Público de 21 mil pagantes no Mangueirão

O jogo Paissandu x Fortaleza teve público pagante de 21.247, com arrecadação de R$ 412.890,00. Descontadas as despesas da partida, de R$ 99.928,05, restou ao Paissandu o valor líquido de R$ 312.961,95. Depois da partida, revoltada com a derrota, parte da torcida xingou e vaiou os jogadores, principalmente Tiago Potiguar. Outros torcedores lançaram objetos e bombas no gramado. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

A primeira decepção

Por Gerson Nogueira

Um gol logo aos 14 minutos do primeiro tempo foi suficiente para o Fortaleza quebrar a invencibilidade do Paissandu na Série C. Na estratégia do velho e manjado feijão-com-arroz, com marcação a partir de sua intermediária, o tricolor cearense controlou a partida sem grandes problemas e conseguiu manter o resultado apesar da perda de um jogador (Wesley) por expulsão ainda no primeiro tempo.

O Paissandu era melhor, mas conduzia demais a bola. Todos os meias e atacantes, com exceção de Kiros, insistiam no mesmo erro: tentavam vencer o bloqueio defensivo a partir de tentativas individuais. Às vezes, isso até funciona, mas geralmente os zagueiros levam a melhor.

Potiguar era o mais insistente (e irritante) nesse tipo de lance improdutivo. Harisson, pouco inspirado, não conseguia criar e o ataque ficava dependendo de cruzamentos para Kiros. Bem vigiado, o centroavante não conseguiu jogar.

Contra um time fechado, objetividade é fundamental, mas foi a virtude que mais faltou à equipe de Roberval Davino. Na condição de um dos últimos colocados na competição até ontem, o Fortaleza se resguardava e permitia pouco espaço para as manobras do Paissandu. Acabou premiado aos 15 minutos. Em cochilo de Leandrinho, veio uma rápida troca de passes entre Jailson e Rafinha, que fizeram a bola chegar para a finalização de Waldson.

Como exagerava na retenção de bola, sem agilizar a infiltração, o Paissandu rondava a área, mas esquecia de chutar. Foram raros os disparos ao gol de Lopes, cujo hábito de espalmar todas as bolas nem foi bem aproveitada.

Para agravar ainda mais o quadro, diante da dura vigilância do Fortaleza, o Paissandu resolveu concentrar esforços nas jogadas pela direita com Pikachu. Atento, Vica congestionou bem o corredor e não deu brechas ao jovem ala bicolor.

No intervalo, Davino tirou Ricardo Capanema e Harisson. Entraram Héliton e Régis. O técnico visava aproveitar a vantagem numérica criada pela expulsão, injusta, do meia Wesley nos instantes finais da primeira etapa. O problema é que os erros continuavam. Muitos passes laterais e pouca agressividade. Com o passar do tempo, o time foi ficando mais nervoso e impaciente, abrindo brechas para o experiente armador Geraldo criar algumas situações perigosas.

Para aumentar a presença ofensiva do Paissandu, Davino substituiu Potiguar por Rafael Oliveira. A estratégia não funcionou porque o time continuava sustentando um domínio ilusório, mas sem qualquer criatividade para superar a parede defensiva do adversário.

A limitação técnica dos homens de meio-de-campo ficava patente pela repetição dos cruzamentos a esmo, buscando o marcadíssimo Kiros. Como previsto, os chuveirinhos foram neutralizados pelos beques e o Paissandu ainda teve Pikachu expulso, por simulação, aos 38 minutos. No lance seguinte, a defesa vacilou e Geraldo mandou um tiro na trave de Paulo Rafael.

Pela produção das equipes, vitória justa do Fortaleza, que ainda não tinha conseguido fazer gol na competição.  Do lado alviceleste, além da derrota em casa, um prejuízo duplo: Leandrinho e Pikachu não jogam contra o Santa Cruz, no Recife. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

A torcida, desacostumada de grandes conquistas nos últimos tempos, deu para fazer tolices típicas de criança mimada. Não se tem um jogo em Belém sem que os torcedores atentem contra os interesses do próprio clube, atirando objetos no gramado. Ontem, a história se repetiu. Revoltados com o resultado ruim, alguns descontrolados jogaram garrafas e bombas num aparente protesto contra o árbitro – que foi confuso e ruim para os dois lados, mas não interferiu no resultado.

Resta esperar pelos inevitáveis desdobramentos nos tribunais, depois que a súmula for encaminhada. Com o aspecto agravante de que o Paissandu é reincidente. A mesma situação aconteceu no jogo contra o Coritiba, pela Copa do Brasil.

Os organizadores do amistoso esperam inacreditáveis 35 mil pagantes hoje, no Mangueirão, para Remo x River Plate (Uruguai). Acredito, no máximo, em 5 mil torcedores presentes. A inutilidade da promoção e a histórica má vontade da torcida com jogos amistosos juntam-se a outro fato desanimador: a derrota remista para o Paragominas, no sábado. Sob o ponto de vista técnico, o confronto pode funcionar como teste para o novo Remo que Edson Gaúcho tenta construir. Por via das dúvidas, o meio-de-campo entrará mais fechado que ferrolho húngaro, com três volantes.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 17)

Capanema volta e Harisson é confirmado na meia

O Paissandu já está escalado para o jogo desta segunda-feira à noite contra o Fortaleza, pela Série C do Campeonato Brasileiro. Com o retorno de Ricardo Capanema, Roberval Davino mantém a base dos dois primeiros jogos: Paulo Rafael; Fábio Sanches, Marcus Vinícius e Tiago Costa; Pikachu, Capanema, Fabinho, Harisson (foto) e Leandrinho; Tiago Potiguar e Kiros. Héliton, Robinho, Vanderson e Rafael Oliveira são opções para o decorrer da partida.

Paissandu espera público de 35 mil

A diretoria do Paissandu colocou à venda 35 mil ingressos para o jogo desta noite contra o Fortaleza, no Mangueirão. A arquibancada custa R$ 20,00 e cadeira sai a R$ 40,00. Até às 14h desta segunda-feira, tinham sido vendidos 6.123 ingressos, com arrecadação parcial de R$ 97.110,00. (Fonte: assessoria da FPF)

Adriano está fora dos planos de Edson Gaúcho

Ausente da relação de jogadores para o jogo amistoso desta terça-feira, no Mangueirão, contra o River Plate do Uruguai, o goleiro Adriano parece com os dias contados no Baenão, pelo menos enquanto durar a gestão do técnico Edson Gaúcho. Depois de falhas contra o Vilhena e o Penarol, o goleiro caiu em desgraça junto ao treinador e foi afastado por deficiência técnica. Gaúcho efetivou Jamilton contra o Náutico-RR e também no amistoso de sábado diante do Paragominas. Para o confronto internacional, foram relacionados Jamilton (abaixo) e o novato Gustavo, de 23 anos, contratado junto à Ponte Preta. A contratação de Gustavo indica que o afastamento de Adriano é definitivo. Discreto, o goleiro não se manifestou até o momento. A tendência é que seja liberado pelo clube. Curiosamente, Jamilton, o novo dono da camisa 1, falhou muito no jogo contra o PFC. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola) 

Empresário Ronaldo coleciona desafetos

A curta carreira de Ronaldo já rendeu ao Fenômeno uma coleção de desafetos. O episódio envolvendo a permanência de Paulinho no Corinthians aumentou a lista de gente irritada com o ex-jogador. As queixas partem de dirigentes, conselheiros e empresários. As principais reclamações são sobre o ex-jogador agir quase sempre como se fosse cartola do Corinthians e por ir contra os interesses de agentes dos atletas abordados por ele. Na última sexta, José Carlos Brunoro criticou Ronaldo por ser incoerente ao telefonar para o volante e trabalhar por sua permanência no Parque São Jorge. Incoerência pelo fato de o Fenômeno ter aconselhado Neymar, cliente de sua agência, a sair do Brasil.

O blog apurou que numa ligação para Paulinho, o ex-atacante assegurou que o volante conseguiria um salário superior aos R$ 300 mil oferecidos inicialmente pelo Corinthians. Ele trabalharia para isso. Paulinho acabou fechando por R$ 400 mil, R$ 100 mil a mais do que recebe o reserva Douglas. A irritação do Audax, dono de 45% dos direitos do volante idolatrado pela Fiel, acontece ao mesmo tempo em que conselheiros do Santos protestam contra o Fenômeno ser um dos responsáveis pelo marketing de Neymar.

Alegam que o principal jogador do time não pode trabalhar com alguém tão ligado ao rival Corinthians. Acreditam que ele sempre irá agir pensando no que é melhor para o alvinegro da capital. Como ao incentivar a saída de Neymar, que enfraqueceria um rival corintiano. A direção santista também já atacou publicamente o Fenômeno por aconselhar o jovem a ir para Europa. No Flamengo, Ronaldo teve participação no episódio que se transformou numa bola de neve e culminou com a saída de Ronaldinho Gaúcha da Gávea. A Traffic parou de pagar os salários do atacante após a 9nie, agência do ex-jogador, ganhar comissão por intermediar negociação de patrocínio na camisa rubro-negra. A Traffic viu seu acordo com o Fla desrespeitado.

Empresários e cartolas também enxergam um conflito de interesses e uma concorrência desleal com Ronaldo. Isso por causa da proximidade dele com o presidente da CBF, José Maria Marin. Ambos são colegas no COL. A alegação é de que o Fenômeno não poderia se envolver com atletas da seleção brasileira que devem estar na Copa de 2014. E de que sua proximidade com a CBF pode sugerir aos jogadores que com ele por perto fica mais fácil chegar ao time nacional. O blog telefonou para a assessoria de imprensa da 9nine. Ouviu como resposta que ele está viajando e não poderia ser localizado. (Blog do Perrone)

Assine pelo Saldanhão!

Por Juca Kfouri

Entre aqui para assinar o pedido de mudança de nome do estádio Engenhão, de João Havelange para João Saldanha, mais que uma troca de joões, a troca de um anão por um gigante da cidadania. E se você já caiu no engodo de comprar uma biografia de Havelange, exija seu dinheiro de volta na livraria, por vítima de propaganda enganosa, ou estelionato cultural.

E viva o Saldanhão!

O blog está nessa de corpo e alma botafoguenses.  

Em busca da liderança

Por Gerson Nogueira

Depois da derrota em quatro minutos do Águia, ontem, em Juazeiro do Norte, o futebol paraense tem outro encontro marcado com time cearense hoje no estádio Edgar Proença. Com o apoio de sua torcida – novamente fiel neste campeonato –, o Paissandu precisa vencer para reassumir a liderança isolada da competição. Se repetir o rendimento das duas primeiras apresentações, tem plenas condições de derrotar o Fortaleza, por enquanto uma das decepções desta Série C.

Nos treinamentos da semana, Roberval Davino experimentou 13 jogadores na equipe titular. Não errou a conta, apenas buscou mostrar que contar de fato com 13 nomes efetivos, incluindo Robinho e Héliton, que normalmente frequentam o banco de reservas.

Como o adversário não venceu ainda e estreia novo técnico (Vica), o mais provável é que adote postura cautelosa. Diante disso, Héliton dificilmente entrará jogando, pois tem características que se ajustam mais ao jogo de contra-ataque. Kiros, então, deve ter a companhia de Tiago Potiguar no ataque.

O meio-de-campo, que ainda não pode contar com o meia Alex William, preferido de Davino, terá o reforço de Ricardo Capanema, que desfalcou o setor na partida contra o Guarani de Sobral. A criação fica com Harisson, peça fundamental na conquista da vitória fora de casa e que tem se candidato à camisa 10 do time, com inteira justiça.

Por tudo isso, além do descanso que o time teve, o Paissandu reúne aquilo que em futebol costuma se definir como favoritismo. Não custa, porém, tomar os cuidados necessários para evitar surpresas, pois a Terceira Divisão é equilibrada por natureza e qualquer time se sente à vontade no Mangueirão.

 

Depois do penal indecente dado ao Corinthians no meio da semana contra o Botafogo, a caolha arbitragem brasileira voltou a fazer das suas ontem. Em Pituaçu, o Bahia foi devidamente operado contra o Flamengo. Em fase instável no Brasileiro, o rubro-negro ganhou uma penalidade quando os donos da casa mais pressionavam. Ibson, que ao lado do corintiano Jorge Henrique forma a mais talentosa dupla de atores dos gramados nacionais, desabou espalhafatosamente na grande área e Sua Senhoria não teve dúvidas em assinalar a falta máxima. O fato é que nunca dantes neste país a instituição do pênalti foi tão vilipendiada.

 

Quem acompanha a vida administrativa da dupla Re-Pa não se espantou com os dados divulgados pela Justiça do Trabalho, incluindo os dois tradicionais clubes entre os maiores devedores do Estado. O exemplo mais óbvio dessa penúria é o drama enfrentado pelo Paissandu, às voltas com dívidas monstruosas com Arinelson e Jobson e sob o risco de perda de patrimônio. O Remo, que cumpre um processo de recuperação – graças ao trabalho incansável do advogado Ronaldo Passarinho –, esteve a pique de perder o Baenão há dois anos, num casamento nefasto entre débitos do passado e a vocação mercantil do então presidente Amaro Klautau. O esforço da atual diretoria prova, porém, que é possível enfrentar os erros do passado e sonhar com o saneamento completo das dívidas. Basta querer.

 

Fase terrível se abate sobre o setor defensivo do Remo. Depois dos ilustríssimos Teco-Teco, Fiapo e Pimbinha, outro centroavante de apelido exótico conseguiu deixar sua marca contra os azulinos. Xibiu saiu do banco de reservas do glorioso alviverde de Paragominas para entrar, de corpo e alma, no folclore do nosso futebol. O jogo não valia nada, era pouco mais que um treino, mas o atacante aproveitou a chance e cravou seu nome na estatística de fatos insólitos que atazanam o Leão nos últimos anos.

O placar não significa muito, pois era óbvio o interesse de Edson Gaúcho de movimentar o time e observar alguns reservas, tanto que mudou completamente a escalação para o segundo tempo depois do empate sem gols nos primeiros 45 minutos. E foi justamente na etapa final que Xibiu mostrou a que veio.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 16)