Modelo confessional pode criar novos intolerantes religiosos

POR LUIS ANTONIO NAMURA POBLACION (*)

O Supremo Tribunal Federal entendeu que os alunos de escolas públicas podem ter ensino religioso ligado a uma confissão específica – uma decisão que representa um retrocesso e um atentado ao caráter laico do Estado proclamado em todas as Constituições republicanas. Essa laicidade significa que o Estado deve permanecer neutro frente às igrejas e aos cultos religiosos, de modo a garantir a ampla liberdade de credo de seus cidadãos. Estabelecer que uma confissão possa fazer proselitismo abrirá as portas para a intolerância que discrimina pessoas e professa outros credos ou confissões.

Pela tese vencedora no STF, as escolas devem adotar o modelo “confessional”, ou seja, a escola escolherá uma religião específica e deverá seguir sua perspectiva, princípios e valores. Os professores de ensino religioso serão representantes dessa confissão com liberdade para influenciar os alunos. É verdade que as aulas serão facultativas, não obrigatórias. Mas esse modelo trará problemas. Imaginemos que uma escola resolva adotar o ensino religioso de uma denominação neopentecostal, por exemplo. O que acontecerá com alunos católicos ou mesmo de outras denominações evangélicas? Na certa serão discriminados ou sofrerão bullying por parte dos colegas. O mesmo acontecerá se o catolicismo for a religião a ser ensinada. Pelo bem da democracia, ensino e fé não devem se misturar.

Durante as quatro sessões plenárias do STF, venceu a tese de que o ensino religioso não fere a laicidade do Estado e de que não se pode atuar contra as religiões na esfera pública. Mas é justamente a laicidade do Estado que garante a liberdade de escolha de cada cidadão e suas famílias. As escolas públicas falam para todos e não apenas para os filhos de católicos, espíritas ou protestantes. Seria impossível ao governo contratar professores de cada uma das 140 religiões catalogadas no Brasil. E o que dizer sobre os que não professam nenhuma religião?

O ideal, portanto, já que se quer falar de religião para os jovens, seria praticar o pluralismo religioso, mostrando a história, as doutrinas, práticas e dimensões sociais e éticas das diferentes crenças do país, assim como as do ateísmo e do agnosticismo. Assim, seria desenvolvido nos jovens o respeito e a tolerância por todos os tipos de religião, não discriminando ou excluindo nenhuma delas.

A fé é individual;  é um processo de escolha, não de imposição. Não cabe a ninguém querer nos dizer no quê deveremos crer ou não crer. E por favor, não venham impor crenças – sejam elas quais forem – aos nossos jovens. Vamos dar a eles conhecimento amplo, vamos ajudá-los a promover o livre debate de ideias e crenças. Dessa forma, estaremos promovendo algo comum a várias confissões religiosas – a ética e o respeito ao ser humano –, bem como a tolerância, valor maior de qualquer país que preze a democracia e os direitos humanos.

(*) Luis Antonio Namura Poblacion é Presidente do grupo Vitae Brasil (www.vitaebrasil.com.br); Engenheiro Eletrônico pelo ITA – Instituto Tecnológico de Aeronáutica, com especialização em Marketing e Administração de Empresas e MBA em Franchising pela Louisiana State University e Hamburguer University – Mc Donald´s. 

Idosos reclamam contra Celpa e bancos

Dona Benedita Nonato dos Santos foi pela primeira vez ao Juizado do Idoso, localizado no campus da Universidade Federal do Pará (UFPA), para solucionar a pendência de uma fatura de energia elétrica, em que foi registrado consumo muito além da média. Ao chegar ao prédio, dona Benedita foi recebida com um café da manhã ao som de Roberto Carlos. A acolhida, nesta terça-feira, 03, fez parte da programação em alusão ao Dia do Idoso, comemorado em 1º de outubro. A programação foi promovida pela Coordenadoria dos Juizados Especiais junto ao Comitê de Ação Social e Cidadania do Tribunal do Pará, além da 1ª e 2ª Varas do Juizado Especial Cível e Criminal do Idoso.

A programação contou com a presença da juíza titular da 2ª Vara do Juizado Especial Cível e Criminal do Idoso, Ana Selma da Silva Timóteo, que apontou as demandas que apresentam maior volume de atendimentos realizados pelo Juizado. “A maioria das demandas atendidas são relacionadas à concessionária de energia elétrica (Celpa), geralmente consumo não registrado. Outras são relacionadas a bancos, que realizam empréstimos não autorizados aos idosos e cobram taxas muito altas. Planos de saúde também representam grande parte de nossa demanda diária, e os idosos nos procuram em virtude do aumento da mensalidade por faixa etária”.

Quanto ao Juizado Especial Criminal, a magistrada apontou as causas familiares como mais numerosas. “Ameaças ao idoso, injúria e pedido de medidas protetivas são nossas maiores demandas”. Segundo a juíza, as duas Varas privativas dos idosos contabilizam aproximadamente 6 mil processos em trâmite e abrangem demandas relacionadas a idosos da Região Metropolitana de Belém, além de algumas do interior. São realizadas 13 audiências pela 1ª Vara, e 8 a 2ª Vara, diariamente. (Da Ascom/TJPA)

Comparações incômodas

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POR GERSON NOGUEIRA

Passou meio em brancas nuvens, pelo menos no Brasil, a sumária demissão de Carlo Ancelotti do comando do Bayern de Munique, um dos gigantes do futebol europeu. A gota d’água foi o baile a que o time alemão levou do PSG em jogo válido pela Liga dos Campeões. Neymar & cia. meteram 3 a 0 e não permitiram aos alemães nem o gostinho de um gol de honra.

O mais impressionante é que Ancelotti, no melhor estilo “joão teimoso”, manteve Franck Ribéry e Arjen Robben no banco de reservas até o segundo tempo, aparentemente subestimando o poderio do PSG. Um pecado de lesa-futebol, pois os dois atacantes continuam a ter lugar entre os melhores do planeta e nada justifica a barração em jogo tão importante.

A derrota e a exposição dos problemas no elenco decretaram a queda de Ancelotti, cujo histórico no futebol europeu incluía passagens exitosas pelas principais ligas. Mais do que o ocorrido em Paris, a comparação direta com Pep Guardiola talvez tenha sido o grande motivo do insucesso do italiano em Munique.

Não que Guardiola seja insubstituível. Acontece que o espanhol comandou uma verdadeira revolução no futebol do Bayern. Mudou o estilo de jogar, valorizando a posse de bola e a ocupação de espaços, mas foi bem além disso. Incutiu nos jogadores noções inteiramente novas sobre comprometimento e vínculo com uma camisa.

Guardiola transformou o grupo de atletas do Bayern num time afinado dentro e fora de campo, fez com que assimilassem outra mentalidade sobre o ofício, repetindo o que havia feito com total sucesso no Barcelona.

A chegada do conservador Ancelotti modificou por completo o ambiente no clube, gerando insatisfação quanto à carga de treinos, muito abaixo do que Guardiola ministrava. É válido observar que na Europa boleiros constituem uma categoria especial de trabalhadores. Não aceitam passivamente ordens de técnicos que não respeitam.

A situação chegou ao ponto de Robben comentar, ironicamente, que os treinos de seu filho de 9 anos nos infantis do Bayern eram mais puxados do que os do elenco profissional.

A amizade de Ancelotti com James Rodriguez, Vidal e Tiago Alcântara levou à formação de uma espécie de panelinha, execrada pelos demais jogadores, à frente Müller, Hummels e o próprio Robben.

Com o mau passo em Paris, a cama de Ancelotti estava feita e ele foi devidamente defenestrado, fazendo cair por terra a antiga lenda de que na Europa técnicos são mais preservados do que no Brasil. Depende, como diria o Zé Trindade.

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Queixas da torcida não poupam diretoria do Papão

Não é novidade que o torcedor anda insatisfeito com a trajetória do Papão na Série B. Além da baixa pontuação, a equipe não rende em campo, sendo quase sempre dominada pelos adversários sem demonstrar a mínima fibra ou capacidade de reação. Em comentário no blog campeão, José Marcos Lima de Araújo (Marcão) observa que a torcida não se voltou contra o time, mas não deixa de ver que “existe a prevalência de uma direção do clube que age, ou vem agindo, com extremo amadorismo na gestão do futebol e com esmero profissional na gestão administrativa do Papão”.

Reconhece os avanços no aspecto administrativo, a valorização da marca, a estabilidade das contas. Mas, segundo ele, no futebol é um deus-nos-acuda. E exemplifica: “Afastam um dos melhores atacantes da equipe porque não é lá essas coisas de ajuizado. O Leandro Carvalho era um de nossos melhores jogadores, mas não era muito obediente, preferia um barzinho em vez de ir à missa ou ao culto nas horas vagas. Ora, se fosse esse o critério nunca jogariam no Papão o Serginho Chulapa, o Afonsinho, o Paulo Cezar Caju e até o Garrincha, só pra citar alguns”.

Segundo ele, o amadorismo se traduz na teimosia de não aceitar as críticas da torcida. “A mesma diretoria que gera o crescimento do Paysandu deixa a desejar no futebol ao não contratar as peças necessárias. Não consegue repetir a velha fórmula da construção de equipes vitoriosas: manutenção das boas peças, completar com jogadores da base e jogadores que se destacaram em equipes locais e contratando poucos, mas comprovados, jogadores de qualidade como reforços. Devagar, ano a ano, se monta uma equipe vencedora. Mas, numa atitude amadora, segue empresários que querem empurrar seus bondes, seus cones, com o único objetivo de lucro”.

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Gourmetização domina os caminhos da Seleção

Para o jogo da Seleção Brasileira contra o Chile, no próximo dia 10, a CBF divulgou ontem os preços de cadeiras e camarotes no Allianz Parque. Os ingressos mais em conta (R$ 125,00) ficam nos setores superiores, distantes do gramado. Nas áreas intermediárias, o preço vai de R$ 175,00 a R$ 275,00. Para os mais abonados, o espaço Canarinho custa R$ 500 e o camarote sai por R$ 650,00.

A tabela mostra que nunca a Seleção custou tão caro aos torcedores brasileiros. A gourmetização do futebol chega aos píncaros da glória nessas Eliminatórias Sul-Americanas. E olha que o jogo é um simples amistoso para o Brasil, que há muito tempo já assegurou passaporte para a Rússia.

(Coluna publicada no Bola desta terça-feira, 03)