O que será do Vasco?

622_a59789a7-183c-37fa-af0a-b99ccc816981

POR MAURO CEZAR PEREIRA, na ESPN

No primeiro tempo do Allianz Parque, um time finalizou mais, acertou a trave, exigiu do goleiro adversário, roubou bola perto da área rival e por pouco não marcou. Era o Vasco. Mas foi o Palmeiras que voltou ao vestiário no intervalo com o placar a favor, 2 a 0.

Dada a saída para a etapa complementar, mais um gol palmeirense. Se alguém tinha dúvidas sobre quem levaria três pontos na primeira rodada da Série A, elas desapareceram ali. E ainda houve mais um tento, fechando a vitória alviverde, 4 a 0.

Não faz sentido entrar em discussão por conta do polêmico pênalti que gerou a abertura do placar. A distância entre os times foi tamanha que o Palmeiras goleou sem que uma grande exibição fosse necessária. Cuca reapareceu diante do adversário ideal.

Por mais que os vascaínos tenham igualado o jogo em parte do primeiro tempo e ameaçado empatar, a retarguarda de São Januário estava lá, pronta para inviabilizar qualquer reação. Será esse o destino do clube em mais um retorno da segunda divisão?

Milton Mendes assumiu o elenco na parte final do campeonato carioca. Jogadores chegaram, outros saíram e jovens estão subindo. Mas a fragilidade defensiva vista nos 3 a 0 para o Fluminense que eliminaram a equipe do Campeonato Estadual e nesta reestreia na primeira divisão foi de apavorar.

Contratar desesperadamente pode ser um passo. Estruturar o time para que o sistema defensivo seja bem protegido é urgente. Há bons jogadores gente experiente no elenco. Mas se continuar jogando com tamanha exposição, o sofrimento da cansada torcida vascaína será grande. Mais uma vez.

Expansão da inteligência artificial abre novas fronteiras

POR DAVI FERNÁNDEZ, de Madri – no El País

Não é ficção científica; seus efeitos já estão aqui. Ainda ecoam as palavras do cientista e programador Andrew Ng nas salas de aula da escola de negócios de Stanford: “É a maior revolução desde a introdução da eletricidade há 100 anos. Não vejo nenhum setor que não será transformado a médio prazo”. Trata-se da inteligência artificial. Uma tecnologia que ilumina um florescente negócio, cujas receitas crescem a uma taxa anual de 55%. O dinheiro chama o dinheiro e o financiamento de projetos nesse campo aumentou 8,5 vezes desde 2012. As máquinas que pensam como seres humanos contribuirão para a melhoria da produtividade impulsionando assim o crescimento econômico. O lado B é a destruição de centenas de milhares de empregos. Em um modelo econômico transformado em um jogo de soma zero, haverá países e empresas que ganharão à custa do resto. Por enquanto, um grupo avançado, liderado pelos EUA e suas corporações, leva vantagem nessa transformação.

Ao falar de inteligência artificial, a tendência natural é pensar em robôs, mas essa tecnologia é muito mais. O automóvel autônomo ou o sistema de reconhecimento de voz são filhos dela. Também bebem dos seus avanços as fintech e os diagnósticos de doenças por meio de algoritmos, entre centenas de aplicações industriais. Seu raio de ação é tal que a primeira tarefa é delimitar seu campo de jogo, buscar uma definição. “É um software que imita uma série de processos da mente que consideramos complexos, inteligentes e exclusivos do ser humano”, descreve Manuel Fuertes, presidente do Grupo Kiatt. “Baseia-se na compreensão do ambiente que nos rodeia e em extrair e analisar uma série de dados por meio da experiência ou do aprendizado, para depois raciocinar e tomar decisões por conta própria”, acrescenta o especialista, que também é associado do centro Oxford University Innovation.

Uma dificuldade na definição dos sistemas cognitivos é que parece que sempre é algo que está por chegar. Além disso, quando aplicados a uma determinada área, sua denominação muda. Um exemplo é o serviço do Google Maps ou as plataformas logísticas da Amazon. “Isso dá uma aura futurista que causa medo. Muitas vezes se confunde a forma com o conteúdo: não falamos tanto sobre robôs, mas da capacidade das máquinas para aplicar padrões de raciocínio”, diz Elena Alfaro, responsável de Data & Analytics do banco BBVA. O banco tem uma equipe de 50 pessoas especializadas em sistemas cognitivos que trabalham para melhorar a experiência do cliente – oferecendo-lhe, por exemplo, produtos personalizados –, bem como no desenvolvimento de processos internos ligados à gestão de risco ou à detecção de fraudes internas.

A origem da inteligência artificial remonta aos avanços obtidos por Alan Turing durante a Segunda Guerra Mundial na decodificação de mensagens. O termo como tal foi usado pela primeira vez em 1950, mas somente na década de oitenta a pesquisa começou a crescer com a resolução de equações de álgebra e análise de textos em diferentes idiomas. A decolagem definitiva chegou na última década graças a ter coincidido em tempo real com o crescimento da Internet e à potência dos microprocessadores. “A inteligência artificial pode ser a tecnologia mais perturbadora que o mundo já viu desde a revolução industrial”, escreveu recentemente Paul Daugherty, diretor de tecnologia da Accenture, em um artigo publicado pelo Fórum Econômico Mundial. “Esse campo está florescendo agora devido ao aumento da computação ubíqua, aos serviços na nuvem de baixo custo, aos novos algoritmos e outras inovações”, acrescenta Daugherty.

Esse salto qualitativo dos sistemas cognitivos começa a se traduzir em um próspero negócio. A adoção dessa tecnologia em uma ampla gama de indústrias disparará a receita das empresas que se dedicam a ela, que deve pular dos 8 bilhões de dólares (cerca de 25 bilhões de reais) obtidos no ano passado em todo o mundo aos 47 bilhões em 2020, de acordo com um estudo realizado pela International Data Corporation (IDC). “Os desenvolvedores de software e seus clientes começaram a testar a inteligência artificial em quase todas as aplicações e processos empresariais”, diz David Schubmehl, especialista dessa consultoria.

A IBM é uma das pioneiras no uso comercial da tecnologia. Em 2011, apresentou seu computador Watson no programa de televisão Jeopardy!, onde a máquina derrotou dois dos principais concorrentes de sua história. Desde então, o IBM Watson evoluiu em múltiplas aplicações. No campo da medicina, por exemplo, o percurso da inteligência artificial é enorme. A multinacional norte-americana realizou um programa-piloto com o hospital Memorial Sloan Kettering, de Nova York, centro de referência em questões relacionadas ao câncer. O sistema foi treinado com os 25 milhões de artigos acadêmicos publicados sobre o câncer. O resultado é que o Watson, em uma amostra de 1.000 pacientes, fez o mesmo diagnóstico que os médicos em 99% dos casos. Além disso, em 30% dos casos o tratamento recomendado foi ainda melhor, pois o programa teve acesso a estudos que tinham escapado ao olho dos seres humanos.

Essa tecnologia é muito mais do que robôs; abarca do automóvel autônomo até a medicina

A intenção da empresa é vender esse programa a um preço próximo de 250 dólares por paciente. “Vamos aprender mais rapidamente. A inteligência artificial não substitui a pessoa, mas aumenta a capacidade de fazer melhor seu trabalho ao expandir seu campo cognitivo, até agora limitado”, diz Alejandro Delgado, especialista da IBM.

Nessa viagem rumo a um novo mundo já se divisa a próxima escala, chamada machine learning, ou seja, ensinar as máquinas a buscar e interpretar os dados corretamente. Quando isto for alcançado, os sistemas informáticos poderão ser atualizados, tornando-se mais inteligentes sem ter de depender da ajuda de programadores. “A pesquisa se concentra em ensinar os softwares a ler, ouvir e visualizar uma variedade de conteúdos e fornecer uma resposta lógica entre aquelas que figuram em sua ampla base de dados”, segundo Manuel Fuertes.

Nessa aprendizagem, graças à expansão da Internet das coisas – conexão entre objetos entre si e o envio constante de dados entre eles –, em breve se conseguirá que as máquinas ensinem coisas umas às outras. Por exemplo, no domínio do automóvel autônomo estão sendo desenvolvidos algoritmos para que os veículos possam ser avisados em caso de acidente ou se as condições meteorológicas mudarem, para que alterem por conta própria os parâmetros de direção. “A inteligência artificial é uma das tecnologias que formam o nosso conceito de Indústria 4.0 e contribui para a digitalização das empresas. Em uma organização se gera muito conhecimento e os sistemas cognitivos permitem que esses dados sejam retidos, classificados e se tornem acessíveis a todos os trabalhadores”, diz David Pozo, especialista da Siemens. Em algumas empresas são usados sensores para coletar dados que, processados pela inteligência artificial, permitem evitar acidentes de trabalho ou detectar possíveis falhas muito antes que se tornem um problema sério.

Ganhadores e perdedores

Quando os bancos de investimento e os grandes fundos designam analistas para investigar o impacto da inteligência artificial é um sinal inequívoco do dinheiro que há em jogo. James Gautrey, gestor da Schroders, uma das maiores gestoras de fundos da Europa, publicou recentemente um relatório sobre esse assunto que alerta para a importância de estar na vanguarda do progresso. “Aquelas empresas que adotarem a tecnologia rapidamente desfrutarão de vantagens competitivas como menores custos ou maior velocidade para responder às exigências do mercado. Se uma indústria não se mover nessa direção com diligência suficiente, novos concorrentes surgirão. Aqueles que quiserem ter um crescimento sustentado, no entanto, terão de desenvolver sua própria tecnologia. Se todas as soluções forem compradas de fornecedores externos, a velocidade de adoção será o único fator de diferenciação”, argumenta Gautrey.

A inteligência artificial requer grandes investimentos e, o que às vezes é mais difícil do que o financiamento, exige contar com o talento certo para desenvolver esses sistemas. Portanto, ainda são muitas as empresas que não podem seguir as recomendações do gestor da Schroders e têm de recorrer a soluções externas. Na Espanha, um dos principais fornecedores é a Indra. No caso dela, 10% do volume total de vendas já está associado à computação cognitiva. No campo da gestão de clientes, por exemplo, oferece chatbots, agentes virtuais que podem interagir com voz ou texto para atender automaticamente em aplicativos, sites ou outro tipo de canais. A empresa também desenvolveu um sistema de análise de vídeo para detectar em tempo real peças defeituosas na cadeia de fabricação. Outra de suas áreas de pesquisa está relacionada com os drones, que exigem grandes quantidades de informação.

“As empresas tendem a se tornar mais competitivas e eficientes em custos, oferecendo produtos e serviços ultrapersonalizados no momento preciso, melhorando os níveis de serviço e maximizando a experiência positiva do cliente em todas as interações, prevendo comportamentos, antecipando e reduzindo os riscos… e em tudo isso a inteligência artificial contribui decisivamente”, diz Juan Francisco Gago, responsável de tecnologias da Minsait, a unidade de negócio da Indra especializada na transformação digital.

Destruição de emprego

O advento da inteligência artificial terá um impacto negativo no mercado de trabalho. Um dos estudos mais abrangentes nesse sentido é o que foi realizado por dois professores de Oxford, Benedikt Frey e Michael Osborne, segundo o qual 47% dos empregos nos EUA correm o risco de serem substituídos por máquinas. O estudo é um pouco antigo (2013), tendo em vista a velocidade com que os sistemas cognitivos evoluem, mas suas conclusões são semelhantes às de pesquisas recentes. O Bank of America Merrill Lynch prevê que, em 2025, o impacto negativo da inteligência artificial poderia chegar a uma faixa entre 14 trilhões e 33 trilhões de dólares, incluindo nove trilhões de economia por meio da automação dos postos de trabalho. O McKinsey Global Institute coloca em perspectiva o momento em que vivemos: “A contribuição da inteligência artificial na transformação da sociedade será 3.000 vezes maior do que a revolução industrial”.

A robotização tomará de assalto as atividades de manufatura em vários campos, como o têxtil e a eletrônica, pois permitirá acelerar a produção e torná-la mais eficaz. “Mas à medida que for ficando mais complexa, essa tecnologia eliminará outros trabalhos que envolvem uma grande especialização e preparação acadêmica, tais como a contabilidade, a leitura e a redação de relatórios ou contratos. Quem pode interpretar a lei com mais exatidão do que um software desprovido de sentimentos?”, argumenta Manuel Fuertes.

Os especialistas consultados reconhecem que o impacto da robotização no mercado de trabalho é inegável. Por isso instam os políticos a buscar soluções, incluindo o estudo da viabilidade de propostas como a renda básica universal. No entanto, também querem enfatizar os aspectos positivos. “Sempre que a humanidade esteve em um ponto de inflexão semelhante, a adoção dos avanços tecnológicos abriu oportunidades, gerando novos empregos. Não é justo colocar toda a pressão sobre a distribuição da riqueza em uma determinada tecnologia. O que devemos considerar são novos modelos para que esses avanços melhorem a vida das pessoas”, diz Elena Alfaro.

Atuação fraca, estreia 100%

unnamed

POR GERSON NOGUEIRA

Apesar da falta de entrosamento e do baixo rendimento fraco da maioria dos estreantes, o Remo saltou uma fogueira ao estrear ontem na Série C. Contra o Fortaleza, principal adversário na luta pela classificação, o time de Josué Teixeira resistiu como pôde às investidas do visitante e acabou chegando à vitória com um gol de pênalti já na metade do segundo tempo.

Inteiramente modificado, com sete novidades na escalação, era natural que surgissem problemas de sincronização entre defesa, meio e ataque. Só não se imaginava que os jogadores errassem tanto nos passes e desarmes.

Durante o primeiro tempo, o Fortaleza foi bem mais presente ofensivamente, com ataques perigosos e que só não resultaram em gol pela boa presença do zagueiro Bruno Costa, o melhor dos novatos, e também por uma crônica dificuldade de finalização dos atacantes cearenses.

Ainda assim, logo no começo do 2º tempo, Iago perdeu uma oportunidade clara de gol após descuido de marcação da defesa remista. Aos 28’, já com Gabriel Lima em campo, substituindo a Mikael, surgiu o gol azulino.

O lance nasceu de uma falha da zaga, após chutão de Tsunami em direção ao ataque. Edgar avançou com a bola e foi tocado por um zagueiro quando ia finalizar. Nino Guerreiro cobrou o pênalti e botou o Remo em vantagem.

De maneira geral, estreias são naturalmente difíceis, principalmente contra adversários tradicionais, mas o excesso de estreias quase complicou a vida do Leão. Reformulado e de técnico novo (Paulo Bonamigo), o Fortaleza teve domínio das ações e demonstrou maior aproximação entre os setores.

O Remo não encaixou nenhuma boa jogada de aproximação. Daniel Damião errou muito na lateral direita e Tsunami se afobava nas jogadas pela esquerda. No meio, Danilinho limitou-se a passes laterais e não pareceu ser o camisa 10 capaz de arrumar o setor de criação. Kaio Wilker, que o substituiu, também não mostrou rigorosamente nada.

O Fortaleza só não foi mais perigoso porque seus atacantes eram dispersivos demais e quase não arriscavam chutes de fora da área.

Ficou para o Remo, além do grande resultado, a certeza de que muitos dos que disputaram o Estadual ainda terão utilidade na Série C. Dos estreantes só Bruno Costa e Nino Guerreiro mostraram qualidades. Edgar foi, de novo, o jogador mais decisivo, sempre num nível acima dos demais.

————————————————————————————————-

Desempenho sofrível, resultado excelente

No sábado à noite, em jogo sofrível no aspecto técnico, o Papão superou o Oeste com dois gols na etapa final e estreou com vitória na Série B, coisa que não acontecia há 19 anos. Foram grandes as dificuldades encaradas pelo time alternativo montado por Marcelo Chamusca para o jogo.

Com apenas dois titulares (Emerson e Augusto Recife), Chamusca armou o Papão com a zaga reserva e a presença de quatro estreantes – Peri, Fernando Gabriel, Wellington Jr. e Marcão.

Os primeiros movimentos denunciaram a falta de conjunto e uma certa apatia do time. O Oeste, também estreando vários atletas, não chegava a ameaçar, mas era mais organizado na construção de jogadas.

No início do 2º tempo, um grande susto. Robert encobriu Emerson e marcou para o Oeste. O gol acabaria anulado erradamente pelo auxiliar, que apontou impedimento. Na sequência, aos 7 minutos, o Papão achou o seu gol. Após escanteio, a bola sobrou para Fernando Gabriel, que bateu cruzado. A bola desviou no zagueiro Garuth e entrou.

A partir daí, o time se encolheu, esperando os avanços do Oeste para contra-atacar. Apesar de se fechar bem, o Papão não acertava o último passe para explorar os contragolpes.

Foi preciso que Bergson, Diogo Oliveira e Rodrigo entrassem para dar mais sustança à equipe. O segundo gol veio em pênalti sofrido e cobrado por Bergson.

A atuação não foi de encher os olhos, mas o resultado foi excepcional para uma estreia.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 15)