Papão mostra otimismo para compromissos fora de casa

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Depois do tropeço em casa diante do CRB-AL, o Paissandu se prepara para tentar compensar os dois pontos perdidos com um triunfo em Lucas do Rio Verde (MT), nesta terça-feira, contra o Luverdense, pela 30ª rodada da Série B. Com boa campanha fora de casa (cinco vitórias, dois empates e sete derrotas), o alviceleste paraense confia no retrospecto favorável para fazer cálculos otimistas.

A ideia do técnico Marquinhos Santos e dos jogadores é trazer pelo menos quatro pontos dos dois jogos a serem realizados nesta semana (o segundo será contra o Londrina, sexta-feira). O risco de queda ainda existe – o Papão está a três pontos do Z4 -, mas o discurso unânime é de confiança em bons resultados nos dois próximos jogos.

A preocupação fica por conta do desespero da equipe mandante. O Luverdense está na zona de rebaixamento e vem de uma derrota para o América-MG, fora de casa. Além disso, o técnico Marquinhos Santos não terá os titulares Rodrigo Andrade e Guilherme Santos, além dos reservas Peri, Fábio Santos e Diogo Oliveira.

O provável time para o confronto desta terça é a seguinte: Emerson; Ayrton, Perema, Diego Ivo e Jean; Renato Augusto, Carandina, Augusto Recife e Jonathan (Magno); Bergson e Marcão (Caion). (Foto: FERNANDO TORRES/Ascom-PSC)

Falhas de formação

ESPORTES - SALVADOR - BA - 14/10/2017

POR GERSON NOGUEIRA

Saber passar é um dos itens básicos da cartilha de um boleiro. No futebol meia-sola ensinado e praticado no país pentacampeão do mundo, essa lição parece ter sido negligenciada pelos professores e instrutores dos jovens atletas. Números revelados pelo sistema de estatísticas da ESPN (TruMedia) apontam para a gravíssima deficiência brasileira no fundamento.

Falta o apuro necessário para executar desde a simples troca de passes na defesa, entre zagueiros e volantes, até assistências mais caprichadas no ataque. Dos times brasileiros de Série A, o Corinthians é o melhor posicionado (26º do ranking), com média de 512 passes por jogo.

Na comparação com os índices das principais ligas do mundo – Espanha, Inglaterra, Alemanha, Itália, França e Argentina –, o líder do Brasileiro tem números pífios, inferiores até aos de times emergentes, como o Defensa Y Justícia, da Argentina, que aparece com 518 passes por partida. O Nápoli detém a melhor marca: média de 742 passes por jogo.

Curiosamente, os treinamentos de times brasileiros – inclusive das divisões menores – são constituídos por longas sessões em campo reduzido. É o chamado treino alemão, que Carlos Alberto Parreira adorava ministrar para a Seleção durante a Copa de 2006 na Alemanha, enquanto o técnico germânico Klinsmann preferia priorizar fundamentos.

Até hoje é possível ver equipes brasileiras dedicando até uma hora de treino à prática do tal exercício alemão, com titulares e reservas jogando em meio campo apenas e com traves menores.

Os levantamentos do TruMedia parecem confirmar as desconfianças que senti ao ver Parreira botando os jogadores do escrete canarinho naquele espaço diminuto em Königstein, antes da estreia no mundial de 2006.

Para se ter uma ideia, o Corinthians também é o time brasileiro que mais acerta passes – 81,8% de precisão. Fica a léguas de distância do líder no quesito, o PSG de Neymar, com 88,7%.

Quando o assunto é assistência, o bicho pega de vez. Os corintianos continuam na frente entre os brasileiros, com média de 0,93 assistências que resultam em gol. Fica em quadragésimo lugar na lista internacional.  Barcelona e Manchester City têm média de 2,46 assistências decisivas por partida.

Quem se dedica a ver jogos das duas principais divisões brasileiras não se surpreende com os dados apontados na estatística da ESPN. O que mais chama atenção nas partidas das séries A e B é a quantidade vergonhosa de passes equivocados.

Até tentativas de passe curto resultam em erros, resultantes quase sempre do mau posicionamento dos jogadores em campo, com distância acentuada entre os setores.

Há, porém, a questão individual. Jogadores que receberam formação deficiente nas divisões de base acabam tendo dificuldades maiores na execução dos fundamentos básicos – passe, chute e cabeceio.

Os números são frios e implacáveis: lições de casa precisam ser revisadas pelos clubes brasileiros, com urgência.

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Mutirão da torcida azulina aponta para dias melhores

O tradicional estádio Evandro Almeida vem sendo restaurado por um mutirão comandado por torcedores, muitos deles oriundos de facções normalmente criticadas pela violência nos estádios. A mobilização já resultou na recuperação completa do lance de arquibancada que fica do lado da rua 25 de Setembro. Para marcar festivamente a entrega dessa parte do estádio, os torcedores programaram um grande evento para o próximo domingo, 22.

Acima de tudo, é preciso ressaltar que o trabalho foi todo estruturado em doações e esforço voluntário. Através de campanhas na internet, principalmente no Facebook, foram arrecadados materiais de construção para finalizar a arquibancada e repaginar o muro de entrada na avenida Almirante Barroso.

São providências que revelam o comprometimento da torcida e fazem acreditar na recuperação de um clube atolado em dívidas e entreveros políticos. Sem muito alarde, apesar do necessário trabalho de divulgação, os torcedores dão um excelente exemplo de comprometimento com a causa azulina.

Resta agora a contrapartida dos dirigentes, empenhando-se para que o Remo se fortaleça também no âmbito administrativo.

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Um emergente que deixa muito figurão no chinelo

Pela primeira vez na Copa do Mundo, a emergente Islândia parece se esmerar em dizer ao planeta que tamanho não é desculpa e nem documento. Depois do brilho na recente Eurocopa, cumpriu campanha histórica nas eliminatórias europeias e chegará à Rússia conduzindo os sonhos de uma população modesta para os padrões brasileiros – 339.747 habitantes.

Apesar do baixo contingente humano (ou talvez por isso mesmo), a Islândia já entra no mundial ostentando números que fazem inveja à maioria dos países. Isso significa que, em termos de qualidade de vida, está nas posições mais honrosas do ranking planetário.

Além de baixíssimo índice de mortalidade infantil, o país tem a sexta maior expectativa de vida do mundo e nível educacional impecável.

Que o Brasil, líder do outro ranking (da Fifa) tente se espelhar na grandeza e nos esforços do mais jovem participante do banquete maior do futebol.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 16)