
POR GERSON NOGUEIRA
O cenário parecia perfeito para a segunda vitória do Remo em casa. Tarde de sol e mais de 25 mil pessoas no Mangueirão, vibrando e incentivando o time. Pena que o time não conseguiu repetir as boas atuações recentes e acabou derrotado de virada diante do Fenômeno Azul, após ter um jogador expulso por atitude inapropriada ainda no 1º tempo.
No começo, só alegria. O lance do gol azulino fez a torcida entrar em delírio. Aos 13 minutos, Marcelinho avançou pela direita e cruzou para a área, onde Jajá chegou batendo para as redes. Tudo parecia perfeito.
Acontece que o Remo foi recuando e abandonou o ataque, empurrado pela troca de passes em velocidade do Atlético, principalmente pela ação direta de Zapelli, Felipinho e Claudinho, que passaram a tomar conta do jogo. As chances atleticanas começaram a surgir. Os atacantes Mendoza e Viveros chutaram duas vezes, para boas defesas de Marcelo Rangel.
Zapelli chegou a empatar o jogo, mas o gol foi anulado porque a bola tocou em seu braço antes de entrar. Aos 30’, o Remo teve um contragolpe perfeito para matar o jogo. Vítor Bueno avançou com a bola até a entrada da área, com Manga e Jajá abertos pelos lados contra apenas um zagueiro, mas retardou a passada e foi desarmado.
O castigo veio aos 45’, quando Claudinho cruzou da esquerda à meia-altura, Tchamba não conseguiu interceptar e a bola chegou ao artilheiro Viveros, que só teve o trabalho de tocar para o gol. Logo a seguir, o atacante Jajá foi travado quando ia finalizar, caiu e ficou discutindo com o zagueiro Benavidez. Passou do ponto e fez um gesto obsceno, punido com o cartão vermelho após consulta ao VAR.
Não podia haver uma situação pior para o Remo na partida. Além de ter sofrido o empate, perdeu seu atacante mais incisivo e agudo. A equipe foi para o intervalo e, na volta, o técnico Léo Condé substituiu Yago Pikachu por Mateus Alexandre, reeditando a dobra com Marcelino na direita. Desta vez, não funcionou.
Podia ter sido mais precavido, tirando Vítor Bueno, que não marcava e produzia pouco. Antes que ele providenciasse essa mudança, aos 8 minutos, o Furacão pressionou e chegou ao segundo gol, novamente com Viveros, que se beneficiou de um erro de passe do volante Patrick.
Depois do prejuízo, Condé enfim decidiu substituir Bueno e Patrick por Leonel Picco e Gabriel Poveda, aos 13′. O Remo voltou a sair de seu campo, mas insistia em cruzamentos e não finalizava em direção ao gol.
A melhor chance veio aos 27’, quando Mayk cruzou e Marcelinho foi empurrado dentro da área. O árbitro marcou o pênalti, mas foi chamado ao VAR e mudou de ideia rapidamente, quase sem revisar as imagens. O Furacão ainda fez o terceiro gol, no apagar das luzes, mas Leozinho foi flagrado em impedimento e o lance foi invalidado.
Frustração no Mangueirão e revolta da torcida com a arbitragem e com a atitude 5ª série do atacante Jajá, que prejudicou decisivamente o Leão. (Foto: Samara Miranda/Ascom Remo)
Árbitro vacila nos lances capitais do confronto
As queixas dos azulinos após a derrota para o Atlético-PR se concentraram nos lances de área que envolveram Alef Manga e Marcelinho. O primeiro aconteceu logo aos 6 minutos, quando Manga foi derrubado com uma trombada dentro da área. Infração clara. O árbitro mandou o lance seguir.
Na etapa final, aos 27 minutos, Marcelinho também foi empurrado quando saltava para cabecear um cruzamento de Mayk. O árbitro Rodrigo Pereira de Lima (PE) até apontou a marca penal, mas, ao ser chamado no VAR, mudou de ideia.
Dois lances que poderiam ter mudado a história do jogo. Ao mesmo tempo, reabre o questionamento sobre os critérios do VAR, que decidiu revisar o lance marcado e ignorou a falta sobre Alef Manga.
Odair surpreende ao criticar suposto desrespeito
O técnico do Atlético, Odair Hellmann, normalmente tranquilo, causou surpresa ontem ao afirmar que o Remo desrespeitou e menosprezou o time paranaense antes da partida. Chegou a dizer que os azulinos festejaram a vitória antes do tempo.
Proferida durante a entrevista coletiva, a declaração do técnico não encontra amparo nas manifestações públicas da comissão técnica, jogadores e dirigentes do Remo. Não há registro de nenhum tipo de provocação aos rubro-negros.
Papão precisa vencer para retomar a liderança
Com o time completo, o Papão enfrenta hoje o Floresta (CE) pela Série C, com a necessidade de conquistar a vitória para voltar a brigar pela liderança da competição – Brusque (17) e Guarani (14) estão à frente, após os resultados do fim de semana.
A equipe cearense ocupa a 7ª posição, com 12 pontos, e ensaia uma recuperação dentro do campeonato, após um início decepcionante. O Papão, com 14 pontos, tem o mesmo número de gols marcados (13) do Brusque, o que permite recuperar a 1ª colocação com uma vitória simples.
O técnico Júnior Rocha deve manter o time que atuou contra o Caxias-RS, na semana passada, com a ausência de Kleiton Pego, expulso naquele jogo. O ataque deve ter Thalyson, Ítalo e Lucas Cardoso, jogador que vem ganhando espaço e é o reserva imediato de Kleiton.
Para a partida, marcada para 20h, no estádio da Curuzu, a diretoria espera lotação máxima, a fim de manter a média de participação da torcida, que está entre as 20 maiores da temporada no Brasil.
(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 25)
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