Nos olhos, a liberdade

POR EDYR AUGUSTO PROENÇA

Há alguns meses, a convite da professora Olga Silva, estive no prédio da Defensoria Pública para o lançamento do Projeto de Remição de Pena pela Leitura, uma parceria entre a Seduc, Defensoria Pública e Susipe. Fiquei fascinado. Lá mesmo, um coral formado por internas se apresentou. Doei alguns livros e também convidei meu amigo Salomão Laredo a fazê-lo.

Acredito no poder da leitura. Ela está na base da minha formação e tudo aquilo que conquistei. Um dos problemas mais sérios do nosso país – talvez o mais sério – é a falta de Educação, que faz com que várias gerações não se expressem corretamente, não consigam escrever sequer um bilhete e pior: não tenham capacidade de reflexão sobre seus problemas. Com isso, não conseguem bons postos de trabalho e, sem atividades, acabam, no pior caso, cometendo crimes.

Na sexta-feira passada, eu e Salomão, convidados, participamos, no Centro de Recuperação Feminino, do “1o Sarau Literário Flores, Sabores e Belezas do Meu Jardim”, onde fomos homenageados e nos emocionamos com tudo o que foi apresentado. O local é um belo jardim, com direito a lago para criação de peixes ornamentais, certamente onde as detentas podem “respirar” um ambiente diferente das celas que ocupam.

O projeto Remição de Pena pela Leitura garante a redução de quatro dias da pena por livro que for lido e feito resumo. Há outras iniciativas culturais como coral e balé, educação e panificação, por exemplo. A programação constou de apresentação do coral, seguido por balé, tendo como tema “Fênix” e, finalmente, uma entrevista, contato direto com as internas.

O primeiro detalhe que me impressionou foi na dança, realizada em um pedaço do jardim da melhor maneira possível, com plantas sendo pequenos obstáculos. A solista tinha nos olhos a Liberdade. Imagine-se, por um dia, horas que sejam, privada de sua liberdade, obrigada a conviver com outras pessoas que nunca viu. Deixar aqui fora filhos, mães, famílias e até companheiros – estes, infelizmente, em minoria. De mais de 500 detentas, apenas estão cadastrados uns 20 homens que fazem visita regularmente. Que pena!

A Cultura tudo pode. Ali, naquele palco improvisado, no belo jardim, driblando plantas, ela tinha em seus olhos a Liberdade. Assim como na Leitura ou no Canto. Quando estamos lendo, nossa mente vagueia, habita outros mundos, outras realidades, como um longo voo feliz e livre, absolutamente livre.

Outro detalhe que me impressionou muito foi o português correto empregado pelas detentas. Muitas vezes elas se expressaram de improviso e o que ouvimos foi o emprego correto das palavras, o que hoje raramente ocorre aqui fora. É claro que no dia a dia há muita tensão. Há a TPM das moças, quase todas com idades entre 18 e 22 anos, quase todas deixando os filhos lá fora, quase todas presas por tráfico. É o que lhes resta aqui fora, sem Educação, sem porvir, sem trabalho e o dinheiro do tráfico, parecendo fácil, dando sopa.

Para encerrar, apresentaram uma enorme colcha de retalhos. Cada uma apontou o seu retalho ali costurado e sua significação. E ainda houve roda de carimbó e degustação de pães fabricados internamente. Curioso, apesar de ser partícipe do projeto, a Seduc mandou apenas uma representante, a professora Idajane Monteverde. A Superintendência do Sistema Penal e a Defensoria Pública estavam presentes.

Como resultado, saibam que é muito pequeno o percentual de mulheres que retorna ao presídio. O que a Cultura não faz? O projeto está presente em outros presídios masculinos. Se você se interessar, procure a Seduc e doe livros. A ideia é muito boa.

(Publicado em O Diário do Pará, Caderno TDB, Coluna Cesta em 27.10.17 e opiniaonaosediscute.blogspot.com)

Bragantino homenageia Geo

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Tocante homenagem ao companheiro Geo Araújo antes do jogo entre Bragantino e Sport Belém, no estádio Diogão, pela Segundinha de Acesso ao Parazão 2018, na tarde deste sábado. Os jogadores do Bragantino entraram com a faixa “Sou Geo Araújo desde pequenininho”, fazendo referência a um dos jargões mais conhecidos de Geo como narrador esportivo.

Adeus ao grande Pequenininho

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POR GERSON NOGUEIRA

Depois de ter sido submetido a nove horas de cirurgia, o locutor esportivo Geo Araújo morreu na manhã deste sábado, aos 64 anos, para tristeza de seus familiares e consternação de seus companheiros de rádio esportivo, ouvintes e amigos.

O locutor estava tratando de problemas cardiológicos e, depois de realizar alguns exames, precisou se submeter na sexta-feira a uma cirurgia para implantar três pontes de safena. Depois do procedimento, que durou cerca de 12 horas, veio a falecer.

Geo integrou por muitos anos a equipe de esportes da Rádio Clube do Pará, sob o comando de Guilherme Guerreiro. Participou de coberturas importantes, como a das Copas do Mundo de 2006 (Alemanha), 2010 (África do Sul) e 2014 (Brasil), Copa América e Copa dos Campeões (2002).

No Mundial realizado na África do Sul, dividimos o mesmo quartel de hotel em Joanesburgo, ocasião em que passei a conhecê-lo mais de perto.

Muito franco, Geo gostava de dizer verdades, não dourava pílulas. Era também uma espécie de inventor frustrado. Adorava criar e consertar trecos, mexendo em computadores e máquinas fotográficas. Sempre curioso, durante a Copa sul-africana era um dos mais entusiasmados nos passeios aos parques de elefantes e leões.

Ao longo da carreira, criou jargões inesquecíveis, como “Rasgooooool”, “Eu vejo o jogo ouvindo a Clube iê iê” e “Yellow card!”. Tinha uma vinheta marcante e inconfundível, na qual havia a menção ao seu nome e a resposta bem humorada: “Tá falando com ele. Sou Geo Araújo desde pequenininho”.

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De estilo vibrante, eternizou sua passagem pela Rádio Clube com a narração da decisão da Copa dos Campeões, em 2002, vencida pelo Paissandu. Uma das narrações mais empolgantes do rádio esportivo (veja e ouça no link abaixo).

Foi de Geo também a narração do jogo CRB x Remo, pela Série B, com o gol salvador de Scott no segundo tempo. O chamado ‘gol da santinha’, que salvou o Remo do rebaixamento naquele ano.

De personalidade extrovertida, bom de papo e grande amigo dos amigos, Georgenor decidiu há dois anos deixar Belém e retornar para sua amada Bragança – embora tenha nascido em Santa Maria do Pará. Desligou-se amigavelmente da Clube e, até para ter mais qualidade de vida, voltou a morar na Pérola do Caeté, reassumindo funções na Rádio Educadora, emissora onde começou a carreira de radialista.

Na semana passada, alguns exames apontaram a necessidade de implantar três pontes de safena. Submetido à delicada cirurgia, acabou não resistindo. Seus amigos de Rádio Clube se manifestaram de imediato através da programação da emissora e nas redes sociais, lamentando a grande perda para o rádio esportivo paraense. Geo era casado com Terezinha há quase 40 anos. Deixa dois filhos (Henrique e Patrícia) e quatro netos.

O velório acontece na capela Max Domini (rua José Bonifácio) e o enterro será amanhã, às 9h30, no crematório da Max Domini em Marituba.

Descanse em paz, meu irmão.

CBF se rende ao dinheiro da Globo e Fifa

POR LUIZ PRÓSPERI, no Chuteira F.C.

CBF está à caça de dinheiro. Dinheiro graúdo. Inevitável se render à TV Globo, sua parceira há décadas, e à Fifa, com quem perdeu privilégios após a prisão de José Maria Marin em 2015 e das investigações do FBI contra Marco Polo Del Nero e Ricardo Teixeira, cartolas enrolados com a Justiça e contas a prestar.

A primeira bocada da CBF foi em cima da Globo. Aliás, nem tão voraz assim. Depois de se iludir com um faturamento de R$ 400 milhões com a venda dos direitos de transmissão dos jogos da Seleção Brasileira de 2018 a 2022 sem a participação da emissora, a CBF baixou a bola e fechou acordo exclusivo com a Globo. Vendeu os direitos nos canais aberto e fechado e internet por um valor, ainda não revelado, bem inferior ao que imaginava faturar.

Do ponto de vista político, a CBF se deu bem com o poderoso canal de televisão que, nos últimos anos, havia se indisposto com os cartolas da entidade, os mandatários Marin, Del Nero e Teixeira.

Ao vender os direitos exclusivos de transmissão dos jogos da Seleção Brasileira para a Globo, a CBF espera uma trégua por parte da emissora.

A CBF sabe como ninguém que sem se aliar à Globo perderia dinheiro na venda dos jogos do Brasileirão e competições afins. Para se ter uma ideia mais clara dessa dependência, é a Globo quem paga a premiação aos clubes mais bem classificados no Brasileirão.

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Outra tacada para engordar seus cofres é o acordo com a Fifa, de olho nos US$ 100 milhões que a entidade internacional “deve” ao Brasil por ocasião da realização da Copa do Mundo de 2014 no País. Esse dinheiro é destinado ao país-sede do Mundial para investir no desenvolvimento do futebol. Acontece que a Fifa reteve a entrega da grana por causa das denúncias de corrupção contra Marin, Del Nero e Teixeira.

A saída encontrada pela Fifa foi criar uma empresa sem fins lucrativos, com participação da própria entidade e mais a CBF, para receber e administrar os US$ 100 milhões a partir de janeiro de 2018. E, por fim, a CBF imagina ainda meter a mão na premiação a ser distribuída pela Fifa na Copa do Mundo da Rússia 2018. Claro, apostando no sucesso da Seleção Brasileira sob comando de Tite e ordens de Neymar.

As 32 seleções que disputarão o Mundial no ano que vem dividirão US$ 400 milhões (R$ 1,13 bilhão), um aumento de 12% na comparação com a edição da Copa de 2014 no Brasil, de acordo com anúncio oficial da Fifa após uma reunião de seu conselho em Calcutá, Índia, nesta sexta-feira (27/10).

No Brasil 2014, o valor da premiação foi de US$ 358 milhões, sendo US$ 35 milhões  para o campeão (Alemanha), US$ 25 milhões para o vice (Argentina), US$ 22 milhões para o terceiro (Holanda) e US$ 20 milhões para o quarto (Brasil).

Na edição de 2018, as seleções eliminadas na fase de grupos devem receber US$ 8 milhões. As equipes derrotadas nas oitavas de final levarão US$ 9 milhões.

A Fifa anunciou ainda que pagará, para os custos de preparação para a Copa 2018, US$ 1,5 milhão por nação. A entidade também confirmou a criação de uma fundação no primeiro trimestre de 2018, com o objetivo de desenvolver as atividades na área social.

Veja a nota da CBF com a venda dos direitos de transmissão dos jogos da Seleção Brasileira para a Globo:

“Globo, Globosat e CBF anunciam que o Grupo Globo adquiriu com exclusividade os direitos relativos à transmissão dos jogos da Seleção Brasileira em TV aberta, TV paga e PPV, pelo período de novembro de 2017 a dezembro de 2022.

O acordo  abrange todos os jogos das Eliminatórias, realizados no Brasil, para a Copa do Mundo da FIFA Qatar 2022, e os amistosos, em qualquer país,  também no período 2017/2022, incluindo as duas próximas partidas da Seleção, contra Japão e Inglaterra.

Os direitos para as plataformas digitais já tinham sido adquiridos em setembro pelo Grupo Globo.

O Grupo Globo reforça assim o seu compromisso com a Seleção Brasileira, com a qualidade das suas transmissões e o esforço diário de levar o melhor conteúdo, na melhor forma, para seu público e parceiros.

A CBF considera extremamente positiva a continuidade da parceria com o Grupo Globo para levar os jogos da seleção a toda a torcida brasileira”.

Uma mensagem para Lula

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POR URARIANO MOTA (*)

Milhares, milhões de mensagens vão chegar para o presidente Lula neste dia do seu aniversário (foi ontem). Tantas e justas mensagens.

Aqui do meu canto, sem ter mais o que dizer além de que o Brasil ama Lula, que os brasileiros o desejam como um irmão, como um guerreiro que não dá trégua, como um lutador sem descanso, nem mesmo paz. Incapaz de não me repetir, de não mencionar a sua obra de inclusão e de esperança que fez chegar aos fodidos de sempre, eu gostaria de ser um pouquinho só original. Mas não consigo. Então, por ausência absoluta de originalidade, recorto um trecho do que escrevi para o dia em que Lula foi ao bairro de Água Fria, no Recife, bairro central da minha infância. Num trechinho foi assim:

Súbito há um estouro, não de fogos nem de boiada. Há um rumor que cresce, que se torna incontrolável, que mais lembra um orgasmo coletivo, sofrido, querido e esperado. É Lula! É Lula! Todos gritam. Os berros se fazem ouvir mais alto, ensurdecedores. Mulheres, meninos, homens chamam a atenção do Presidente, querem chamá-lo, e ele não sabe para que lado se dirija. Na hora, uma ideia tenebrosa me ocorre: se caísse um raio aqui, neste exato instante, todos morreriam felizes. Mas essa ideia não atinge palavras. Lula vem para o nosso lado. É ele. A minha fotógrafa se esquece em absoluto de mim, o repórter, e avança para o círculo estreito onde todos lhe querem tocar a mão. Aos gritos. Aos prantos. Aos empurrões.

A última vez em que vi algo semelhante em Água Fria foi em 1965, no último dia de carnaval. Tocou Vassourinhas e não havia força que contivesse o gozo da multidão em fúria. Agora sem frevo, sem orquestra, desta vez a multidão delira como se estivesse diante de um astro pop. O presidente passa a ideia de um santo, porque tem poderes para ajudar os que padecem, e de fascínio, porque mostra como um homem do povo consegue ser importante. Por isso as mulheres gritam, “Lula, meu lindo!”, por isso os homens apertam-lhe a mão, com força e calor, por isso os meninos levantam a cabeça, todos os meninos pobres levantam a cabeça. Então eu percebo que os periféricos não se embriagam somente de álcool e frevo. De Lula também se embriaga a gente”.

Parabéns, eterno presidente do Brasil.

(*) Urariano Mota é jornalista escritor, natural do Recife. 

Cabra bom esse Urariano. Um dia ainda quero escrever assim. 

Tribuna do torcedor

POR JULIO MARTINS – julio.martins@markseng.com.br

“Pela primeira vez gostei do Papão. Jogasse sempre assim, não pela formação ainda, muito mais pela atitude, talvez estivesse melhor colocado, quiçá tentando o acesso. Vi, até que enfim o Marcão jogar: fazendo o pivô, segurando a bola, chutando de esquerda, dando passes pra gol! Penso que, ao lado do Bergson, considerado estrela do time, ele fica em segundo plano, além da estranha função que sempre lhe foi atribuída pelo técnico. Tem-se a impressão que o Marquinhos Santos não tem conseguido extrair o melhor de cada um. Vi o jogo passado, contra o Londrina, e a escalação do Lucas Taylor de LE foi um desastre. Ele não conhece da posição. Isso mostra que o treinador nunca o experimentou lá.

É importante observar, a partir daí, por que é que o Marcão foi muito bem na partida. Será realmente porque o Bergson lhe faz sombra? Mas como o Bergson é um jogador diferenciado entre os demais, e por isso lhe cabe um lugar no time, já dizia João Saldanha, tenho uma sugestão a dar ao Marquinhos: ele pode ser o camisa DEZ que o Payssandu tem procurado e até hoje não tem no time.

O Bergson domina bem a bola, sabe se desvencilhar das roubadas de bola, tem visão de jogo, atua numa faixa de campo, entre o próprio e a intermediária adversária, chuta de longa distância, o que importante ter no time. Enfim, pode ser o cara que deve abastecer os atacantes.

Vejo o Bergson fazendo o que o Carandina está incumbido, mas não consegue, falta-lhe talento, visão de jogo, além de um preparo físico deficiente. Se deu certo, pelo menos contra o Criciúma, o Marcão com mais um, porque não manter e tentar o Bergson como segundo jogador no meio de campo. Temos uma semana pela frente. Seria bom treinar primeiro, para não expor jogador ao ridículo, como no caso do Lucas Taylor na LE. Treino é pra isso”.