POR MIGUEL DO ROSÁRIO, em O Cafezinho
Amigos e leitores estão assustados com o clima de golpe criado pela votação no Tribunal de Contas da União (TCU). Tenham calma, por favor. Não caiam no jogo terrorista da mídia e dos militantes do ódio.
O resultado no TCU era jogo jogado. O mercado político já tinha assimilado a reprovação unânime das contas do governo.
Só que isso não derruba presidente.
A Folha publicou há dias, e o Cafezinho reproduziu, entrevista esclarecedora com o jurista Marcelo Lavenerè, que assinou o pedido de impeachment de Fernando Collor. Lavenerè explicou que TCU não dá margem para impeachment. É uma reprovação política, um indicativo para o governo se “comportar” melhor no ano seguinte.
Não sejamos ingênuos, claro. Foi tudo meticulosamente preparado. Eduardo Cunha, alguns dias após se reunir a portas fechadas com editores do Globo, promoveu a votação recorde de contas de todos os governos passados, para “limpar” o caminho para a aprovação ou não das contas de Dilma.
Votação esta que, é bom lembrar, é a primeira desde Getúlio Vargas, num demonstrativo do estado de exceção antidemocrático que estamos vivendo há tempos, após essa aliança espúria entre golpistas do judiciário e golpistas da mídia.
Entretanto, o espetáculo de hoje é o canto do cisne do golpe, porque essa era a última cartada da oposição.
O golpe começou a morrer hoje, e por isso fazem tanto estardalhaço. Querem ir embora com pompa e fogos de artifício.
Ainda temos a votação do TSE, mas esta vai demorar e não envolve o legislativo. Não acredito que o TSE seria capaz de cassar uma candidatura de 54 milhões de votos e empossar Eduardo Cunha.
Não teria lógica. Seria “hondurenho” demais até mesmo para nossos mais renhidos golpistas.
O golpômetro atinge o hoje o ponto máximo, uns 15 pontos, e ainda pode subir um ou dois pontos nos próximos dias, mas deve estabilizar na semana seguinte e declinar paulatinamente ao longo das próximas semanas, retornando a níveis aceitáveis para a estabilidade democrática que todos precisamos.
O governo teve sorte de fazer uma reforma ministerial que lhe garantiu uma base mínima para barrar o impeachment, na Câmara e mais ainda no Senado.
A oposição tentará o golpe, claro, mas vai perder.

O governo tem agora 220 deputados fieis, com espaço para conseguir ainda mais apoio. No senado, onde o impeachment é decidido, a base do governo é ainda mais forte.
Uma sessão pelo impeachment se daria no senado, presidida não por Renan Calheiros, mas pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF).
Agora, por amor ao debate, o que aconteceria se a oposição conseguisse, com ajuda da mídia, derrubar um governo eleito e reeleito, um governo de um partido que acumula quatro vitórias eleitorais consecutivas, possui milhares de vereadores, deputados estaduais, federais, senadores, prefeitos e governadores, além de milhões de militantes ou simpatizantes?
Lula é o político brasileiro mais famoso e mais amado em todo mundo.
Imaginem se Lula começasse a denunciar – como fatalmente fará em caso de golpe – lá fora este atentado da direita midiática à democracia brasileira?
Será uma mancha que ficará pespegada na oposição e na mídia por mais cinquenta anos!
Isso além da mancha que a oposição já tem, por conta de seu apoio à ditadura.
O relator das contas do governo, Augusto Nardes, foi deputado federal pela Arena, o partido da ditadura. É um homem de direita, um golpista nato, que passou as últimas semanas passeando pela mídia propagandeando seu voto, intimidando seus próprios pares, fazendo proselitismo político contra o governo.
A Globo, que é na verdade o coração do golpe, nasceu com dinheiro da ditadura e se consolidou defendendo o arbítrio. Um outro golpe político contra a esquerda, apoiado pelas mesmas forças que atuaram em 1964, seria letal para o futuro do grupo e seus tentáculos na política, no longo prazo.
Ainda teremos meses turbulentos pela frente, mas tenham calma, muita calma. Não acreditem na mídia.
Se a direita derrotada nas urnas cometer o erro histórico de patrocinar um golpe, enfrentará uma oposição acirrada dos setores mais progressistas da sociedade.
O jurista do impeachment de Collor deixou bem claro: hoje, no Brasil, grandes e respeitados juristas não vêem base jurídica ou política para o impeachment de Dilma. Ainda mais com votação de TCU.
O impeachment, portanto, seria golpe, sim, diz Lavenerè. Para mim, essa entrevista de Lavanerè enterrou o golpe, porque não será mais possível aplicá-lo sem a oposição acirrada de tantos juristas, jornalistas, intelectuais, políticos.
Nenhum governo sob críticas desse quilate teria mínimas condição de exercer um mandato com dignidade. A menos que apelem para a violência, o que será pior.
Em 64, eles mataram, intimidaram, cassaram mandatos, censuraram, e só assim conseguiram assegurar um mínimo de estabilidade política ao regime.
Hoje a direita não conseguirá fazer nada disso. E a imprensa corporativa não terá mais a desculpa de que o governo a censura. Ela terá que, por conta própria, aplicar uma autocensura ainda mais desavergonhada da que faz hoje.
Os jornais e canais de TV terão que afundar-se em mentiras, demitir críticos, esconder denúncias, ou seja, cavarão a sua própria cova.
Eles proibirão os políticos, juristas e intelectuais progressistas de irem aos jornais, rádio e TV denunciarem o golpe?
Haverá repressão contra lideranças estudantis e sindicais?
E a internet? Como silenciarão a internet, rebelde e democrática por natureza?
Seus próprios apoiadores, os fascistinhas, sairão de cena após o golpe.
Como silenciarão esta grande e barulhenta militância de esquerda, a mesma que ganhou quatro eleições seguidas em batalhas épicas na internet?
Com Fernando Collor, havia unaminidade entre os juristas. Com Dilma, não. Os melhores juristas, os mais progressistas, defendem o mandato de 54 milhões de votos da presidenta.
Não vai ter golpe.
E se chegarem perto de um ato tão infame contra a democracia, serão denunciados lá fora pelos brasileiros mais prestigiados no mundo.
Aqui mesmo, no Cafezinho, já providenciamos um parceiro tradutor, para publicar nossas denúncias em inglês. Ele deve começar a trabalhar nos próximos dias, com ou sem golpe.
Todos os presidentes latino-americanos, todos os latino-americanos progressistas, ficarão ao lado dos protestos contra o golpe, porque eles conhecem muito bem a desonestidade e truculência da direita entreguista do nosso continente.
Será uma crise de proporções internacionais!
O mundo assistirá chocado uma democracia de 202 milhões de habitantes ser conspurcada por um bando de corruptos e canalhas, como são as lideranças do golpe, que não aceitam uma derrota eleitoral e apelam para o tapetão judicial, valendo-se da pressão da mídia mais reacionária e mais golpista do planeta.
Existem algumas similaridades que não são coincidências. Mal explicadas, sim, mas não à toa ocorrem. Geograficamente, a América Latina é um paraíso. Tem grande biodiversidade e outras tantas riquezas naturais que a Europa não possui. Isso significa que a América Latina produz algumas coisas que a Europa jamais produzirá e que, por isso mesmo, tem muito valor por lá. Para os europeus dos tempos das grandes navegações, um achado. A antecipação de portugueses e espanhóis só é responsável pelas línguas latinas nessas nossas terras de cá do Atlântico, e nem tanto assim pelo destino que essas terras vêm tendo pois, fosse qual fosse o colonizador, seríamos tão subdesenvolvidos quanto somos hoje. Há quem lamente não falarmos inglês e até glamurize a colonização que houve na América do Norte. Mas, pensando bem, e vendo o aperreio pelo que os estadunidenses passaram para se livrar dos ingleses, ainda bem que foram os portugueses que passaram por aqui.
Toda essa semelhança política entre os países latino-americanos se deve às “plantations”. Antes da revolução industrial, nessas terras tropicais se produzia o que era impossível ter em terras de clima temperado, como Europa e EUA. Na Europa não se produz manga, café, cana-de-açúcar, noz-moscada e tantas outras coisas que precisam do clima tropical. Os EUA são de clima temperado e por lá só se poderia produzir o que já produzia a Europa e isso quer dizer, do ponto de vista comercial, que essas terras não eram tão interessantes para quem queria produzir as tais especiarias e faturar com elas. E, importante lembrar, a colônia britânica corresponde mais ou menos à atual costa leste dos EUA atual, o resto era colônia espanhola. As terras da América do Norte não eram tão lucrativas quanto as da América Latina atual porque não competiriam com os custos de produção das mesmas commodities que havia na Europa, então as metrópoles fomentaram o mercado interno da colônia americana como forma de a metrópole lucrar com essa colônia, ampliando o mercado interno. Ou seja, a produção, em função do clima, determinou o papel de cada colônia. Antes da revolução industrial, Espanha e Portugal eram potências econômicas porque detinham a produção das especiarias. Com a revolução industrial, só detinham uma matéria prima que seria manufaturada pelos ingleses. E é nisso que reside o poder econômico, até hoje, dos países ricos: em tecnologia, e não em terras ou commodities. Os EUA, como o principal mercado da América, se tornaram independentes cedo e com a industrialização avançando, aproveitaram a oportunidade para se firmar como potência econômica, enquanto a atual América Latina ainda tentava se livrar do jugo espanhol.
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Golpe foi o que cometeu o governo omitindo os 106 bilhões na pedalada, a situação real do Brasil durante a campanha. Queria o que? Que o parecer fosse contrário ao anunciado. A vaca estar cada vez mais atolada.para o lado da Dilma.
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Não, cidadão. Julgamentos, reprovações de contas e condenações são atos constitucionais. O que se espera é que não haja aparelhamento da máquina do Judiciário no esforço do golpe. E que o presidente do TCU não antecipe seu voto e que não aceite a pressão da camarilha tucana, como ocorreu na véspera do julgamento de 19 minutos (no mesmo horário do Jornal Nacional). E que o TCU julgue com o mesmo rigor a conta de todos os governantes brasileiros, incluindo os do PSDB. Apenas isso. Informe-se melhor, pois continuas bem fora da realidade.
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continuação…
Tudo indica que esse comportamento anti-desenvolvimentista da economia local, típica das elites oligarcas, é uma herança do período colonial das “plantations”, de uma metrópole que abandonou o negócio fácil da exploração das riquezas naturais pela exploração do mercado interno domesticado. As velhas elites se vêem ainda como proprietárias de capitanias hereditárias, e negociam acordos sobre como o quintal dessas elites pode ser explorado de modo vantajoso para as metrópoles e para os entreguistas de elite. Esse é o ciclo histórico e corrupto que destrói a América Latina, ainda tratada como colônia europeia.
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É interessante o ódio que a Globo e seus comparsas conseguem fomentar nos desinformados. Ainda bem que existe uma Internet que é ainda livre para se debater, criticar e expor a opinião de cada um.
Já imaginou se só tivéssemos a Globo com a “verdade” dos seus pasquins televisivos?
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Bom, pessoal, agora sem sono, aproveito para concluir o raciocínio.
Há fatos que permitem entender o comportamento político histórico da América Latina. E isso é significativo quando se trata de observar as motivações que levam a direita ao golpismo, pois se trata de um movimento político que tem como objetivo entregar as riquezas nacionais para uma burguesia estrangeira. Como colonos, pregam que podem explorar as riquezas naturais do país para o próprio desenvolvimento e que esse é o caminho para o crescimento, o esgotamento das riquezas naturais até a última gota. O diabo é que todas as gotas exploradas não foram traduzidas em desenvolvimento até agora, mas para o caixa de uma Petrobras que é metade brasileira, metade estrangeira. O pré-sal, segundo Lula, é dos brasileiros e para o desenvolvimento humano do país, já que se destina à saúde e à educação. É claro e evidente que tudo o que ocorre na Petrobras é de conhecimento dos sócios estrangeiros da Petrobras, que acobertaram esquemas dentro da companhia desde a hora em que lá pisaram. É um trunfo, é um objeto de chantagem… Agora, o julgamento de um TCU que não tem lá toda essa credibilidade que a imprensa alardeia, é nitidamente mais um passo para destituir Dilma da presidência e abrir caminho aos entreguistas. Energia, telefonia, mineração, obras públicas e metade da Petrobras foram entregues ao capital privado. Falta a outra metade da Petrobras, que pode render muito mais que telefonia, obras públicas e energia juntas. Dilma é um empecilho para a realização desse projeto que prevê a entrega das reservas naturais de que dispomos.
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É interessante o ódio que o dono do blog sente quando alguém comenta algo contrário ao pt.
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Está redondamente enganado, Marcelino. Não há ódio nas minhas palavras, Marcelino. Reflita e analise com clareza os meus comentários. Se me conhecesse – e por aqui é possível fazer isso em boa monta -, saberia que ódio ou rancor não é uma característica pessoal minha. A maioria dos que aqui convivem diariamente sabe disso. Sou apenas enfático quanto às minhas convicções, a partir do que sei, jamais deixando de me manifestar quando vejo a necessidade. Liberdade de expressão é um direito de qualquer cidadão e contraditar equívocos é uma obrigação de todos. O blog foi criado para essa finalidade, mas é aberto a qualquer linha de pensamento, a não ser aquelas mais retrógradas e excludentes. Lamento que sua visão e capacidade de julgamento sejam tão limitadas quanto ao debate político. O ódio, creia, não está aqui.
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Verdade, Marcelino. Segundo o dono do blog, o Brasil está uma maravilha e o PT acabou com a pobreza no Brasil. A saúde, educação e segurança é de primeiro mundo e a culpa de qualquer mazela ainda é do FHC.
Credo….
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Cidadão, não há governo perfeito ou acima de qualquer suspeita, muito menos exterminador das mazelas históricas do nosso país, mas é inegável que o atual fez em 13 anos muito mais do que FH e sua patota, que hoje se arrogam a legítimos redentores da pátria. Vendilhões, corruptos e saqueadores do nosso patrimônio estatal, mas blindados desde sempre pela Justiça caolha que temos. Sou um cético, por natureza. Sei das incorreções deste governo, mas sei – por óbvio – de tudo o que o Brasil já viveu nas mãos dos golpistas de sempre, hoje representados por tucanos e velha mídia, mas que no passado tinham na UDN e no lacerdismo sua principal referência. A História está aí para ser consultada – e também para cobrar seu preço. É hora de reflexão, não de sair aplaudindo os falsos messias.
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Gerson tens plena razão, “julgamentos, reprovações de contas e condenações são atos constitucionais”. O equivoco é defender o erro com a alegação de que é preciso compensação. Correto que o “TCU julgue com o mesmo rigor a conta de todos os governantes brasileiros, incluindo os do PSDB”. É importante verificarmos a realidade no bolso e começar a acreditar que o Governo vendeu muita lorota. Eu sou um dos que acreditou. As vezes é mais fácil ir para o campo teórico e redigir laudas e laudas sem saber a realidade de pegar ônibus e ser assalariado, que é o meu caso. Sem ofensas e não estou fazendo o discursos do coitadinho, cada um com sua cruz. Fica a dica aos mais teóricos.
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Respeito sua opinião, Pedro, mas mantenho meus pontos de vista. Abraços
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Aos práticos do cotidiano, teoria é importante. Mesmo porque, todo o julgado é “em tese”, não há prova incontestável que condene Dilma, há as mesmíssimas decisões sobre orçamentos e investimentos de outras gestões, como de FHC e de Collor, aprovadas por esse mesmo tribunal, agora tido como justo e imparcial, e aquelas contas passaram tranquilamente pelo TCU, que é do legislativo e não do judiciário, que é dominado pela oposição peemedebista aliada aos tucanos, e formado por ex-políticos e não por juízes do judiciário. Basta dizer que o relator do caso foi ligado à ARENA na ditadura, que, por sua vez, esteve ligada às elites nacionais e grandes grupos estrangeiros…
Não há lisura que ponha julgamentos e investigações sobre os governos do PT acima de qualquer suspeita, quando se nota a atuação de empresas privadas em achaque ao patrimônio e o erário, o assédio de empesas estrangeiras sobre os recursos naturais nacionais e o mercado gigantesco que é o Brasil. Penso que a instabilidade política do governo é cuidadosamente provocada e acompanhada por esses terceiros, que são grandes grupos econômicos que estão vindo com muita sede ao pote. Informem-se e não se limitem a observar os desmandos das obras do estado e da prefeitura que, aliás, é da oposição ao governo federal.
Como andam as contas dos governos estadual e municipal? Quer dizer, como gestores, são tão superiores assim? Será que seriam tão melhores assim que Dilma?… O critério do TCU é claramente político e desfaz os critérios com que se dedicava a analisar as contas dos governos assim de uma hora para outra. Cabe ressaltar essa disposição de mudar uma atitude estabelecida como “standard” em razão de uma nova que condene um gestor apenas baseado em bandeira partidária? Claro que sim, é a prova patética de que o golpismo tem várias frentes que procuram por uma legitimidade maior que as urnas para instalar um verdadeiro programa neoliberal pós-FHC. Mas essa legitimidade não há, só outra eleição. O resto é a tática ousada de fritar permanentemente o governo até lá, para ver se as coisas ficam como estão e a direita tem chance de virar o jogo para si. Acho difícil conseguirem.
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De minha parte, que costumo ler com o mesmo interesse e atenção, por exemplo, O G l o b o e O C a f e z i n h o, R e i n a l d o Azevedo e P a u l o H e n r i q u e A m o r i m, V e j a e C a r t a C a p i t a l, prefiro ficar com as palavras do insuspeito, R e n a t o J a n i n e, filósofo respeitado, e petista de primeira hora, Ministro da Educação, que recentemente teve de ceder o lugar em prol da causa de manutenção do mandato presidencial. Ele disse, não faz uma semana:
“O P T cometeu erros políticos sérios. Um deles foi o de apostar mais no consumo do que na ética. O P T na oposição tinha duas bandeiras éticas muito fortes: contra a corrupção e a miséria. No governo, enfrentou a miséria. Por outro lado, tem a corrupção, que está longe de ser uma invenção do P T, mas o P T deixou de ter o vigor que tinha contra a corrupção”.
Outras palavras, mas em sentido conjuntural semelhante, são aquelas proferidas por ativista negro, D o u g l a s B e l c h i o r, que escreveu na C a r t a C a p i t a l:
“Gente, por favor.
“D i l m a faz um governo marcadamente de direita. Preferiu, num contexto economicamente pior que o de seu antecessor, aliar-se e render-se à direita histórica ao invés de se unir às forças progressistas que, inclusive, garantiram sua última vitória nas urnas. Esse governo promove retrocessos absurdos – tanto quanto ou mais que o tão falado ‘congresso mais reacionário da história’ – e endossa essa mesma política nos estados.
“Apoio à leis criminalizantes, aliança com agronegócio, dependência de oligarquias regionais, política econômica neoliberal e imposição de um ajuste fiscal que beneficia os ricos e pune os pobres, privatizações, apoio a políticas de segurança pública de promoção do encarceramento e do genocídio negro, retirada de direitos trabalhistas, retrocesso nas políticas de direitos humanos… É um governo indefensável.
“E não me venham dizer que “falar mal do P T ajuda a direita”, afinal, falar da direita, que são canalhas, seria chover no molhado. O grupo que prometeu ser uma coisa e foi outra é o que governa o país há 4 mandatos. Um grupo que, embora eleito em nome da classe, jamais enfrentou os grandes interesses dos algozes seculares do povo brasileiro. Ao contrário, preferiu a tática da conciliação, como se nunca houvera aberto um livro de história para saber o quão impossível seria.”
(…)
Quer dizer, porque há vida sensata e atenta além Globo, é possível verificar que hoje – em qualquer lugar, inclusive fora da Globo, e inclusive, em canais de mídia, ou comunicadores, antes encegueirados pelo governo – cada vez mais frequentemente, se colhe pronunciamentos que já admitem aquilo que de há muito, muitos falavam sobre os governos petistas.
É Consciência! Ainda que tardia, mas é consciência, por isso tá valendo.
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Prezado Gerson Nogueira, Tenho o maior respeito por sua pessoa, admiro o seu trabalho jornalistico,não é a toa que anos acompanho suas colunas no diário do Pará e seu blog, mas o que me incomoda é a sua incansável luta em defender o pt, já esta provado a culpabilidade da maioria da cúpula do partido, mas mesmo assim você não quer admitir a realidade, na minha opinião ter de ser julgado e punido seja quem for, seja de que partido for, inclusive o chefe da quadrilha(vai chegar a vez dele), não tenho intenção de lhe ofender, acredita que apesar de muitas vezes discordar de suas opiniões sou seu fâ.
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Opinião é algo muito particular, mesmo quando emitida em cima de ocorrências de natureza política ou comportamental. Compreendo e respeito sua posição, mas tenho convicções muito próprias e firmes sobre o que considero o caminho para um país menos desigual e, acima de tudo, menos dominado por uma elite acumuladora de bens, egoísta e retrógrada. Pelas minhas origens, sou desde sempre um homem de esquerda, Marcelino, não engano ninguém e nem disfarço, tanto que coloquei isto no meu perfil que pode ser lido lá no cabeçalho do blog. Defendo posições alinhadas com esse pensamento e essa visão de mundo. Não sou do PT, não sou filiado a nenhum partido, apenas penso como um esquerdista, da maneira mais ampla e solidária, me preocupo com as pessoas desfavorecidas e luto contra a perpetuação de injustiças. Com todos os defeitos, e não são poucos, o atual governo foi o único em toda a República a se preocupar com esse contingente. É injusto e absolutamente incabível desconhecer ou negar isso. Só por essa razão já seria um apoiador natural. E o tal ‘chefe de quadrilha’ a que você se refere foi, sem dúvida nenhuma, o melhor presidente que já tivemos. O melhor para os brasileiros mais humildes, que compõem a parcela maior e mais sacrificada de nossa população. É assim que eu penso. E reafirmo: não há ódio nisso, no máximo uma visão contundente, motivada pelo cinismo e a hipocrisia reinantes. Pessoas bem informadas e sensatas não podem fechar os olhos para tudo isso.
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E tem mais, Marcelino. A parte da cúpula do PT julgada, apesar das incongruências dos processos, só foi punida e presa porque há um governo democrático e respeitador das leis, que não engaveta acusações contra si mesmo. E não adianta argumentar que isto é obrigação de um governo. Não, amigo. Há alguns poucos anos, um certo presidente ficou célebre por comprar votos para sua reeleição, por desviar fortunas no escândalo da privatização e acumular várias outras maracutaias, mas a Justiça jamais se permitiu sequer investigá-lo. Seus seguidores, como o ex-candidato Aécio Neves, um dos baluartes do golpe em marcha, foi acusado formalmente por desviar milhões da educação em Minas, por receber propinas no caso Furnas e outras ilicitudes, mas segue lampeiro a bradar contra a corrupção. Ora, ele e seus cúmplices são a própria corrupção, mas têm uma Justiça e uma mídia poderosa a blindar seus malfeitos. Combato essa vergonhosa dissimulação, amigo, consciente de que este é o papel do verdadeiro cidadão, aquele que não se deixa ludibriar pela máquina de propaganda das oligarquias e plutocracias nacionais.
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Amigo Antônio Oliveira,
vou pegar parte dos teus comentários (as citações) para propor uma reflexão. Farei em parte, para que eles não fiquem extremamente extensos, como os comentários do grande bicolor Nélio.
Janine (Ex-ministro da Educação)
“D i l m a faz um governo marcadamente de direita. Preferiu, num contexto economicamente pior que o de seu antecessor, aliar-se e render-se à direita histórica ao invés de se unir às forças progressistas que, inclusive, garantiram sua última vitória nas urnas. Esse governo promove retrocessos absurdos – tanto quanto ou mais que o tão falado ‘congresso mais reacionário da história’ – e endossa essa mesma política nos estados”.
Nem ao céu, nem ao inferno…
Particularmente não vejo Dilma unida nem a direita e nem a esquerda. Até por que nos dias de hoje tais nomenclaturas estão caindo em desuso – o mundo está longe de ser dicotômico como pensava a poeta do “ou isto ou aquilo”.
Penso, sinceramente, que Dilma tenta unir-se ao Brasil, de modo especial ao mais pobres – sem esquecer dos que ganham razoavelmente bem e também dos mais abastardo.
Daí que tenta, a todo custo, manter programas sociais (apesar dos cortes) como bolsa família e minha casa minha vida.
Em um eventual governo tucano ou liberalista, como desejam alguns lunáticos, estes programas seriam os grandes prejudicados pelos ajustes fiscais necessários frutos de um mundo que está em crise.
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Ainda sobre a fala de Belchior (não de Janine, como coloquei na primeira postagem).
“Um grupo que, embora eleito em nome da classe, jamais enfrentou os grandes interesses dos algozes seculares do povo brasileiro. Ao contrário, preferiu a tática da conciliação, como se nunca houvera aberto um livro de história para saber o quão impossível seria.”
Enfrentar totalmente os interesses seculares de uma oligarquia é o sonho de uma revolução socialista, coisa que não cabe em um governo eleito de forma democrática e em um país que tem o poder dividido em três núcleos de poderes formais.
Daí que o pensamento de Belchior é fora de contexto. Particularmente devo dizer que prefiro as medidas de ajuste de Dilma, a tornar-me uma Venezuela nos aspectos econômicos.
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Não se enganem, o mundo está em crise. Não se trata de Brasil, como a mídia deseja vender. O grande equívoco do governo foi subestimar o fenômeno global. A Europa não se recuperou e os EUA, país admirado, é repleto de mendigos nas calçadas de Nova York.
Por sinal, minha professora acabou de retornar da Europa (Portugal e Itália). Perguntei para ela: como está a situação econômica desses locais? A resposta foi clara: as pessoas estão (infelizmente) começando a fazer trabalhos que antes não faziam. Em outras palavras, elas estão caminhando para informalidade.
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Moderação em dois comentários, amigo Gerson.
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Sobre a decisão do TCU, pareceu-me assim…
Tudo arquitetado para sair no jornal global e tapar o escândalo Cunha, colocando este em segundo plano.
Claro que há erros por parte do governo na questão fiscal (nada que justifique o pedido de saída da presidenta), mas, grande parte das pedaladas foram feitas para manter programas sociais.
Daí que pergunto:
Vocês fariam empréstimo para dar de comer ao seu filho ou preferiria ver seu filho passar fome?
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Pois é, amigo. As manipulações são tão óbvias que quando alguém diz não perceber soa suspeito. As contas foram julgadas em 19 minutos, sendo que o impoluto Nardes convocou Paulinho da Força (aquele que considera Cunha herói do povo hehe…) e o projeto de fascista Kim não sei das quantas. Definitivamente, não é coisa séria.
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Boa pergunta, amigo Celira!
Mas, será que o caso concreto pode ser elevado à máxima potência da indulgência que é aquela atribuível à infração famélica?
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Não sei amigo Antônio, mas os jornais escritos e sites colocam sempre o seguinte sobre as pedaladas:
“Foi o nome dado a práticas do governo para supostamente cumprir suas metas fiscais. O Tesouro Nacional atrasou repasses para bancos públicos e privados, entre eles benefícios sociais e previdenciários como o Bolsa Família, o abono salarial e seguro-desemprego. Os beneficiários receberam tudo em dia, porque os bancos fizeram o pagamento com recursos próprios”.
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Pô, amigo, Celira, só agora vi seus comentários acerca das citações. Acho que eles estavam na moderação. Bom, mas, enfim. Deixa eu ler para avaliar se há o que possa ser dito.
Quanto às ditas pedaladas talvez o ideal fosse consultar diretamente a defesa e voto do Ministro do TCU, de modo que não ficássemos entregues ao partidarismo das mídias governista e oposicionista. Baixei o voto, mas são 70 páginas, escritas num “idioma” técnico muito complicado por si só, e que fica de impossível acesso via smarth. Vou ver se consigo uma tela maior e tempo para leitura. Aí falamos a respeito.
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Os sujos falando dos mal lavados kkkkk
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Gerson, excelente colocação.
Vale destacar que, enquanto existem acusações engavetadas (mas claras como o Sol) contra Aecio, não há absolutamente nada contra Dilme e Lula até o momento.
Porém, ambos são tratados por parte da mídia como ladrões, já Aecio como salvador do Brasil.
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Exato, amigo Carlos Lira. Tanto que é muito comum, inclusive aqui no blog, a generalização a Dilma e Lula, como se ambos fossem ao menos suspeitos perante a Justiça. Trabalho, obviamente, a cargo dos manipuladores de plantão.
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Nova moderação.
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Pois bem, amigo Celira, com todo o respeito aos que pensam diferente, eu também me inscrevo entre aqueles que consideram que a realidade concreta da vida política impôs à dicotomia esquerda/direita uma grande perda da sua relevância prática, que ficou reservada e limitada a um academicismo próximo da esterelidade.
Mas, independentemente disso, precisamos não esquecer que quem faz plena questão de enfatizar este maniqueismo é o próprio partido governista, e seus próceres mais destacados, especialmente a governante, que se esmera em se dizer de esquerda e por isso se considerar mais credibilizada que os seus opositores, os quais faz questão de rotular de direitistas, mesmo agindo igual ou pior que do que eles agiam quando governavam.
Demais disso, independentemente destas rotulações polarizadas, me parece que as críticas pontuais que faz o afromilitante (como ele próprio se designa) são todas procedentes, como, por exemplo, aquelas relacionadas ao agronegócio, à supressão dos direitos trabalhistas e previdenciários, neoliberalismo etc.
Quanto às bolsas, nota única da cantilena governista, estas são de inegável importância, mas se dissolvem no universo das demandas de um ser humano integral. Além do que, não passaram do “nível Betinho de eficácia” (incipiente), tendo sido gasto, muito provavelmente, bem mais nas campanhas de publicidade das mesmas do que nos programas propriamente ditos.
E não se diga que 13 anos é pouco para garantir o progresso social da grande massa eleitora do governo, porque no mesmo tempo, os familiares e correligionarios dos governantes, máxime do antecessor da atual, experimentaram vertiginosa mobilidade economica, financeira e social. Quer dizer se as benesses tivessem sido objeto de autêntica socialização haveria bem menos desigualdade agora e os progressos da sociedade como um todo, especialmente da massa eleitora do governo, teriam ido bem além do canto da sereia do consumo.
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Amigo Oliveira,
Estou de saída, mas farei uma ponderação sobre o que escreveste ao final de seu comentário.
Sobre o fato de 13 anos ser tempo suficiente para profundas mudanças sociais e distribuição de renda.
Amigo, penso que as mudanças sociais poderiam ter sido maiores, mas foram enormes quando comparada a outros governos.
Por exemplo, a geração de meu pai e minha mãe tem apenas um indivíduo que cursou nível superior, consequentemente com melhores condições de vida.
Já olhando para a minha geração (primos e irmãos), apenas quatro primos não cursaram faculdade em um universo de quase 40 primos (equivale a 10% sem nível superior).
Amigo, estamos falando de apenas uma geração e um grande salto formativo.
Certo que não pertenço ao período recente, mas a maioria dos primos, inclusive alguns mais velhos do que eu, fizeram cursos superiores nos últimos dez anos.
Em síntese, em que pese os enormes defeitos, o governo permitiu muitos avanços sociais com distribuição de renda, já que com curso superior eles terão melhores salários.
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O TCU não é do judiciário, é um órgão de controle externo da Administração Pública Federal.
Apesar de ser composto por Ministros indicados (seis pelo CN, um pelo Presidente da República e dois dentre os auditores e membros do Ministério Público junto ao TCU), o trabalho é feito por servidores de carreira, técnicos na área de finanças públicas. O parecer do relator foi feito por 14 auditores do TCU e contém mais de 1.000 páginas, mas sua leitura foi resumida, daí a impressão errônea de que “o assunto foi tratado em 19 minutos”.
É preciso entender que a lei (no caso tratado, a Lei de Responsabilidade Fiscal) deve ser cumprida e as instituições devem zelar por isso. A máxima de que “lei no Brasil é potoca”, como dizia Magalhães Barata, deve ser deixada para a história e o país deve, enfim, ter vergonha na cara e cumprir a lei.
Esse processo não foi um julgamento, mas sim uma análise técnica das contas da Presidente da República. As contas não foram julgadas, apenas foi emitido um parecer técnico recomendando a rejeição das contas.
Com relação à suposta “antecipação do voto”, já havia manifestação do relator nos autos sobre as irregularidades detectadas e, por essa razão, oportunizou-se o contraditório à Presidente. Por essa razão, não há que se falar em “antecipação do voto”, como foi alardeado.
As pedaladas fiscais e outras irregularidades estão muito claras. Além disso, é só verificar que o país passou de “superavitário” em 2014 para um orçamento deficitário em 2015 em um intervalo de tempo de alguns meses. A diferença orçamentária está justamente na maquiagem das contas públicas que o governo efetivou, sobretudo em 2014, por contas das eleições.
Penso que, quando não há mais argumentos técnicos de defesa, politiza-se a questão, tratando tudo como se fosse “perseguição política”.
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Esta oposição direitista que não defende o direito do povo, que onde governa estão atolados em delitos vergonhosos, que é contra o Brasil, não tem limites, e de forma descarada conseguiram se aliar de todas as formas pra derrubar um governo eleito pelo voto da maioria.
Isso não é apenas tentativa de golpe, isso é uma Armação Ilimitada, e o pior, bandidos de marca maior que onde passaram deixaram sua marca de lama, e pra efeito de justiça, num desses estados, até agua faltou pra limpar.
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Algumas contraposições aos comentários que li aqui.
Amigo Oliveira, uma dicotomia direita/esquerda não é uma divisão academicista e estéril. São termos apropriados a quem observa a história do ponto de vista marxista, como eu. Repito o que já disse aqui, a filosofia marxista não é uma teoria econômica, mas uma epistemologia histórica. Assim como o movimento está para a Física e a transformação da matéria para a Química, Marx está para a História. Não há nada melhor que o marxismo para acompanhar a História, é um critério e uma premissa para a interpretação dos fatos históricos. Leia-se que a História revela as nuances das disputas de poder por essa ótica marxista e até quem pensa que não é marxista acaba sendo-o um pouco. Embora atual e cult, discordo da visão pós-moderna, embora aproveite uma ou outra coisa derivada desse discurso, ainda em construção. É que a construção da linguística não modifica a realidade, atuando sobre a compreensão e não sobre o fato histórico é tão marxista quanto a própria ciência. E embora ciência e tecnologia tenham avançado, socialmente influíram pouco para derrubar as barreiras históricas que colocam proletariado de um lado e a burguesia de outro. O marxismo se baseia em história para propor o socialismo finalmente, mas socialismo não é a mesma coisa que marxismo. O liberalismo, diferentemente, se apoia numa teoria econômica, em Adam Smith e ignora a história, mal apoiada em premissas que mais são julgamentos que pressupostos. A visão liberal, para mim, é falha por isso e falha muito na prática justamente porque precisa de remendos que ampliem seu alcance, naturalmente curto.
Caro Bruno, o fato de o trabalho ter sido feito por servidores de carreira, não o torna mais confiável que tivesse sido feito pessoalmente pelos componentes da bancada do TCU, nem por ter mais de 1000 páginas, nem por ter explicações para cada ponto de vista sobre os supostos 15 crimes de responsabilidade fiscal. Há precedentes que dizem que as chamadas pedaladas são contas corriqueiras nas contas de presidentes, o que torna inviável o critério do TCU como isento ou imparcial. O julgamento é político porque ocorre com uma brusca mudança de interpretação de leis que ferem a tradição daquela casa. Portanto, o que está muito claro é a intenção de prejudicar e enfraquecer politicamente o governo. A anterioridade do julgado não seria uma jurisprudência, mas uma conduta previsível do critério. A surpresa da mudança de critério neste caso deixa claro o desejo de influir politicamente sobre os rumos do governo, atuando os servidores meio que como justiceiros, assim como tem feito a Polícia Federal e Sérgio Moro na lava-jato. É louvável que se queira pôr fim à corrupção no Brasil, mas para isso, é preciso bem mais que atuação política da PF e órgãos federais, é preciso a atuação constitucional, não motivada por questões políticas alheias ao povo e que atende diretamente a interesses oligarcas e estrangeiros.
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Amigo Celira, me permita duas ponderações:
(a) eu não falei em PROFUNDAS mudanças sociais em 13 anos (a letra maiúscula é só pra destacar, na falta de outro recurso no teclado). E não falei, porque sei que é tempo insuficiente para reverter um quadro pintado em mais de quinhentos anos de exploração.
Todavia, 13 anos não é um lapso temporal irrelevante para fins de um mínimo, mas genuíno, progresso social. Tanto é que a parentada do ex presidente, e muitos dos seus amigos, mudaram para muito melhor a situação econômica que ostentavam antes de 2002. E note que não fala de mera situação financeira, mas, sim, da situação econômica, que é um indicador de maior solidez de progresso.
(b) conheço solidamente, pessoas muito pobres, bisnetos de bisavós pobres, netos de avós pobres, filhos de pais pobres, amigos de pessoas pobres, moradoras de bairros pobres, estudando em escolas públicas e pobres e que conseguiram todas que fizeram curso superior na universidade federal do Pará e na antiga FCAP, e depois, mediante disputa no mercado, conseguiram empregos compatíveis com suas respectivas formações.
Neste tempo, casa própria era com a Cohab, e outros conjuntos habitacionais, alimento subsidiado era com a Cobal, escola profissionalizante era com Sesc, Senai, Sedan, escola salesiana etc, subsidio para curso superior era o crédito educativo etc, etc, etc. Era um tempo em que já existia violência, mas mesmo assim o que mais metia medo nas ruas desertas à noite ainda eram as visagens.
Era um tempo em que, como estas de que lhe falo, muitas outras pessoas da mesma condição e situação, também fizeram curso superior na Ufpa, Fcap, Uepa etc, ou, mediante crédito educativo, no Cesep e Moderno, depois Unespa e por fim Unama. E todos mesmo jeito progrediram.
Mas, também era um tempo em que ninguém achava bom, ninguém estava satisfeito. Todos, ou a grande maioria não achava suficiente os subsídios fornecidos pelo governo. Todos queriam mais. E protestavam por isso, faziam passeatas, faziam greve, participavam de manifestação contra o governo. E tinham razão de fazê-lo, eis que por mais que o governo fizesse, tudo ainda era pouco diante do que ele tinha obrigação e condições de fazer em prol da coletividade. E os protestos foram tantos que acabaram vencer no voto os governantes que vinham se perpetuando no poder há quase 500 anos e alçar ao poder outro que acreditavam seria capaz de proporcionar o preparo para o salto qualitativo e quantitativo que a grande massa da população brasileira estava precisando para conseguir o progresso social.
(c) Enfim, tudo isso que eu lhe falo, é pra testemunhar que antes do governo que aí está, realmente as coisas não eram muito fáceis não. Ao contrário, eram até muito difíceis, e tão difíceis a ponto da mãe dividir com a filha o mesmo sapato para irem a escola, uma pela manhã, outra pela noite; ou do pai ter ser uma calça e uma camisa para ir ao trabalho, eis que precisava economizar consigo para garantir o mínimo necessário para os vários filhos.
Mas, é para testemunhar também que mesmo assim, nada disso que o governo atual diz que fez de bom, pode, rigorosamente, ser considerado novidade.
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Discordo meu caro Lopes, mais a Teoria Marxista, além de ser uma epistemologia histórica, vai muito além disso, inclusive foi o sustentáculo maior para os conceitos econômicos com a “Teoria da Mais Valia” Em relação ao post do Bruno errata! O TCU é um órgão de controle externo “AUTONÔMO” ele auxilia o congresso nacional. Não está subordinado e nem atrelado a ninguém. É um órgão altamente capacitado entre seus auditores e técnicos, mas infelizmente perdeu a oportunidade de ficar calado (como sempre ficou desde quando foi criado) Só um adendo os seus ministros são escolhas políticas e não de carreiras, logo estão atrelado nesta seara nojenta que é a política da mídia golpista.
abs
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