Retorno para ser festejado

POR GERSON NOGUEIRA

A volta de Leandro Carvalho é o principal trunfo do Papão para o confronto com o Inter, sábado, no Mangueirão. Desde que virou titular, Leandro tem sido peça decisiva no ataque alviceleste. Foi assim na Copa Verde e no Estadual. E, na Série B, nenhum dos novos contratados tem o mesmo potencial de explosão, dribles e chutes surpreendentes.

A importância de Leandro cresce ainda mais de envergadura com a anunciada ausência de Bergson (lesionado desde a final da Copa Verde). Sem o artilheiro, o técnico Marcelo Chamusca precisa dar ao ataque bicolor um mínimo de consistência e conjunto com o time.

É fato que, com Marcão e Wellington Jr. nas posições de frente, o time ainda não perdeu e se mantém no pelotão da frente na Série B. Ocorre que, mesmo com a movimentação que os dois tentam fazer, o ataque tem sido nulo. A não ser boa oportunidade contra o Paraná Clube, desperdiçada por Wellington, nada foi produzido pela linha ofensiva alviceleste até agora.

Esse detalhe não deve passar despercebido a Chamusca, que já se viu forçado a manter o discreto Alfredo no Parazão e na CV por absoluta falta de alternativas. Mesmo com o fraco rendimento de Alfredo, a dupla Bergson-Leandro Carvalho deu conta do recado e não permitiu que o Papão chegasse a sofrer por falta de gols.

A Série B, com seu profundo equilíbrio e imensas dificuldades, desafia a argúcia dos técnicos para solucionar problemas de elenco. A competição mais espinhosa do ano vai exigir de Chamusca análise rigorosa para descobrir os parceiros mais adaptáveis a Leandro no ataque. Contra o Inter, provavelmente, Marcão será o escolhido. A conferir.

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Ramos pode voltar, mas será cobrado em dobro

Quando todos já aguardavam um desfecho nos tribunais, a novela Eduardo Ramos volta à baila de maneira até inesperada. Gestões do lado do atleta teriam levado a diretoria a passar uma borracha no passado recente e aceitá-lo de volta no Evandro Almeida.

A ação impetrada por Ramos na Justiça do Trabalho, cobrando mais de R$ 3 milhões em salários atrasados e acordo descumprido, é o principal obstáculo à celebração de um acordo. Até o técnico Josué Teixeira teria concedido o perdão, desde que o meia se desculpe publicamente e se comporte como um profissional.

Para o momento atual do Remo, com um time em busca de conjunto e peças que não se encaixaram no setor de criação, Ramos seria a chamada sopa no mel. De qualidades inquestionáveis, com ampla aceitação junto à torcida, ele só é contestado no âmbito disciplinar.

Até isso, porém, parece estar sendo relativizado diante das evidentes necessidades que a equipe tem no meio-campo. Do pouco que se viu de Mikael, Rony, Danilo Caçador e Kaio Wilker é possível concluir que dificilmente um deles será capaz de exercer a função de armador e condutor da transição.

Caso realmente sacramente o seu reingresso no time, Ramos terá o peso redobrado de cobranças e responsabilidades. Não poderá mais vacilar como antes em momentos cruciais para o time, pois até o torcedor – que hoje o apoia – não terá mais paciência para novos pecados.

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Pratas da casa ganham destaque – lá fora

Betinho, Cicinho e Raul, todos revelados nas divisões de base do Remo, aparecem em destaque no noticiário deste começo de semana. Betinho trocou o Atlético-GO pelo Guarani. Cicinho é cobiçado pelo Corinthians. Raul foi apresentado como reforço do Braga para o certame português.

O curioso é que o Remo, como clube formador, só ganhou algum dinheiro com a transferência de Cicinho. Os demais deixaram o Baenão sob queixas da torcida e sem o devido reconhecimento.

Até um outro ex-azulino, também desacreditado por aqui, ganha espaço importante no novo São Paulo de Rogério Ceni. É Marcinho, que disputou a Série C 2016, tentou permanecer, mas não houve interesse em sua contratação. Não serviu para o Remo, mas serve para o S. Paulo.

(Coluna publicada no Bola desta quarta-feira, 24)

Após vazamento de conversa, Reinaldo Azevedo sai de Veja e Jovem Pan

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POR ANDERSON SCARDOELLI, no Comunique-se

Por mais de 11 anos, o jornalista Reinaldo Azevedo comandou o blog que leva o seu nome no site da revista Veja. Comandou. Passado. Nesta terça-feira, 23, ele anunciou que pediu demissão da publicação. A decisão foi tomada – e já acertada junto à direção do veículo de mídia – após conversas do blogueiro com a também jornalista Andrea Neves, irmã do senador (afastado) Aécio Neves (PSDB-MG), serem divulgadas pelo BuzzFeed News Brasil, que se pautou pelo documento anexado pela Procuradoria-Geral da República ao inquérito que investiga supostos crimes cometidos pelos irmãos Neves.

A reportagem do BuzzFeed News sobre a conversa grampeada é assinada por Filipe Coutinho. Com o caso vindo à tona, Reinaldo Azevedo usou o seu blog para anunciar sua saída da Veja. Ele afirma que pediu demissão, mas explica que o contrato dele com o site da revista “está sendo rompido”. A divulgação do grampo com a saída do colunista da publicação mantida pela Editora Abril tem a ver com o teor crítico do então blogueiro da casa em relação à reportagem de capa negativa a Aécio Neves. Além de registrar que “Reinaldo Azevedo e Andrea Neves declamam poemas um para o outro”, o texto do BuzzFeed pontua que o colunista definiu o trabalho da revista como “nojento”.

As conversas interceptadas pela Polícia Federal aconteceram nos dias 13 e 14 de abril, duas semanas após a Veja informar que a operação Lava Jato havia chegado a Aécio Neves. Sobre o teor do conteúdo do diálogo com Andrea, Reinaldo Azevedo informou que a irmã do parlamentar mineiro é sua fonte, assim como outras figuras da política nacional. Com o vazamento, o blogueiro criticou o que definiu como “estado policial”, uma vez que não é investigado. Ao tornar público o posicionamento que enviou à reportagem do BuzzFeed News [íntegra ao fim deste texto], o jornalista pontuou que a divulgação do telefonema feriu uma das garantias da profissão – que tem o sigilo de fonte preservado pela Constituição.

Ao encerrar o post em que comunica que está de saída da Veja.com, Reinaldo Azevedo cita o antigo e o atual diretor de redação da revista, Eurípedes Alcântara e André Petry, respectivamente. “Sempre escrevi o que quis. Nunca houve interferência”, escreveu o colunista. Sobre o período de existência de seu blog, que completaria 12 anos no ar no próximo mês, ele analisou: “o saldo é extremamente positivo. A luta continua”.

Reinaldo Azevedo fora da Jovem Pan

Em contato com a reportagem do Portal Comunique-se, Reinaldo Azevedo informou que não está de saída apenas da Veja.com. Ele adiantou que também pediu demissão da Jovem Pan, emissora em que era contratado desde dezembro de 2013. Com o fim da parceria com o jornalista, o veículo não levou ao ar nesta terça-feira, 23, o programa ‘Os Pingos nos Is’, que era comandado pelo comunicador desde abril de 2014. A JP, ao menos por hoje, estendeu a atração ‘3 em 1’, que tem o elenco formado por Vera Magalhães, Carlos Andreazza e Marcelo Madureira. “As razões da minha saída da rádio antecedem a agressão de que estou sendo vítima”, comentou o profissional que segue na Rede TV (onde grava comentários para o telejornal ‘Rede TV News’) e na Folha de S. Paulo (impresso para o qual produz colunas semanais).

Confira o posicionamento de Reinaldo Azevedo enviado ao BuzzFeed News Brasil e divulgado no post de despedida dele no blog da Veja:

1: não sou investigado;

2: a transcrição da conversa privada, entre jornalista e sua fonte, não guarda relação com o objeto da investigação;

3: tornar público esse tipo de conversa é só uma maneira de intimidar jornalistas;

4: como Andrea e Aécio são minhas fontes, achei, num primeiro momento, que pudessem fazer isso; depois, pensei que seria de tal sorte absurdo que não aconteceria;

5: mas me ocorreu em seguida: “se estimulam que se grave ilegalmente o presidente, por que não fariam isso com um jornalista que é crítico ao trabalho da patota?;

6: em qualquer democracia do mundo, a divulgação da conversa de um jornalista com sua fonte seria considerada um escândalo. Por aqui, não;

7: tratem, senhores jornalistas, de só falar bem da Lava Jato, de incensar seus comandantes;

8: Andrea estava grampeada, eu não. A divulgação dessa conversa me tem como foco, não a ela;

9: Bem, o blog está fora da VEJA. Se conseguir hospedá-lo em algum outro lugar, vocês ficarão sabendo;

10: O que se tem aí caracteriza um estado policial. Uma garantia constitucional de um indivíduo está sendo agredida por algo que nada tem a ver com a investigação;

11: e também há uma agressão a uma das garantias que tem a profissão. A menos que um crime esteja sendo cometido, o sigilo da conversa de um jornalista com sua fonte é um dos pilares do jornalismo.

Waters posta foto de Temer e pergunta: “Essa é a vida que queremos?”

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Não é segredo que a política brasileira está o mais puro caos, e isso claramente vem chamando atenção de personalidades internacionais ultimamente. Depois de Tom Morello mandar um “Fora Temer” enquanto tocava aqui no Brasil, agora o icônico Roger Waters se pronunciou sobre nosso atual presidente.

O ex-Pink Floyd  ativista declarado e sempre envolvido com estes assuntos — postou em sua página do Facebook uma montagem que traz Michel Temer sob a frase “Essa é a vida que realmente queremos?”, enquanto a postagem diz: “Brasil, é essa vida que vocês realmente querem?”.

A imagem faz clara alusão ao novo álbum de Waters, Is This the Life We Really Want?, a ser lançado no dia 2 de junho. Nos comentários da publicação, brasileiros se dividiram entre elogiar e atacar o músico.

Clique aqui para ver a postagem.

(Com informações do UOL e do TMDQA)

Com técnico ameaçado, Inter traz força máxima para enfrentar o Papão

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O Inter mal iniciou as andanças pela Série B, e Antônio Carlos Zago já convive com pressão para a sequência da competição nacional, com direito a protesto no Beira-Rio, após o empate frustrante em 1 a 1 com o ABC, pela 2ª rodada. Mas o comandante depara com um trunfo para a sequência de sua missão de devolver o Colorado à elite nacional, no próximo sábado, às 16h30, no Mangueirão, diante do Paissandu. Ao longo de uma semana livre para treinamentos, o treinador poderá fazer ajustes e testar alternativas – com três atacantes, ou não – com todas as principais opções à disposição pela primeira vez desde que iniciou a reformulação no elenco.

A formação do último sábado apresentou um Inter ofensivo, com três atacantes, fruto de uma explicação lógica: a estreia de William Pottker, artilheiro do Brasileirão de 2016 e do Paulistão deste ano – em suma, a principal contratação desta temporada. Mas o próprio Antônio Carlos Zago admitiu após o resultado adverso que o esquema não será uma “constante” nas demais partidas. Em especial, num duelo fora de casa que se avizinha.

Apesar do empate em casa, a atuação do último sábado, em especial na primeira etapa, também despertou elogios, a ponto de não fazer com que o esquema seja descartado totalmente. De fato, antes de cair de rendimento nos minutos finais, a equipe dominou plenamente o ABC no Beira-Rio com jogadas pelas laterais, explorando justamente a velocidade de Pottker e Cirino. Só não construiu vantagem maior do que o 1 a 0 com o camisa 99 pela falta de pontaria.

Com a manutenção do trio no ataque, Antonio Carlos teria de “quebrar a cabeça” com a fartura de opções para delinear seu meio-campo. Rodrigo Dourado deve seguir como volante mais recuado, com Felipe Gutiérrez, Edenílson e até Uendel disputando a segunda vaga do setor.

Para sábado, Antonio Carlos deve contar com Edenílson e Carlinhos. A dupla à disposição permite ao treinador retomar a formação com um tripé na primeira linha, no 4-3-2-1 que mais rendeu frutos ao Inter, após uma série de experiências no começo do ano. Com o esquema, o Colorado eliminou o Corinthians na Copa do Brasil e avançou à final do Gauchão, com derrota para o Novo Hamburgo na decisão.

A formação foi delineada com Rodrigo Dourado, Edenílson e Uendel, o que retira o espaço de um atacante na escalação colorada. Por posicionamento (e resposta dentro de campo), a tendência é de que Pottker siga aberto pela direita, com Nico centralizado na referência, antes ocupada por Brenner. D’Alessandro segue pelo meio, com uma espécie de lacuna pela esquerda, a ser preenchida pelas investidas de Uendel. Quem sobra – na teoria – é Marcelo Cirino. (Com informações do GE)

Amigo de Teixeira, ex-presidente do Barça é preso na Espanha

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Talvez um cartola estrangeiro nunca tenha sido tão próximo do futebol brasileiro quanto Alexandre Feliu Rosell, ou Sandro Rosell, como ele gosta de ser chamado. Rosell foi preso nesta terça-feira, na Espanha, acusado de lavagem de dinheiro e outros crimes.

Amigo íntimo do ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira (1989-2012), Rosell se hospedava nos mesmos hoteis da seleção brasileira em amistosos e competições pelo mundo. Na Copa América de 2011, disputada na Argentina, o então presidente do Barcelona andava no mesmo ônibus que transportava jogadores e comissão técnica da seleção.

Sandro Rosell foi executivo da Nike nos anos 90. Levou a empresa americana a patrocinar a CBF (num contrato que foi alvo de investigações no Brasil e nos EUA) e o Barcelona. Na condição de diretor do clube catalão, foi ele quem contratou Ronaldinho em 2003. Anos depois, já presidente, Rosell concretizou a transferência de Neymar – que até hoje motivo de diversas investigações no Brasil e na Espanha.

As suspeitas que cercam a negociação de Neymar levaram Rosell em 2014 a deixar o cargo de presidente do Barcelona, que ele ocupava desde 2010. Rosell também foi personagem decisivo na queda de Ricardo Teixeira do comando do futebol brasileiro. Os dois participaram da organização de um amistoso entre Brasil e Portugal disputado no estádio do Gama em 2008.

Uma empresa de Rosell, Ailanto Maketing, foi contratada sem licitação pelo governo do Distrito Federal para organizar a partida. Recebeu R$ 9 milhões e foi acusada pela Polícia Civil do DF de superfaturar custos com passagens áreas, hospedagens e outras despesas.

Na época, o governador do Distrito Federal era José Roberto Arruda, preso nesta quarta-feira acusado de cometer irregularidades na reforma do estádio Mané Garrincha. As prisões de Arruda e Rosell, apesar de terem sido efetuadas no mesmo dia, não estão relacionadas.

A Ailanto Maketing tinha sua sede registrada na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Por sinal, o prédio fica ao lado da atual sede da CBF. Ela foi aberta em 29 de maio de 2008, e encerrou oficialmente suas atividades no Brasil em 6 de maio de 2015. Na sala que ocupava em um prédio comercial na Zona Oeste do Rio, hoje funciona uma empresa que trabalha como locação de escritórios e salas comerciais. No local, todos dizem não conhecer o antigo ocupante.

Sandro Rosell e Ricardo Teixeira também atuaram juntos na campanha para levar a Copa do Mundo de 2022 para o Catar, campanha que foi alvo de muitas investigações sob alegação de compra de votos. (Do Globoesporte.com)