A primeira decepção

Por Gerson Nogueira

Um gol logo aos 14 minutos do primeiro tempo foi suficiente para o Fortaleza quebrar a invencibilidade do Paissandu na Série C. Na estratégia do velho e manjado feijão-com-arroz, com marcação a partir de sua intermediária, o tricolor cearense controlou a partida sem grandes problemas e conseguiu manter o resultado apesar da perda de um jogador (Wesley) por expulsão ainda no primeiro tempo.

O Paissandu era melhor, mas conduzia demais a bola. Todos os meias e atacantes, com exceção de Kiros, insistiam no mesmo erro: tentavam vencer o bloqueio defensivo a partir de tentativas individuais. Às vezes, isso até funciona, mas geralmente os zagueiros levam a melhor.

Potiguar era o mais insistente (e irritante) nesse tipo de lance improdutivo. Harisson, pouco inspirado, não conseguia criar e o ataque ficava dependendo de cruzamentos para Kiros. Bem vigiado, o centroavante não conseguiu jogar.

Contra um time fechado, objetividade é fundamental, mas foi a virtude que mais faltou à equipe de Roberval Davino. Na condição de um dos últimos colocados na competição até ontem, o Fortaleza se resguardava e permitia pouco espaço para as manobras do Paissandu. Acabou premiado aos 15 minutos. Em cochilo de Leandrinho, veio uma rápida troca de passes entre Jailson e Rafinha, que fizeram a bola chegar para a finalização de Waldson.

Como exagerava na retenção de bola, sem agilizar a infiltração, o Paissandu rondava a área, mas esquecia de chutar. Foram raros os disparos ao gol de Lopes, cujo hábito de espalmar todas as bolas nem foi bem aproveitada.

Para agravar ainda mais o quadro, diante da dura vigilância do Fortaleza, o Paissandu resolveu concentrar esforços nas jogadas pela direita com Pikachu. Atento, Vica congestionou bem o corredor e não deu brechas ao jovem ala bicolor.

No intervalo, Davino tirou Ricardo Capanema e Harisson. Entraram Héliton e Régis. O técnico visava aproveitar a vantagem numérica criada pela expulsão, injusta, do meia Wesley nos instantes finais da primeira etapa. O problema é que os erros continuavam. Muitos passes laterais e pouca agressividade. Com o passar do tempo, o time foi ficando mais nervoso e impaciente, abrindo brechas para o experiente armador Geraldo criar algumas situações perigosas.

Para aumentar a presença ofensiva do Paissandu, Davino substituiu Potiguar por Rafael Oliveira. A estratégia não funcionou porque o time continuava sustentando um domínio ilusório, mas sem qualquer criatividade para superar a parede defensiva do adversário.

A limitação técnica dos homens de meio-de-campo ficava patente pela repetição dos cruzamentos a esmo, buscando o marcadíssimo Kiros. Como previsto, os chuveirinhos foram neutralizados pelos beques e o Paissandu ainda teve Pikachu expulso, por simulação, aos 38 minutos. No lance seguinte, a defesa vacilou e Geraldo mandou um tiro na trave de Paulo Rafael.

Pela produção das equipes, vitória justa do Fortaleza, que ainda não tinha conseguido fazer gol na competição.  Do lado alviceleste, além da derrota em casa, um prejuízo duplo: Leandrinho e Pikachu não jogam contra o Santa Cruz, no Recife. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

A torcida, desacostumada de grandes conquistas nos últimos tempos, deu para fazer tolices típicas de criança mimada. Não se tem um jogo em Belém sem que os torcedores atentem contra os interesses do próprio clube, atirando objetos no gramado. Ontem, a história se repetiu. Revoltados com o resultado ruim, alguns descontrolados jogaram garrafas e bombas num aparente protesto contra o árbitro – que foi confuso e ruim para os dois lados, mas não interferiu no resultado.

Resta esperar pelos inevitáveis desdobramentos nos tribunais, depois que a súmula for encaminhada. Com o aspecto agravante de que o Paissandu é reincidente. A mesma situação aconteceu no jogo contra o Coritiba, pela Copa do Brasil.

Os organizadores do amistoso esperam inacreditáveis 35 mil pagantes hoje, no Mangueirão, para Remo x River Plate (Uruguai). Acredito, no máximo, em 5 mil torcedores presentes. A inutilidade da promoção e a histórica má vontade da torcida com jogos amistosos juntam-se a outro fato desanimador: a derrota remista para o Paragominas, no sábado. Sob o ponto de vista técnico, o confronto pode funcionar como teste para o novo Remo que Edson Gaúcho tenta construir. Por via das dúvidas, o meio-de-campo entrará mais fechado que ferrolho húngaro, com três volantes.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 17)

14 comentários em “A primeira decepção

  1. Acredito Gerson e amigos, que essa derrota seja mais benéfica para o Paysandu, que a vitória ao Fortaleza. Venho falando aqui havia algum tempo, que o clube precisava qualificar seu elenco. Falei, inclusive a um dos diretores do Papão, no twitter, Hermom Pimentel, sobre isso.
    – Por alguns momentos do jogo, deu pra perceber que o Capanema falhou no gol do Fortaleza, pois marcou com os olhos e o jogador adversário passou livremente. Outra coisa que deu pra perceber, foi que o 2º catão amarelo do Yago, foi corretíssimo. Você dizer que ele caiu porque o jogador do Fortaleza deu um carrinho, mesmo que na bola, é correto, mas ele levanta as mãos e pede o Pênalti e, penso que aí se configurou a legitimidade do Cartão(É isso mesmo, amigo Edmundo?). Quanto ao 2º amarelo do Esley, pelas imagens da RBA, não deu pra perceber se foi justo ou não.
    – O Torcedor do Paysandu que não se precipite em pensar que tudo está errado. papão é um time bem treinado, apenas ontem, alguns jogadores não funcionaram como deveriam e, isso não deu pra ser mudado no jogo, pela falta de jogadores de qualidade no banco.

    Já tinha falado aqui a alguns dias e, ontem se confirmou: Gladstone, bom zagueiro, é o novo reforço do Remo. Acredito que o Gaúcho faz uma renovçao, corretíssima e na hora certa, pois o Remo folga 15 dias, volta a jogar e após esse jogo, folga 15 dias, de novo, ou seja, o Leão faz num espaço de 30 dias, apenas 1 jogo. A hora, é agora.

    É a minha opinião.

  2. Em tempo, Gerson e amigos. Assistindo alguns momentos em outra emissora de TV, deu pra constatar, 2 coisas em relação ao que falei acima:
    1ª- Não foi o Capanema que marcou com os olhos e sim o nº 4, que acredito que seja o Marcus Vinícius;
    2º – A expulsão do jogador Esley do Fortaleza, também foi corretíssima, na minha opinião. Ele dá o corte no Potyguar e se joga, tentando simular a falta.

    Vale lembrar que os dois lances envolvendo o Yago e o Esley, foram para cartão amarelo, o problema é que eles já tínham cartão e, por isso foram expulsos, corretamente.

    É a minha opinião.

  3. Sempre quando jogo minhas peladas digo aos companheiro do time, chutem que estarei sempre atento as rebatidas do goleiro e faço muitos gols por conta disso. Abro mão de bater as penalidades para que outros companheiros façam seus gols. Rsrsrs. Mas falando sério, o objetivo do jogo é fazer gol e ontem o time bicolor contrariou essa tese. Toquinho pra lá e pra cá jogando em casa com torcida a favor e perda de tempo, há não se que esteja preparando o bote na defesa adversária. Agora exigi precisão e potência senão é mesmo que nada. Acorda Davino.

  4. Claudio, a expulsao do Yago, foi justa…muitos falaram até em penalti ontem, mas nao houve nada de anormal na jogada…agora, o arbitro em minha opiniao, nao se encontrou em campo..nao era o dia dele…rs rs rs …

  5. Tomara que o bicolor perca vários mandos de jogo. Essas organizadas tem que aprender de alguma forma e os diretores que a sustentam também.

  6. Pelo que acompanhei dos comentários on-line, de hoje e da coluna do Gerson, fica claro que o Papão realmente precisa reforçar seu elenco. É inadmissível ficar dependendo de de 2 ou 3 jogadores jogarem bem para que a equipe toda jogue. O Kiros parece que só tem essa jogada: de receber na área e dar o arremate final. E parece que joga melhor cabeceando do que com os pés. Não gosto disso. Acho que é uma limitação. Será que o Harrioson foi tão mal assim para que o RD lhe tirasse logo no intervalo ? Quando ele optou por isso, a quem ele atribuiu o papel de armador de jogadas, para fazer a tão necessária ligação meio-ataque ?

    Reforços JÁ !!!!! Como bem disse o Cláudio, este campeonato é longo. Não dá pra ficar só com esse elenco. Precisamos de meia criativo, atacante e lateral esquerdo.

  7. Perder para o Fortaleza é plenamente normal, Perna dura de pau, ruindade de jogadores de futebol pode até ter recaída em curto espaço de tempo após uma ou boas apresentações destes. Mas falta de dedicação de jogadores , desaprender, tão rapidamente, a jogar futebol quem sabe não desaprende ( taí exemplo Marcelinho Carioca). E tem mais ainda, mesmo se os jogadores são ruins pra caraca a ruindade quando eles querem pode ser superada muitas vezes pela dedicação e esforço dos jogadores dentro de campo. Cito o exemplo de um lateral que o Paysandu tinha no timaço de Giva em 2002 chamado Claudio Gavião o qual superava ruindade dele com muita esforço dentro de campo, correreria e muito suor com a camisa do Paysandu, chegando muitas vezes a fazer gols decisivos e belos gols mesmo sendo ruin. Ontem nesse jogo Paysandu e Fortaleza o que vi foi uma deprimente falta de dedicação, esforço, vontade de jogar desinteresse, desmotivação e abdicação da vitória de todo o grupo do Paysandu desde o goleiro que estava lento até na orientação da barreira. Os lampejos iniciais de ilusória pressão e domínio quando o Pysandu andou perdendo ums gols foram mais da ruindadade desse time do Fortaleza. Depois a coisa desandou totalmente com jogadores sem vontade de correr, ir pra cima do Fortaleza e dando toquinhos irritantes um para o outro dentro da área do Paysandu ou no meio campo irritando a torcida principalmente quando estava 1×0 e o time precisava ser agil. Mas isso não aconteceu, foi moleza o tempo todo e o Fortaleza ruin fez 1×0 e manteve o placar até o final ganhando o jogo sem merecer na minha opinião. Então tanta falta de dedicação pela vitória por parte dos jogadores do Paysandu que nem a enorme avalanche bicolor presente que proporcionou a melhor arrecadação da serie C foi capaz de motivar na minha opinião ta parecendo com virus ou mal do SANDRISMO ou em palavras mais claras MERCENARISMO. Não entenderam? eu explico: Em 2010 após o Paysandu empatar com o Salgueiro em Pernambuco todos davam como certa a subida do Paysandu e no jogo de voltacontra o Salgueiro era prenuncio de lotação total. Aí veio o jogo, estadio super lotado, a mesma falta de empenho do grupo mostrada no jogo contra o Fortaleza, derrota em casa por goleada e perda do acesso para o desconhecido Salgueiro. Depois que estourou a bomba e o problema veio à tona soube-se pelo próprio presidente LOP que Sandro comandou uma exigência de um grupo de jogadores que queriam um alto valor pela premiação da subida e o LOP disse que não ia dar porque os salários estavam em dia e ele não tinha a obrigação de pagar bicho a jogadores. Dessa forma, esse jogo contra o Fortaleza como era prenuncio de uma grande renda e foi, não vou ficar nem um pouco espantado se esse virus SANDRISMO tiver atacado esse grupo de jogadores novamente nesse jogo contra o Fortaleza. Pelo menos um dos ditos contaminados por esse virus em 2010 ( Tiago Potiguar) estava em campo e foi um dos piores jogadores do time. Para os jogadores serem apredrejados pela torcida após uma derrota é porque a torcida viu muito corpo mole de jogadores em campo. Essa é a minha opinião.

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