Golpismo se dividiu e tenta evitar as diretas a qualquer custo

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POR LUÍS FELIPE MIGUEL, no Facebook

(1) A Rede Globo decidiu demonstrar sua força. Por motivos que ainda não estão inteiramente claros, ela resolveu rifar Michel Temer e reorganizar a coalizão golpista em outras bases. Não está sozinha nesse projeto, nem é necessariamente quem o comanda, mas é sem dúvida o grande instrumento de sua execução. Ainda que o restante da mídia corporativa não tenha o mesmo propósito (como demonstra o esforço da Folha de S. Paulo para desacreditar as gravações de Joesley Batista), o empuxo da Globo é forte demais e todos já tratam a queda de Temer como questão de dias. Ou seja: as sucessivas vitórias do PT mostraram que a Globo não tem o poder de definir os resultados eleitorais, mas ela continua capaz de desestabilizar governos a seu bel-prazer. O fato de que o usurpador não mereça que se derrame uma lágrima por ele, muito pelo contrário, não significa que não precisemos entender o que significa esse poder tão desmedido.

(2) Temos hoje dois conflitos sobrepostos. O primeiro é interno à coalizão no poder. O golpismo está dividido, uma vez que Temer decidiu resistir e usa todos os recursos de que dispõe para adquirir os apoios que lhe garantam uma sobrevida, ainda que frágil. O problema, para ele, é que a principal ameaça vem não do Congresso, mas do TSE. A tranquila maioria que ele construiu nos últimos meses, para aprovar a esdrúxula tese da separação da chapa, não existe mais. O colegiado que vai definir sua sorte é menos suscetível aos agrados que o Executivo pode fazer e tende a seguir o consenso das classes dominantes, que cada vez mais aponta para a substituição de Temer. Afinal, com exceção do usurpador e de seus cúmplices mais próximos, todos julgam que rifá-lo é um bom negócio, se com isso superam a crise. O segundo conflito é entre o golpismo e o campo democrático. É aqui que entra a bandeira das diretas-já. O golpe não foi dado para que alguma vontade popular pudesse se expressar, muito pelo contrário. Foi dado para implantar um projeto que as urnas sempre rechaçaram. Por isso, as eleições diretas têm que ser evitadas a qualquer custo.

(3) Entre os problemas que as diretas-já geram, para os donos do poder, está o fato de que não haverá tempo para impedir a candidatura de Lula. Mas as diretas não são para eleger Lula. As diretas são para interromper e reverter o golpe. Por isso, a luta pelas diretas é indissociável da luta contra o retrocesso nos direitos. O povo deve ser chamado a se manifestar não para escolher um nome, mas para escolher um programa. O programa mínimo do campo democrático e popular é a revogação da emenda constitucional que congela o investimento social, o retorno da plena vigência dos direitos trabalhistas, a sustação da reforma da previdência, a plena vigência das liberdades – a partir daí, tentamos avançar, mas esse é o mínimo. Lula vai se comprometer claramente com esse programa? Ou não vai resistir à tentação de acenar para as elites, para recompor a “governabilidade” que deu no que deu? Seja como for, a realização desse programa depende da pressão organizada, mais até do que da eleição de A ou B.

(4) O oposto das diretas é a pressão ostensiva do “mercado” (que, no noticiário, é o nome de fantasia do capital) para que o sucessor não esmoreça nas “reformas” (o nome de fantasia para a retirada dos direitos). É impressionante como, na imprensa, a necessidade de ouvir a população é desdenhada como irrelevante ou estigmatizada como “golpe” (!), mas as vozes do capital são reverberadas cuidadosamente. O recado é claro: a vontade popular não pode atrapalhar a vontade do “mercado”. O casamento entre capitalismo e democracia, que sempre foi tenso, agora se mostra claramente como uma relação abusiva. A regra era que o capital impunha sua vontade pelos mecanismos do mercado, o que já lhe dava um poder de pressão descomunal, mas os não-proprietários tinham a chance de limitar esse poder graças ao processo eleitoral. Essa salvaguarda não é mais aceita. Ela terá que ser imposta novamente ao capital, como o foi nas primeiras décadas do século XX.

(5) Não se vê uma única voz se levantar em favor de Aécio Neves. O pragmatismo da direita devia servir de alerta àqueles que a servem: são todos descartáveis. “Acéfalo” com a prisão da irmã, como disse a Folha de S. Paulo; sem poder contar sequer com o abraço amigo de Luciano Huck… Triste fim do Al Capone de Ipanema.

Defesa como ponto alto

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POR GERSON NOGUEIRA

Com várias mudanças na equipe, o Papão conseguiu na sexta-feira o ponto que buscava no Paraná. Jogou com excessiva cautela no primeiro tempo, fechando o meio-de-campo, sem criar incômodos aos donos da casa. Na etapa final, o time adiantou a marcação e teve duas boas chances logo no começo. Depois, recuou e tratou de se defender para garantir o empate. Nas circunstâncias, um resultado interessante, mantendo a invencibilidade (sem sofrer gol) na Série B.

A partida teve  evidenciou a principal vulnerabilidade e a maior virtude do time bicolor na competição: a falta de vida inteligente no meio e a confiabilidade do setor defensivo, liderado pelo seguro Perema.

O adversário merecia respeito, pois está invicto na Série B com 6 pontos ganhos, mas o comportamento do Papão foi adequado para quem buscava empatar. O técnico Marcelo Chamusca manteve Marcão e Wellington Jr. no ataque, mas a incapacidade de criação segue a atormentar o time. Fernando Gabriel foi burocrático, tocando para os lados e cobrando escanteios, deixando os atacantes desconectados do resto da equipe.

As únicas jogadas ofensivas eram tentadas com Ayrton e Rodrigo de Andrade, sem efeito prático. A situação se modificou no 2º tempo, quando a marcação foi adiantada e criou uma aproximação entre meio e ataque.

Não por coincidência foi o melhor momento do Papão na partida, com Wellington Junior perdendo chance clara e Wesley cabeceando com perigo, forçando grande defesa do goleiro Léo. Pena que esse esforço tenha durado somente dez minutos.

O Paraná passou a explorar mais as jogadas com Renatinho, Daniel Moraes, Robson e Guilherme Biteco. Não chegou a criar oportunidades muito claras, mas forçou o Papão a voltar a pensar exclusivamente na defesa. Aí brilhou a postura de Perema, sempre altivo no primeiro combate no chão e ganhando todas as jogadas pelo alto. Foi indiscutivelmente a grande figura da partida, sem cometer erros e dando tranquilidade ao time nos momentos de maior pressão adversária.

Ajustar a defesa é um trunfo importante para encarar a Série B, competição difícil e extenuante, que exige regularidade dos times. Com o setor defensivo bem arrumado, o Papão inicia bem o campeonato com possibilidades de sonhar mais alto – se conseguir achar um camisa 10 de verdade.

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Bola na Torre

Guilherme Guerreiro apresenta, com as participações de Valmir Rodrigues e este escriba de Baião. Programa começa às 21h, na RBATV.

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Os vícios do melhor técnico do país

Tite é uma das poucas unanimidades nacionais nos dias de hoje. Ninguém discute seus méritos na ressurreição do futebol brasileiro depois da catástrofe na Copa do Mundo de 2014 e no período tenebroso sob o comando de Dunga.

É admirável a capacidade demonstrada por Tite de formatar uma Seleção Brasileira competitiva, sem abdicar do futebol vistoso e que encanta plateias. O êxito nas Eliminatórias fez com que em pouquíssimo tempo o torcedor trocasse a desesperança pela certeza de que é possível sonhar com o topo outra vez.

Apesar de todo o sucesso justamente desfrutado, Tite repete no escrete um velho vício de outros treinadores da Seleção: a mania de escolher nomes duvidosos para compor o elenco. Fagner, Gil, Rodriguinho, Taison e Giuliano. Não por acaso, os três primeiros de origem corintiana.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 21)