Só no Brasil mesmo pra fazer greve em dia útil

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POR GREGÓRIO DUVIVIER, na Folha de SP

Tem certas coisas que só existem no Brasil mesmo. Sexta-feira vimos surgir um novo fenômeno bem brasileiro: a greve em pleno dia de trabalho. Greve, como todos sabem, é algo que se faz no feriado, pra não atrapalhar ninguém. O marido da Ana Hickmann calcula que perdeu R$ 25 mil. Vocês já viram a sala da casa dele? Aquilo precisa de 15 pessoas pra limpar. Deve tá uma nojeira.
Claro que o trabalhador pode protestar. Mas primeiro tem que pensar na sociedade. Tem que escolher um dia bom. Feriado serve pra isso: você pode ir à praia, ao sítio ou fazer greve. Vai do gosto de cada um.
Jesus, por exemplo, poderia ter nascido em qualquer dia. Mas nasceu no Natal. Por quê? Porque era feriado. Ele sabia que quando nascesse ia parar tudo, daí ele escolheu uma data em que já tá tudo parado, pra não atrapalhar o marido da Ana Hickmann. E ainda nasceu uma semana antes do Réveillon, numa época que todo o mundo já tá mais tranquilo, dá pra emendar as duas datas, ir pra Bahia. E vamos combinar que ele morreu numa época ótima, também. Mas isso a gente deve aos romanos. Os romanos sabiam tudo de calendário. Podiam ter matado Jesus em qualquer época, mas escolheram a Páscoa, pra não atrapalhar o trânsito nem a vida de ninguém.
D. Pedro foi outro que arrasou: declarou a independência num feriado, o Sete de Setembro, pra não atrapalhar a vida de ninguém. Tem dia melhor pra declarar a independência que o Dia da Independência? Matou dois coelhos com um feriado só.
O problema é que o pessoal quer fazer baderna. Desse jeito ninguém consegue nada. O que falta nesse povo é gentileza. Quer alguma coisa? Pede com jeitinho. E para de falar mal da pessoa pra quem você tá pedindo. É indelicado.
Na última pesquisa só 4% de vocês disseram que o governo do Temer era bom ou ótimo. Se vocês ficarem falando mal do presidente, por que é que ele iria ajudar vocês? Tem que respeitar pra ser respeitado.
Uma ideia pra vocês: os sindicalistas, como todos sabem, estão entre os homens mais ricos do país (ver “Forbes”). Por que não fazem uma vaquinha pra mandar flores pro presidente? Um patinete pro Michelzinho? Uma limpeza espiritual no Alvorada? Tem que pensar no outro. Não deve tá fácil pro Temer, nem os fantasmas deixam ele trabalhar. Tem um pessoal ótimo que faz esse trabalho de limpeza, chama Ghostbusters. Um pouquinho mais de gentileza, por favor.

Hehehe…

Pantera e Galo empatam em Santarém

São Raimundo e Independente empataram em 1 a 1 na tarde desta segunda-feira, no estádio Barbalhão, em Santarém. O jogo abriu a disputa pelo terceiro lugar no Campeonato Paraense, posição que dará direito a uma vaga na Série D 2018. Monga abriu o placar para o Galo Elétrico e Erick Foca empatou ainda no primeiro tempo. O Barbalhão recebeu um público pagante de 850 pagantes, com renda final de R$ 13.362,00. A segunda partida será realizada na sexta-feira, em Tucuruí.

Leão confirma mais três reforços

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O Remo confirmou nesta segunda-feira mais três reforços para o elenco que disputará o Brasileiro da Série C. São o lateral direito Daniel Damião. o atacante Nino Guerreiro e o meia Kaio Wilker (foto acima). Os atletas foram avalizados pela comissão técnica e se incluem no teto orçamentário do clube.

Daniel Damião é natural do Rio, tem 28 anos e já defendeu Bangu, Guarani e Sampaio Corrêa. Kaio Wilker tem 24 anos, nasceu em Goiás e passou pelo Ypiranga, Mogi Mirim e Tupi de Juiz de Fora. Nino Guerreiro é natural da Bahia, tem 33 anos e teve passagens por Crac-GO, Juazeirense e Cuiabá.

Do trio, Daniel já foi integrado ao grupo e já participa normalmente dos treinos. Kaio e Nino já estão em Belém, mas ainda serão submetidos a exames médicos.

Neste ano eu não morro

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POR HENRIQUE ARAÚJO – O Povo-CE

Belchior eram seis: Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes. Desde o nome, então, o cantor e compositor apresenta-se sob a multiplicidade das máscaras, estilhaçado em identidades, todas igualmente verdadeiras: músico, pai, marido, cearense, amigo. E Belchior, que, a exemplo dos fenômenos que temos dificuldade de compreender, resultava da junção alucinada de tudo isso.

Não era apenas o homem que se refugiou na saudade, saindo em escapada quando se via atocaiado por uma dificuldade, existencial ou financeira. Não era só o vivente que arribava, à mercê da natureza. Nem somente o gênio de “A palo seco” e “Como nossos pais”. Tampouco era um falsário cujas contas, quase sempre no vermelho, punham-no em desatino constante, obrigando-o a peregrinar, numa manobra de sumiço quase teatral, aparecendo aqui e ali para confirmar que vivia.

Belchior eram seis, pelo menos. Talvez mais. E cada um deles deixará saudade, uma palavra-síntese na sua obra musical. Vocábulo que faz as vezes ora de nostalgia, ora de coragem, numa gangorra de significados que, à primeira vista, são imiscíveis. Mas Belchior era isto mesmo: um grito apanhado no ar. Nele vivíamos a pertença – ouvi-lo é estar no Ceará, onde quer que se esteja – e o sentimento de desenraizamento – a falta de seu corpo era como o vazio que deixa o que se vai prematuramente. E Belchior foi.

O cantor tinha sobretudo saudade. Do passado e do que ainda viria. É essa falta que os fãs cearenses têm de elaborar a partir de agora. O lugar sem nome do canto torto feito faca, uma imagem poética que traduz à perfeição as muitas duplicidades que habitavam o seu cancioneiro: palavra de dois gumes, voz cortante, corpo-embarcação, sugerindo que se está sempre em rota, não importam as direções que se anunciem. Sem querer, falando de si, Belchior resumiu a capital cearense: uma terra de gente em fuga, tangida e chegada por precisão.

Hoje é domingo, dia em que muitos bares fecham em Fortaleza. Não deveriam. Por dever de ofício, deveriam abrir e receber Belchior. Porque serão muitos batendo à porta, todos latinos, todos sem dinheiro no banco e vindos do Interior. Expediente normal nos balcões, cerveja coalhando as mesas, música solta e encontro de amigos. É assim que se cultiva uma saudade. É assim que podemos voltar a imaginar Belchior como nosso dom Sebastião, o rei português extraviado na batalha, de quem nunca se saberá, exceto que se perdeu e nunca mais se encontrou.

Assim foi Belchior. E por isso os bares têm obrigação de suspender a folga e receber com generosidade quem pedir uma bebida e uma música e perguntar: quando ele voltará? Talvez o garçom responda: não voltará. E será duro ouvir que a saudade não passa.

Mas gosto de pensar que Belchior não voltará porque não foi embora. Sempre esteve ali, na Praia de Iracema, nas ruas do Centro, na boemia da Gentilândia, em cada cearense que levanta voo sem destino certo e encara uma roda viva. Está na música, na maresia e nos palcos, como esteve ontem, homenageado por uma banda formada por baianos e mineiros tocando em frente à Ponte Velha, na comunidade do Poço da Draga, ao lado de um esqueleto de projeto que, mal nasceu, já é ruína. Tudo, como ele, muito cearense.

Belchior eram muitos no mesmo corpo. Não à toa, no Carnaval festejamos num bloco que explicita essa condição: “Os Belchior”, conjugando singular e plural num mesmo nome. São muitas saudades e agonias. Escutá-lo é se surpreender numa reza íntima que todo cearense aprende desde cedo: ano passado eu morri, mas neste ano eu não morro. Não morreremos. Mas vai doer a falta.

Belchior foi “embora sorrindo, sem ligar para nada”

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POR XICO SÁ, no El País

O mais literário dos compositores brasileiros, o trovador do Ceará sabia tudo a respeito das nossas dores e inquietações

O primeiro grande porre, no balneário do Caldas, em Barbalha (CE), foi sob efeito do disco “Alucinação” (1976). O vômito inaugural tinha um motivo, além da garrafa de aguardente Kariri com K: a estranheza diante da primeira dor de amor. Muitos amores depois, na conquista ou na perdição, lá estava o bigode também na vitrola. Belchior foi o cara que sempre cantou os fracassos e os triunfos desses rapazes latino-americanos sem dinheiro no bolso e vindos do interior.

O trovador do Ceará também embalou os roqueiros da metrópole e os corações selvagens dos subúrbios. Não por acaso, o comentarista Walter Casagrande (TV Globo), em plena decisão do campeonato paulista, deixou Ponte Preta x Corinthians de lado para dizer o quanto Belchior foi importante para traduzir as inquietações iniciais da sua geração a partir dos anos 1970.

Em diálogo com Beatles, Cego Aderaldo, Godard, Baudelaire, Dante, os Dylan (Bob e Thomas), Torquato Neto, Mário Faustino, Jorge de Lima, Albert Camus, Drummond, Roberto Carlos, Luiz Gonzaga e com o avesso de Caetano Veloso – “nada é divino, nada é maravilhoso!” – , o cearense soube cantar as nossas dores naqueles momentos em que não sabemos direito diagnosticá-las. Só sabemos que deveras sentimos. Saca aquela melancolia do domingo à tarde?

Momentos em que só nos resta tomar um trago e levar a agulha para riscar de novo este angustiado “Coração Selvagem” no vinil: “Meu bem, talvez você possa compreender a minha solidão/ O meu som, e a minha fúria e essa pressa de viver/ E esse jeito de deixar sempre de lado a certeza…”

No primeiro exílio, viagem ao redor do meu quarto de pensão da esquina da rua das Ninfas com rua do Progresso, no Hellcife, lá de novo estava Belchior, no começo dos 1980. “Minha rede branca/ Meu cachorro ligeiro/ Sertão, olha o Concorde/ Que vem vindo do estrangeiro/ O fim do termo “saudade”/ Como o charme brasileiro/ De alguém sozinho a cismar…”

No primeiro punhal de amor traído, no destino das inevitáveis partidas e na sensação de estranheza ou estrangeirismo, sempre haverá uma balada de Belchior. Ninguém interpretou melhor no Brasil essa permanente canção do exílio. O cearense é antes de tudo um cigano. O gênio de Sobral foi antes de tudo um exilado.

No inferno com Roberto

Sempre errante, cantou assim, em uma desconhecida canção do disco “Paraíso” (1982): “Um dia você me falou, em Andaluzia e em Valladolid/ Granada fica além do mar, na Espanha/ Molhou em meu vinho seu pão/ E também me falou em coisas do Brasil/ O FMI, Tom, poeta tombado na guerra civil…”

Falamos da faixa “E que tudo mais vá para o céu”, um diálogo-ruído com o inferno do rei Roberto. Na mesma música, o cara trata de uma certa dor do poeta Drummond e da asa negra da graúna alencarina. Ninguém celebrou mais a literatura brasileira em uma vida & obra musical do que Belchior. Nem mesmo Caetano, outro chegado nas citações das coisas que aprendeu nos livros.

Ainda com a agulha na mesma faixa do vinil, escuto um coro grego que diz assim: “Vá embora poeta maldito!/ O teu tempo maldito também já terminou”.

No que o trovador do Ceará responde: “E eu fui embora sorrindo, sem ligar pra nada;/ como vou ligar para essas coisas/ quando eu tenho a alma apaixonada? (…) “E eu quero mandar para o alto/ O que eles pensam em mandar para o beleléu/ E que tudo mais vá para o céu”.

Xico Sá, escritor e jornalista, é um dos autores do livro coletivo “Para Belchior com amor” (ed. Miragem, 2016).

Sem pinta de decisão

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POR GERSON NOGUEIRA

Foi o pior dos três clássicos da temporada. Amarrado e sem criatividade, o primeiro confronto pela decisão do campeonato não empolgou o torcedor. Ao longo dos 90 minutos, Papão e Leão se esmeraram em dar chutões, carrinhos e passes errados. Pouquíssimos lances dignos de aplausos. Os gols comprovam o panorama sofrível: surgiram muito mais pelas falhas das defesas do que pelos méritos dos atacantes.

O primeiro tempo mostrou um Remo mais desenvolto nos minutos iniciais, jogando em velocidade para explorar Gabriel Lima e Jaime. O problema é que, na falta de um organizador, via-se obrigado a ficar esticando bolas da defesa ao ataque. Ainda assim, era mais objetivo que o adversário. Aos 26 minutos, Jaime desperdiçou rebote de Emerson na pequena área.

Dois minutos depois, como se fosse um castigo pela má pontaria de Jaime, a defesa azulina vacilou em cobrança de falta executada por Diogo Oliveira e Bergson cabeceou livre para as redes de André Luiz. Foi o primeiro ataque produzido pelo Papão no jogo, o que revela o fraco rendimento do setor ofensivo do time de Marcelo Chamusca.

Com a vantagem, o Papão ficou mais tranquilo, embora não menos errático. Tocava bola para os lados e gastava o tempo. Diogo Oliveira, o armador, não armava. O Remo só ameaçava quando Edgar era lançado. No finzinho da primeira etapa, Leandro Carvalho entrou na área e ficou na cara do gol, mas o goleiro André Luiz conseguiu desviar o arremate.

No segundo tempo, Josué trocou Lucas por João Vítor, criando uma referência na área e abrindo caminho para Edgar manobrar pela esquerda em vantagem sobre o lateral Aírton. Aos 5 minutos, veio o empate. O lance nasceu justamente de uma arrancada de Edgar, que fintou o marcador e cruzou no segundo pau para Igor João desviar e marcar.

A partir daí, o clássico se tornou ainda mais travado e enfadonho. O Remo até esboçava a intenção de pressionar, mas faltava sempre o toque de qualidade na transição. Para piorar, Renan substituiu Jefferson (lesionado) e logo em seguida teve que sair também por força de contusão. Não sem antes receber um cartão amarelo por entrada dura.

Com o Papão repetindo a falta de inspiração para ações ofensivas, Chamusca tirou Alfredo e lançou Will, depois Diogo Oliveira e colocou Rodrigo Andrade, fechando ainda mais o meio. Por fim, substituiu Carvalho (apagado na partida) por Cearense, que só tocou na bola duas vezes. Não adiantou. Papão continuou inofensivo na frente.

Do lado remista, Josué preferiu não arriscar com Flamel e optou por Fininho, sem qualquer resultado prático. O momento mais agudo da etapa final foi um contra-ataque azulino puxado por João Vítor na direita. Ele ganhou disputa com Recife, cruzou para Edgar, que passou para Jaime. Este disparou por cima da trave com o gol escancarado e a alternativa de servir a João Vítor, livre no bico da pequena área.

Nos instantes finais, sem qualquer inspiração e com visível preocupação em garantir o placar, os bicolores não ameaçavam. Os azulinos ainda terminaram impondo pressão em chutes de média distância.

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Edgar e Perema, os melhores do clássico

Edgar, Zé Antonio, Igor João e Tsunami foram os melhores do lado remista, sendo que o novato Jefferson mostrou desprendimento na vigilância a Bergson. Igor apareceu muito bem na área para aproveitar o cruzamento de Edgar. Pelos erros de passes, Lucas foi o mais fraco. Jaime, apesar do esforço e da correria, desperdiçou duas ótimas chances de gol.

Nas hostes alvicelestes, Perema e Bergson se sobressaíram, com rendimento satisfatório. Recife foi produtivo enquanto teve fôlego. Alfredo, Aírton e Leandro Carvalho foram peças decorativas em campo.

Quanto aos técnicos, Josué continua com ampla vantagem sobre Chamusca nos clássicos. Tem mostrado melhor leitura de jogo e usa com mais sabedoria as opções (limitadas) que tem no elenco.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 01)