Após vazamento de conversa, Reinaldo Azevedo sai de Veja e Jovem Pan

24 de maio de 2017 at 3:04 3 comentários

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POR ANDERSON SCARDOELLI, no Comunique-se

Por mais de 11 anos, o jornalista Reinaldo Azevedo comandou o blog que leva o seu nome no site da revista Veja. Comandou. Passado. Nesta terça-feira, 23, ele anunciou que pediu demissão da publicação. A decisão foi tomada – e já acertada junto à direção do veículo de mídia – após conversas do blogueiro com a também jornalista Andrea Neves, irmã do senador (afastado) Aécio Neves (PSDB-MG), serem divulgadas pelo BuzzFeed News Brasil, que se pautou pelo documento anexado pela Procuradoria-Geral da República ao inquérito que investiga supostos crimes cometidos pelos irmãos Neves.

A reportagem do BuzzFeed News sobre a conversa grampeada é assinada por Filipe Coutinho. Com o caso vindo à tona, Reinaldo Azevedo usou o seu blog para anunciar sua saída da Veja. Ele afirma que pediu demissão, mas explica que o contrato dele com o site da revista “está sendo rompido”. A divulgação do grampo com a saída do colunista da publicação mantida pela Editora Abril tem a ver com o teor crítico do então blogueiro da casa em relação à reportagem de capa negativa a Aécio Neves. Além de registrar que “Reinaldo Azevedo e Andrea Neves declamam poemas um para o outro”, o texto do BuzzFeed pontua que o colunista definiu o trabalho da revista como “nojento”.

As conversas interceptadas pela Polícia Federal aconteceram nos dias 13 e 14 de abril, duas semanas após a Veja informar que a operação Lava Jato havia chegado a Aécio Neves. Sobre o teor do conteúdo do diálogo com Andrea, Reinaldo Azevedo informou que a irmã do parlamentar mineiro é sua fonte, assim como outras figuras da política nacional. Com o vazamento, o blogueiro criticou o que definiu como “estado policial”, uma vez que não é investigado. Ao tornar público o posicionamento que enviou à reportagem do BuzzFeed News [íntegra ao fim deste texto], o jornalista pontuou que a divulgação do telefonema feriu uma das garantias da profissão – que tem o sigilo de fonte preservado pela Constituição.

Ao encerrar o post em que comunica que está de saída da Veja.com, Reinaldo Azevedo cita o antigo e o atual diretor de redação da revista, Eurípedes Alcântara e André Petry, respectivamente. “Sempre escrevi o que quis. Nunca houve interferência”, escreveu o colunista. Sobre o período de existência de seu blog, que completaria 12 anos no ar no próximo mês, ele analisou: “o saldo é extremamente positivo. A luta continua”.

Reinaldo Azevedo fora da Jovem Pan

Em contato com a reportagem do Portal Comunique-se, Reinaldo Azevedo informou que não está de saída apenas da Veja.com. Ele adiantou que também pediu demissão da Jovem Pan, emissora em que era contratado desde dezembro de 2013. Com o fim da parceria com o jornalista, o veículo não levou ao ar nesta terça-feira, 23, o programa ‘Os Pingos nos Is’, que era comandado pelo comunicador desde abril de 2014. A JP, ao menos por hoje, estendeu a atração ‘3 em 1’, que tem o elenco formado por Vera Magalhães, Carlos Andreazza e Marcelo Madureira. “As razões da minha saída da rádio antecedem a agressão de que estou sendo vítima”, comentou o profissional que segue na Rede TV (onde grava comentários para o telejornal ‘Rede TV News’) e na Folha de S. Paulo (impresso para o qual produz colunas semanais).

Confira o posicionamento de Reinaldo Azevedo enviado ao BuzzFeed News Brasil e divulgado no post de despedida dele no blog da Veja:

1: não sou investigado;

2: a transcrição da conversa privada, entre jornalista e sua fonte, não guarda relação com o objeto da investigação;

3: tornar público esse tipo de conversa é só uma maneira de intimidar jornalistas;

4: como Andrea e Aécio são minhas fontes, achei, num primeiro momento, que pudessem fazer isso; depois, pensei que seria de tal sorte absurdo que não aconteceria;

5: mas me ocorreu em seguida: “se estimulam que se grave ilegalmente o presidente, por que não fariam isso com um jornalista que é crítico ao trabalho da patota?;

6: em qualquer democracia do mundo, a divulgação da conversa de um jornalista com sua fonte seria considerada um escândalo. Por aqui, não;

7: tratem, senhores jornalistas, de só falar bem da Lava Jato, de incensar seus comandantes;

8: Andrea estava grampeada, eu não. A divulgação dessa conversa me tem como foco, não a ela;

9: Bem, o blog está fora da VEJA. Se conseguir hospedá-lo em algum outro lugar, vocês ficarão sabendo;

10: O que se tem aí caracteriza um estado policial. Uma garantia constitucional de um indivíduo está sendo agredida por algo que nada tem a ver com a investigação;

11: e também há uma agressão a uma das garantias que tem a profissão. A menos que um crime esteja sendo cometido, o sigilo da conversa de um jornalista com sua fonte é um dos pilares do jornalismo.

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3 Comentários Add your own

  • 1. lopesjunior  |  24 de maio de 2017 às 7:48

    Reinaldo trata corretamente do abuso de autoridade na sua reclamação, mas pelos motivos errados. Sempre se soube que tucanos tinham tratamento especial pela imprensa e Reinaldo simboliza isso muito bem.

    Curtir

  • 2. Antonio Oliveira  |  24 de maio de 2017 às 8:15

    Ainda não tive tempo de me inteirar do caso. Mas, deinterlocb posso indagar: quer dizer que, no caso concreto, a interlocutora era fonte? Ah, eu respondo logo, também: Pois, sim!

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  • 3. Patricia Paula  |  24 de maio de 2017 às 13:25

    Quem vazou a conversa de #ReinaldoAzevedo e #AndreaNeves tinha a clara intenção de jogar a opinião publica contra a #PGR e a #LavaJato.

    A Procuradoria-Geral da República esclarece que a informação veiculada na matéria do Buzzfeed “PGR anexa grampos de Reinaldo Azevedo com Andrea Neves em inquérito (…)” está ERRADA. A PGR não anexou, não divulgou, não transcreveu, não utilizou como fundamento de nenhum pedido, nem juntou o referido diálogo aos autos da Ação Cautelar 4316, na qual Andrea Neves figura como investigada.

    Todas as conversas utilizadas pela PGR em suas petições constam tão somente dos relatórios produzidos pela Polícia Federal, que destaca os diálogos que podem ser relevantes para o fato investigado. Neste caso específico, não foi apontada a referida conversa.

    A ação cautelar contém quatro mídias. As duas primeiras referem-se aos termos de confidencialidade firmados com os colaboradores (folhas 55 e 57), anexados com a inicial da cautelar. As outras duas, diretamente juntadas pela PF, referem-se aos relatórios (autos circunstanciados) parciais de análise das interceptações telefônicas autorizadas pelo ministro-relator (folha 249, anexada dia 24/04, e folha 386, anexada dia 19/05).

    A Ação Cautelar 4316 ainda não deu a primeira entrada na PGR, tendo sido aberta vista pelo ministro Edson Fachin apenas nesta terça-feira, 23 de maio, com chegada prevista para quarta-feira, 24 de maio.

    *Com informações do STF

    Assessoria de Comunicação Estratégica do PGR
    Procuradoria-Geral da República
    pgr-noticias@mpf.mp.br
    (61)3105-6400/6405

    http://www.mpf.mp.br/pgr/noticias-pgr/nota-de-esclarecimento-6/view

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