
Dupla do barulho



POR LUIS NASSIF, no Jornal GGN
Dizem os penalistas que a prova testemunhal é a prostituta de todas as provas. Sem outras provas, corroborando o testemunho, não é considerada em nenhum processo sério. No entanto, está na base das denúncias movidas contra Lula e Dilma pela Lava Jato.
Pode haver algum exagero na expressão, e um preconceito condenável em relação às prostitutas, mas é didático como juiz e procuradores da Lava Jato se valem das “prostitutas” das provas.
PEÇA 1 – A TEORIA DO CHOQUE E AS TORTURAS
Ewen Cameron e Donald Hebb foram dois psicólogos que desenvolveram métodos de lavagem cerebral através de eletrochoques. Os estudos foram financiados pela CIA e incorporados nos seus métodos de interrogatório.
A Lava Jato não se vale de tortura física, mas o processo de convencimento do réu é idêntico em ambos os casos. A conclusão principal dos dois psicólogos era a de que “a privação de estímulos (através da tortura) induz à regressão, despojando a mente do indivíduo do contato com o mundo exterior e forçando à regressão”.
Quando o prisioneiro mergulha em um estado de “choque psicológico”, ou “vivacidade interrompida”, é sinal de que está mais aberto a sugestões, mais disposto a ceder.
Em situações mais brandas, mas nem por isso menos drásticas, mantem-se o réu detido, sem contato com o mundo exterior, com família, sem acesso a notícias, até que entre no estado da “vivacidade interrompida”. Aqui (https://goo.gl/vZpWOU) você tem uma explicação mais detalhada do método e das formas de utilização.
É evidente que a Lava Jato recorre a métodos de tortura psicológica para arrancar delações. As estatísticas com as quais se defende – a de que a maioria das delações foi firmada com delatores em liberdade – é primária.
Coloque dez prisioneiros em uma cela. Torture um deles. E passe aos nove restantes o exemplo do que poderá ocorrer com eles, se não aceitarem os termos propostos. Ao contrário, exiba as benesses que esperam os delatores, como Alberto Yousseff que terá até comissão sobre recursos que ajudar a recuperar.
A intenção última não é punir a corrupção, mas destruir o sistema político em que se funda o inimigo, o PT. As empreiteiras não estão sendo destruídas por serem corruptas, mas por se aliarem a esse modelo. As delações principais foram obtidas sob tortura psicológica, de longos períodos de prisão temporária, até atingir o estado da “vivacidade interrompida”.
PEÇA 2 – A ESTRATÉGIA DA DELAÇÃO
Para passar no teste da delação, os réus precisam da benevolência tanto dos procuradores quanto do juiz Sérgio Moro. Quem chia, não leva. Não tem tribunal superior, não tem STF (Supremo Tribunal Federal) que resolva. Todas as condições dependem exclusivamente de procuradores e juiz que tem lado e o objetivo maior de pegar Lula e Dilma.
Em uma Justiça séria, os tribunais consagrariam a seguinte ementa: “se não estiverem presentes os requisitos da prisão preventiva ou temporária, a delação premiada, como medida excepcional e por si questionável sob o prisma da dignidade humana, não tem valor algum para o processo penal.”

O roteiro é sem-graça, de tão identificável:
1. Identificam-se pessoas com as quais Lula ou Dilma tiveram qualquer contato.
2. Coloca-se como condição para a aceitação da delação declarações que comprometam um ou outro em algum crime. Basta ao réu dizer que Lula sabia isso, Dilma aquilo, que o Lula falou A e Dilma falou B.
3. Coloca-se o acusado na situação chamada “prova negativa”, ou seja, a prova de um fato negativo. É uma prova tão impossível de produzir, que o direito canônico a batizou de “prova diabólica”, pois só o diabo poderia produzir.
4. Comprovando que até o diabo brasileiro é primário, parte dos delatados dirá que não tem como apresentar provas porque Lula os orientou a destruir as provas. E a falta de provas passa a ser a prova dos crimes de Lula. É o axioma no. 1 da Lava Jato.
Aí, intima-se Lula para um interrogatório. Ele admite que se encontrou com o delator em determinada circunstância, teve determinada conversa, mas em nenhum momento mandou ocultar provas. Prove que não falou! Não provou? Então é suspeito de obstrução de Justiça.
PEÇA 3 – A MERCEARIA E OS ADVOGADOS AMIGOS
Com a quantidade de delações em curso, e com a possibilidade de terem co-autoria no roteiro, a Procuradoria Geral da República, a Lava Jato e o juiz Sérgio Moro montam uma verdadeira mercearia, com condimentos para qualquer receita de bolo. Tem especiarias da Índia, da China, do Japão, einsbein da Alemanha, hot dog dos EUA, o que o freguês precisar, a mercearia fornece.
O senhor deseja um processo que mostre que a ex-presidente Dilma Rousseff sabia do caixa 2? Por enquanto, não temos, porque nenhum executivo da Odebrecht se dispôs a bancar essa denúncia. Mas temos a dona Mônica Moura, que pode servir.
Como o advogado precisa ser da estrita confiança da Força Tarefa – e como os honorários não são nada desprezíveis – ao lado dos grandes penalistas nacionais entram os amigos da família.
No caso de Mônica Moura, mulher do marqueteiro João Santana, uma prova documental sem nenhum valor para a denúncia contra Dilma – fac-símile de um suposto e-mail enviado por Dilma, que não tinha sequer remetente e destinatário, com um texto que não significava nada – permitiu levantar provas contra… a Lava Jato.
O escritório Delivar de Mattos Advogados Associados tem como sócio Rodrigo Castor de Mattos, irmão de Diogo Castor de Mattos, procurador da Lava Jato. Segundo informou a Lava Jato, o escritório só entrou com pedido para ser representante legal dos marqueteiros no dia 17 de abril de 2017. A delação foi concluída 30 dias antes.
Mas o tal e-mail foi registrado em cartório em de 30 de julho de 2016. E a pessoa que registrou era estagiário do mesmo escritório. Ou seja, o escritório do irmão do procurador já atuava informalmente para Mônica oito meses antes da sua delação, ajudando a construir provas documentais.
Esse mesmo espírito de compadrio transformou um advogado enrolado – Marlus Arns – no advogado da delação de Eduardo Cunha. Até então, o maior feito de Marlus era o controle sobre as ações das APAEs no estado, que lhe eram passadas pela diretora jurídica da Federação, esposa de Sérgio Moro.
PEÇA 4 – A CONSPIRAÇÃO DO JUDICIÁRIO
Com a quitanda fornida, monta-se o contra-ataque, um exercício concatenado capaz de enrubescer um magistrado britânico, mas plenamente aceito por esses cantos.
Movimento 1 – Juiz Ricardo Leite dos Santos
Na mesma semana do interrogatório de Lula, o juiz brasiliense ordenou o fechamento do Instituto Lula – sem ter sido solicitado pelo Ministério Público Federal – e a condução coercitiva de mais de 30 funcionários do BNDES.
Movimento 2 – Ministro Edson Fachin
Segurou durante semanas os depoimentos de João Santana e esposa e deu publicidade em cima da bucha, colocando mais lenha na fogueira da inquisição.
Movimento 3 – Procurador Geral Eleitoral
Com base nas delações dos marqueteiros, o PGE pede a condenação de Dilma e a absolvição de Michel Temer, porque os marqueteiros só mencionaram Dilma. “É possível concluir que a representada tinha conhecimento da forma como a Odebrecht estava financiando sua campanha eleitoral, dos ilícitos praticados em benefício da sua candidatura, com eles anuindo. Tendo ciência dos acontecimentos, bastava à representada coibir ou censurar a prática de tais condutas”.
Segundo o bravo procurador eleitoral, os dois marqueteiros afirmaram “textualmente” que Dilma prevaricou. Para enfatizar melhor a relevância da prova, deveria informar que nem usaram teleprompter. O fato de executivos da Odebrecht terem afirmado que negociaram valores em uma reunião no próprio Palácio Jaburu, presente Michel Temer (portanto em pleno exercício do mandato de vice-presidente), não tem importância. Vá que ele resolva acabar com a lista tríplice para a PGR.
PS – Há pouco, foi divulgado o parecer do PGE, pela impossibilidade de separar Dilma de Temer no julgamento.
Movimento 4 – A mídia
O colunista Merval Pereira propõe a prisão de Dilma Rousseff, reeditando personagens célebres dos anos 60 e 70, como Amaral Neto, José Maria Marin e Cláudio Marques – comentarista que fez campanha sistemática pela TV Bandeirante para a prisão de Vladimir Herzog.
Veja solta uma capa com dona Marisa, trazendo de volta o jornalismo de esgoto que a consagrou.
Todos esses movimentos tentam reeditar o mesmo clima de caça às bruxas que marcou o terrível período da campanha do impeachment.
Movimento 5 – A Polícia Federal
Hoje, um indiciamento ridículo (porque indiciamento da PF não tem o menor valor legal) de Lula, pela aprovação da Medida Provisória 471, da indústria automobilística, aprovada no governo Dilma com o voto de todas as lideranças partidárias.
Movimento 6 – O Supremo
E aí se chega ao Supremo a última trincheira da Constituição e dos direitos individuais.
O melhor exemplo é o decano Celso de Melo. Depois que o pleno do Supremo autorizou prisão após a 2a instância, Celso concedeu um habeas corpus, indo contra a posição majoritária da casa. Agora, com Lula, diz que seguirá entendimento da maioria.
PEÇA 5 – O FRACASSO DA ESTRATÉGIA POSITIVA
No mercado, realização do prejuízo se refere ao investidor que cansou de esperar pela recuperação das suas ações e as vende, mesmo tendo prejuízo. O sistema entrou em processo de realização de prejuízo com as lideranças tucanas nas quais investiu nas últimas décadas. Aécio, Serra e Alckmin estão fora do jogo. Haverá a tentativa de construir perfis alternativos.
Tudo poderia se constituir em mais um caso clássico do golpismo latino-americano, não fosse o elemento novo contemporâneo: com as redes sociais, o tempo político tornou-se tremendamente rápido: não se constroem mais mitos como antigamente.
Antes, a velocidade das notícias era lenta. Criava-se um fato político, a imprensa ficava ruminando durante dias e dias, como boi no pasto. Aí surgia outro fato, e mais um período lento de ruminação. Era possível traçar estratégias golpistas e mantê-las sob relativo controle.
Além disso, os padrões tecnológicos de outros tempos – com pouca exibição pública dos personagens políticos – permitiam a construção lenta no imaginário popular. Poucos viam Jânio Quadros em carne e osso. As idas a botecos, os lances de marketing entravam no circuito da notícia e se espalhavam como lendas urbanas, criando um personagem mágico porque apresentado em pequenas doses.
Havia um processo de crescimento e queda dos políticos, curvas de popularidade e fastio, bastante perceptíveis e previsíveis. Mesmo o meteoro Fernando Collor teve uma exposição muitíssimas vezes menor do que a teria nesses tempos de redes sociais.
Hoje em dia, não. João Dória entrou na era das redes sociais com hiperdosagem de visibilidade. Seus filmetes diários, com biquinho de jovem sexagenário emburrado, com seus factoides de fantasia, confundindo má criação com determinação, estão virando o fio mal começaram . A hiperdosagem potencializa os defeitos. Para conseguir manter o fogo alto, terá que ampliar em muito sua imaginação.
Portanto, o lugar do tertius em breve voltará a ser vago.
PEÇA 6 – O DIFÍCIL CAMINHO DO CONSENSO
Os becos sem saída de uma conspiração descerebrada abrem a possibilidade – ainda distante – de começar alguma articulação para uma tentativa de candidatura de consenso. Infelizmente, o país padece de uma ignorância coletiva que não poupa nenhum extrato social. Não é à toa que exibe recordes mundiais de violência. Seja por herança da colonização portuguesa, do empreendedorismo selvagem das primeiras bandeiras, seja pelo sangue latino, há uma tendência de resolver tudo “no braço”, de partir para o tudo ou nada, como se fosse possível a uma nação da dimensão da brasileira conviver com metade do país derrotado e sob vara.
Ora, a construção de um país moderno não pode prescindir de nenhum dos atores sociais e econômicos. E será impossível essa junção sem a coesão social, com pactos que administrem os conflitos distributivos, abram espaço para o empreendedorismo, para o trabalho digno, para o fortalecimento das empresas nacionais, para a contribuição das multinacionais. Em geral, momentos de consenso se apresentam apenas depois de grandes desastres políticos. Portanto, ainda há um bom caminho a se percorrer até se bater no fundo do poço.

POR GERSON NOGUEIRA
O Luverdense veio, viu e venceu. Na verdade, só empatou, mas foi o suficiente para conquistar a Copa Verde dentro do Mangueirão, pois levou a melhor no placar agregado (4 a 2). Título merecido e inquestionável pelo desempenho superior nos 180 minutos da decisão.
O LEC foi absoluto no jogo de ida, quando estabeleceu a vantagem, e equilibrou a partida de ontem, mesmo tendo levado um tremendo susto logo aos 3 minutos. Em chute seco da entrada da área, aparando de primeira um rebote da defesa, Leandro Carvalho justificou plenamente a escalação mesmo sem estar na melhor forma física.
Um golaço que desestruturou o Luverdense e abriu a perspectiva de uma noite festiva para a nação alviceleste. Nos minutos seguintes, o Papão manteve o embalo inicial. Adiantou a marcação, com Wesley e Rodrigo Andrade à frente, e confundiu o bloqueio adversário. Deu as cartas até os 15 minutos. A partir daí, o gás murchou e a vigilância se desfez.
Sem pressa, o Luverdense se posicionou melhor em campo. Os erros na saída de bola foram corrigidos e o jogo ficou parelho. À medida que o time mato-grossense se tranquilizava, o Papão perdia o rumo.
Boa parte desse mérito teve a ver com a iniciativa do quinteto mais experiente da equipe – Marcos Aurélio, Rafael Silva, Douglas Baggio, Ricardo e Macena –, que tomou as rédeas da reação, fazendo uso da aproximação dos setores e da troca de passes curtos em velocidade.
Do lado bicolor, peças importantes, como Diogo Oliveira e Bergson, pareciam fora de jogo e a defesa se atrapalhava com a movimentação do ataque do LEC. Nos instantes finais do primeiro tempo, a pressão mudou de lado e o perigo rondou o gol de Emerson em chutes de Macena e Ricardo da linha da grande área.
Logo aos 9’ do segundo tempo, Marcos Aurélio mandou uma bola na trave esquerda de Marcão, que havia substituído Emerson (lesionado). Eric desperdiçou o rebote, mas o Papão já evidenciava claros sinais de desarrumação em todos os setores.
Minutos depois, Ayrton foi lançado na área por Leandro Carvalho e quase ampliou. A bola passou à frente do gol sem que ninguém surgisse para finalizar. Outra boa chance veio em falta cobrada por Ayrton, mas Wesley desviou à direita da trave.
O LEC, sem esboçar nervosismo, ia tocando o seu projeto de jogo. Bola sempre rasteira, de pé em pé, aguardando uma brecha na marcação. Foi assim que, aos 24’, Marcos Aurélio surgiu livre na intermediária e mandou um chute rasteiro que quase surpreendeu Marcão.
Sem alternativas para retomar o controle das ações, Marcelo Chamusca trocou Bergson por Will e Simões por Sobralense, mas o time seguiu desconectado no meio-campo e inofensivo no ataque. As ligações diretas se repetiam, dando mais musculatura à estratégia do LEC, que sempre recuperava a posse de bola e partia em contragolpes agudos.
Mais lúcido e inventivo, o LEC chegou ao empate aos 33 minutos. Chute forte de Eric desviou na zaga. Fumaça não desistiu do lance e dividiu com Marcão, que se precipitou e derrubou o atacante. Rafael Silva cobrou o penal, estabeleceu a justiça no placar e garantiu a taça. Conquista merecida.
—————————————————————————————————–
Belém assiste à quarta derrota em finais desde 1984
Com a perda da CV pelo Papão já são quatro as grandes frustrações da torcida paraense por títulos que escaparam em finais disputadas em Belém. O Remo perdeu a Taça de Prata, em 1984, para o Uberlândia, e a Copa Norte, em 1997, para o Rio Branco-AC. Já o PSC foi derrotado na Série C 2014, pelo Macaé de Josué Teixeira, e agora, pelo Luverdense.
(Coluna publicada no Bola desta quarta-feira, 17)

Copa Verde 2017 – Final
Paissandu x Luverdense-MT – Estádio Jornalista Edgar Proença, 20h

Na Rádio Clube, Claudio Guimarães narra; Carlos Castilho comenta. Reportagens – Dinho Menezes, G. Tommaso, Chico Urbano e Saulo Zaire. Banco de Informações – Fábio Scerni

Em viagem de férias ao Chile, a amiga jornalista Syanne Neno visitou o lendário estádio Nacional de Santiago, palco de grandes jogos e de histórias trágicas dos tempos de ditadura militar de Pinochet. Com a cabeça na final desta noite em Belém, Syanne aproveitou para exibir orgulhosamente a bandeira do Papão em terras chilenas.

Hoje, às 20h, acontece a final da Copa Verde 2017, entre Paissandu e Luverdense-MT, no estádio Jornalista Edgar Proença, em Belém do Pará. Pela primeira vez desde a sua criação, em 2014, o campeão e o vice levantarão troféus feitos de madeira nativa certificada FSC. Com o apoio do Ministério do Meio Ambiente, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e o FSC Brasil assinaram um Protocolo de Intenções com o objetivo de unir esforços para implementar ações e atividades sustentáveis relativas à CopaVerde e promover o manejo responsável das florestas nativas brasileiras.
Os troféus foram desenhados e produzidos pela Tora Brasil em pequiá, uma espécie existente em toda Amazônia, em matas de terra firme, e pode chegar a 45 metros de altura, com troncos de 180 centímetros de diâmetro. A certificação florestal FSC é internacionalmente reconhecida e identifica, através de sua logomarca, produtos originados do bom manejo. A ação pretende contribuir para a valorização de produtos originados do manejo responsável das florestas e estimular o setor florestal, que tem um enorme potencial no Brasil.
Sobre o FSC – É uma organização independente, não governamental, sem fins lucrativos, que promove o manejo florestal responsável ao redor do mundo desde 1994. Com sede na Alemanha, está presente em mais de 80 países. O FSC é o sistema de certificação florestal de maior credibilidade internacional e o único que incorpora, de forma igualitária, os interesses de grupos sociais, ambientais e econômicos.
Os troféus serão entregues aos capitães de Paissandu e Luverdense pelo ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho. A partida que decide a quarta edição da CV começa às 20h, no estádio Jornalista Edgar Proença.
Abaixo, para efeito de comparação, o troféu que será dado ao campeão da Copa do Nordeste:


POR WILSON GOMES, no Facebook
Em 1978 e 1980 você odiava Lula porque ele era baderneiro, grevista e provocador da Ordem Constituída.
Em 1989 você odiava Lula porque era um sapo barbudo, comunista e vagabundo.
Em 1994 você odiava Lula porque era um torneiro mecânico achando que merecia ser presidente mais do que o professor da Sorbonne que com ele concorria.
Em 1998 você odiava Lula porque era um urubu agourento contra o Plano Real e o Brasil que dá certo.
Em 2002 você tinha medo de Lula porque ele “tinha mudado muito” e porque, com ele, a inflação iria voltar.
Em 2006 você odiava Lula porque era um analfabeto, apedeuta e cachaceiro que recebia um monte de títulos de doutorado honoris causae de Universidades cujo nome você nem sequer conseguia pronunciar.
Em 2010 você odiava Lula porque ele havia hipnotizado multidões de desdentados, nordestinos e habitantes de grotões (desculpe a redundância) ao ponto de conseguir eleger um poste para o seu lugar.
Em 2014 você odiava Lula porque ele era uma enganação, uma farsa, ainda aclamado e respeitado no Brasil e no mundo, enquanto você tinha certeza de que ele não valia nada.
Em 2017 você odeia o Lula porque ele é corrupto, chefe de quadrilha, além de baderneiro, comunista, analfabeto, enganador e falso.
Meu amigo, há mais de 40 anos o ódio que você professa a Lula se mantém idêntico. A única coisa que mudou, nesses anos todos, foram os argumentos que se usou para a autorização social do ódio. Bem sei que alguém poderá alegar que é mais jovem, que começou a odiar Lula mesmo apenas em 1998 ou em 2010, que um dia chegou até a gostar dele. Mas, meu amigo, se você entrou no vagão na 1ª estação ou na 8ª não faz a menor diferença em se tratando do mesmo trem. Você pode ser ser novo, mas este ódio que você professa é muito velho, vem de longe e vem dos mesmos.
O desprezo a Lula é uma velha e consolidada tradição de certos grupos brasileiros e, se você tiver o cuidado de examinar que gente é esta que cultiva com esmero ódio tão arraigado, talvez você não vá se sentir muito comportável com a companhia que lhe cerca. Não, não creio nem digo que Lula é um coitadinho perseguido, inocente, pela elite. O que digo é que o rancor contra Lula, nunca, nunquinha mesmo, precisou realmente de razão ou motivo: um bom pretexto sempre lhe foi o bastante. Meu amigo, eu acompanho há muito este ódio arcaico e sei bem qual é a fonte sombria de onde ele brota.

Pela primeira vez na história o estádio Mangueirão sediará a final da Copa Verde. Atual campeão, o Paissandu decide a competição nesta terça-feira com o Luverdense, às 20h, horário de Brasília. Como o gol fora de casa é critério de desempate, o time mato-grossense tem a vantagem de poder perder por até um gol de diferença em Belém – o primeiro jogo terminou 3 a 1 para os cuiabanos. O campeão garante uma vaga direta nas oitavas de final da Copa do Brasil de 2018.
Nas duas finais que alcançou, em 2014 contra o Brasília e 2016 com o Gama, o Paissandu decidiu ambas fora de casa. A oportunidade de jogar diante da torcida pode ser decisiva na briga pelo bicampeonato. Para ser campeão direto o time precisa vencer por três gols de diferença, o que aconteceu quatro vezes nesta temporada. Se repetir o placar do primeiro jogo a decisão sairá das cobranças de pênalti.
Já o Luverdense vem de uma temporada ainda em branco. O time caiu na semifinal do Campeonato Mato-Grossense para o Cuiabá e busca o título da Copa Verde para afastar a desconfiança do torcedor. No último final de semana os cuiabanos caíram para o Juventude no Alfredo Jaconi por 2 a 1 na estreia da Série B do Campeonato Brasileiro, enquanto o Paysandu bateu o Oeste por 2 a 0 em Belém, com gols de Bérgson e Fernando Gabriel.
Durante a semana Marcelo Chamusca trabalhou com algumas mudanças no time titular. O meia Diogo Oliveira e o atacante Bergson, poupados em Cuiabá, voltam ao time titular. Leandro Carvalho, que não tinha escalação garantida devido a uma contusão, foi liberado na manhã desta terça-feira e vai para o jogo.
O técnico Júnior Rocha não tem nenhuma baixa para o jogo. O meia Marcos Aurélio e o lateral direito Aderlan, que foram poupados contra o Juventude, voltam ao time titular no lugar de Alaor e Gabriel Passos, seus substitutos respectivamente. O zagueiro Neguete fica à disposição no banco de reservas, com Pierre e Dalton no time titular. No restante o grupo não deve ter grandes mudanças.
“Vamos respeitar eles, mas não significa que temos que ir retrancado lá. Queremos uma equipe novamente ofensiva e não vulnerável. O comprometimento dos atletas tem sido maravilhoso. O modelo de jogo vem dando certo”, disse o técnico Júnior Rocha. (Com informações de Ag. FI)
ESCALAÇÕES
Paissandu – Emerson; Ayrton, Gilvan, Perema e Willian Simões; Augusto Recife (Wesley), Rodrigo Andrade e Diogo Oliveira; Leandro Carvalho, Alfredo e Bergson. Técnico: Marcelo Chamusca
Luverdense-MT – Diogo Silva; Aderlan, Pierre, Dalton e Paulinho; Ricardo, Marcos Aurélio e Douglas Baggio; Rafael Silva, Raphael Macena e Erik. Técnico: Júnior Rocha
Árbitro – Rodrigo Batista Raposo (DF)


À beira da extinção, informação e curtição sem perder o sinal do Wi-Fi.
futebol - jornalismo - rock - política - cinema - livros - ideias