Duelo fora das quatro linhas

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POR GERSON NOGUEIRA

Quando o Papão obteve o acesso à Série B em campanha surpreendente – embora tortuosa – na Terceira Divisão do ano passado, o então técnico Mazola Jr. teve seu valor questionado por muitos torcedores e boa parte da diretoria do clube. Havia o mal disfarçado temor de que ele não tivesse o perfil para trabalhar na segunda divisão nacional.
Apesar de entendimentos para sua permanência terem sido encaminhados pela nova diretoria, o técnico acabou descartado por ter cobrado valores muito acima do orçamento estabelecido pelo clube para 2015.
À época, foi informado extraoficialmente que Mazola pedia algo em torno de R$ 100 mil para ele e sua comissão técnica, mais carro e apartamentos, um para o treinador e outro para os auxiliares. Mazola negou esses valores, mas ficou a imagem de um profissional que buscava se valorizar em cima do reconhecimento pelo trabalho bem executado.
Na comparação direta com Dado Cavalcanti, que substituiu ao sucessor de Mazola (Sidney Morais), o custo não ficou tão distante assim do valor pretendido pelo técnico responsável pelo acesso. Mas neste caso não cabem críticas ao clube, pois os gastos têm a ver com situação de um mercado sempre inflacionado.
Mazola, técnico do CRB, está de novo na berlinda porque vem a Belém enfrentar o Papão em jogo que vale muito para os bicolores quanto às possibilidades de subida à Série A. Há seis jogos sem vencer, o time de Dado está sob pressão e precisa urgentemente dar uma resposta ao torcedor.
Sabedor disso e conhecendo bem os intestinos do Papão, Mazola espertamente já começou a botar o dedo na ferida. Em entrevista a um portal alagoano, falou de seu amor pelo clube paraense, jogou charme para a torcida e meneios à imprensa, mas não perdeu a chance de deixar umas cascas de banana pelo caminho.
Disse, sobre o atual momento de seu ex-clube, que jogadores e comissão técnica estão sob pressão “porque cantaram o acesso e o título muito antes da hora, e estão pagando o preço disso”. E, bem ao estilo professoral que cultiva, acrescentou: “Uma pressão totalmente desnecessária em um momento desnecessário”.
Cinco pontos atrás do Papão na tábua de classificação, o CRB tem remotas chances de subir, mas Mazola quer obviamente fechar a temporada com uma grande campanha e pretende usar de toda a expertise motivacional para alcançar esse objetivo, daí o enorme perigo que representa na partida de amanhã.

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Sobre Dado, ele tem a vantagem de haver vencido o confronto direto no primeiro turno, por 3 a 0, na atuação mais criticada do Papão na competição. Não é preciso ser pitonisa para saber que o CRB vem disposto a explorar ao máximo a instabilidade que ronda o time bicolor.
Ainda na entrevista, Mazola disse que seu único motivo de má lembrança em relação ao futebol paraense se localiza “do outro lado da avenida (Almirante Barroso)”, referindo-se à perda do título estadual de 2014. Em tempo, há empate nesse quesito entre os dois técnicos, pois Dado também foi vice-campeão estadual nesta temporada.
Por todos esses ingredientes, a disputa particular entre os dois comandantes é um dos atrativos mais interessantes do confronto que pode dar ao Papão novo alento na batalha para voltar ao G4. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Arquivo do Blog)

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Ataque do Leão pode ter Kiros e Welton

Na penúltima movimentação para o jogo de domingo, Cacaio treinou o Remo ontem com os titulares Max, Levy e Eduardo Ramos de volta ao time. A entrada de Felipe Macena no meio-campo, substituindo ao suspenso Chicão. Para o ataque, a dupla testada no treinamento foi Kiros e Welton, combinando força e jogo aéreo. Os dois atacantes nunca atuaram juntos na competição.
A não ser por uma surpresa de última hora, a escalação deve ser mantida para enfrentar o Botafogo-SP no Mangueirão.
As características do jogo, mesmo ressalvando a diferença de nível entre os adversários, lembram a do mata com o Palmas-TO. Na ocasião, o Remo precisava também reverter em Belém a derrota sofrida pelo escore mínimo no jogo de ida. Kiros foi o centroavante escalado e marcou dois gols, decidindo o confronto.

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Direto do blog

“Bruno Rangel era o atacante titular no jogo do Salgueiraço e, mesmo não tendo culpa de o Papão não ter conseguido o acesso, ele foi dispensado na época pela diretoria do LOP. Isso só serve pra mostrar o quanto nossos dirigentes são despreparados”.

Marcelino Jr., a respeito da competência de Bruno Rangel (hoje na Chapecoense) para fazer gols

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Cobrar pênalti não é para qualquer um

Quando o zagueiro Gum ajeitou a bola na marca penal e recuou cerca de dois metros apenas para armar o chute, tive a quase certeza de que iria se complicar na cobrança. Isso de fato aconteceu, com a bola indo parar lá nas cadeiras especiais da Allianz Arena palmeirense.
Esse pressentimento mais ou menos óbvio deve ter ocorrido a muitas pessoas na noite de anteontem, por ocasião da semifinal entre Palmeiras e Fluminense.
Gum, zagueiro de estilo duro e bom de cabeceio, nunca brilhou pela técnica ou elegância no trato com a bola. Sempre deu chutão e era justamente isso que se esperava dele na execução do penal. Ao ensaiar uma cobrança mais caprichada, como os craques costumam fazer, buscando pouca distância, anunciou que iria desperdiçar a penalidade.
A regra não escrita do futebol ensina que jogadores habilidosos costumam bater pênaltis colocando a bola fora do alcance do goleiro, encaixando geralmente nos cantos ou nos ângulos superiores. Raramente se aventuram a disparar foguetes.
O oposto ocorre com os beques e volantes roceiros, que fecham os olhos e enchem o pé, quase sempre vencendo o goleiro pela violência do chute.
O supremo pecado de Gum foi tentar quebrar essa regra sagrada. Deu-se mal e levou o Fluminense junto com ele.

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 30)

10 comentários em “Duelo fora das quatro linhas

  1. Sobre o embate do Remo contra o Botafogo F. C., o resultado e a classificação estão em aberto. Tudo pode acontecer, inclusive nada.
    Dizem por aí que o Botafogo é superior ao Remo pela credencial de ter eliminado o ex-famoso Azulão, que até então vinha detonando quem estivesse pela frente. Eu penso diferente.
    Não vi o primeiro jogo entre os dois, em que o time de Ribeirão ganhou de 2 a 1. No segundo, em que bastava o placar de 1 a 0 para que o S. Caetano seguisse em frente, o time do ABC não saiu do 0 a 0. Eu vi esse jogo.
    Até aos 20 do segundo tempo, o S. Caetano jogava burocraticamente deixando parecer que o gol viria naturalmente. A partir daí, passou a desesperar-se atacando de forma desordenada, enquanto o Botafogo defendia-se com eficácia.
    É assim que espero o Botafogo em Belém, já que fez o primeiro resultado em casa.
    Ocorre que o Remo não é o São Caetano. Primeiro, o técnico Cacaio respeita o adversário, o que – me parece – não ocorreu com o São Caetano. Segundo, o clima de Belém é bem diverso do de Ribeirão, que em quase nada difere do do ABC paulista. Terceiro, embora em menor número que antes, a torcida azulina é bem superior em número e em vibração que a insossa incha do Azulão.
    O resultado está em aberto. Espero, se tudo der certo, que o Remo saia com a vitória no tempo normal de jogo.
    É a minha opinião.

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  2. Mazola bocudo como sempre… a justificativa para a não permanência foram os valores pedidos, mas todo torcedor bicolor sabe que Maia e companhia não gostavam de Mazola, sendo a recíproca verdadeira.

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  3. Assim como jogador, treinador depende de momento pra dar certo. Mazzola Jr teve bons e maus momentos e parece não ter voltado pela desconfiança que pesou mais na balança, do que por eventuais (des)acertos financeiros.
    Não é nada fora do comum, muito menos uma perda a ser lamentada ad aeternum. Além disso, sua declaração de que o Papão cantou vitória antes do tempo é de uma inexatidão do tamanho da Amazônia. Pelo contrário. O discurso sempre pareceu excessivamente franciscano, ao revelar que o principal era não voltar à C e o que viesse depois disso seria lucro.

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  4. A diretoria bicolor pode não gostar do Mazola, mas a torcida bicolor em sua grande maioria não é ingrata e sabe que se hoje estamos na série B deve em grande parte a este profissional que se identificou com as cores bicolores provocando ira da maioria dos torcedores remista e também de boa parte da imprensa que chora pelo remo.

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  5. Foi o cara da subida, companheiro bicolor… Fazia tempos que não via um treinador tornar-se a estrela do grupo… Mazola conseguiu isso… Daí o bocão de Mazola e o “despeito” dá diretoria (não achei outra palavra)

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  6. Também achei, Gerson, que ele cobrou muito… Mas aí faltou política por parte da nossa diretoria para convencê-lo a ficar. Penso, sinceramente, que o fato de Mazola não bicar com cá e cá não bicar com Mazola favoreceu a essa falta de política na negociação.

    Ainda bem que a diretoria acertou, logo de segunda, com um bom técnico.

    Faz dois anos que o PSC é bem servido, coisa rara no futebol paraense.

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  7. Dois elementos im portantes: (1) o Lecheva fez bem mais que o Maischora (que é um bom treinador). Não só levou o listrado à série “b”, como evitou que ele caísse à série “d”. E tudo isso atuando em condições absolutamente desfavoráveis; (2) o Maischora só deus alegrias ao Mais Querido e ao Fenômeno.

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  8. Mazola é um grande treinador. Fez um excelente trabalho no Papão. Tem meu respeito.

    Miguel, realmente é contraditório mesmo, mas apesar de estar há 2 anos sem títulos, o Paysandu está no caminho certo,(em médio e longo prazos) apesar da péssima fase na Série B e de alguns erros da diretoria, porém os acertos são maiores, se formos analisar friamente.

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