Apoteose da incompetência

Por Gerson Nogueira

Que a CBF sempre esteve mais para casa da mãe Joana não é novidade para ninguém. Já esteve envolvida em confusões e maracutaias de toda sorte, principalmente durante o longo reinado de Ricardo Teixeira. Tal vocação para o erro tornou repetitiva qualquer crítica aos desmandos da entidade.
Mas, mesmo para os padrões da CBF, a atual balbúrdia foi longe demais. A guerra de liminares que atrasou o começo da Série C em 28 dias causou grande desgaste e incalculável prejuízo para os clubes participantes. Depois de muita indecisão, a competição foi iniciada, mas sob constante ameaça de paralisação pela Justiça comum.
A confiança na volta da normalidade foi quebrada na sexta-feira por decisão judicial que obrigou a CBF a incluir o Treze, excluindo o Rio Branco (AC). A tabela foi reformulada pela 300ª vez, atropelando os mínimos preceitos do Estatuto do Torcedor. Convenhamos que, a essa altura do pagode, o respeito às leis é um detalhe de menor importância para a CBF, que se preocupa em diminuir ao máximo o estrago causado pela rebeldia do Treze, modesto clube paraibano que de uma hora para outra decidiu sustentar uma batalha particular com ex-poderosa entidade.
Com o apoio de forças políticas de seu Estado, o Treze vem desafiando regras não escritas da CBF e da Fifa, que preveem punição duríssima para clubes que recorrem à Justiça sem esgotar todos os trâmites nos tribunais desportivos. No começo da noite de sexta-feira, uma nova liminar já devolvia a vaga
ao Rio Branco e permitia à CBF manter a antiga situação, com 21 clubes (Treze incluso) disputando o torneio. Não duvido que até segunda-feira novas reviravoltas ocorram, confundindo a todos e tirando credibilidade de um campeonato deficitário por natureza.
O pior é que as incertezas de hoje podem se transformar em funesto desfecho, quando os clubes que se sintam prejudicados podem – prenhes de razão – recorrer à Justiça para contestar a legitimidade da competição. Desconfio que a Série C deste ano pode, do mesmíssimo jeito que começou, terminar decidida no tapetão. De qualquer maneira, só quem sairá perdendo será o futebol, embora seja difícil imaginar que a CBF se preocupe realmente com isso.

O futebol costuma ser extremamente generoso com alguns. É o caso específico do meio-campista Elano, que embolsa mensalmente R$ 420 mil no Santos. Vive uma prolongada má fase, não é titular e cultiva – desde a última Copa América – o hábito desagradável de cobrar pênaltis como quem bate tiros de meta. Apesar disso, ganha mais que qualquer astro peixeiro, incluindo Neymar e Ganso.
Estranho que um clube que se considera moderno aceite tamanho descalabro salarial. Mais esquisito ainda é o vivo interesse de outro clube, o Grêmio, em assumir esse prejuízo, levando em conta que Elano nunca foi craque. Mas, entre a Vila Belmiro e o Olímpico há um elo que ajuda a explicar a entender a possibilidade de acordo: Vanderlei Luxemburgo, que há um bom tempo se porta mais como negociante do que como técnico de futebol.

Segundo Nelson Rodrigues, exagerado como todos os gênios, o mítico Fla-Flu não tem começo, nem fim; e nasceu 40 minutos antes do nada. Só então as multidões despertaram. Bem, o grande Nelson devia ter seus motivos para pensar assim. E, de fato, a história do clássico brasileiro mais conhecido parece reafirmar a cada novo jogo a máxima rodrigueana.
Para os cariocas, o confronto entre rubro-negros e tricolores extrapola os limites normais do gramado. Invade a vida das pessoas, agita as praias e esquinas, tem influência sobre a música e as demais artes. Pena que hoje os velhos rivais sejam obrigados a se enfrentar longe do palco natural do Fla-Flu. O Maracanã (hoje em obras), apesar de inaugurado em 1950, é o berço eterno desse duelo centenário que homenageia a história do próprio futebol.

O craque holandês Seedorf chegou ao Botafogo com surpreendente fome de bola. Para espanto da gente carioca, sempre predisposta a um folguedo, o veterano meia pediu para treinar na própria sexta-feira. Desacostumados a tipo de loucura laboral, torcedores alvinegros fizeram rapidamente as contas e concluíram que, em dois ou três dias de trabalho no Engenhão, Seedorf terá treinado mais que Ronaldinho Gaúcho em todo o tempo que enganou no Flamengo.
Quanto aos efeitos práticos da contratação, só o tempo dirá se Seedorf veio para engalanar ainda mais a fabulosa galeria de craques botafoguenses ou se revelará mero coadjuvante. Com base na carreira de sucesso e profissionalismo, o torcedor tem motivos para otimismo. Mesmo que o ídolo Loco Abreu esteja saindo pela outra porta.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 08)

Águia vence Cuiabá, de virada, em Marabá

O Águia de Marabá conseguiu importante resultado na tarde deste sábado, jogando no estádio Zinho Oliveira contra o Cuiabá, do Mato Grosso. Venceu por 2 a 1, de virada, e chegou aos 4 pontos na tabela de classificação. Fernando abriu o placar para o Cuiabá aos quatro minutos do primeiro tempo. O Azulão não se abalou e virou o marcador aina na etapa inicial. O zagueiro Bernardo, escorando cruzamento de Mocajuba na cobrança de um escanteio, empatou aos 24 minutos. Aos 43, o atacante Valdanes aproveitou boa jogada do setor ofensivo e desempatou a partida.

Paissandu vence de virada e é líder isolado na Série C

Com uma categórica virada sobre o Guarani de Sobral na tarde deste sábado, o Paissandu assumiu a liderança do grupo A e manteve 100% de aproveitamento no Campeonato Brasileiro da Série C. O primeiro gol foi marcado pelos donos da casa aos 34 minutos do primeiro tempo em cabeceio de Joécio, depois de um escanteio. O Guarani pressionava mais, embora o Paissandu também levasse muito perigo em jogadas para o centroavante Kiros. A etapa final começou com a equipe cearense buscando o segundo gol, mas foi surpreendida logo aos 13 minutos quando Kiros desviou para as redes cruzamento do meia Harisson. A virada alviceleste viria nos acréscimos, aos 47 minutos, através do ala Pikachu. O estádio do Junco, em Sobral, recebeu um público de 3.924 torcedores, com 3.785 pagantes e 139 credenciados. A arrecadação foi de R$43.785.

Davino com problemas para escalar o Papão

O técnico Roberval Davino tem vários problemas para montar a equipe do Paissandu para o jogo contra o Guarani de Sobral (CE), na tarde deste sábado, pela segunda rodada do Brasileiro da Série C. Não poderá contar com Alex William e Régis, lesionados, e Ricardo Capanema, suspenso. O centroavante Kiros também se recupera de contusão e pode desfalcar o time. A provável escalação do Papão: Paulo Rafael; Marcus Vinícius, Fábio Sanches e Tiago Costa; Pikachu, Neto, Fabinho, Harisson (Robinho) e Leandrinho; Tiago Potiguar e Kiros (Rafael Oliveira). (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola)