Chacina no Pará expõe escalada da barbárie em conflitos agrários no país

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POR MARÍA MARTÍN, no El País

Nove homens e uma mulher, trabalhadores rurais sem terra, foram mortos nesta quarta-feira durante uma ação policial numa fazenda do município de Pau d’Arco, no Pará, a 860 quilômetros ao sul da capital Belém. Policiais militares e civis foram até o local para cumprir 16 mandados judiciais, entre eles de prisão preventiva, temporária e buscas e apreensões, numa ação que investiga a morte, no dia 30 de abril, de um segurança da fazenda, que é alvo de disputa agrária. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Pará, os agentes foram recebidos a tiros e reagiram. No local foram recolhidas onze armas, entre elas um fuzil, mas não houve policiais feridos.

Os corpos das dez vítimas foram levados pela própria polícia ao necrotério da região, em Redenção, segundo informou a Folha. A fazenda Santa Lúcia, cenário do massacre, era motivo de disputa entre seu proprietário e trabalhadores sem terra. Desde maio de 2015, havia 150 famílias acampadas no local, conforme informações da Comissão Pastoral da Terra (CPT).

As famílias desejavam que o imóvel fosse destinado à reforma agrária. Em junho de 2015, seu proprietário, Honorato Barbinski Filho, ofertou a fazenda para esse fim por cerca de 32 milhões de reais, quase 10 milhões a mais que a avaliação do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) que não pode pagar mais do que os técnicos determinarem. Houve uma contraproposta de Barbinski, mas ainda acima da avaliação. A negociação acabou entrando num impasse e o propriétario desistiu da venda em 2016 para posteriormente entrar na Justiça com um pedido de reintegração de posse. Desde outubro do ano passado, o Incra procurava alternativas para reassentar as famílias pois como a propriedade é considerada produtiva a lei não permite a desapropriação.

Este é considerado o pior massacre por conflito agrário desde a chacina de Eldorado do Carajás, em 1996, na mesma região, quando tropas da PM mataram 19 pessoas que participavam de uma marcha pacífica do Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra. 21 anos depois, nenhum dos responsáveis foi punido.

A violência no campo pela disputa de terras massacra dezenas de trabalhadores ano após ano. “O Brasil tem uma das estruturas fundiárias mais concentradas do mundo, herança do sistema colonial. Cerca de 1% dos proprietários detém 60% das terras”, explica Bernardo Mançano, professor da Unesp e coordenador do Dataluta, banco de dados da luta pela terra.

Só em 2017, contando as últimas vítimas, foram mortas 36 pessoas, segundo cálculos da CPT, um terço delas no Pará. Em abril, nove trabalhadores rurais foram assassinados por pistoleiros encapuzados num acampamento em Mato Grosso, acendendo, mais uma vez, o alerta de conflitos por terra no Brasil. A região, no meio da floresta Amazônica, estava ocupada por cerca de 100 famílias desde os anos 2000 e é alvo de madeireiros e disputada por fazendeiros, que buscam áreas para a criação de gado.

“Os latifundiários estão cada vez mais querendo ampliar essa concentração de propriedades porque o agronegócio e as corporações multinacionais estão muito interessados em arrendar essas terras, com o beneplácito do Governo. A fronteira amazônica que pega Mato Grosso, Rondônia e Pará é a fronteira agrícola do Brasil, para onde os latifundiários querem se expandir, e onde mais assassinatos de posseiros, camponeses e indígenas estamos vendo. Se eles resistem são eliminados”, lamenta Mançano.

O relatório de violência de 2016 da CPT revelou uma média de cinco assassinatos por mês com 61 mortes de quilombolas, indígenas, líderes e integrantes dos movimentos sem terra. É um aumento de 22% das mortes em comparação com 2015. O informe também denuncia a criminalização dos movimentos do campo. Houve um aumento de 86% nas ameaças de morte, de 68% nas tentativas de assassinato e de 185% das prisões. Entre 1985 e 2016 1.834 pessoas perderam a vida em conflitos no campo, mas, segundo a organização, apenas 31 mandantes desses assassinatos foram condenados.

Moro absolve a mulher de Cunha, dona de contas em banco suíço

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Do Tijolaço

Não é só a propina da JBS que ajuda Eduardo Cunha a “ficar calmo”.

Deve estar, com toda a razão, calmíssimo agora, com a decisão do juiz Sérgio Moro – o mesmo que vetou mais da metade de suas perguntas para Michel Temer – de absolver sua mulher, Cláudia Cruz, cuja condenação por lavagem de dinheiro e de evasão fraudulenta de divisas havia sido pedida pelo Ministério Público.

Moro considerou que não havia provas suficiente para mostrar que havia dolo em Cláudia operar uma conta de mais de US$ 1 milhão, de 2008 a 2014, com recursos oriundos dos trustees Triumph SP (US$ 1.050.000,00), Netherton (US$ 165 mil) e Orion SP (US$ 60 mil).

Ela não teria obrigação de saber, segundo Moro, que o dinheiro teria origem ilícita.

Eram, afinal, os “alfinetes” da madame.

Ex-gremista sonha com vitória do Papão sobre o Colorado

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Ele ficou cerca de um ano no Grêmio, ainda nas categorias de base. E por pouco não se profissionalizou por lá. Agora, titular do Paissandu aos 23 anos, reencontra um antigo rival pela Série B do Brasileirão. Ansioso e querendo a vitória, Welinton Junior espera uma boa atuação diante do Internacional.

Sábado, o Papão recebe o grande favorito da competição. Até aqui, as duas equipes têm campanha igual. Dois jogos, uma vitória e um empate. Por isso também Welinton Junior quer voltar a vencer o antigo rival.

“É um jogo que todos querem jogar, é contra o Inter. Lembro da rivalidade que existia quando eu estava em Porto Alegre. Mesmo na base era uma loucura. Vamos em busca da vitória. Queremos vencer. Claro que temos que respeitar pela história e a força do Inter. Mas jogamos em casa. Somos fortes também”, avaliou.

Para o atacante, o Paissandu não pode fugir de suas caractarísticas. O jogador, aliás, quer mostrar serviço. “Claro que você fica empolgado, ansioso, pois é um grande jogo. Todos estão de olho. O que importa realmente é termos uma grande atuação coletiva, manter o nosso jogo, com equilíbrio. O Marcelo está trabalhando bem a semana para buscarmos essa vitória. Estou confiante. Quero ajudar o Paysandu a vencer e continuar nesse bom começo”, finalizou. (Da AV Assessoria)

Golpe baixo: Lava Jato e mídia criaram farsa com agendas da Petrobras

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Órgãos de mídia deram destaque sem qualquer checagem a informação falsa da equipe do procurador Deltan Dallagnol sobre reuniões de que participou Lula quando era presidente da República

No dia em que Lava Jato e imprensa dizem que Lula estava em reunião privada com executivos da Petrobras, o então presidente e comitiva eram recebidos em Riad, na Arábia Saudita (Foto: Ricardo Stuckert)

Em conluio com procuradores da Lava Jato em Curitiba, a Rede Globo, a Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo produziram semana passada mais uma farsa contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Agendas de ex-diretores da Petrobras, anexadas pelos procuradores à ação sobre o tríplex do Guarujá, foram manipuladas pela imprensa de forma a apontar uma falsa contradição no depoimento de Lula ao juiz Sérgio Moro.

A juntada de “documentos” sobre supostas “reuniões” de Lula com a diretoria da Petrobras não foi fruto da descoberta de algum segredo em um trabalho de investigação sério, mas uma tentativa tosca de reescrever a história e criminalizar atos como viagens oficiais ao exterior, reuniões interministeriais e cerimônias da Presidência acompanhadas pela imprensa.

Uma irresponsabilidade que atenta contra o papel institucional do Ministério Público em uma democracia. Parece que para a equipe de Deltan Dallagnol, o crime de Lula foi ter sido presidente da República. E a mesma imprensa que acompanhou e divulgou essas agendas durante os dois mandatos de Lula, agora dá manchetes sem checar nem mesmo seus próprios arquivos.

A fraude começou a ser montada em 15 de maio, cinco dias depois do depoimento de Lula. Naquela data, os procuradores anexaram 78 documentos aos autos, sem explicitar o propósito. Destes, 27 são cópias de agendas de ex-diretores, registrando “reuniões”, “almoços” e “jantares” com Lula. As cópias das agendas foram entregues pela Petrobrás aos acusadores de Lula, mas não à sua defesa.

Na manchete de 17 de maio, a Folha afirmou: “Lava Jato contraria com documentos fala de Lula a Moro”. Segundo o jornal, as agendas mostrariam que Lula não teve apenas duas reuniões com a diretoria da Petrobrás em seu governo, como ele havia declarado a Moro, mas, pelo menos, 23. O Estadão destacou “reuniões de Lula” com três ex-diretores condenados na Lava Jato. O Jornal Nacional juntou as duas coisas, elevou para 28 as supostas “reuniões” e citou o Ministério Público como fonte de suas ilações, numa reportagem de três minutos.

farsa desmorona quando se compara o que está escrito nas agendas da Petrobras e o que Lula realmente fez nas datas indicadas. Por exemplo: das 27 agendas, três se referem a recepções oferecidas por chefes de Estado a Lula e sua comitiva, em viagens internacionais: uma pelo presidente da China Hu Jintao, outra pelo rei da Arábia Saudita, Abdullah bin Abdul Aziz, e outra pela presidenta do Chile, Michelle Bachelet.

Pelo menos 14 agendas referem-se à participação de ex-diretores em cerimônias públicas nas quais Lula estava presente, em inaugurações, visitas a instalações da Petrobras ou em reuniões interministeriais, como as do Conselho Nacional de Política Energética. Não se tratam, portanto, de reuniões com a diretoria da Petrobras, muito menos de agendas com diretores específicos. E tudo realizado com cobertura da mídia.

Para verificar a veracidade das agendas (o que no jornalismo se chama checagem), basta conferir as datas mencionadas com a agenda de viagens nacionais e internacionais do ex-presidente Lula, que está disponível no site da Presidência da República.

As agendas da Petrobras mencionam duas supostas reuniões do delator Paulo Roberto Costa em Brasília, que não podem ser confirmadas porque o atual governo retirou do site da Presidência as agendas diárias de Lula. Mas o próprio delator afirmou, em dois depoimentos ao juiz Sergio Moro, um deles feito ontem (24), que nunca teve reuniões individuais com o ex-presidente Lula. Paulo Roberto da Costa fez essa declaração como testemunha, ou seja, com a obrigação de falar a verdade. Ele já havia dito o mesmo em depoimento anterior, mas a imprensa ignorou este fato para sustentar a farsa das agendas.

Não há dúvida de que as agendas foram plantadas no processo para desqualificar o depoimento de Lula em 10 de maio, o que nem mesmo seus maiores adversários conseguiram fazer. Uma imprensa imparcial ao menos teria checado os fatos antes de publicá-los sob o viés dos detratores de Lula. E não precisaria se esforçar tanto, pois muitos desses eventos foram noticiados pelos próprios jornais, como está registrado neste documento.

Lula foi o presidente brasileiro que mais visitou as diversas instalações da Petrobras em todo o País, em eventos públicos relacionados à empresa, que viveu forte valorização durante o seu mandato. Mais de 60 dessas visitas foram registradas pela imprensa. Quanto às reuniões com a diretoria, conforme declarou no depoimento, foram mesmo raríssimas. E Lula citou duas: uma para discutir o plano estratégico da empresa e outra para decidir o cancelamento de leilões para exploração de petróleo em áreas do pré-sal, quando ele foi descoberto, em 2008.

Os dados no link abaixo mostram a verdade sobre as agendas da Petrobras, revelam o golpe baixo dos procuradores de Curitiba e denunciam a indigência e parcialidade de um jornalismo que se comporta como papagaio da Lava Jato para difamar Lula. (Do Jornal GGN)