Um teste de fogo

POR GERSON NOGUEIRA

Quando decidiu reformular o Remo para a Série C, Josué Teixeira certamente apostava na qualidade dos jogadores contratados. Todos tiveram o seu aval, mas somente três até agora se saíram bem – Bruno Costa, Nino Guerreiro e Gerson. Ou seja, menos de um terço da leva de reforços garimpados para o Campeonato Brasileiro. Muito pouco para a aposta inicial do técnico e para as expectativas do torcedor.

Com 3 pontos, o Remo se mantinha em 4º lugar até o começo da rodada. A posição é boa, mas o fraco rendimento não estimula projeções mais otimistas. Travada, a equipe depende exageradamente da ligação direta.

Foi, aliás, de um chutão da defesa que nasceu o lance do penal que deu a vitória sobre o Fortaleza na estreia. Contra o ASA, em Arapiraca, os chutões não funcionaram e o time sofreu diante de um adversário também limitado. Enrolado na saída para o ataque, não encontrou meios de fazer a bola chegar com mais assiduidade a Edgar e Nino Guerreiro.

Hoje à noite, contra o Cuiabá, Danilinho reaparece depois de uma estreia foi sofrível contra o Fortaleza, é o trunfo de Josué para organizar o meio e fazer finalmente o Remo jogar. Para o jogador é também a oportunidade de tentar se garantir como titular. Precisa mostrar iniciativa e ambientação com o time. Não basta tocar de lado. O camisa 10 clássico deve ser inventivo, com a obrigação de descortinar jogadas, antever situações e estabelecer o ritmo da companhia.

A reintegração de Eduardo Ramos e a provável volta de Flamel na próxima rodada ameaçam diretamente a posição de Danilinho. Ramos não retorna para ser reserva e joga muito mais do que todos os meias que o Remo tem hoje. Flamel e Ramos devem reeditar a dupla de armadores.

O miolo da zaga está sob desconfiança depois do ocorrido em Arapiraca, quando nenhum zagueiro se dispôs a disputar a bola com os atacantes do ASA no lance do gol. O goleiro Vinícius ficou entregue à própria sorte e, depois de duas grandes defesas, não evitou o tiro final para as redes.

As laterais vivem situações opostas. Pela esquerda, Gerson mostrou desembaraço na estreia, precisando confirmar isso na sequência de jogos. Na direita, Damião jogou mal em Belém e foi um dos piores em Arapiraca. À frente da zaga, Labarthe e João Paulo ainda não mostraram nada além do que já faziam Marquinhos e Elizeu, a dupla de marcação do Parazão. Mikael, mais avançado, também ficou devendo nas duas partidas.

Oportunidade, portanto, para que os reforços provem seu valor. Mais adaptados ao clima, é justo esperar que rendam mais contra um Cuiabá que ronda as últimas posições da tabela. O time de Roberto Fonseca, com apenas um ponto, vem a Belém armado como quase todos os visitantes: fechado em duas linhas de marcação e pronto para dar o bote em contra-ataques puxados por Robinho e Bruno Veiga. Todo cuidado é pouco.

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Lampions League: tapa na cara dos omissos

Com bons jogos e estádios cheios, a Copa do Nordeste foi decidida na quarta-feira – vencida pelo Bahia – diante de 40 mil torcedores, na Arena Fonte Nova. Organizada pela Liga do Nordeste, a CN arrecada R$ 24 milhões, dos quais R$ 18,6 são divididos entre os clubes participantes.

Um êxito completo, que leva o torcedor nortista (principalmente remistas e bicolores) a lamentar ainda mais a omissão histórica de seus dirigentes em todos os níveis e responsabilidades – os da FPF inclusos, obviamente.

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Bola na Torre

Guilherme Guerreiro apresenta o programa, a partir de 21h, na RBATV. Na bancada desta noite, Tommaso e o bragantino Cláudio Guimarães, como convidado.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 28)

Temer e a valsa do adeus

fimdefesta

POR FERNANDO BRITO, no Tijolaço

Não se sabe ainda o que vem no final de semana, embora sejam grandes as possibilidades de surgirem novos escândalos, como este das apreensões no apartamento de Aécio Neves, já na happy-hour da sexta-feira.

Mas não é difícil ver que nada de bom virá para aliviar o cerco a Michel Temer.

Ficou claro que ele permaneceu esta semana no Governo pela necessidade de buscar o impossível: alguém que, numa eleição indireta, pudesse seguir a impor as reformas no parlamento.

Houve farto delírio: Henrique Meirelles, Tasso Jereissati, até Rodrigo Maia que, se tem os meios, também tem seus pais a marcá-lo na paleta: Temer, Moreira e César Maia.

Talvez tenha sobrado algo da carga daquele helicóptero do senador Zezé Perrela, porque os jornais se ocupam até da candidatura de Modesto Carvalhosa à presidência indireta, o que, com todo respeito ao velho jurista, reduziria seu nome a Carvalhosa, porque o Modesto passaria a ser uma impropriedade vocativa.

Temer sobreviveu com base na frase de FHC, nada lisonjeira: “é o que temos”.

Mas não se tem mais. O “mercado” – o de verdade, não os 80% de imbecis de “mesa de operações”- sabe que ele está morto e já não tem dúvidas – apesar das declarações públicas em contrário – de que não há base política para aprovar nem a reforma trabalhista nem a previdenciária.

Com isso, desparece o último tubo de suporte á vida – ou sobrevida – do Governo Temer.

Temer escolheu jogar o jogo fora de seu campo, o da cooptação e do conchavo no meio-campo, e partir para o enfrentamento  dentro da grande área. Só que toda a sua zaga tem cartão amarelo e a defesa é uma peneira.

O STF não poderá passar mais uma semana omisso, porque será deixar a palavra única para o TSE.

Eu diria – e não sou o único – que Temer entra em sua última semana.

Com atraso, ‘Veja’ descobre que Moro viola leis e cria “estado policial”

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Num editorial tardio, publicado neste fim de semana, a revista Veja, que foi um dos principais pilares de sustentação da Operação Lava Jato, e também apoiadora de primeira hora do golpe parlamentar de 2016, que produziu a tragédia atual, dá uma guinada radical. Segundo a publicação, foram ilegais as divulgações dos grampos da presidente deposta Dilma Rousseff com o ex-presidente Lula, repassados pelo juiz Sergio Moro ao Jornal Nacional, da Globo.

Veja também condenou a publicidade dada a conversas entre a ex-primeira-dama Marisa Letícia e seus filhos – que a própria revista divulgou, diga-se de passagem (confira aqui).

Segundo a revista da Abril, o Brasil mergulhou num Estado Policial, com os abusos que estariam sendo cometidos. Detalhe: a divulgação dos grampos entre Lula e Dilma, pelo juiz Moro, entra na pauta do Conselho Nacional de Justiça nesta terça-feira 30 (leia mais aqui).

Leia, abaixo, o editorial da Veja:

Estado Policial

Diz a lei que uma interceptação telefônica só pode ser feita com autorização judicial, no tempo em que perdurar a autorização judicial, e seu conteúdo só poderá ser preservado se for relevante para a investigação em curso. Tais limites são estabelecidos para que as conversas telefônicas, de qualquer pessoa, inclusive de suspeitos, não fiquem boiando no éter das tramoias de um Estado bandoleiro. No curso da mais ampla investigação sobre corrupção na história do país, a lei tem sido lamentavelmente desrespeitada.

Na noite de 23 de fevereiro do ano passado, a ex-primeira-da­ma Marisa Letícia falava por telefone com seu filho Fábio Luís, o Lulinha. Na conversa, Marisa, que morreu há quatro meses, ironizava, com o uso de um palavrão, as pessoas que haviam participado de um panelaço contra o PT que acabara de acontecer. Na gravação, ela não dizia nada que interessasse à investigação da Polícia Federal. No entanto, a conversa, que deveria ter sido destruída nos termos da lei, foi preservada e divulgada.

Em 16 de março de 2016, o país inteiro ouviu um diálogo telefônico entre a então presidente Dilma Rousseff e o ex-presi­dente Luiz Inácio Lula da Silva. Eram 13h32 de uma quarta-feira, e os dois discutiam sobre o envio de um documento para a posse de Lula como ministro da Casa Civil. O conteúdo da conversa era do interesse da investigação, mas a autorização judicial para monitorar o telefonema acabara às 11h12, duas horas antes. Portanto, depois desse horário a gravação era ilegal. Pois ela foi feita mesmo assim, seu conteúdo foi divulgado e a crise política daqueles dias se aprofundou dramaticamente.

Na semana passada, ocorreu novo episódio de violação da lei das interceptações telefônicas, quando veio a público o diálogo do jornalista Reinaldo Azevedo, ex­-blogueiro de VEJA e colunista do jornal Folha de S.Paulo, com Andrea Neves, irmã do senador Aécio Neves. A gravação estava autorizada judicialmente e se realizou dentro do prazo de validade, mas o conteúdo da conversa entre os dois nada tinha a ver com as investigações. O material deveria ter sido incinerado. Também não foi. Configurou-se outra afronta à lei, com uma agravante: a Constituição prevê a inviolabilidade da comunicação de um jornalista com sua fonte. Esse é um dos pilares do jornalismo nos países democráticos, dado que, sem tal garantia, não existe liberdade de imprensa.

É lamentável que autoridades encarregadas de fazer cumprir a lei — policiais, procuradores, juízes — acabem se tornando violadoras da lei. A Lava-Jato é um poderoso desinfetante em um país de corrupção sórdida. Mas esse tipo de agressão — à lei, à privacidade, à liberdade de imprensa — não é digno de um Estado democrático de direito. É coisa própria de Estados policiais. 

Derrota em Belém pode derrubar técnico do Inter

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Depois da derrota desta tarde, em Belém, para o Paissandu, a imprensa esportiva gaúcha crava como certa a demissão do técnico Antonio Carlos Zago do comando técnico do Internacional. No espaço de dez meses, o Colorado teve cinco técnicos: Argel Fucs, Falcão, Celso Roth, Lisca e Antonio Carlos.

Na entrevista pós-jogo, Antonio Carlos procurou mostrar tranquilidade e projetou uma boa partida contra o Palmeiras no meio da semana, valendo pela Copa do Brasil. O Inter perdeu por 1 a 0 no jogo de ida.