Alberto Dines: “É criminoso desconsiderar o jornalismo como profissão”

Do Comunique-se

O jornalista e escritor Alberto Dines foi o entrevistado da madrugada desta segunda-feira, 9, do programa ‘É Notícia’, apresentado por Kennedy Alencar na Rede TV. Durante o encontro, Dines falou sobre a relação entre jornalismo e política, o uso das novas tecnologias e defendeu o diploma para exercer a profissão. Com mais de 60 anos de atuação nos principais veículos do país e de estudo sobre a imprensa, Dines avalia a decisão de não exigir o diploma para a classe, tomada em 2009, como “um voto infelicíssimo de Gilmar Mendes”. Para ele, a saída primária do relator do caso foi argumentar que o jornalismo não é profissão, e sendo assim não precisaria de diploma.

Segundo Dines, afirmar que o jornalismo é um “ofício eventual” é criminoso, pois tira o caráter institucional da imprensa num processo político. Ele diz que quando a profissão voltar a ser regulamentável seria válido debater o melhor tipo de formação, e cita a Universidade Columbia, onde o curso de jornalismo é ministrado em nível de pós-graduação e tem a duração de dois semestres com atividades práticas.

Gaúcho altera todos os setores do time do Remo

O técnico Edson Gaúcho fez uma série de mudanças no Remo para o jogo de amanhã contra o Náutico, em Boa Vista (Roraima). Começou pelo gol, onde afastou Adriano e escalou Jamilton como titular. O ex-titular nem viaja com a delegação. Na zaga, também por critério técnico, tirou Edinho e prestigiou Ávalos. No meio-de-campo, tirou Jhonnatan da equipe e decidiu recuar Edu Chiquita para ajudar André na cobertura da zaga. A principal novidade do setor é a estreia do meia-armador Léo Medeiros, que se destacou nos últimos treinamentos. Para o ataque, o treinador preferiu Mendes a Fábio Oliveira. O provável time será: Jamilton; Dida, Ávalos, Diego Barros e Aldivan; André, Edu Chiquita, Léo Medeiros e Reis; Mendes e Cassiano. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola) 

Redenção corintiana

Por Cássio de Andrade

À guisa de introdução (tal como começavam as prédicas acadêmicas de priscas eras), o título desse texto soa denoxérico (quem não souber o que significa esse neologismo, que vá estudar a cultura de massa e publicitária oitocentista). Longe de se tratar de qualquer forma de rendição deste convicto tricolor morumbino à conquista mosqueteira, o artigo em tela (por favor, corintianos, não confundam com grade) diz respeito ao fenômeno nunca antes observado em situações congêneres de nosso futebol: o crescimento da torcida anti-corintiana em relação diretamente proporcional ao marketing agressivo do Corinthians, em especial da Era Sanches.

Muitos fatores podem ser apontados como fundamentais a essa estranha relação proporcional, entre os quais, faça-se justiça, a natural antipatia dos “secadores” rivais frente ao desempenho positivo de qualquer equipe de ponta e de massa. Essa antipatia atingiu o São Paulo de Telê e Muricy, e o próprio Flamengo das glórias e dos triunfos oitocentistas. Ainda assim, o que se viu em relação à torcida contrária ao Corínthians, foisui generis. Chegamos (ops, desculpem o ato falho), ao cúmulo de torcer por argentinos, tal o espírito que se espraiou em uma nação. Até pouco tempo, tinha a certeza que a segunda maior torcida brasileira era a que torcia contra o Flamengo. Hoje, sem dúvida os anti-corintianos superaram os anti-flamenguistas.

A intolerância, o ódio e as confusões patrocinados pela “Gaviões da Fiel”, a imparcialidade da mídia paulista, a arrogância da diretoria mosqueteira e a natural “violência marrenta” de sua torcida, são componentes históricos que acompanham o Corínthians elevados à quinta potência a partir da decisão da Libertadores. Durante o jogo, até que muitos torcedores rivais foram quebrando sua resistência, mas a “marra”, a “arrogância”, a “violência” que se seguiu a conquista, retornou à estaca zero nessa relação.

Por incrível que pareça, um segmento recentemente incorporado à enorme massa corintiana, podem indicar novas perspectivas á redenção mosqueteira: a presença crescente do público LGBT. A passeata gay de São Paulo, segundo o Datafolha, demonstrou uma enorme simpatia por esse público ao Timão, superando o São Paulo cuja representação midiática sempre associava o tricolor a essa clientela.

Nos dois jogos decisivos da Libertadores, verifiquei in loco esse fenômeno. Ao passar em frente ao Bar Veneza, em São Brás, agitado pontoGLS de Belém, seu público cativo acompanhava e torcia em frente ao telão armado no referido espaço. Após a conquista, de forma efusiva, carinhosa, sensível e humana, lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros, abraçavam-se e comemoravam de forma emocionante a histórica conquista do timão. Infelizmente, nas ruas transversais, passavam os carros dos machos mosqueteiros soltando palavrões como a desafiar em desabafo os transeuntes, a frustração represada de 102 anos.

Esse é o ponto central. O aumento da torcida LGBT entre os “loucos pelo Timão” poderá ser positiva ao Corínthians. O amor, o carinho, a cumplicidade típica desse segmento social em suas relações públicas, pode se tornar a redenção mosqueteira, no sentido de quebrar a resistência ao tradicional clube paulista. O Timão, clube de massa, não pode ser tão antipatizado pela população brasileira. Afinal, quem não lembra a admirada “democracia corintiana” de Sócrates e companhia dos anos 80, caindo nas graças da torcida brasileira? Esse é o espírito corintiano a ser soerguido: o respeito às manifestações humanas e à defesa das liberdades. Deixemos o ódio, o rancor e o ranger de dentes às maltas, à mídia corintiana, ao Neto, ao Emerson e tudo o mais que represente a violência e o ressentimento.

Que a imensa torcida corintiana veja no segmento LGBT um exemplo a ser seguido. Quem sabe assim, podemos um dia olhar o Corínthians com as cores da diversidade. Não precisa todos seus torcedores sair necessariamente do armário. Basta ser tolerante. Quem sabe até dezembro, poderemos com essa nova postura, dizer com tranquilidade: Valeu, Timão! Sem medo de ser feliz….

Na rota do acesso

Por Gerson Nogueira

Para muitos torcedores, a estreia de verdade do Paissandu no Brasileiro da Série C aconteceu sábado, em Sobral, no Ceará. Esse raciocínio tem a ver com a própria dinâmica da competição, que valoriza bastante pontos obtidos fora de casa. Vencer em terreno inimigo significa acumular pontos e empurrar o concorrente ladeira
abaixo. Foi o que o time de Roberval Davino fez, com disciplina e método. Nem o gol inimigo no primeiro tempo conseguiu abalar a estratégia alviceleste, que esperou a partida ficar mais favorável.
Muito modificado no meio-de-campo, em função das ausências de Ricardo Capanema e Régis, a equipe mostrou-se até mais aplicada que na estreia (contra o Luverdense) e evoluiu na marcação, sem precisar cair naquelas retrancas bovinas que os visitantes costumam apresentar. Todo time desta Série C é difícil de ser batido dentro de seu terreiro. A virada – ainda mais em solo inimigo – sempre traz a marca do desassombro e é resultado ainda mais comemorado que as vitórias
normais. No segundo tempo, o Paissandu executou à risca o planejamento de Davino quanto a não ceder espaços ao adversário, que parecia mais agressivo e buscando o segundo gol. No entanto, a jogadinha para Kiros, que já adquire característica de marca registrada do time, funcionou novamente. Depois do empate, o jogo ficou equilibrado e o Guarani rondou várias vezes a área paraense, mas o Paissandu não renunciou ao ataque e teve suas chances de desempatar. Quis o acaso,
porém, que o gol só saísse ao apagar das luzes, pelos pés de Pikachu, outra das peças fundamentais da equipe.
Pelos relatos do companheiro Cláudio Guimarães, da Rádio Clube, pode-se dizer, sem risco de precipitação, que o Paissandu está cada vez mais seguro na execução do esquema tático de Roberval Davino, que consiste de marcação forte no meio-campo e rapidez nas jogadas ofensivas. Mais que isso: não desperdiça aquele caminhão de gols de outras temporadas. É preciso, porém, ajustar muita coisa. A defesa, por vezes, parece desprotegida. O setor de cobertura ainda hesita entre avançar o bloqueio ao meio-campo adversário e se confunde com a linha de zaga. Os alas também precisam ser mais efetivos. Em alguns momentos, parecem desaparecer do jogo. Pikachu, pela velocidade e talento para o ataque, deve ser mais acionado. A ligação, como no primeiro jogo, ainda ficou devendo, mas Harisson teve bons momentos na função.
A pergunta habitual em começo de campeonato gira em torno das chances reais de acesso. É muito cedo ainda para arriscar prognósticos, mas é evidente que o novo Paissandu caminha para amadurecer ao longo do torneio. Tem aquele destemor dos times protagonistas e a consolidação da liderança do grupo é um sinal disso. Davino tem conseguido incutir nos jogadores a ideia de que uma das quatro vagas pertence, por direito natural e tradição, ao clube paraense. Sem menosprezo aos
adversários, o Paissandu tem história e currículo para participar de ambientes mais refinados – e, cá para nós, já perdeu tempo demais na Terceira Divisão.

O Remo vai a Roraima com objetivo bem definido: recuperar os três pontos deixados em Rondônia. O adversário está entre os menos cotados do grupo, como era o caso do Vilhena, o que redobra as cautelas de Edson Gaúcho. A preocupação evidenciada nos treinamentos é com a segurança defensiva e a necessidade de tornar a meia-cancha mais criativa. A entrada de Edu Chiquita contra o Penarol já deu ao setor uma pegada mais ágil. O recém-contratado Léo Medeiros foi a figura mais destacada dos últimos coletivos e é provável que ganhe uma posição onde o time sempre esteve carente nas últimas temporadas. Ao mesmo tempo, os elogios públicos do treinador a Reis parecem indicar que o jovem meia-atacante está novamente em alta no Baenão – o que é bom tanto para ele quanto para o Remo.

O futebol brasileiro, que nas últimas três décadas se notabilizou como exportador de pé-de-obra, começa a experimentar uma mudança importante. O desenvolvimento econômico gerou clubes mais fortes no continente e mais competitivos com o poderoso mercado europeu. Acima de tudo, o Brasil está na berlinda pela proximidade da Copa do Mundo. Além dos próprios atletas brasileiros interessados em ficar mais próximo do raio de visão do técnico Mano Menezes, alguns grandes nomes estrangeiros passam a ver o país com outros olhos. O meia Clarence Seedorf foi o primeiro a chegar, reforçando o Botafogo. Quase ao mesmo tempo, desembarcou o uruguaio Diego Forlán, que foi eleito o craque do mundial realizado na África do Sul. A próxima atração pode ser o argentino Juan Riquelme, que interessa ao Flamengo – e ao Corinthians, obviamente (todo bom jogador interessa ao campeão da América).
A preocupar apenas a coincidência de queda de rendimento de um dos maiores meias brazucas: Paulo Henrique Ganso, ainda em recuperação de cirurgia, foi peça apagada nas semifinais da Libertadores, e passa por turbulências contratuais com o Santos que podem levá-lo a uma transferência para o Internacional. Na encruzilhada da carreira, a semanas da Olimpíada e a dois anos da Copa, o paraense Ganso precisa de tranquilidade e boa cabeça para voltar a exibir o futebol de alto
nível que o consagrou há dois anos. Resta torcer.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 09)