A descoberta de Garrincha

POR NELSON RODRIGUES

E eis que pela primeira vez, um “seu” Manuel é o personagem da semana. Com esse nome cordial e alegre de anedota ele tomou conta da cidade, do Brasil e, mais do que isso, da Europa. Creiam, amigos: o jogo Brasil x Rússia acabou nos três minutos iniciais . Insisto: nos três minutos já o seu Manuel, já o Garrincha, tinha derrotado a colossal Rússia, com a Sibéria e tudo o mais. E notem: bastava ao Brasil um empate. Mas o meu personagem não acredita em empate e disparou pelo campo adversário, como um tiro. Foi driblando um, driblando outro e consta, inclusive, que, na sua penetração fantástica, driblou até as barbas de Rasputin. Amigos, a desintegração da defesa russa começou exatamente na primeira vez em que Garrincha tocou na bola. Eu imagino o espanto imenso dos russos diante deste garoto de pernas tortas, que vinha subverter todas as concepções do futebol europeu.

Como marcar o imarcável? Na sua imaginação impotente, o adversário olhava Garrincha, as pernas tortas e concluía: “Isso não existe!”. E eu, como os russos, já me inclino a acreditar que de fato domingo Garrincha não existiu. Foi para o público internacional uma experiência inédita. Realmente, jamais se viu, num jogo de tamanha responsabilidade, um time, ou melhor, um jogador começar a partida com um baile. Repito: baile sim, sim, baile! E o que dramatiza o fato é que foi baile não contra um perna-de-pau, mas contra o time poderosíssimo da Rússia.

Só um Garrincha poderia fazer isso. Porque Garrincha não acredita em ninguém e só acredita em si mesmo. Se tivesse jogado contra a Inglaterra, ele não teria dado a menor pelota para a rainha Vitória, o Lord Nelson e a tradição naval do adversário. Absolutamente. Para ele, Pau Grande, que é a terra onde nasceu, vale mais que toda comunidade britânica. Com esse estado de alma, plantou-se na sua ponta para enfrentar os russos. Os outros brasileiros poderiam tremer. Ele não e jamais. Perante a platéia internacional, era quase um menino. Tinha essa humilhante sanidade mental do garoto que caça cambaxirra com espingarda de chumbo e que, em Pau Grande, na sua cordialidade indiscriminada, cumprimenta até cachorro.

Antes de começar o jogo, o seu marcador havia de olhá-lo e comentar para si mesmo, em russo: “Esse não dá para saída!”. E , com dois minutos e meio, tínhamos enfiado na Rússia duas bolas na trave e um gol. Aqui, e em toda a extensão do território nacional, começávamos a desconfiar que é bom, é gostoso ser brasileiro. Está claro que não estou subestimando o peito dos outros jogadores brasileiros. Deus me livre. Por exemplo, cada gol de Vavá era um hino nacional. Na defesa, Bellini chutava até a bola. E quando, no segundo tempo, Garrincha resolveu caprichar no baile, foi um carnaval sublime.

A coisa virou show de Grande Otelo. E tem razão um amigo, que, ouvindo o rádio, ao meu lado, sopra-me :”Isso que o Garrincha esta fazendo é pior que xingar a mãe!”. Calculo que, a essa altura, as cinzas do czar haviam de estar humilhadíssimas. O marcador do “seu Manuel” já não era um, eram três. E, então, começou a se ouvir, aqui no Brasil, na praça da Bandeira, a gargalhada cósmica tremenda do público sueco.

Cada vez que Garrincha passava por um, o público vinha abaixo. Mas não creiam que ele fizesse isso por mal. De modo algum. Garrincha estava ali com a mesma boa fé inefável com que, em Pau Grande, vai chumbando as cambaxirras, os pardais. Via nos russos a inocência dos passarinhos desterrados de Pau Grande. Calculo que, lá pelas tantas, os russos, na sua raiva obtusa e inofensiva, haviam de imaginar que o único meio de destruir Garrincha era caçá-lo a puladas.

De fato, domingo, só a pauladas e talvez nem isso, amigos, talvez nem assim.

Alckmin sobre Temer: “Acho bom para o Brasil”

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O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), saiu, nesta terça-feira (24), em defesa do presidente Michel Temer. Para o tucano, o peemedebista, rejeitado por mais de 90% da população, é “bom para o Brasil”. “Espero que o presidente continue, porque estamos a menos de um ano do processo eleitoral. Precisamos ter cuidado para não fragilizar a economia que dá os primeiros passos de recuperação. Acredito que ele vai continuar e acho bom para o Brasil”, disse em coletiva de imprensa após participar do evento Plataforma Biofuturo, na capital paulista.

Além da rejeição recorde, Temer é acusado pela procuradoria-geral da República de obstrução da Justiça e organização criminosa, denúncia que ainda será avaliada pela Câmara e que pode afastar o presidente para que o Supremo Tribunal Federal (STF) o julgue. A sua primeira denúncia, por corrupção passiva, foi rejeitada pela Câmara em agosto.

Globo anuncia dança de cadeiras na cúpula do jornalismo

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A semana começou com o diretor-geral da Infoglobo e da Editora Globo, Frederic Kachar, anunciando grandes mudanças na estrutura da empresa. Entre as novidades está a saída do jornalista Ascânio Seleme do posto de diretor de redação de O Globo. Ele deixa o cargo depois de sete anos. Então diretor-adjunto, assumiu como número 1 do impresso em agosto de 2011, após a morte de Rodolfo Fernandes.

No comunicado interno, Frederic Kachar informa que a relação de Ascânio Seleme com o jornal O Globo não chegará ao fim. O executivo garante que o profissional deixa a direção de redação em novembro para depois atuar – em formato de colaborador – como colunista da publicação. Ele não será o primeiro a fazer esse caminho. No começo nos anos 2000, o então diretor de jornalismo do veículo, Merval Pereira, deixou o cargo de chefia para se tornar colunista.

Prestes a chegar ao fim, a gestão do comunicador n’O Globo foi elogiada pelo diretor-geral da empresa. “À frente do jornal, Ascânio sempre prezou pela excelência editorial, atuando com uma equipe de jornalistas e colunistas renomados, coberturas amplas e analíticas e furos de reportagem históricos, características que garantiram o posicionamento do Globo como um dos principais veículos de comunicação do país”, comenta Kachar.

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Ascânio Seleme: de diretor a colunista (Imagem: Divulgação/Agência O Globo)

Com Ascânio Seleme fora direção, a redação de O Globo passará a ser conduzida por Alan Gripp. Editor de integração de O Globo – aparecendo no expediente do jornal como coordenador do time de editores executivos -, terá a responsabilidades de “consolidar o avanço do negócio na atuação multiplataforma, potencializando o desenvolvimento de narrativas e abordagens adequadas às necessidades dos consumidores”, conforme registra Kachar. A troca de comando será oficialmente feita no início de dezembro.

A promoção de Gripp movimentará mais uma pessoa da redação do jornal. A editoria de integração passará a ser conduzida por Maria Fernanda Delmas, hoje editora-executiva. No novo cargo, ela assumirá o desafio de “garantir o melhor funcionamento da redação integrada”. Kachar adianta que ela terá de alinhar “as práticas e os processos aos objetivos do negócio” relacionado à operação do veículo de comunicação.

O antigo diretor
Catarinense de Canoinhas, Ascânio Seleme começou a carreira no jornalismo aos 16 anos, colaborando com o Correio do Norte, publicação de sua cidade natal. Ainda em Santa Catarina e já formado em comunicação social, trabalhou no Jornal de Santa Catarina e na TV Cultura. No Rio de Janeiro, passou por TV Globo, TV Manchete, IstoÉ e Gazeta Mercantil. Em 1988, chegou ao Globo. No jornal, de onde saiu em 2000 para voltar em 2001, foi repórter, editor, correspondente em Paris e editor executivo. Na carreira, conquistou três prêmios Esso e outros reconhecimentos nacionais.

O novo diretor
Formado pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e com especialização em políticas públicas Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), Alan Gripp é natural de Niterói (RJ) e começou a carreira no local O Fluminense e chegou à reportagem de O Globo em 2000, onde ganhou prêmios – inclusive dois Esso e um Rei da Espanha. Em 2007, trocou o veículo carioca pela Folha de S. Paulo. Voltou a’O Globo em 2014 como editor de política. (Do Comunique-se) 

Venda de ingressos começa hoje

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Os ingressos para o jogo Paissandu x Criciúma, pela 32ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro, começam a ser vendidos nesta terça-feira (24). O jogo será na sexta-feira (27), às 20h30 (horário de Belém), no estádio da Curuzu. Confira o cronograma de comercialização de bilhetes:

ESTÁDIO DA CURUZU

Quinta-feira (26): 8h às 18h

Sexta-feira (27): 8h às 20h – bilheteria da travessa Chaco com a Almirante Barroso

Sexta-feira (27): 16h às 20h – bilheteria da travessa Curuzu com a Almirante Barroso

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SEDE SOCIAL

Terça-feira (24): 14h às 19h (Loja Lobo)

Quarta-feira (25): 9h às 19h (Loja Lobo)

Quinta-feira (26): 9h às 19h (Loja Lobo)

Sexta-feira (27): 9h às 16h (Secretaria)

Sexta-feira (27): 16h às 19h (Loja Lobo)

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LOJA LOBO (Boulevard Shopping)

Terça-feira (24): 14h às 22h

Quarta-feira (25): 10h às 22h

Quinta-feira (26): 10h às 22h

Sexta-feira (27): 10h às 19h

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LOJA LOBO (Shopping Bosque Grão Pará)

Terça-feira (24): 14h às 22h

Quarta-feira (25): 10h às 22h

Quinta-feira (26): 10h às 21h

Sexta-feira (27): 10h às 19h

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LOJA ESPORTE FORTE (IT Center)

Terça-feira (24): 14h às 21h

Quarta-feira (25): 9h às 21h

Quinta-feira (26): 9h às 21h

Sexta-feira (27): 9h às 18h

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LOJA RExPA (Cidade Nova 4 – SN3 – N° 41 – Entre WE 17 e WE 18 – próximo ao Supermercado Formosa).

Terça-feira (24): 9h às 13h e das 15h às 19h

Quarta-feira (25): 9h às 13h e das 15h às 19h

Quinta-feira (26): 9h às 13h e das 15h às 19h

Sexta-feira (27): 9h às 13h e das 15h às 19h

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LOJA TERRANEW YAMAHA (Av. Pedro Álvares Cabral, 887 – Umarizal)

Terça-feira (24): 14h às 18h

Quarta-feira (25): 8h às 18h

Quinta-feira (26): 8h às 18h

Sexta-feira (27): 8h às 18h

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VALOR DOS INGRESSOS

Arquibancada – R$ 20,00; cadeira – R$ 40,00

MEIA ENTRADA – Serão disponibilizadas 400 entradas de arquibancada para estudantes, em sistema de cadastro no site oficial do clube, nesta quarta-feira (25), às 18h. A retirada do ingresso será nesta quinta-feira (26), na secretaria da sede social (av. Nazaré, 404), das 14h às 18h.

VALOR: arquibancada – R$ 10,00

SÓCIOS PROPRIETÁRIOS – Serão disponibilizados 100 ingressos para arquibancada e outros 100 ingressos para cadeira aos sócios proprietários do clube, com a venda sendo realizada na sede social.

VALOR: arquibancada – R$ 10,00; cadeira – R$ 20,00.

LOCATÁRIOS DE CAMAROTE NA CURUZU – A distribuição dos acessos (pulseiras) aos locatários dos camarotes da Curuzu será realizada no dia da partida, na entrada de acesso ao local.

PATROCINADORES E COLABORADORES – A distribuição dos ingressos para colaboradores e patrocinadores será realizada na sede social e na secretaria do estádio da Curuzu.

IDOSOS – Serão disponibilizados 251 ingressos exclusivos para idosos, sob a responsabilidade da entrega do Conselho Municipal do Idoso, na Casa da Saúde do Idoso, localizada na avenida Governador José Malcher, 333, entre Benjamin Constant e Dr. Moraes.

PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS – Os 108 ingressos disponibilizados para os deficientes físicos serão entregues e distribuídos sob a responsabilidade da Associação Paraense das Pessoas com Deficiência, a APPD, localizado na passagem Alberto Engelhard (antiga Vila Teta), esquina com 25 de Março, no bairro de S. Brás.

RESUMO DE ESPAÇOS

8.630 – Ingressos para venda

1.370 – Gratuidades

3.000 – Espaço reservado ao Sócio Bicolor

13.000 – Carga de espaço disponibilizada para o evento

(Com informações da Ascom-PSC) 

Sem votos de Tite e Messi, Neymar só é o melhor na “periferia da bola”

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Neymar mais uma vez foi eleito o terceiro melhor do mundo, atrás de Cristiano Ronaldo e Lionel Messi. Mas já há quem o vejo acima do português e do argentino. O problema para ele é que essa parcela segue limitada à ‘periferia da bola’.

Neymar ganhou 15 votos como melhor jogador do mundo, o que corresponde a 6,97% da votação total e empata a marca que já havia conseguido na eleição de 2015. Só que, de novo, esses votos vieram todos de países sem tanta tradição no esporte.

Desta vez, o brasileiro foi colocado em primeiro por seis capitães (Andorra, Brasil, Equador, Hungria St. Lucia e Tanzânia), seis treinadores (Argélia, Ilhas Virgens Britânicas, Camboja, Jamaica, Madagascar e Ilhas Maurício) e três jornalistas (Djibouti, Eritreia e Ilhas Salomão).

Chama a atenção que Neymar não foi eleito o melhor do mundo nem por Tite e nem por Paulo Vinícius Coelho, o técnico e o jornalista brasileiro, respectivamente. Tite o colocou como segundo melhor, atrás de Ronaldo. PVC nem o citou em sua lista, com Marcelo, em 3º, compondo o trio com o português e o argentino.

Neymar mais uma vez foi eleito o terceiro melhor do mundo, atrás de Cristiano Ronaldo e Lionel Messi. Mas já há quem o vejo acima do português e do argentino. O problema para ele é que essa parcela segue limitada à ‘periferia da bola’.

Desta vez, o brasileiro foi colocado em primeiro por seis capitães (Andorra, Brasil, Equador, Hungria St. Lucia e Tanzânia), seis treinadores (Argélia, Ilhas Virgens Britânicas, Camboja, Jamaica, Madagascar e Ilhas Maurício) e três jornalistas (Djibouti, Eritreia e Ilhas Salomão).

Chama a atenção que Neymar não foi eleito o melhor do mundo nem por Tite e nem por Paulo Vinícius Coelho, o técnico e o jornalista brasileiro, respectivamente. Tite o colocou como segundo melhor, atrás de Ronaldo. PVC nem o citou em sua lista, com Marcelo, em 3º, compondo o trio com o português e o argentino.

Amigo de Neymar, Messi também não votou nele como melhor, apesar de ter adotado o ‘corporativismo’ de só votar em jogadores do Barcelona. O deixou em terceiro, atrás de Luis Suárez e Andrés Iniesta. No total, o atacante brasileiro foi lembrado em 138 votos: 15 como melhor do mundo, 50 como segundo e 73 como terceiro.

Vale lembrar como a eleição funciona: os capitães, os técnicos e os jornalistas (um por país, mas não de todos) votam nos três melhores do mundo. O voto em primeiro vale 5 pontos, em segundo, 3, e em terceiro, 1. (Da ESPN) 

Goleiro confiante para duas partidas seguidas na Curuzu

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Depois da partida contra o Londrina, o Paissandu retomou atividades na tarde de ontem (23) na Curuzu. O time concentra atenções nos dois jogos dentro de casa, contra o Criciúma-SC, programado para sexta-feira (27), pela 32ª rodada da Série B do Brasileiro, e contra o Vila Nova-GO na próxima semana, também na Curuzu.

O goleiro Marcão, que substitui Emerson (suspenso), será a primeira decisão diante da torcida. “Não tem cochilo, não tem vacilo, não tem erro, não tem nada, até porque esse jogo contra o Criciúma é uma final para a gente. São os dois jogos do ano para o Paissandu”, afirmou, confiante em boa atuação nesse retorno ao time titular.

Marcão entende que o jogo contra a equipe catarinense pode garantir mais tranquilidade nesta reta final de campeonato. “É um jogo que a gente está encarando como uma final de campeonato. Temos dois jogos em casa e esse primeiro é fundamental para nos dar mais tranquilidade”, explicou o goleiro.

Papão e Criciúma-SC jogam nesta sexta-feira (27), às 20h30 (horário de Belém), na Curuzu. (Com informações e fotos da Ascom-PSC)

Botafogo denuncia contrato assinado por ex-presidente com a Odebrecht

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O Botafogo informou nesta terça-feira que reportou uma notícia de crime perante a 5ª Delegacia de Polícia do Rio de Janeiro contra Maurício Assumpção, ex-presidente do clube, e mais quatro pessoas por conta de contratos assinados na gestão do antigo mandatário à frente do clube alvinegro.

Os vínculos em questão são dois contratos de mútuo assinados pelo por Assumpção com a empreiteira Odebrecht, investigada na Operação Lava Jato da Polícia Federal, em 2013 e 2014, no valor total histórico de R$ 20 milhões. De acordo com a equipe, eles foram feitos “em condições suspeitas e com graves prejuízos ao clube”.

Além de Assumpção, que já foi expulso do quadro de associados, o Botafogo também reportou o ex-CEO do time, Sérgio Landau, o diretor-presidente da Odebrecht, Benedito Barbosa da Silva Jr., o diretor da construtora, Leandro Andrade Azevedo, e o presidente do Complexo Maracanã Entretenimento S.A., João Borba Filho.

“Existem fortes indícios que o Botafogo de Futebol e Regatas, por intermédio dos referidos contratos de mútuo, tenha sido vítima de atividades suspeitas, as quais merecem apuração da autoridade competente que, diante da consistência do que lhe foi apresentado, já determinou a abertura do inquérito policial e a providência para a oitiva dos envolvidos”, explicou o time de General Severiano, em nota oficial.

“A atual direção do Botafogo de Futebol e Regatas tem a obrigação e o dever de zelar pelo respeito e pela preservação do patrimônio do clube”, completou.

NOTA OFICIAL DO BOTAFOGO

O Botafogo de Futebol e Regatas, em virtude de apurações internas para verificar a regularidade, a legalidade e a ética de atos realizados pela gestão anterior do clube, vem informar que apresentou uma notícia de crime perante a 5ª Delegacia de Polícia, contra Maurício Assumpção Souza Junior, Sérgio Landau, Benedito Barbosa da Silva Junior (Diretor Presidente da Odebrecht), Leandro Andrade Azevedo (Diretor da Odebrecht) e  João Borba Filho (Presidente do Complexo Maracanã Entretenimento S.A.).

O pedido de instauração de inquérito policial para averiguação dos fatos decorre de 2 contratos de mútuo assinados pelo ex presidente do Botafogo, Sr. Maurício Assumpção Souza Junior com a Odebrecht, em 2013 e 2014, no valor total histórico de R$ 20.000.000,00, em condições suspeitas e com graves prejuízos ao Clube.

A notícia de crime subscrita pelo advogado contratado pelo Botafogo, Dr. Walmer Jorge Machado, relatou à autoridade policial o seguinte: “na verdade, Dr. Delegado, a cronologia dos fatos sugere uma possível manobra da Odebrecht para  justificar a interdição do Estádio Nilton Santos, pois, segundo a matéria veiculada na Folha de São Paulo dia 02.02.2016, a Racional Engenharia, responsável por projetar e realizar a maior parte da obra do Estádio Nilton Santos, teria feito um minucioso estudo técnico afirmando que o estádio não deveria ter sido fechado. Válido lembrar que a interdição do Nilton Santos foi baseada em parecer técnico da Odebrecht, sendo dificílimo não imaginar que a finalidade consistiu em beneficiar o Complexo Maracanã Entretenimento S.A., empresa integrante do Consórcio formado pela Odebrecht para administrar e operar o Estádio Maracanã.”

Existem fortes indícios que o Botafogo de Futebol e Regatas, por intermédio dos referidos contratos de mútuo, tenha sido vítima de atividades suspeitas, as quais merecem apuração da autoridade competente que, diante da consistência do que lhe foi apresentado, já determinou a abertura do inquérito policial e a providência para a oitiva dos envolvidos.

A atual direção do Botafogo de Futebol e Regatas tem a obrigação e o dever de zelar pelo respeito e pela preservação do patrimônio do clube.

Botafogo de Futebol e Regatas 

Carlos Eduardo Pereira – Presidente
Domingos Fleury da Rocha – Vice-presidente Jurídico

(Da ESPN)

Histórias do mundo da bola

Copa de 1974, na Alemanha.

O dia em que o Brasil de Zagallo encarou (e perdeu) a lendária Holanda de Cruyff. Sem conseguir encontrar seu melhor jogo, a Seleção equilibrou o primeiro tempo (0 a 0), desperdiçou duas boas chances e acabou superada pela velocidade do Carrossel Holandês na etapa final – ainda sofreu um gol em impedimento, sem ter forças para reagir.

Golpe no Brasil foi construído com apoio dos EUA, diz Julian Assange

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Segundo Julian Assange, fundador do site Wikileaks, há alguns indícios da participação do governo dos Estados Unidos no que chamou de “golpe constitucional” ou “golpe político” contra a ex-presidenta Dilma Rousseff, em agosto de 2016. Para ele, “a situação atual está sendo construída há muito tempo”.

Em entrevista ao jornalista e escritor Fernando Morais, para o blog Nocaute, o ciberativista australiano revelou que as espionagens feitas pelos órgãos do governo dos EUA, como a NSA (Agência Nacional de Segurança), a membros do governo brasileiro, como a própria presidenta, envolviam interesses políticos, econômicos e financeiros do país norte-americano.

“Cinquenta por cento do orçamento da NSA é destinado a entender qual o rumo que um país, gabinete ou presidente está tomando política e financeiramente, para que os EUA possam reagir e conduzi-lo a um caminho específico, incluindo na lista de alvos as importantes companhias energéticas”, declarou Assange.

A interceptação de conversas telefônicas se soma às informações fornecidas por políticos brasileiros, incluindo o atual presidente, Michel Temer, à embaixada dos Estados Unidos sobre a situação política do Brasil.

A Wikileaks publicou documentos que revelam que, em 2006, Temer foi pessoalmente à embaixada dos EUA fornecer informações e opiniões sobre o Brasil. “Isso mostra um grau de conforto com a embaixada americana que é um pouco preocupante. O que ele terá como retorno? Ele está claramente dando informações internas à embaixada dos EUA por alguma razão, provavelmente para pedir algum favor aos EUA, talvez receber informações em troca”, opinou Assange.

Ele revelou também que a embaixada estadunidense consultou políticos de diversos partidos, do gabinete de Temer e até mesmo do próprio PT, partido da então presidenta Dilma e do ex-presidente Lula.

Os recursos petrolíferos brasileiros sempre estiveram na mira das grandes companhias estadunidenses. Documentos publicados pela Wikileaks descrevem contatos entre políticos brasileiros e representantes norte-americanos do setor a respeito da entrega das então recém-descobertas reservas do pré-sal, que teriam a Petrobras como principal beneficiária em detrimento das empresas estrangeiras. Os políticos defendiam a não exclusividade da Petrobras nos ganhos com a exploração do petróleo, favorecendo o acesso de empresas como a Chevron e a ExxonMobil.

“Considerando a intenção do Departamento de Estado dos EUA em maximizar os interesses da Chevron e da ExxonMobil, [o Brasil] está provendo aos Estados Unidos inteligência política interna sobre o que se passa politicamente no país e com essa informação pode fazer manobras pelo interesse das grandes companhias americanas de petróleo que não está necessariamente alinhado com os interesses do Brasil”, afirmou o ciberativista.

A garantia de 30% da exploração do pré-sal nas mãos da Petrobras – lei aprovada em 2010, cujo atual governo está tentando acabar – não favoreceria as multinacionais norte-americanas, mas sim competidores, como a estatal China Oil ou a russa Gazprom, que poderiam “aportar mais recursos ao Brasil”, de acordo com Assange. “Essa questão da Petrobras é realmente uma questão sobre que tipo de estado o Brasil quer ser. Um estado forte ou um estado muito fraco com grandes empresas estrangeiras e multinacionais tomando conta dos seus recursos naturais?”, questionou.

Ainda segundo ele, a Petrobras é considerada um aliado do PT pelos opositores, o que faz com que queiram reduzir o poder da empresa, favorecendo as companhias estadunidenses. “Portanto, uma maneira de trocar favores com os Estados Unidos é facilitar para a Chevron e a ExxonMobil o acesso a partes do petróleo.”

Todo esse processo poderia ficar ainda mais claro ao se observar que a Exxon foi o segundo maior frequentador da Casa Branca durante todo o mandato de Barack Obama, visitando-o, em média, uma vez por semana, segundo Assange. Seu CEO, Rex Tillerson, foi nomeado o novo secretário de Estado por Donald Trump. Além disso, quando era secretária de Estado, a ex-candidata à presidência Hillary Clinton teve como uma de suas principais funções “pressionar a favor dos interesses das empresas de petróleo”.

“O que podemos ver nas mensagens [vazadas pela Wikileaks] é que o Departamento de Estado está constantemente focado em tentar conseguir bons acordos e tentar manipular em nome da Chevron e da Exxon”, destacou o ativista digital.

Para poder implementar com sucesso esses planos, foram fundamentais as campanhas nos meios de comunicação utilizando “robôs” nas redes sociais que difundiram massivamente boatos e convocaram a população para ir às ruas a favor do impeachment. Assange acredita que isso foi financiado por capital estadunidense.

“Essas coisas não acontecem na América Latina sem apoio dos EUA, financeira e logisticamente, por meio de Inteligência”, disse.

“O Brasil é um país que atrai muito interesse. Se você olhar para a quantidade de espionagem em diferentes países da América Latina, é o país mais espionado pelos EUA”, revelou. Explicou ainda que o motivo é simplesmente o Brasil ser “mais importante economicamente”.

Acusado de explorar empregados, dono da Riachuelo denuncia ‘plano comunista’

POR MATHEUS PICHONELLI – The Intercept_Brasil

Um espectro ronda o Brasil: o espectro do anticomunismo. Em artigo publicado no domingo, na Folha de S.Pauloo presidente da Riachuelo, Flavio Rocha, denuncia um “sibilino e ardiloso” plano das frentes comunistas para dominar corações e mentes no país. A revolução subliminar estaria demonstrada até mesmo nas exposições que “promoveram o contato de crianças com quadros eróticos e a exibição de um corpo nu, tudo inadequado para a faixa etária”.O texto é um convite a uma realidade paralela pré-Queda do Muro de Berlim.

Tamanho delírio leva qualquer leitor minimamente atento a uma pergunta básica. O autor realmente acredita nisso? A resposta positiva é só a melhor das possibilidades. No Brasil, só 11% da população frequentou exposições de arte em 2016, segundo  pesquisa divulgada pela Fecomércio-RJ. Dos 44% que não tiveram NENHUM contato com programas culturais, 80% têm na TV a atividade mais procurada. Pouco importa. Na cabeça da versão tupiniquim do Comando de Caça aos Comunistas, as instituições culturais são hoje instrumentos de doutrinação das massas com o objetivo de atacar trincheiras como “o Judiciário, as Forças Armadas, partidos ditos conservadores, aparelho policial, Igreja e, por último mas não menos importante, a família”.

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Delírios como este sempre foram lidos com frequência em comentários de portais. De um tempo para cá, é como se Olavo de Carvalho tivesse se multiplicado em postos-chave das colunas de opinião, chamadas de capa dos jornais, fábrica de memes e alertas histéricos em fan pages de gosto duvidoso. O descolamento da realidade seria cômico, não fosse trágico, à medida que abandona a gritaria das redes e ganha eco na voz de representantes empresariais .

COMO CHEGAMOS ATÉ AQUI?

Até pouco tempo, mas bem pouco tempo mesmo, grupos conservadores se organizavam em torno da bandeira anticorrupção para tirar da frente os entraves, políticos e econômicos, que impediam o avanço de suas pautas.

Como defender menos controle do Estado (ou das leis) sobre a atividade econômica e social não dava voto, era preciso demonizar a atividade política e escancarar o aparelhamento de órgãos estatais para ousar defender em voz alta programas de privatização e afrouxamento de normas em vigor, das relações trabalhistas às áreas de proteção ambiental.

Mas, uma vez liberado o caminho e abraçado o programa de reformas (ou desmonte?) do governo da salvação nacional, o discurso em defesa da moralidade se tornou a primeira vítima da própria contradição – seja em razão da ficha corrida dos novos ocupantes do Planalto, seja pela impopularidade das medidas encomendadas aos novos gestores. Resultado: em cerca de um ano, o presidente eleito pelo mercado para colocar em movimento o trator das reformas tem hoje menos popularidade do que o mosquito da dengue.

O fiasco do governo Temer deixou sem roupa quem pedia mudanças de comportamento ético em público e, no privado, fingia ignorar os vícios da velhíssima política – além das queixas, à boca pequena, do custo elevado da mão de obra, do excesso de direitos sociais, das políticas distributivas, das ações afirmativas e da petulância dos filhos da empregada que queriam, veja só, estudar na USP. Visto hoje, o filme “Que Horas Ela Volta?”, de Anna Muylaert, parece antes o epílogo de um país interrompido do que o prenúncio de uma nação possível.

Em seu artigo, Flávio Rocha replica o perigo do discurso politicamente correto e da ideologia de gênero nas escolas – como se algum professor ensinasse mudanças de sexo nas aulas de geometria – e diz não ter nada contra transsexuais, até emprega alguns. Admite, assim, que minorias podem até servir como força de trabalho, mas não venham com conversa de empoderamento – o que a elite econômica não quer é concorrência.

Enquanto vende seu macartismo em artigo de jornal, o dono da Riachuelo lança uma ofensiva contra o Ministério Público do Trabalho que há anos promove inspeções nas fábricas da empresa no Rio Grande do Norte e denuncia violações trabalhistas. Trabalhadores do grupo disseram à Repórter Brasil que ganham valores inferiores ao mínimo, fazem turnos recorrentes das 7 às 22 horas e não recebem horas extras, além de enfrentarem uma pressão excessiva pelo cumprimento de metas.

Se ouvisse a própria voz, Rocha entenderia melhor o conceito marxista de estrutura e superestrutura que tanto deplora e confirma. O executivo desfila do mesmo lado dos grupos que, cobrados pelo apoio a políticos que nem promoveram a salvação nacional nem criaram perspectivas à classe trabalhadora, hoje assustada pelo índice de desemprego e com o esgarçamento das políticas sociais, agora apontam os dedos para espantalhos instalados na chamada guerra cultural.

Se é feio dizer, em público, que é melhor ser escravizado do que não ter onde trabalhar, é mais fácil acusar uma vertente do pensamento esquerdista (ou comunista ou politicamente correto) a quem ousa apontar o absurdo das propostas. Não é a única.

Se você é contra ração humana na merenda, você é comunista. Se você flagrou jatos de água em moradores de rua e denunciou, você é de extrema esquerda. Se confessou em voz alta que um dia, ainda que em décadas passadas, apertou 13 na urna e confirmou, esquece: vai levar a vida toda o selo de petralha sem direito a réplica. E a culpa é sua, que não votou no Aécio, aquele que prometia matar o primo antes de ser delatado.

Curioso que quem acusa essa força “ardilosa” de querer dominar corações e mentes nas trincheiras de valores burgueses seja exatamente quem tenta a todo custo tomar espaços na sala de aula e dizer o que deve ser ensinado, como o Movimento Escola sem Partido; ou quem agora ocupa veículos de comunicação para fazer proselitismo político, religioso ou promover aquilo que aprenderam em institutos (muito bem financiados) de vertentes de um só pensamento; ou quem se espalha pelas redes, com sites de fachada e robôs militantes, para dizer o que é arte ou não, jornalismo ou não, humor ou não, como o MBL – entusiasta declarado, aliás, das pretensões políticas do dono da Riachuelo.

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No Brasil de 2017, a contestação do caminho único entre o subemprego ou a miséria ganhou outro nome. Segundo o presidente da Riachuelo, o real perigo contra a nação é “um plano urdido nas esferas mais sofisticadas do esquerdismo” com tópicos da mesma cartilha que visa a hegemonia cultural como meio de chegar ao comunismo.

Vale lembrar, essa mesma esquerda prestes a completar sua hegemonia saiu esmagada da última eleição municipal. Em outros tempos, tanto o acordão desenhado em Brasília, com Supremo, com tudo, como as campanhas que contradizem o próprio discurso em defesa da gestão e da antipolítica gerariam um caldo de revolta popular com consequências graves, nas urnas e nas ruas, aos responsáveis.

A criação de fantasmas imaginários, como a suposta perversão da obra de arte, chega em boa hora como um grito estratégico para desviar as atenções. Incapazes de elaborar projetos e perspectivas, os grupos agora organizados em discursos ensaiados em (surpresa!) cartilhas decoradas prometem abrigo em defesa das famílias, como se elas corressem mais riscos de serem solapadas por uma tal ideologia de gênero nas escolas do que pela miséria e todas as portas da destruição abertas por quem se beneficia de tal desigualdade. Mas não ouse pensar isso em voz alta. O perigo pode ser você.

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