Tropeço reversível

POR GERSON NOGUEIRA

A derrota em Ribeirão Preto não chega a ser um resultado desastroso para o Remo, mas o desempenho do time deixou algumas preocupações no ar. É verdade que a ausência de Eduardo Ramos, principal organizador da equipe, deixou um vazio no meio-de-campo que facilitou bastante as ações do Botafogo no jogo, respondendo em grande medida pela pressão exercida pelos donos da casa. Mas, além dessa deficiência, o Remo não mostrou força para explorar contra-ataques, aceitando excessivamente o domínio territorial do adversário.

Como a bola era constantemente rifada pelos meio-campistas do Remo, voltava sempre na forma de cruzamentos sobre a área, sobrecarregando o trabalho do trio de zagueiros. Apesar disso, Henrique, Ciro Sena e Igor João estiveram muito bem, resistindo até quase ao final, quando ocorreu a falha coletiva que resultou no gol do Botafogo.

Mesmo sem ser criativo, o time da casa buscou o gol o tempo todo, mas encontrou pela frente uma firme zaga azulina e pecou pela insistência nas bolas aéreas visando o cabeceio de Nunes. Nas raras ocasiões em que diversificou suas manobras, levou algum perigo com o meia Guaru e o avançado Samuel Alves.

O Remo se defendia no 3-5-2, tendo inicialmente Felipe Macena deslocado para o meio e Chicão na ala direita. Depois, a situação se inverteu e Macena apareceu com destaque, combatendo e tentando organizar a saída para o ataque. Na ala esquerda, Mateus foi discreto no primeiro tempo e muito dispersivo no segundo, falhando seguidamente nas arrancadas em contragolpe.

Ratinho era o homem da ligação, mas se perdia em jogadas confusas, errando passes e passando a maior parte do tempo sem encontrar a faixa certa de atuação. Em consequência disso, Aleílson e Welton desfrutavam de poucas oportunidades, enfrentando a dura marcação adversária.

O primeiro tempo decorreu sem grandes oportunidades de gol, que apareceram logo no início da etapa final. Caio acertou cabeceio fulminante aos 4 minutos para grande defesa de Fernando Henrique. Em seguida, aos 11, Samuel recebeu livre na pequena área, mas finalizou por cima da trave.

Do lado azulino, Cacaio tirou Ratinho e lançou Juninho, que deu mais consistência às ações na meia-cancha. A primeira boa tentativa foi com Chicão, que acertou um chute longo aos 17 minutos, passando perto da gaveta esquerda de Neneca. Depois, desviando com o lado do pé, Henrique quase marcou, aos 29.

O Botafogo insistia com os cruzamentos, mas os zagueiros do Remo respondiam bem, até que aos 35 minutos Macena sentiu contusão e teve que deixar o campo. Na dúvida entre o lateral direito Gabriel e o atacante Sílvio, Cacaio optou pela ousadia. E pagou por isso.

Sílvio não conseguiu explorar os contra-ataques, nem acompanhar o rápido Canela, que era vigiado de perto por Macena. E foi por ali que o Botafogo chegou à vitória, aos 40 minutos, em finalização de Canela depois que Fernando Henrique espalmou o cabeceio de Nunes. Indecisão entre o goleiro e os zagueiros facilitou a jogada.

A desvantagem mínima sabotou o plano de voo cuidadosamente traçado por Cacaio, que consistia de atuar fechado à espera da chamada “bola do jogo”. Deu certo contra o Operário, em Ponta Grossa, mas ontem beneficiou o adversário na única falha de marcação e cobertura do trio defensivo remista.

É o risco natural de quem joga para se defender, com poucas alternativas de ataque. A estratégia de esperar o adversário é sempre perigosa. Pode funcionar, mas é sujeita a falhas pontuais.

O primeiro tempo da decisão de 180 minutos foi do Botafogo e a expectativa é de que o segundo pertença ao Remo, desde que jogue em nível de aplicação e ofensividade que permita reverter o placar adverso.

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Sobre Ramos, preocupação e esperança

Depois do jogo, o técnico Marcelo Veiga observou que o placar havia premiado seu time, mas mencionou a preocupação com os reforços azulinos para a segunda partida. Referia-se, principalmente, a Eduardo Ramos. Tem razão o treinador do Botafogo. Ramos fez muita falta ao Remo pela qualidade técnica e a liderança que tem em campo.

Ao mesmo tempo, Ramos é o principal motivo de otimismo de Cacaio quanto à recuperação da equipe em Belém. Com ele, as jogadas fluem e fazem com que o time tenha um repertório menos previsível que o do adversário.

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Entre o cansaço e a falta de inspiração

O fato de Emerson ter sido a melhor figura em campo já diz muito da atuação do Papão, sábado à tarde, em São Luís. O time entrou consciente da necessidade de obter uma vitória, a fim de compensar os pontos desperdiçados em casa nas últimas rodadas.

A postura exibida nos primeiros minutos, porém, não confirmou a expectativa e se estendeu praticamente pelo resto do confronto.

O Sampaio atacava com três homens, destacando Nadson na articulação, Jheimy na área, Edgar e Pimentinha pelos lados do campo. Com isso, acuava o Papão em seu próprio campo. Logo no começo, Edgar mandou um tiro na trave, assustando a defesa bicolor.

Depois de várias investidas em velocidade, Jheimy marcou aos 25 minutos, aproveitando rebote dentro da área. Em busca do empate, o Papão viveu seu melhor momento na partida, forçando jogadas pelos dois lados e criando duas oportunidades, com Welinton Jr. e Jonathan.

Aos poucos, o Sampaio retomou as rédeas da partida encontrando facilidades porque o meio-de-campo paraense não funcionava. Carlinhos mostrava-se lento e pouco participativo. Isolados na frente, Leandro Cearense e Welinton Jr. nada produziam.

Na segunda etapa, o Papão seguiu aceitando a pressão do Sampaio, que explorava bem o espaço deixado pelas subidas de Pikachu. Para piorar, Fahel se posicionava mal e Ricardo Capanema, voltando de longa inatividade, parecia sem ritmo.

Henrique e Valber (que substituiu a Edgar) perderam duas chances seguidas, salvas por intervenções precisas do goleiro Emerson. Impressionava a facilidade com que os jogadores do Sampaio se movimentavam no campo de defesa do Papão, levando sempre muito perigo.

Em contra-ataque rápido, Welinton Jr. quase empatou, mas a finalização estourou na trave e a bola caiu na linha do gol, saindo em seguida. Com a zaga aberta, o Papão quase sofreu o segundo em arremate de Válber no travessão. No final, não conseguiu evitar que Jheimy fizesse mais um gol, após falha de Capanema.

O cansaço físico voltou a pesar no desempenho do Papão, aliado à má jornada de peças importantes – como Capanema, Pikachu, Fahel e João Lucas – e a crônica falta de inspiração no meio-campo. A pressão por resultados que permitam sonhar com o acesso completa o rosário de dificuldades enfrentado pela equipe de Dado Cavalcanti.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 26)

20 comentários em “Tropeço reversível

  1. A menos da Diretoria e Comissão Técnica, a torcida bicolor está careca e cansada de saber que Carlinhos é lento e nada participativo; um impostor. Idem da falta de preparo físico da equipe, que há muito vem pesando no desempenho do Papão, basta ver quantos gols o time levou nos últimos 10 minutos dos jogos. Fato é que sem um camisa 10 criativo, chegamos muito longe na competição. Resta-no saber qual a lista de dispensas para 2016. Como o time já jogou a toalha, a torcida, pelo mesmo motivo, já entrou de férias antecipadas.

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  2. O que acontece com o Lobo, está acontecendo com o Flamengo, aconteceu com o Vasco entre outros menos o Timão. Como explicar só a opiniões diversas conforta. No Paissandu várias ausências é um dos muitos motivos. Será sempre assim, na alegria os abraços, na escassez pedradas. Pode ser que a partir do CRB volte a alegria e as observações a respeito tenham outros ares.

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  3. Sobre a atual situação do Paysandú eu não coloco a responsabilidade totalmente sobre o Dado apesar de que em vários jogos o time deixou a vitória escapar graças ao esquema para lá de cauteloso adotado pelo treinador.
    O time é limitado, não é novidade pra ninguém, contudo a nossa limitação se repete nos demais concorrentes desta série B. Sinceramente, nunca vi em todo este tempo acompanhando o futebol uma oportunidade tão grande de subir para a série A como a apresentada nesta temporada.
    A derrota para o Sampaio completa a sexta partida apática e totalmente desinteressada por parte de alguns atletas que andam em campo, será que é consequência das noitadas de alguns jogadores que foram fotografados em casas noturnas em Belém?, ou será culpa de Maia que apenas vislumbrou a permanência do time na série B achando que isto seria o troféu mais valioso para a sua imensa torcida?
    É certo que times como os baianos e o Botafogo, são mais que favoritos ao acesso, porém, concorrentes do mesmo calibre como Santa Cruz, América-MG e Náutico, que possuem orçamentos mais vantajosos que o time paraense não são tão superiores ao Paysandú a ponto de a equipe paraense despencar pelas tabelas nas últimas rodadas dando sinal de que está abrindo mão de brigar por uma primeira divisão. Olha, amigos, se for isso, é de execrar todos da direção bicolor pois se esta for a maior responsável pela puxada do freio de mão do time é o fim da picada!
    O Maior time do Norte do Brasil não pode se conformar com a permanência na segunda divisão nacional!

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  4. Sobre a atuação azulina, caro Gerson, penso que o Macena cumpriu o determinado, não comprometeu, que Ratinho entrou muito recuado, e por isso os atacantes ficaram isolados, que Igor João falha muito no bote e em bola aérea, não tem o tempo da bola e chega atrasado em muitas vezes, quando não joga na sobra e tem que ser mais combativo não tem, nem de longe, a mesma eficácia de Max. Inclusive Mateus Muller jogou recuado, na dúvida entre atacar e defender, preocupado com a cobertura.

    Pelo que vi do Botafogo-SP, nem era preciso tanta preocupação com o lado direito azulino, onde o Macena chegou, inclusive, a se aventurar no ataque no 1º tempo. Tive a impressão de que um 4-4-2, com os dois zagueiros apenas, parecia suficiente para conter o ataque nada criativo do adversário. Quando Juninho entrou, era hora de o Remo sair da defensiva e partir para o ataque. Deveria ter mantido Ratinho ao lado de Juninho e tirado Igor João já que Macena dava conta da defensiva direita e Igor João não passava segurança. Penso que o 4-4-2 mais ofensivo dessa forma, teria mais chance de dar certo que o 3-5-2 defensivo, era preciso diminuir a pressão sobre a defesa desfalcada e insegura, e manter a bola mais tempo no ataque. Ademais, se Whelton cedesse lugar a Paraíba, teríamos um ataque mais objetivo, já que Paraíba finaliza mais jogadas que Whelton e Aleílson. Juninho e Ratinho poderiam ter rendido mais com a companhia um do outro e Paraíba na frente. Além do mais, na contusão de Macena, Gabriel poderia ter entrado e dado alguma ofensividade pela direita, que não tinha praticamente nenhuma. Ao menos teria segurado a esquerda do Botafogo-SP mais atrás. O Botafogo só foi à frente porque o Remo cedeu espaços, jogou muito recuado e praticamente não criou, não levou perigo à meta botafoguense. Sem ser incomodado na defesa, foi ao ataque sem cerimônia e só não fez mais porque FH esteve bem no gol e porque o próprio Botafogo-SP mostrou-se tecnicamente bastante limitado.

    O mesmo 3-5-2 que eliminou o Operário no Manguerão, com a entrada de Kiros no lugar de Whelton, tem tudo para reverter esse 1×0. Pelo que já vi de mata-mata, 1×0 em casa não é grande coisa e o Remo, com a volta dos titulares, tem tudo para alcançar a classificação à final no tempo normal. Meu palpite: Remo 4×0 Botafogo-SP.

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  5. Amigo Gerson, minha opinião é muito semelhante a sua, salvo um ou dois aspectos divergentes.

    Concordo que o Ratinho foi substituído em boa hora. Todavia, minha leitura é a de que o substituto teve rendimento igual. A articulação não evoluiu, a armação seguiu no mesmo padrão, o ataque seguiu à míngua. E por isso o Botafogo seguiu pressionando a mesma tecla até conseguir seu objetivo.

    Outro aspecto divergente: não achei que o gol do Botafogo tenha sido o preço pago pela escolha na substituição do Macena.

    Na jogada, da pra ver que houve uma falha coletiva, com destaque quantitativo para jogadores que estavam em campo antes da substituição.

    Começa na origem da jogada em que o botafoguense antes de alçar a bola na área azulina, a recebe com total liberdade, o que, em tese, não poderia ocorrer com um time proposto a congestionar o meio campo.

    Depois, é dizer que a bola foi alçada sem muita velocidade e com muita altura descrevendo uma parábola relativamente lenta e que a defesa estava bem postada, com dois zagueiros cercando o avante, e, tendo, em tese, tempo de buscar o melhor posicionamento para efetuar o corte. Ocorre que, mesmo assim, na prática o atacante conseguiu levar vantagem.

    Ademais, apesar de próxima, a cabeçada não foi desferida com muita força, inclusive porque o autor não estava com o corpo bem aprumado. O FH teve tempo de chegar na bola, e, em tese, poderia tê-la rebatido com mais força para longe do Canela, ou tê-la mandado pra escanteio, como preconizam os manuais. Mas, acabou só tocando na bola, deixando-a à feição para o chute fatal.

    Outra coisa, durante a trajetória da bola, é possível ver que, em tese, a defesa está muito bem arrumada: o goleiro bem colocado, em condições até de sair e abafar o ataque com os punhos; o atacante de referência cercado de dois defensores: e o segundo atacante (o que fez o gol), vigiado por um terceiro azulino. Quer dizer o time estava bem arrumado o que é favorável ao técnico. Não sendo possível debitar-lhe a falha individual.

    Quem garante que se este terceiro defensor fosse o lateral de ofício (que foi preterido na substituição) ele teria condições de reagir rapidamente à falha dos dois zagueiros e do goleiro para fazer a cobertura? Quem garante que a falha na cobertura deu-se porque o substituto do Macena não era especialista? Os dois zagueiros especialistas não falharam no combate ao atacante?! Outra coisa: numa organização com três zagueiros, a cobertura será feita obrigatoriamente pelo ala ou lateral?

    Pra mim, aquele gol foi decorrente da fatalidade que foi a falha coletiva do sistema defensivo a partir do meio de campo. Falha que acredito não pode ser jogada na conta do técnico, em função da troca emergencial que teve de fazer, Aliás, se o lateral de ofício que foi preterido na substituição estivesse mesmo em plenas condições ele teria sido escalado de cara. E quem foi escalado foi o Macena que jogou muito bem.

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  6. Sobre a ‘reversibilidade do tropeço’, n’outro post, me reportando ao Miguel que sustentou que o Botafogo era mais qualificado que o Operário, escrevi o seguinte:

    “Miguel, como diz o titular do Blog na Coluna de hoje, o resultado é reversível.

    “Mas, o jogo tem tudo pra ser o mais difícil que o Mais Querido teve até agora. Não que o Botafogo seja mais qualificado que o Operário, por exemplo. Não, sob o meu ponto de vista, o time de Ribeirão, mesmo sendo tecnicamente inferior ao soberbo time pontagrossense, é mais efetivo, eficiente e eficaz, naquilo que se propõe a fazer.

    “Lá ele se propôs a vencer, a fazer o dever de casa, a passar por cima do adversário. E assim o fez. O Leão resistiu o máximo possível, mas dada a volúpia do anfitrião acabou sendo forçado ao erro e a ceder a vitória nos minutos finais do jogo.

    “Aqui, certamente vem determinado a não perder, e, se possível, levar a vitória no desespero do adversário. Resultado semelhante conseguiu em São Caetano, time, na ocasião, mais qualificado e mais motivado que o Clube do Remo.

    “Mas, mesmo com todos estes predicados, voltando ao título da Coluna do titular do Blog: o resultado negativo mínimo de ontem, é potencialmente reversível no domingo que vem. Afinal, jogando em casa, com o retorno daqueles que desfalcaram o time, não tendo contra si uma desvantagem impossível de tirar, é de se ter uma boa expectativa.

    “Aliás, o fato do time ontem ter jogado uma partida digna, certamente cumpriu dois objetivos: manter a torcida estimulada e manter as possibilidades de avanço. E, com isso, atraiu pra perto um terceiro objetivo: conseguir uma boa arrecadação para melhorar a Administração do Clube, num ano em que a recessão econômica e financeira, tem açoitado todo o país, apanhando em cheio a maioria das instituições, e, em se tratando de Clubes, tem malinado até daqueles que têm autêntica solidez administrativamente falando.”

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  7. Prezados Oliveira e Gerson. Cercaram Nunes na jogada do gol, o Henrique e o Igor João. Henrique por trás e Igor João a frente. Os três zagueiros azulinos estão na área. Ciro Sena está com Canela, na cobertura que deveria ter um lateral e não ele. Ciro Sena estava atrás do Canela; um lateral estaria ligeiramente a sua frente. A substituição do Macena pelo Sílvio acabou com a sobra, pois o Macena compunha a defesa e melhorava a sobra, e isso é o que dava alguma estabilidade ou tranquilidade à marcação na defesa. O Remo se defendia com cinco zagueiros na prática, antes da saída do Macena, com Mateus fechando a defesa na esquerda, e ainda contava com mais dois, Ilaílson e Chicão. O Remo se defendia com pelo menos sete. O lance é dinâmico e os jogadores estão em movimento enquanto a bola viaja. A bola não vem da linha de fundo, e os três jogadores, Nunes, Igor João e Henrique, vêm entrando na área, de direções diferentes e se encontram no alto porque correm na direção da bola, e, ao mesmo tempo, na direção do gol, e aí a vantagem é do ataque mesmo. Nunes não teve muito trabalho para escorar o cruzamento porque, na prática, não houve marcação sobre ele, houve uma coincidência de estarem no alto, na disputa de bola por cima os três, ele e os dois zagueiros. Igor João estava mais pela esquerda e Henrique centralizado. A bola era do Igor João. Henrique aparece por trás do Nunes, após a linha da trajetória da bola. FH recuou para a meta porque havia dois zagueiros seus na disputa da bola. O que parece um bom posicionamento da zaga à primeira vista é na verdade o resultado de um movimento aleatório e descoordenado de quem acompanha com os olhos o desenrolar da jogada e se move apenas instintivamente na direção dela. O zagueiro a frente, o Igor João, é que tem que levar vantagem e cortar o cruzamento pois, se a bola passasse, o zagueiro posicionado atrás do atacante estaria em desvantagem. Igor João não estava mal posicionado, embora tivesse a dificuldade de ter a bola nas costas, mas com todo o tempo que a bola viajou e a folga entre Igor joão, Nunes e Henrique, observem que o zagueiro se colocou muito mal na jogada e por isso não fez o corte, com a bola passando por cima da cabeça e dando a oportunidade ao Nunes de cabecear. Outra evidência do mal posicionamento de Igor João no gol é que ele é quem dá as condições de jogo ao Nunes, os outros zagueiros estão mais a frente na jogada, fazendo a linha de impedimento que Igor João não acompanhou. Ciro Sena cochilou, talvez pela superioridade numérica da zaga na jogada e, como estava no comportamento da linha burra, o que estavam fazendo antes da bola ir alçada na área, ficou atrás do Canela e quando atentou para a jogada, já era tarde. Notem que a defesa estava em linha, fora da área, para pôr o ataque botafoguense em impedimento, menos Igor João, dentro da área. Enfim, não vi uma falha coletiva da defesa, vi uma sequência de vacilos do Igor João.

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  8. É estatisticamente improvável que uma defesa acerte sempre contra um ataque que pressiona a defesa por quase todo o tempo de partida. No jogo contra o Operário em Ponta Grossa, o gol deles só não saiu porque erraram seguidamente no ataque, permitindo a antecipação ou perdendo na disputa direta com a zaga, ou seja, não havia jogadores bem posicionados, e que não estavam bem posicionados por alguma boa razão como falta de movimentação, de criatividade, de orientação e de um jogador que chamasse a responsabilidade, liderasse a equipe, porque jogaram sem atitude ou tudo isso junto. De certo que o Remo não venceu lá apenas pelos próprios méritos, jogando por uma bola apenas. E no futebol atual se diz que vence quem erra menos. Ontem, o Remo errou mais. Muito mais. Analisem a partida e notarão que ela só não foi pior para o mais querido porque o Botafogo-SP se torna limitado sem seu armador, embora aconteça o mesmo com o Remo. Com o retorno do Max e do Levy, além de Eduardo Ramos, espero não ver mais esse tipo de vacilo, embora até saiba que isso seja pedir demais. A qualidade do time paraense deve prevalecer sobre o Botafogo-SP no Mangueirão porque, agora, o bicho deve pegar pra eles. No Mangueirão retornam os três titulares e a torcida. O jogo aqui vai ser quente.

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    1. Discordo quanto ao comportamento dos três zagueiros, amigo Lopes. Acho que se saíram muito bem, exceto pelo lance final. O Botafogo empreendeu uma pressão permanente no jogo aéreo, missão facilitada pela ausência de meio-campo do lado remista.

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  9. O meio-campo estava lá, caro Gerson, só que recuado, o que isolou o ataque. Os botafoguenses jogaram a partida até mais nas costas do Mateus que pelo lado do Macena. O Canela entrou mais para segurar a subida do Macena porque, taticamente, o lateral esquerdo deles é bem fraco e o Macena voluntariosamente já subia ao ataque, ainda que sem o cacoete de um lateral, mas até aí, tudo bem. Por isso que disse que antes o Cacaio tivesse tirado o Igor João e posto o Juninho com o Ratinho no intervalo porque o jogo do Botafogo-SP era medíocre, mesmo depois de ter entrado o Canela. O Botafogo só cresceu na partida graças ao recuo do Remo. Ratinho se houve mal na partida porque é um meia-atacante e não um armador, não funciona longe da área, mas perto dela, e colaboraria bastante com Juninho mais avançado e com Aleílson e Whelton, como já colaborou tantas outras vezes com o time, inclusive com golaços. Note que essa formação que propus é o ataque que treina junto no time reserva e, portanto, tem um entrosamento. A segunda troca seria, para mim, Whelton por Paraíba, porque é um bom finalizador de jogadas. Mesmo o Paty poderia ter entrado, caso atuassem dois meias. Se perdesse, perderia tentando vencer. Perder tentando empatar é ridículo, ainda mais depois das jornadas contra o difícil Operário.

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    1. Por recuado, amigo Lopes, entenda-se meio-campo inexistente, pois agia apenas na proteção à zaga através de Ilaílson e Chicão. Ratinho, com missão de fazer a ligação, não se encontrou no jogo.

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  10. Taí amigo Lopes, eu não achei nada ridícula a atuação do Clube do Remo, o resultado e o modo como ele foi alcançado.

    Antes, nas circunstâncias (time ressaqueado, desfalcado, atuando nos domínios do adversário), considero que foi um resultado muito bom, que deixa o Clube potencialmente em condições de alcançar todos os seus objetivos imediatos: vitória, avanço na competição e renda para minorar a condição econômico-financeira do clube.

    Pior teria sido se ele se tivesse lançado ao ataque e tivesse perdido por dois ou mais gols. As chances de avanço diminuiriam, e, consequentemente, mesmo a possibilidade de uma vitória não representaria um grande apelo à torcida e a renda poderia ser um fracasso.

    Quanto ao mais não podemos esquecer que tanto o Juninho, quanto o Paraíba entraram em campo. Entraram e nada fizeram de produtivo na criação e ataque e na diminuição do ímpeto do Botafogo. Melhor dizendo, não conseguiram fazer nada de melhor do que fizeram os substituídos.

    Me parece que tudo se trata menos de uma questão deste ou daquele nome, deste ou daquele esquema tático escolhido pelo treinador e ensaiado nos treinamentos. Me parece que tudo é mais, como, às vezes, diz o Dado, uma questão de postura do time quando a bola começa a rolar. Em teoria o treinador concebe uma coisa, a qual ensaia com os jogadores; mas, na hora do jogo, na prática, em função da existência atuante de um adversário e do desempenho individual de um, dois, ou vários jogadores, o time acaba apresentando uma postura diferente daquela desejada.

    Aliás, prova disso é que no jogo de ida contra o Operário, quando o Eduardo Ramos estava em campo, o Remo padeceu de encolhimento tão ou mais angustiante do que este de que padeceu na partida de ontem. O jogo está disponibilizado integralmente no Youtube para quem quiser confirmar.

    Mas, é isso… Independentemente de nossas impressões, o importante é que no domingo o Mais Querido consiga fazer uma boa partida, com os atletas Azulinos cumprindo o “nosso” dever.

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  11. Resumindo: Cacaio tentou ousar mas acabou levando gol justamente onde mexeu, de resto o Remo não foi nada mal e esse time do Botafogo em nada assusta, aliás, Operário e Palmas eram mais perigosos. Placar plenamente reversível, porém, cabe ao Clube do Remo não ter pressa e saber “agredir” o adversário.
    A grande conquista foi o acesso, o título da série D é lucro (e bote lucro de bilheteria nisso). Agora o que me preocupe é saber se a diretoria já tem algo planejado para a próxima temporada ou se vão cometer os mesmos erros dos anos anteriores: o mesmo banco, a mesma praça, as mesmas flores, o mesmo jardim.

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  12. Eu coloquei em outro post que apostava no Botafogo. Inclusive destaquei a eterna dificuldade que os times de Sampa causam aos times do Pará com essas bolas na área.

    Mas, tomando o resultado mínimo, penso que o Remo terá grandes chances de reverter. Não levar gol em Belém é o primeiro passo para se classificar.

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    1. Tem razão, amigo Carlos. Mas de qualquer forma o risco é grande. Remo, até conseguir o placar que lhe interessa, terá que correr muitos perigos.

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  13. Entendo sua posição, caro Gerson, como entendo a do Oliveira, mas duvido que tenha sido apenas por essa falta de postura que tenha-se recuado tanto o meio-campo. O posicionamento me parece uma orientação clara do Cacaio ao time. Juninho e Paraíba são mais umas vítimas do recuo do time, como foram Ratinho e os atacantes titulares do jogo. O modo de jogar não mudou porque entraram Juninho e Paraíba, mas porque era essa a proposta até o fim. E a bola do jogo não veio, pois muito distanciado da meta, até mais que no jogo no Paraná. Ponderei em outro post se esta tática de esperar o adversário muito recuado surtiria o mesmo efeito que teve contra o Operário. Nem o Veiga esperava o Remo tão recuado, tanto que o Canela entrou ainda no 1º tempo, depois que viu que o bicho não estava assim tão feio pra ele. Essa substituição mostrou um certo arrependimento do Veiga em não postar o time mais a frente.

    A zaga, até então claudicante, firmou-se nos confrontos das quartas com os três zagueiros. E valorizo bastante as atuações do Max, tanto que desconfio dos reservas a ponto de retornar a equipe ao 4-4-2. E pelos mesmos festejos o Botafogo-SP entraria também um pouco desfocado. Era papel aceite pelo time do Botafogo-SP jogar contra o Remo com alguma cautela e isso estava muito claro no início do jogo e na escalação. Esperava-se equilíbrio nas ações dos dois times, mesmo com os desfalques azulinos. O time azulino jogou concentrado, é verdade, não perdeu a pegada de um modo geral, mas cochilou e levou um gol evitável. Não é por ter três zagueiros que o time jogou recuado, como vimos no último jogo no Mangueirão. Houve o vacilo do Igor que não saiu e deixou o Nunes em condições de cabecear e isso desestruturou a armação, e a atenção, da zaga. Esse é o problema de jogar muito recuado, uma desatenção pode resultar no gol do adversário e numa derrota.

    Em Belém, não espero um jogo de igual para igual, espero um jogo ao reverso do que ocorreu em Ribeirão Preto, com o Remo acuando o Botafogo-SP na defesa e pressionado do início ao fim da partida. A torcida apoia, mas também exige. O torcedor quer colaborar com a presença e a renda, consequentemente, mas quer como retribuição uma apresentação digna de campeão no Mangueirão, que estou certo que terá, pelo que vem mostrando de evolução na fase decisiva e pelo empenho com que vem jogando as partidas do mata-mata.

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