
POR LUIS NASSIF, no Jornal GGN
Não há nenhum apuro técnico nesse festival de denúncias bancado pela mídia.
Valem-se de um recurso que descrevo em meu livro “O jornalismo dos anos 90”, fartamente praticado pela revista Veja.
Juntam-se alguns pontos verdadeiros – porém irrelevantes – e com base neles desenham uma história muito mais ampla, na qual os pontos relevantes são meras suposições, que não vêm acompanhada de fatos.
É o caso da tal “denúncia” do Estadão sobre o lobby junto à Casa Civil para estender os benefícios da redução do IPI às empresas Hyundai e CAOA.O que diz a matéria do Estadão:
– A manchete, parte principal da matéria, aquela em que o rigor jornalístico tem que ser redobrado, afirma que Medida Provisória “teria sido” comprada.
Alexandre, ou APS, era ligado à revista Veja, tal qual Carlinhos Cachoeira. Usava a revista para espalhar dossiês contra adversários de seus clientes. Entrou na história sem se saber por que e, dentre todas as ligações dele, supôs-se uma com Erenice, o elo perdido.
No fundo, o que se tem é a história de um espertalhão que tentou passar a perna na CAOA vendendo lobby em favor de uma MP que seria aprovada. Descoberto o golpe, e os desvios de dinheiro, as empresas pularam fora. E ele as chantageou ameaçando com gravações onde elas topavam subornar alguém que só o lobista sabia quem.
A única empresa que acreditou no espertalhão foi o Estadão.