aluguel, prédio, pedalinhos,  bugigangas do gabinete presidencial e pirulito de criança.

Nem assim os dados deixam de revelar que há um ódio incontido da elite brasileira a um homem que nada dela tirou, senão seu mórbido prazer de ver os pobres serem tratados como uma “sub-raça”:

“O apoio à prisão do ex-presidente cresce conforme aumenta o grau de instrução (69% entre os que têm nível superior e 37% entre os com nível fundamental) e a renda familiar mensal (chega a 76% no grupo mais rico e a 42% no mais pobre) do entrevistado.”

Palmas ao Datafolha que cria um novo tipo de justiça no Brasil. Não se “vota” mais apenas para escolher pesssoas para governar, mas para decidir quem deve ser mandado apodrecer na cadeia, depois de julgado pelo tribunal da mídia.

Do jeito que as coisas andam selvagens neste país, acho que, numa pesquisa, até o goleiro do Flamengo seria mandado para a cadeia depois dos penaltis do jogo do Cruzeiro.

Não adianta, depois, fazer biquinho de liberal escandalizado se uma horda de fanático vai invadir e agredir os funcionários de um museu de arte. Se a mídia “treina” a opinião pública para ser pitbull de marombeiro não pode reclamar quando alguns saem mordendo.

Sugere-se, depois desta que a Folha chame o Alexandre Frota para seu conselho editorial. Pela linha de jornalismo estatístico, parece ter mais a contribuir do que os meninos de camisa de fino algodão.

Felizmente, neste país, por enquanto, ainda não temos “votação para linchamento” e – ainda – temos eleição para presidente.

E nessa, eles piram, Lula sobe cada vez mais. É isso que eles não aceitam, não perdoam e não medem consequências – nem ditadura, nem conflito civil – para impedir.

2 de outubro de 2017 at 10:14 1 comentário

Tribuna do torcedor

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POR JOSÉ MARCOS DE LIMA ARAÚJO – marcaoctb@hotmail.com

Não creio que algum torcedor do Paysandu, qualquer um, esteja se esforçando para ver o Clube cair. Como não acredito que algum diretor, nenhum mesmo, também estejam fazendo isso.

O afastamento da torcida dos estádio e as críticas desferidas tem outras causas. 

O torcedor sai de casa, em um transporte coletivo de condições sofríveis, lotado, sem conforto, paga seu ingresso e, às vezes, de um acompanhe, filho ou namorada ou quem seja, entra em um estádio onde não consegue o mínimo conforto, tem de assistir o jogo em pé, para presenciar um jogo onde vê seu Clube, sua paixão, sem qualidade técnica, sem demonstrar vontade de ganhar. 

E, pra completar, ainda temos de ver o Paysandu se sujeitar ao horário insano para o futebol, determinado pela Emissora que detém os direitos de transmissão, iniciando as 21:30 e encerrando às 23:30, o que leva a que o torcedor chegue em casa após a meia noite, com toda a insegurança pública em nossa cidade.

Um rosário de sofrimentos e situações inconvenientes, que vem se repetindo na competição nacional nos últimos 3 a 4 anos.

O torcedor está chateado, sofrido, mas não quer dizer que ele passe a torcer pela queda do seu Paysandu. Mas, se afasta para evitar ficar ainda mais irritado e triste. 

Assim como não existe um dirigente , qualquer um, incluindo ex-dirigentes do Paysandu, que estejam torcendo para isso. 

O que existe é a prevalência de uma direção do Clube que age, ou vem agindo, com extremo amadorismo na gestão do futebol e com esmero profissional na gestão administrativa do Papão.

É inegável os avanços do Clube no aspecto administrativo, a valorização de nossa marca, a estabilidade das contas. 

Mas, no futebol é um “Deus nos acuda”.

Por exemplo, afastam um dos melhores atacantes da equipe porque o “Cara” não é lá essas coisas de ajuizado. 

O Leandro Carvalho era um de nossos melhores jogadores, mas não era muito “obediente”, preferia um barzinho em vez de ir às missas ou ao culto nas horas vagas. Ora bolas, se fosse esse o critério nunca jogariam no Papão o Serginho Chulapa, o Afonsinho, o Paulo Cezar Caju e até o Garrincha, só pra citar alguns.

O amadorismo se traduz na teimosia de não aceitar as críticas da torcida que, nos últimos anos vem pedindo (implorando) por um bom meia armador (camisa 10), de um efetivo matador goleador. A torcida pede também que o Clube estanque a saída dos jogadores que “dão certo”. 

Mas, se vê, só a chegada de atacantes “cones” e profusão de volantes (sem qualidade), aliado a saída de Tiago Martins, Thiago Luiz, Charles (cabelo de fogo), Fernando Gabriel entre outros. Para contratarmos o que precisamos é uma dificuldade mas, para nossos “valores” que “cresceram” ou apareceram para o futebol, jogando no Paysandu, é a maior facilidade.

A mesma diretoria que gera o crescimento do Paysandu administrativamente, deixa a desejar no futebol ao não contratar as peças necessárias à melhora do Clube. 

Não consegue repetir a velha fórmula da construção de equipes vitoriosas: manutenção das boas peças, completar com jogadores da base e jogadores que se destacaram em equipes locais e ir contratando poucos, mas comprovados jogadores de qualidade como reforços. Devagar, ano a ano, se monta uma equipe vencedora. Mas, uma atitude amadorística, leva a seguir empresários que querem empurrar seus bondes, seus cones, com o único objetivo de lucro. 

O resultado disso é, ano a ano, é o sofrimento da torcida; a chegada e saída de dúzias e dúzias de jogadores. No meio desses até vem e vão alguns bons jogadores, que no meio de tantos perebas e “preferidos” de empresários, assessores, acabam não conseguindo mostrar seu futebol. 

E a torcida vai desistindo de acompanhar o time no estádio, vai indo para à televisão, para o tadinho. 

Aí mora o perigo, do torcedor se desacostumar de ir na Curuzu ou Mangueirão, de vibrar com suas cores, aí não adianta administração correta e contas pagas, o resultado tende a ser desastroso.

Um forte abraço,

Marcão 

2 de outubro de 2017 at 10:11 2 comentários

Protesto fora de hora

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POR GERSON NOGUEIRA

Marquinhos Santos não vai sair e, se depender da diretoria do PSC, ficará até o final do campeonato. Este foi o desfecho do ensaio de crise provocado por manifestação de um grupelho de torcedores, ontem cedo, na chegada da delegação a Belém. É claro que a nova derrota turbinou as críticas ao trabalho e deu gás ao protesto e a boatos insistentes, mas é óbvio também que o momento de clamar pela queda do técnico já passou.

É fato que o Papão cumpre campanha atormentada, com muitos ziguezagues e desacertos não causados inteiramente por Marquinhos Santos, que desembarcou aqui quando o trem alviceleste já se encontrava descarrilado.

Na verdade, os problemas que atravancam a vida do time na Série B têm mais a ver com planejamento para o futebol e política de contratações. Aliás, problema antigo, que causou danos em 2015 (em menor escala) e em 2016, quando a equipe correu sério risco de queda.

Por ora, a ameaça está parcialmente controlada, se é que se pode dizer isso de uma equipe que está a dois pontos do primeiro time posicionado no Z4. O dado que permite um mínimo de tranquilidade é que o Papão não depende de ninguém para se garantir na Série B.

Restam cinco jogos em casa – contra CRB, Criciúma, Vila Nova, Brasil e Santa Cruz – para definir a permanência. Caso vença quatro dessas partidas, a situação estará resolvida. Além dessas partidas em Belém, o time terá seis jogos como visitante, podendo ampliar sua pontuação.

Não foi bem sucedido no confronto contra o Juventude, na sexta-feira à noite, em Caxias do Sul, porque a estratégia não contou com a possibilidade real de um gol dos donos da casa.

Com problemas de contusão e suspensão, Marquinhos montou o Papão para não tomar gols. Botou oito jogadores na defesa, orientou Marcão para recuar sempre que fosse possível e ficou apenas com Bergson flutuando na frente. A tática deu certo até os 37 minutos do segundo tempo, quando uma jogada bem articulada pelo Juventude resultou no gol único do jogo.

A derrota, embora lamentada, deixa lição importante. É preciso ter alternativas para atacar, mesmo quando o objetivo é assumidamente o de apenas não perder. Nas seis partidas que terá como visitante até o fim da competição, o PSC não pode mais se dar ao luxo de jogar exclusivamente pensando no empate.

De certa maneira, a estratégia mais apropriada seria arriscar tudo nesses confrontos, visto que a pontuação mínima desejada pode ser obtida em casa. Caberia, com ousadia e criatividade, partir para surpreender os times mandantes com pressão alta ao longo dos primeiros minutos de confronto.

Só assim, exibindo um destemor até aqui ausente de seu trabalho, Marquinhos Santos poderá concluir a campanha cativando o respeito da torcida, cuja impaciência tem mais a ver com a postura medrosa e claudicante do time sempre que se apresenta longe de Belém.

A derrota para o Juventude teria sido melhor digerida se o time mostrasse bravura ofensiva e determinação para vencer.

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Remo sob o signo da indefinição

Sem qualquer providência prática por enquanto, o Remo luta para resolver as muitas pendências com os jogadores que terminaram a campanha na Série C e se prepara para decidir o futuro administrativo do clube. Relatório das contas do primeiro quadrimestre da gestão Manoel Ribeiro aponta problemas e furos graves. Uma reunião do Conselho Deliberativo, marcada para o dia 10, pode determinar até o afastamento do presidente.

Enquanto isso, o futebol permanece em banho-maria. Alguns jogadores estão acertados com o clube, mas ainda não assinaram a renovação. Casos de Flamel, Martony e Jayme, raros destaques do time na Terceirona.

Antes de fechar nomes para o elenco, a nova diretoria de futebol analisa o perfil do futuro técnico e de um executivo de futebol. Os planos são grandiosos, mas a realidade do clube não permite extravagâncias. Caso a contabilidade seja levada em conta, o mais provável é que um treinador local seja contratado e que o executivo fique para o segundo semestre.

Com o campeonato estadual antecipado para 17 de janeiro, sobra menos tempo e margem de manobra para que os dirigentes definam as escolhas.

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Um campeonato que ainda pode reservar surpresas

O Corinthians empatou de novo, permitiu que o Santos encurtasse distância – são agora oito pontos – e deu esperanças até ao Grêmio, que está a nove pontos. O jogo foi fora de casa, contra o entusiasmado Cruzeiro, mas o tropeço se insere na lista de maus resultados do líder no segundo turno do Brasileiro.

A novidade é que, há 15 rodadas, quase ninguém tinha dúvida de que a taça iria para o Corinthians, tal a vantagem do alvinegro paulista em relação aos demais. Neste momento, qualquer prognóstico já soa arriscado.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 02) 

2 de outubro de 2017 at 1:29 8 comentários

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2 de outubro de 2017 at 1:13 Deixe um comentário


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