Já nem é Clube, é Seleção…

Amigos deste escriba baionense presentes ao Mangueirão para ver Paissandu x Águia. Via Twitter, Syanne Neto postou foto direto das tribunas. De olho no jogo, ouvindo a Rádio Clube, claro. Abaixo, o baluarte do roquenrou Ricardo Gluck Paul, também de radinho ao pé do ouvido. Adivinha que rádio ele estava ouvindo?

Um esquema para os craques

Por Gerson Nogueira

Houve um momento, ontem, que foi possível ver juntos os quatro mais promissores jogadores brasileiros. Neymar, Oscar, Lucas e Ganso jogaram pelo menos 25 minutos da partida contra a Bielorrússia, válida pelo torneio de futebol das Olimpíadas. Não deu tempo para tabelarem, arriscarem infiltrações ou a troca rápida de passes.

A rigor, somente uma arrancada de Lucas teve participação discreta de Ganso e Neymar. Já nos acréscimos, porém, um lance iniciado por Marcelo no meio-de-campo, resultou no terceiro gol da Seleção. Neymar partiu para cima dos beques, fez que ia invadir a área, mas tocou sutilmente para a chegada de Oscar, que mandou um chute indefensável no ângulo.

Apenas dois dos garotos estiveram envolvidos numa jogada simples, mas mortal, sustentada na técnica e no improviso. Poucos futebolistas no mundo conseguem fazer isso, como quem tira um coelho da cartola. Só os refinados, aqueles que realmente nascem craques.

Ao mesmo tempo em que deixou a todos felizes, o lance revelou a pouquíssima interação entre os quatro atletas, que foram reunidos por poucos minutos em campo, pois o esquema – esse famigerado e misterioso ente que assombra o futebol – não permite. Ora, como diria Nelson Rodrigues, se o esquema não concorda com isso, azar do esquema.

Nem advogo titularidade imediata para Ganso, visivelmente ainda abaixo dos demais em rendimento e até mesmo condicionamento físico. Mas Lucas precisa estar em campo, auxiliando Neymar e Oscar a desfiarem mais pérolas de seus repertórios. Todos saem ganhando quando craques estão em ação. Até – e principalmente – os técnicos batráquios que insistem em separá-los.

Fico a matutar sobre a razão transcendental que obriga um time brasileiro a enfrentar uma Bielorrússia com dois ou três volantes, deixando um atacante do nível de Lucas mofando no banco. O mesmo se aplica a Ganso, caso recupere a antiga forma.

A preocupação nem é diretamente com a Olimpíada, mas com a Copa do Mundo, em 2014. Sem jogadores que se acostumem a jogar por música, que se entendam pelo olhar, como aqueles craques do timaço de 1970, será difícil resistir a equipes mais experientes e entrosadas. Mano Menezes está, por enquanto, perdendo uma belíssima chance de botar esses quatro garotos para jogarem juntos. Penso que, para bom jogador, sempre há lugar no time. Se não tiver, inventa-se. Mestre Telê pensava exatamente assim.

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Paissandu e Águia têm hoje, no Mangueirão, um confronto direto na luta para voltar ao G4 da Série C. Com os resultados da rodada, os bicolores caíram para a quinta posição e os marabaenses para a sexta. Roberval Davino parece ainda atormentado pela derrota nos minutos finais em Recife e ainda não definiu se vai no 4-4-2, no 3-5-2 ou no 3-4-2-1. A volta de Alex William à armação é outra incógnita. Com ele, Robinho (ou Potiguar) sai da equipe.

Fiquei surpreso com a ausência de Héliton entre os relacionados para o jogo. Um atacante velocista é sempre uma opção interessante, em qualquer circunstância. No entanto, Davino deve utilizar o recém-contratado Pantico (foto) no decorrer da partida. Baseia-se nos treinos da semana, quando o atacante vindo do Metropolitano mostrou qualidades e faro de gol.

Já no Águia, João Galvão mantém sua estratégia no meio-de-campo forte, com dois volantes, e nos meias Juliano e Flamel aproximando-se do centroavante Tiago. Carne de pescoço na vida do Paissandu nos últimos anos, o time marabaense sabe e gosta de jogar contra grandes torcidas, daí o fator campo não pesar na balança. É jogo para fortes emoções, sempre.

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Às vezes, o torcedor e até a imprensa reclamam das poucas chances que os jogadores da terra têm em Remo e Paissandu. Há, obviamente, situações de preferência dos técnicos de fora por jogadores seus, que já chegam recomendados. É bom que se diga, porém, que a negligência e a falta de profissionalismo de alguns desses valores regionais contribuem para a perda de oportunidades.

No Baenão, um jovem atleta anda sob vigilância da comissão técnica, depois de ser visto disputando peladas pelo interior nos fins de semana de julho. Outro, não tão jovem assim, já foi flagrado jogando em torneios de bairros. Aí, de fato, não há boa vontade que resista.

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Marciano, que não disputou um grande campeonato paraense, como quase todos os demais jogadores do elenco remista, foi liberado ao final do contrato como se fosse um perna-de-pau qualquer. Para o seu lugar, semanas depois, o Remo contratou Mendes. A opção diz muito das intenções de quem dirige o time e de quem administra o clube.

Pois, na Série C, Marciano voltou a jogar bola. Pelo Salgueiro, marcou quatro gols da goleada de 6 a 2 sobre o ex-líder do grupo A, o Luverdense. Poucos atacantes conseguem isso numa competição parelha e difícil como a Terceirona. O incrível é que, pela cabeça dos que o liberaram, Marciano não servia para disputar a Série D.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 30)