Davino indica e Paissandu contrata Pantico

Pantico, atacante de 31 anos e 1,65 de altura, dispensado ontem pelo Metropolitano, é o novo reforço do Paissandu. A diretoria anunciou a contratação, que teve indicação do técnico Roberval Davino (foto), que conta hoje apenas com Kiros para o comando do ataque. Nos últimos 15 jogos, Pantico marcou três gols e tinha como reserva um ex-jogador alviceleste, o centroavante Bruno Rangel.

Guarani leva gol contra do meio-de-campo

O zagueiro Rodrigo Arroz, do Guarani, recua quase do meio-de-campo e encobre o goleiro Emerson, que estava muito adiantado no lance. O incrível gol contra ajudou o Goiás a derrotar o Bugre em Campinas, por 2 a 1. Detalhe: nas arquibancadas, 978 testemunhas para um jogo da Série B.

A falta que o craque faz

Por Gerson Nogueira

Os aplausos entusiasmados dirigidos a Marcelinho Carioca, ao deixar o campo aos 41 minutos do primeiro tempo, são mais que uma sincera homenagem. Constituem eloquente expressão da carência do torcedor paraense por bom futebol. Com a camisa 7 do Remo, o ex-jogador corintiano teve alguns momentos de alto nível, lançando os atacantes e laterais com extrema perícia, como nos velhos tempos. Cobrou duas faltas e distribuiu passes elegantes, levantando a pequena plateia presente.

O que era para ser uma simples exibição se transformou em atuação destacada, tamanha a limitação dos demais jogadores em campo. Do lado uruguaio, nada mais normal, pois o River tem uma equipe jovem e em formação. Muito mais operária do que talentosa. O problema mesmo estava no Remo, cuja saída de bola continua problemática, com muitos erros de passe e dificuldades de aproximação.

Quando a bola se encaminhava a Marcelinho era como se buscasse um oásis em meio ao deserto de ideias do meio-de-campo remista. Regente experimentado, o camisa 7 arrumava as coisas e dava ao lance a destinação correta. Ao contrário dos demais, simplificava as coisas. Como no toque em velocidade para Paulinho receber e cruzar na área do River, em lance que resultou no gol de Mendes, aos 10 minutos.

Depois disso, enfiou várias bolas em profundidade para Cassiano e Dida, além de deixar Ávalos na cara do gol com um passe milimétrico. Tamanho desembaraço fez com que, de imediato, a torcida começasse a gritar seu nome e o eco acabou chegando aos dirigentes. Já há quem alimente o projeto de contratar o veterano para a Série D, coisa que, em boa hora, o técnico Edson Gaúcho tratou de desaconselhar.

Gaúcho observou que Marcelinho não é mais um jogador profissional. Exibe-se de vez em quando e, pela habilidade natural que tem, até constrói grandes jogadas. Ocorre que competições oficiais exigem dedicação e compromisso, virtudes que mesmo nos tempos de atleta o “Pé de Anjo” nunca teve.

Antes que o craque fosse substituído, o grandalhão Avenatto balançou as redes do estreante Gustavo depois de quatro tentativas perigosas. A zaga ficou acompanhando a bola e esqueceu o centroavante, que testou sem marcação.

No segundo tempo, com várias substituições de lado a lado, prevaleceu o equilíbrio. Os uruguaios seguiram na mesma toada inicial, correndo muito, marcando em cima e batendo quase sempre. O Remo ficou sem Márcio Tinga, expulso logo no começo, mas nem sentiu muito a falta porque o volante era um dos piores em campo.

Com formação baseada na troca de passes no meio-de-campo, o Remo viveu um bom momento a partir dos 20 minutos, chegando a envolver por diversas vezes a marcação do River. Edu Chiquita, Ratinho e Reis se revezavam nos avanços ao ataque, apoiados pelos laterais Paulinho – o mais regular do time – e Dida. Na frente, Cassiano deslocava-se com a rapidez habitual, embora errando sempre nos arremates.

Como teste, o amistoso internacional teve grande importância para o Remo. Pelo simples fato de que o River é um adversário de bom nível, superior a qualquer um dos times da Série D, e jogou como se a partida valesse ponto.

A presença de um público diminuto, com pouco mais de 3 mil torcedores presentes, confirma as previsões quanto ao fiasco da programação de ontem no Mangueirão. Dirigentes e empresários precisam ter em mente que a torcida paraense adora futebol, mas menospreza amistosos. Raramente um jogo caça-níquel arrasta plateias significativas. Talvez só a Seleção Brasileira consiga tal façanha. Fica, mais uma vez, a lição. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

O revés contra o Fortaleza acendeu todas as luzes de alerta e teve pelo menos o aspecto positivo de fazer o Paissandu cair na real. O time tem lá seus bons momentos, pode superar grande parte dos adversários de grupo, mas padece de graves problemas no setor de criação. Não há um jogador hoje na Curuzu em condições de armar jogadas e organizar a equipe. A dependência cada vez mais óbvia dos cruzamentos para o centroavante Kiros dá sinais de esgotamento após apenas três rodadas.

Em reunião que estava programada para ontem, a diretoria e o técnico Roberval Davino iriam mudar a rota de voo e novas contratações estão na ordem do dia. Ao mesmo tempo, as primeiras dispensas devem acontecer depois do difícil compromisso em Recife diante do Santa Cruz.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 18)