Archive for 17 de maio de 2017

Deputado formaliza pedido de impeachment de Temer

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Do iG:

O deputado Alessandro Molon (Rede-RJ) protocolou na noite desta quarta-feira (17) um pedido de impeachment contra o presidente Michel Temer (PMDB). A solicitação foi feita após a divulgação do conteúdo da delação premiada do empresário Joesley Batista, dono da JBS, segundo a qual o presidente teria endossado o pagamento de propina ao ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Trata-se do primeiro pedido de impeachment contra Temer. Em entrevista coletiva, Alessandro Molon afirma que a atuação do presidente fere a lei de responsabilidade e que, neste caso, a punição prevista pela legislação é a perda do mandato. Na opinião dele, o Congresso deve “parar” diante da divulgação da delação, que caiu como uma bomba no Palácio do Planalto.

Segundo Molon, “agora, a bola está com Rodrigo Maia”, referindo-se ao presidente da Câmara. “É evidente que ele não pode engavetar este pedido, porque não há provas mais robustas do que essas apresentadas neste caso com gravação, com dinheiro marcado, com filmagem de entrega de dinheiro e com vários parlamentares envolvidos neste grande esquema que foi montado para manter as denúncias contra Temer e sua quadrilha escondidas”, disse o parlamentar da Rede.

O deputado avalia ainda que, diante da gravidade do conteúdo, o Congresso deverá interromper a votação de reformas importantes, como as reformas trabalhista e da Previdência Social. “O governo acabou. O Congresso precisa parar o que está fazendo e cumprir a sua primeira missão, que é a de cassar o mandato de Michel Temer e, em seguida, o Brasil precisa de eleições diretas.”

A gravação feita pelo empresário do grupo JBS foi na mesma noite em que Temer participou da festa de aniversário do jornalista Ricardo Noblat, de O Globo, em Brasília (foto).

17 de maio de 2017 at 22:34 4 comentários

Pêgo na mentira: verdadeira escola de samba que Huck quer comprar é o Brasil

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POR KIKO NOGUEIRA, no DCM

Luciano Huck tem uma explicação furadíssima para a história de que tentou comprar o enredo de escolas de samba do Rio de Janeiro.

Assim que a notícia saiu na coluna Radar, da Veja, no começo do mês, ele ligou para o titular Maurício Lima e tentou um desmentido.

Contou que um compositor, cujo nome ele não lembra, chegou com essa ideia, fez uma reunião e contatou as escolas sem sua autorização.

“Usaram o meu nome”, falou Luciano, segundo Maurício.

Ficamos assim: Luciano Huck, que não tem a agenda tão livre quanto a do seu tio que é juiz aposentado, topa se reunir com um desconhecido que sugere um plano desses — e não pega um cartão com ele.

Sua vasta assessoria também teve amnésia.

Num programa de subcelebridades da RedeTV!, a presidente do Salgueiro, Regina Celi, confirmou que emissários de Huck foram atrás dela.

“Aconteceu. Procuraram para fazer o enredo, mas realmente, não que o Luciano não mereça esse enredo na escola, porque eu acho que ele tem a história dele, mas eu quero muito ir atrás de um título”, declarou Regina.

“É bom o dinheiro? É, mas quando você pisar na avenida você tem que ter ciência que você vai fazer um bom carnaval”.

Saudado como “novo” por FHC, desesperado com os “velhos” de seu partido que viraram pó de traque nas pesquisas, Huck cultiva um hábito milenar da política: a dissimulação, para não dizer a pura e simples mentira.

Huck é candidatíssimo.

Seu maior desafio, atualmente, é se livrar do grupo do amigão Aécio Neves, hoje um pau de enchente.

Luciano faz parte desse círculo sediado no Rio de Janeiro, que inclui ainda Ronaldo Fenômeno, o empresário Alexandre Accioly, citado em delação da Odebrecht como laranja de Aécio, e Bernardinho, sondado para se candidatar a governador do Rio pelo Partido Novo.

Ele foi sócio, aliás, de Bernardo e Accioly numa rede de sorvetes de iogurte.

A primeira vez em que Luciano Huck deu uma bandeira de suas ambições foi em abril de 2011, na extinta revista Alfa, que eu dirigia, em reportagem de Marcelo Zorzanelli (um dos criadores do site Sensacionalista).

Na ocasião, deu os nomes dos dois políticos que mais admirava: Lula e Aécio.

Reproduzo alguns trechos:

Seus amigos mais próximos já se perguntam por que não o colocar de vez num cargo público. Nos comentários do retrato com Obama, era comum encontrar fãs dizendo: “Queria que a legenda fosse: ‘O encontro entre os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos’”. 

(…)

“Sou daqueles que sabem que estamos lidando com o próximo Ronald Reagan”, diz o empresário carioca Alexandre Accioly, sócio e amigo íntimo. “Gosto de dizer que o Luciano é um político sem mandato.” Em casa, Luciano já tocou no assunto. “Ele brinca com isso”, diz Angélica. “Hoje, aos 39 anos, acho que estou cumprindo esse papel na televisão”, diz Luciano, depois de pensar um pouco. Mas seria presidente do Brasil?

“Agora, não. Daqui a dez anos, talvez eu tenha mudado a resposta.” Bons contatos na política não faltam. José Serra é amigo da família e o mineiro Aécio Neves se mantém ainda mais próximo. Aécio e ele assistiram juntos ao primeiro programa político da campanha presidencial de 2010. “Acabou o programa da Dilma e eu falei: ‘O Serra já era!’ O Aécio também disse: ‘Já foi’.”

(…)

Para ele, a solução para a questão social começa na iniciativa privada – mas termina nos braços do Estado. “Acho que o governo é o único capaz de multiplicar de fato o que dá certo no terceiro setor”, ele diz. Ao mesmo tempo, Luciano é a favor de que os grandes empresários brasileiros gastem com instituições benemerentes, em vida, o dinheiro que seria tributado de suas heranças. “Isso poderia mudar a cara dos projetos sociais no Brasil. Acho que a taxa poderia ser de pelo menos 5%.”

Seu salário atual, especula-se, é de 1 milhão de reais. “Vou juntando as pontas dentro da Globo. Outro dia fui chamado pelo Erlanger (Luis Erlanger, diretor da Central Globo de Comunicação) e dei meus pitacos. Se me perguntam, eu respondo.”

Publicada a matéria, Huck foi ao Twitter fazer o mesmo que fez no caso do Carnaval: tentou emplacar outra versão. “Nunca disse que quero ser presidente. Pelo contrário. Quem disse foi um repórter da revista Alfa. Sou um profissional de TV”, escreveu.

Eis o “novo”, segundo Fernando Henrique Cardoso.

17 de maio de 2017 at 22:31 Deixe um comentário

Procuradores federais criticam aprovação de relatório da CPI da Funai

A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) vem a público lamentar a aprovação do relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) Funai-Incra 2, da Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira, 17. Na contramão da defesa das causas indígenas e de comunidades tradicionais, os parlamentares insistiram na estratégia equivocada de constranger a atuação regular de membros do Ministério Público Federal e de órgãos e entidades da sociedade civil voltados para a defesa de causas indígenas. A despeito de ainda estar pendente de votação, o indiciamento de servidores públicos e de associações que atuam na área configura afronta à Constituição Federal e é absolutamente desprovido de base nos fatos e na lei.

Conforme prevê a Constituição Federal, a defesa dos povos indígenas e comunidades tradicionais é atribuída ao MPF. A defesa das causas indígenas também tem a participação fundamental de órgãos como da Fundação Nacional do Índio (Funai), do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e de outras associações que atuam na área.

A função constitucional de zelar pela defesa dos povos indígenas é essencial para um país que tem o multiculturalismo como um de seus valores mais preciosos. Trata-se de uma atuação finalística, pautada pela independência institucional e pelo estrito cumprimento do dever legal.

Norteado pelo princípio da impessoalidade, o trabalho dos membros do MPF na defesa dos povos indígenas tem como característica o elevado grau técnico para a promoção do reconhecimento dos direitos e tradições e ao devido acesso à terra pelos indígenas.

A tentativa de constranger o trabalho dos procuradores da República, de entidades de classe, e de agentes públicos do Incra e da Funai não deve ter lugar em uma casa democrática que prima por valores republicanos.

A ANPR espera que os demais integrantes da Câmara dos Deputados saibam avaliar o elevado grau de retrocesso decorrente do relatório, bem como seus efeitos negativos sobre os povos indígenas. Cientes da importância do papel que exercem na defesa dos direitos indígenas, os procuradores da República permanecerão fiéis às funções constitucionais que lhes foram atribuídas.

José Robalinho Cavalcanti – Procurador Regional da República

Presidente da ANPR

17 de maio de 2017 at 21:26 Deixe um comentário

Papão lamenta perda da CV e já se preocupa com segundo jogo na Série B

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Depois da perda do título da Copa Verde para o Luverdense, em pleno Mangueirão, os jogadores do Papão atribuíram o insucesso à derrota por 3 a 1 no jogo de ida. O goleiro Emerson, que saiu no primeiro tempo devido a uma contusão, disse que o revés em Cuiabá dificultou a missão de reverter em Belém. Chegou a avaliar que o Paissandu fez uma “grande partida” ontem à noite.

O goleiro Marcão, autor do pênalti que selou o empate do LEC, disse que tentou tirar a bola dos pés de Fumaça, mas acabou cometendo a falta. “Não era o dia”, arrematou o arqueiro alviceleste. Apesar de ficar sem o prêmio de R$ 180 mil, destinado ao campeão da CV pela CBF, o Paissandu faturou a quantia de R$ 503.269,74 com a renda da partida.

Ao mesmo tempo, a diretoria segue reforçando o elenco para a Série B. Os jogadores Renato Augusto, volante de 25 anos, e o atacante Daniel Amorim, de 27 anos, já começaram a treinar na Curuzu.

Renato, nascido em Caieiras (SP), surgiu no Palmeiras-SP, passando depois por equipes como Moreirense, de Portugal, Joinville-SC, Ponte Preta-SP e Figueirense-SC. O volante defendeu o Santo André-SP no último Paulistão, tendo atuado em 10 partidas.

O atacante Daniel Amorim, por sua vez, foi vice-artilheiro da Série C de 2016, atuando pelo Tombense, de Minas Gerais. Ele anotou 9 gols, mesmo número alcançado pelos jogadores Reinaldo Alagoano (Asa-AL) e Fumagalli (Guarani-SP). Além do Tombense, Amorim teve passagens pelo Duque de Caxias-RJ, Madureira-RJ, Tupi-MG, Marília-SP e Brasiliense-DF.

Com as novas aquisições, o Papão atinge a marca de nove reforços para a Segundona. Do começo do ano até agora, o clube já trouxe 21 atletas. Destes, três já deixaram o elenco: o lateral-esquerdo Andrelino, o volante Juninho e o atacante Samuel, devolvidos à Desportiva Paraense.

A delegação alviceleste viajou na tarde desta quarta-feira para Curitiba, onde enfrenta o Paraná Clube na sexta-feira à noite, pela segunda rodada da Série B.

Provável escalação do Papão: Marcão; Ayrton, Gilvan, Perema e Peri; Augusto Recife, Wesley, Rodrigo Andrade e Fernando Gabriel; Marcão e Wellington Jr. (Com informações da Rádio Clube e do Bola)

17 de maio de 2017 at 18:32 Deixe um comentário

Dupla do barulho

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17 de maio de 2017 at 18:19 Deixe um comentário

Xadrez da prostituição no Judiciário

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POR LUIS NASSIF, no Jornal GGN

Dizem os penalistas que a prova testemunhal é a prostituta de todas as provas. Sem outras provas, corroborando o testemunho, não é considerada em nenhum processo sério. No entanto, está na base das denúncias movidas contra Lula e Dilma pela Lava Jato.

Pode haver algum exagero na expressão, e um preconceito condenável em relação às prostitutas, mas é didático como juiz e procuradores da Lava Jato se valem das “prostitutas” das provas.

PEÇA 1 – A TEORIA DO CHOQUE E AS TORTURAS

Ewen Cameron e Donald Hebb foram dois psicólogos que desenvolveram métodos de lavagem cerebral através de eletrochoques. Os estudos foram financiados pela CIA e incorporados nos seus métodos de interrogatório.

A Lava Jato não se vale de tortura física, mas o processo de convencimento do réu é idêntico em ambos os casos. A conclusão principal dos dois psicólogos era a de que “a privação de estímulos (através da tortura) induz à regressão, despojando a mente do indivíduo do contato com o mundo exterior e forçando à regressão”.

Quando o prisioneiro mergulha em um estado de “choque psicológico”, ou “vivacidade interrompida”, é sinal de que está mais aberto a sugestões, mais disposto a ceder.

Em situações mais brandas, mas nem por isso menos drásticas, mantem-se o réu detido, sem contato com o mundo exterior, com família, sem acesso a notícias, até que entre no estado da “vivacidade interrompida”. Aqui (https://goo.gl/vZpWOU) você tem uma explicação mais detalhada do método e das formas de utilização.

É evidente que a Lava Jato recorre a métodos de tortura psicológica para arrancar delações. As estatísticas com as quais se defende – a de que a maioria das delações foi firmada com delatores em liberdade – é primária.

Coloque dez prisioneiros em uma cela. Torture um deles. E passe aos nove restantes o exemplo do que poderá ocorrer com eles, se não aceitarem os termos propostos. Ao contrário, exiba as benesses que esperam os delatores, como Alberto Yousseff que terá até comissão sobre recursos que ajudar a recuperar.

A intenção última não é punir a corrupção, mas destruir o sistema político em que se funda o inimigo, o PT. As empreiteiras não estão sendo destruídas por serem corruptas, mas por se aliarem a esse modelo. As delações principais foram obtidas sob tortura psicológica, de longos períodos de prisão temporária, até atingir o estado da “vivacidade interrompida”.

PEÇA 2 – A ESTRATÉGIA DA DELAÇÃO

Para passar no teste da delação, os réus precisam da benevolência tanto dos procuradores quanto do juiz Sérgio Moro. Quem chia, não leva. Não tem tribunal superior, não tem STF (Supremo Tribunal Federal) que resolva. Todas as condições dependem exclusivamente de procuradores e juiz que tem lado e o objetivo maior de pegar Lula e Dilma.

Em uma Justiça séria, os tribunais consagrariam a seguinte ementa: “se não estiverem presentes os requisitos da prisão preventiva ou temporária, a delação premiada, como medida excepcional e por si questionável sob o prisma da dignidade humana, não tem valor algum para o processo penal.”

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O roteiro é sem-graça, de tão identificável:

1. Identificam-se pessoas com as quais Lula ou Dilma tiveram qualquer contato.

2. Coloca-se como condição para a aceitação da delação declarações que comprometam um ou outro em algum crime. Basta ao réu dizer que Lula sabia isso, Dilma aquilo, que o Lula falou A e Dilma falou B.

3. Coloca-se o acusado na situação chamada “prova negativa”, ou seja, a prova de um fato negativo. É uma prova tão impossível de produzir, que o direito canônico a batizou de “prova diabólica”, pois só o diabo poderia produzir.

4. Comprovando que até o diabo brasileiro é primário, parte dos delatados dirá que não tem como apresentar provas porque Lula os orientou a destruir as provas. E a falta de provas passa a ser a prova dos crimes de Lula. É o axioma no. 1 da Lava Jato.

Aí, intima-se Lula para um interrogatório. Ele admite que se encontrou com o delator em determinada circunstância, teve determinada conversa, mas em nenhum momento mandou ocultar provas. Prove que não falou! Não provou? Então é suspeito de obstrução de Justiça.

PEÇA 3 – A MERCEARIA E OS ADVOGADOS AMIGOS

Com a quantidade de delações em curso, e com a possibilidade de terem co-autoria no roteiro, a Procuradoria Geral da República, a Lava Jato e o juiz Sérgio Moro montam uma verdadeira mercearia, com condimentos para qualquer receita de bolo. Tem especiarias da Índia, da China, do Japão, einsbein da Alemanha, hot dog dos EUA, o que o freguês precisar, a mercearia fornece.

O senhor deseja um processo que mostre que a ex-presidente Dilma Rousseff sabia do caixa 2? Por enquanto, não temos, porque nenhum executivo da Odebrecht se dispôs a bancar essa denúncia. Mas temos a dona Mônica Moura, que pode servir.

Como o advogado precisa ser da estrita confiança da Força Tarefa – e como os honorários não são nada desprezíveis – ao lado dos grandes penalistas nacionais entram os amigos da família.

No caso de Mônica Moura, mulher do marqueteiro João Santana, uma prova documental sem nenhum valor para a denúncia contra Dilma – fac-símile de um suposto e-mail enviado por Dilma, que não tinha sequer remetente e destinatário, com um texto que não significava nada – permitiu levantar provas contra… a Lava Jato.

O escritório Delivar de Mattos Advogados Associados tem como sócio Rodrigo Castor de Mattos, irmão de Diogo Castor de Mattos, procurador da Lava Jato. Segundo informou a Lava Jato, o escritório só entrou com pedido para ser representante legal dos marqueteiros no dia 17 de abril de 2017. A delação foi concluída 30 dias antes.

Mas o tal e-mail foi registrado em cartório em de 30 de julho de 2016. E a pessoa que registrou era estagiário do mesmo escritório. Ou seja, o escritório do irmão do procurador já atuava informalmente para Mônica oito meses antes da sua delação, ajudando a construir provas documentais.

Esse mesmo espírito de compadrio transformou um advogado enrolado – Marlus Arns – no advogado da delação de Eduardo Cunha. Até então, o maior feito de Marlus era o controle sobre as ações das APAEs no estado, que lhe eram passadas pela diretora jurídica da Federação, esposa de Sérgio Moro.

PEÇA 4 – A CONSPIRAÇÃO DO JUDICIÁRIO

  • Pesquisas de opinião dando Lula como favorito em 2018.
  • As mesmas pesquisas dando conta do desmanche do PSDB.
  • Greve geral geral que se espalha por todo o país.
  • Manifestantes tomando as ruas de Curitiba em solidariedade a Lula.
  • Interrogatório de Sérgio Moro e da Lava Jato, com o juiz assumindo ostensivamente o lado da acusação.
  • Resultado final favorável a Lula, no interrogatório movido por Moro.

Com a quitanda fornida, monta-se o contra-ataque, um exercício concatenado capaz de enrubescer um magistrado britânico, mas plenamente aceito por esses cantos.

Movimento 1 Juiz Ricardo Leite dos Santos

Na mesma semana do interrogatório de Lula, o juiz brasiliense ordenou o fechamento do Instituto Lula – sem ter sido solicitado pelo Ministério Público Federal – e a condução coercitiva de mais de 30 funcionários do BNDES.

Movimento 2 – Ministro Edson Fachin

Segurou durante semanas os depoimentos de João Santana e esposa e deu publicidade em cima da bucha, colocando mais lenha na fogueira da inquisição.

Movimento 3 – Procurador Geral Eleitoral

Com base nas delações dos marqueteiros, o PGE pede a condenação de Dilma e a absolvição de Michel Temer, porque os marqueteiros só mencionaram Dilma. “É possível concluir que a representada tinha conhecimento da forma como a Odebrecht estava financiando sua campanha eleitoral, dos ilícitos praticados em benefício da sua candidatura, com eles anuindo. Tendo ciência dos acontecimentos, bastava à representada coibir ou censurar a prática de tais condutas”.

Segundo o bravo procurador eleitoral, os dois marqueteiros afirmaram “textualmente” que Dilma prevaricou. Para enfatizar melhor a relevância da prova, deveria informar que nem usaram teleprompter. O fato de executivos da Odebrecht terem afirmado que negociaram valores em uma reunião no próprio Palácio Jaburu, presente Michel Temer (portanto em pleno exercício do mandato de vice-presidente), não tem importância. Vá que ele resolva acabar com a lista tríplice para a PGR.

PS – Há pouco, foi divulgado o parecer do PGE, pela impossibilidade de separar Dilma de Temer no julgamento.

Movimento 4 – A mídia

O colunista Merval Pereira propõe a prisão de Dilma Rousseff, reeditando personagens célebres dos anos 60 e 70, como Amaral Neto, José Maria Marin e Cláudio Marques – comentarista que fez campanha sistemática pela TV Bandeirante para a prisão de Vladimir Herzog.

Veja solta uma capa com dona Marisa, trazendo de volta o jornalismo de esgoto que a consagrou.

Todos esses movimentos tentam reeditar o mesmo clima de caça às bruxas que marcou o terrível período da campanha do impeachment.

Movimento 5 – A Polícia Federal

Hoje, um indiciamento ridículo (porque indiciamento da PF não tem o menor valor legal) de Lula, pela aprovação da Medida Provisória 471, da indústria automobilística, aprovada no governo Dilma com o voto de todas as lideranças partidárias.

Movimento 6 – O Supremo

E aí se chega ao Supremo a última trincheira da Constituição e dos direitos individuais.

O melhor exemplo é o decano Celso de Melo. Depois que o pleno do Supremo autorizou prisão após a 2a instância, Celso concedeu um habeas corpus, indo contra a posição majoritária da casa. Agora, com Lula, diz que seguirá entendimento da maioria.

PEÇA 5 – O FRACASSO DA ESTRATÉGIA POSITIVA

No mercado, realização do prejuízo se refere ao investidor que cansou de esperar pela recuperação das suas ações e as vende, mesmo tendo prejuízo. O sistema entrou em processo de realização de prejuízo com as lideranças tucanas nas quais investiu nas últimas décadas.  Aécio, Serra e Alckmin estão fora do jogo. Haverá a tentativa de construir perfis alternativos.

Tudo poderia se constituir em mais um caso clássico do golpismo latino-americano, não fosse o elemento novo contemporâneo: com as redes sociais, o tempo político tornou-se tremendamente rápido: não se constroem mais mitos como antigamente.

Antes, a velocidade das notícias era lenta. Criava-se um fato político, a imprensa ficava ruminando durante dias e dias, como boi no pasto. Aí surgia outro fato, e mais um período lento de ruminação. Era possível traçar estratégias golpistas e mantê-las sob relativo controle.

Além disso, os padrões tecnológicos de outros tempos – com pouca exibição pública dos personagens políticos – permitiam a construção lenta no imaginário popular. Poucos viam Jânio Quadros em carne e osso. As idas a botecos, os lances de marketing entravam no circuito da notícia e se espalhavam como lendas urbanas, criando um personagem mágico porque apresentado em pequenas doses.

Havia um processo de crescimento e queda dos políticos, curvas de popularidade e fastio, bastante perceptíveis e previsíveis. Mesmo o meteoro Fernando Collor teve uma exposição muitíssimas vezes menor do que a teria nesses tempos de redes sociais.

Hoje em dia, não. João Dória entrou na era das redes sociais com hiperdosagem de visibilidade. Seus filmetes diários, com biquinho de jovem sexagenário emburrado, com seus factoides de fantasia, confundindo má criação com determinação, estão virando o fio mal começaram . A hiperdosagem potencializa os defeitos. Para conseguir manter o fogo alto, terá que ampliar em muito sua imaginação.

Portanto, o lugar do tertius em breve voltará a ser vago.

PEÇA 6 – O DIFÍCIL CAMINHO DO CONSENSO

Os becos sem saída de uma conspiração descerebrada abrem a possibilidade – ainda distante – de começar alguma articulação para uma tentativa de candidatura de consenso. Infelizmente, o país padece de uma ignorância coletiva que não poupa nenhum extrato social. Não é à toa que exibe recordes mundiais de violência. Seja por herança da colonização portuguesa, do empreendedorismo selvagem das primeiras bandeiras, seja pelo sangue latino, há uma tendência de resolver tudo “no braço”, de partir para o tudo ou nada, como se fosse possível a uma nação da dimensão da brasileira conviver com metade do país derrotado e sob vara.

Ora, a construção de um país moderno não pode prescindir de nenhum dos atores sociais e econômicos. E será impossível essa junção sem a coesão social, com pactos que administrem os conflitos distributivos, abram espaço para o empreendedorismo, para o trabalho digno, para o fortalecimento das empresas nacionais, para a contribuição das multinacionais. Em geral, momentos de consenso se apresentam apenas depois de grandes desastres políticos. Portanto, ainda há um bom caminho a se percorrer até se bater no fundo do poço.

17 de maio de 2017 at 18:17 Deixe um comentário

Um legítimo campeão

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POR GERSON NOGUEIRA

O Luverdense veio, viu e venceu. Na verdade, só empatou, mas foi o suficiente para conquistar a Copa Verde dentro do Mangueirão, pois levou a melhor no placar agregado (4 a 2). Título merecido e inquestionável pelo desempenho superior nos 180 minutos da decisão.

O LEC foi absoluto no jogo de ida, quando estabeleceu a vantagem, e equilibrou a partida de ontem, mesmo tendo levado um tremendo susto logo aos 3 minutos. Em chute seco da entrada da área, aparando de primeira um rebote da defesa, Leandro Carvalho justificou plenamente a escalação mesmo sem estar na melhor forma física.

Um golaço que desestruturou o Luverdense e abriu a perspectiva de uma noite festiva para a nação alviceleste. Nos minutos seguintes, o Papão manteve o embalo inicial. Adiantou a marcação, com Wesley e Rodrigo Andrade à frente, e confundiu o bloqueio adversário. Deu as cartas até os 15 minutos. A partir daí, o gás murchou e a vigilância se desfez.

Sem pressa, o Luverdense se posicionou melhor em campo. Os erros na saída de bola foram corrigidos e o jogo ficou parelho. À medida que o time mato-grossense se tranquilizava, o Papão perdia o rumo.

Boa parte desse mérito teve a ver com a iniciativa do quinteto mais experiente da equipe – Marcos Aurélio, Rafael Silva, Douglas Baggio, Ricardo e Macena –, que tomou as rédeas da reação, fazendo uso da aproximação dos setores e da troca de passes curtos em velocidade.

Do lado bicolor, peças importantes, como Diogo Oliveira e Bergson, pareciam fora de jogo e a defesa se atrapalhava com a movimentação do ataque do LEC. Nos instantes finais do primeiro tempo, a pressão mudou de lado e o perigo rondou o gol de Emerson em chutes de Macena e Ricardo da linha da grande área.

Logo aos 9’ do segundo tempo, Marcos Aurélio mandou uma bola na trave esquerda de Marcão, que havia substituído Emerson (lesionado). Eric desperdiçou o rebote, mas o Papão já evidenciava claros sinais de desarrumação em todos os setores.

Minutos depois, Ayrton foi lançado na área por Leandro Carvalho e quase ampliou. A bola passou à frente do gol sem que ninguém surgisse para finalizar. Outra boa chance veio em falta cobrada por Ayrton, mas Wesley desviou à direita da trave.

O LEC, sem esboçar nervosismo, ia tocando o seu projeto de jogo. Bola sempre rasteira, de pé em pé, aguardando uma brecha na marcação. Foi assim que, aos 24’, Marcos Aurélio surgiu livre na intermediária e mandou um chute rasteiro que quase surpreendeu Marcão.

Sem alternativas para retomar o controle das ações, Marcelo Chamusca trocou Bergson por Will e Simões por Sobralense, mas o time seguiu desconectado no meio-campo e inofensivo no ataque. As ligações diretas se repetiam, dando mais musculatura à estratégia do LEC, que sempre recuperava a posse de bola e partia em contragolpes agudos.

Mais lúcido e inventivo, o LEC chegou ao empate aos 33 minutos. Chute forte de Eric desviou na zaga. Fumaça não desistiu do lance e dividiu com Marcão, que se precipitou e derrubou o atacante. Rafael Silva cobrou o penal, estabeleceu a justiça no placar e garantiu a taça. Conquista merecida.

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Belém assiste à quarta derrota em finais desde 1984

Com a perda da CV pelo Papão já são quatro as grandes frustrações da torcida paraense por títulos que escaparam em finais disputadas em Belém. O Remo perdeu a Taça de Prata, em 1984, para o Uberlândia, e a Copa Norte, em 1997, para o Rio Branco-AC. Já o PSC foi derrotado na Série C 2014, pelo Macaé de Josué Teixeira, e agora, pelo Luverdense.

(Coluna publicada no Bola desta quarta-feira, 17)

17 de maio de 2017 at 1:23 29 comentários

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