CBF se rende ao dinheiro da Globo e Fifa

POR LUIZ PRÓSPERI, no Chuteira F.C.

CBF está à caça de dinheiro. Dinheiro graúdo. Inevitável se render à TV Globo, sua parceira há décadas, e à Fifa, com quem perdeu privilégios após a prisão de José Maria Marin em 2015 e das investigações do FBI contra Marco Polo Del Nero e Ricardo Teixeira, cartolas enrolados com a Justiça e contas a prestar.

A primeira bocada da CBF foi em cima da Globo. Aliás, nem tão voraz assim. Depois de se iludir com um faturamento de R$ 400 milhões com a venda dos direitos de transmissão dos jogos da Seleção Brasileira de 2018 a 2022 sem a participação da emissora, a CBF baixou a bola e fechou acordo exclusivo com a Globo. Vendeu os direitos nos canais aberto e fechado e internet por um valor, ainda não revelado, bem inferior ao que imaginava faturar.

Do ponto de vista político, a CBF se deu bem com o poderoso canal de televisão que, nos últimos anos, havia se indisposto com os cartolas da entidade, os mandatários Marin, Del Nero e Teixeira.

Ao vender os direitos exclusivos de transmissão dos jogos da Seleção Brasileira para a Globo, a CBF espera uma trégua por parte da emissora.

A CBF sabe como ninguém que sem se aliar à Globo perderia dinheiro na venda dos jogos do Brasileirão e competições afins. Para se ter uma ideia mais clara dessa dependência, é a Globo quem paga a premiação aos clubes mais bem classificados no Brasileirão.

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Outra tacada para engordar seus cofres é o acordo com a Fifa, de olho nos US$ 100 milhões que a entidade internacional “deve” ao Brasil por ocasião da realização da Copa do Mundo de 2014 no País. Esse dinheiro é destinado ao país-sede do Mundial para investir no desenvolvimento do futebol. Acontece que a Fifa reteve a entrega da grana por causa das denúncias de corrupção contra Marin, Del Nero e Teixeira.

A saída encontrada pela Fifa foi criar uma empresa sem fins lucrativos, com participação da própria entidade e mais a CBF, para receber e administrar os US$ 100 milhões a partir de janeiro de 2018. E, por fim, a CBF imagina ainda meter a mão na premiação a ser distribuída pela Fifa na Copa do Mundo da Rússia 2018. Claro, apostando no sucesso da Seleção Brasileira sob comando de Tite e ordens de Neymar.

As 32 seleções que disputarão o Mundial no ano que vem dividirão US$ 400 milhões (R$ 1,13 bilhão), um aumento de 12% na comparação com a edição da Copa de 2014 no Brasil, de acordo com anúncio oficial da Fifa após uma reunião de seu conselho em Calcutá, Índia, nesta sexta-feira (27/10).

No Brasil 2014, o valor da premiação foi de US$ 358 milhões, sendo US$ 35 milhões  para o campeão (Alemanha), US$ 25 milhões para o vice (Argentina), US$ 22 milhões para o terceiro (Holanda) e US$ 20 milhões para o quarto (Brasil).

Na edição de 2018, as seleções eliminadas na fase de grupos devem receber US$ 8 milhões. As equipes derrotadas nas oitavas de final levarão US$ 9 milhões.

A Fifa anunciou ainda que pagará, para os custos de preparação para a Copa 2018, US$ 1,5 milhão por nação. A entidade também confirmou a criação de uma fundação no primeiro trimestre de 2018, com o objetivo de desenvolver as atividades na área social.

Veja a nota da CBF com a venda dos direitos de transmissão dos jogos da Seleção Brasileira para a Globo:

“Globo, Globosat e CBF anunciam que o Grupo Globo adquiriu com exclusividade os direitos relativos à transmissão dos jogos da Seleção Brasileira em TV aberta, TV paga e PPV, pelo período de novembro de 2017 a dezembro de 2022.

O acordo  abrange todos os jogos das Eliminatórias, realizados no Brasil, para a Copa do Mundo da FIFA Qatar 2022, e os amistosos, em qualquer país,  também no período 2017/2022, incluindo as duas próximas partidas da Seleção, contra Japão e Inglaterra.

Os direitos para as plataformas digitais já tinham sido adquiridos em setembro pelo Grupo Globo.

O Grupo Globo reforça assim o seu compromisso com a Seleção Brasileira, com a qualidade das suas transmissões e o esforço diário de levar o melhor conteúdo, na melhor forma, para seu público e parceiros.

A CBF considera extremamente positiva a continuidade da parceria com o Grupo Globo para levar os jogos da seleção a toda a torcida brasileira”.

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