Gaúcho põe Leão no ataque contra o Atlético-AC

Disposto a retomar a liderança do grupo A1 da Série D, o Remo recebe nesta quarta-feira, às 20h30, no Baenão, o Atlético Acreano. As duas equipes têm seis pontos na competição, mas o time do Acre leva vantagem no saldo de gols. Para buscar a vitória, o técnico Edson Gaúcho armou uma formação bem ofensiva, com apenas um volante de ofício no meio-de-campo. A escalação já está definida: Gustavo (foto); Dida, Ávalos, Diego Barros e Paulinho; Jhonnatan, Edu Chiquita, Ratinho e Reis; Mendes e Cassiano. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola)

Tribuna do torcedor

Por Diogo Carlos Luz da Silva (diogotorcedor@gmail.com) 
Alguns cronistas esportivos teimam em dizer que jogar na Curuzu ou Baenão é pensar pequeno. Não concordo. Pensar pequeno e achar que um elenco meia boca, como o que temos aqui, vá se sobrepor ao adversário do mesmo nível jogando em um campo neutro. Pensar grande é encarar a realidade que nos temos hoje e lutar com todas as armas possíveis para derrotar o oponente. Sermos consciente de nossos pontos francos e fortes já é meio caminho andado para atingirmos nossos objetivos. Então, vamos lá: qual nosso ponto fraco? Primeiro que não somos mais competentes nem talentosos que nossos adversários. Todos estão no mesmo nível. Segundo que estamos nas Séries C e D, ou seja, no momento estamos pequenos, comemos jabá e temos que arrotar jabá e não caviar ou bacalhau. Entendeu? Agora vamos aos pontos fortes: temos um time que pode se tornar aguerrido, ainda mais com a torcida bem perto e incentivando os jogadores à vitória. Neste sentido, Curuzu e Baenão são os campos ideais. Penso que jogar nesses estádios é dificultar ainda mais a vida de nossos adversários. Fica explícito o alívio de nossos oponentes quando sabem que enfrentarão Paysandu ou Remo no Mangueirão, onde a torcida fica bem distante do cangotes deles. Se podemos complicar a vida deles, por que facilitar? Esqueça essa história de conforto de torcida e de imprensa, gramado qualificado e outros que tais. Queremos subir, não é? Então vamos usar todas as armas que temos a nosso favor para abater o adversário.  

No reino do faz-de-conta

Por Gerson Nogueira

Há muito tempo que os boleiros do Brasil desenvolveram uma habilidade especial para ludibriar árbitros incautos ou, dependendo do clube envolvido, com excesso de boa vontade. O que os demais países sul-americanos conseguiram avançar quanto à catimba, os brasileiros se esmeraram no dom de iludir através de tombos programados e encenações dignas de premiação no Oscar.

Curiosamente, esses truques foram aperfeiçoados e tornaram-se mais caprichados na era da superexposição midiática, com transmissões de jogos que envolvem até 30 câmeras, filmando de todos os ângulos possíveis e imagináveis. Alguns jogadores demonstram um domínio das técnicas do ilusionismo que só pode resultar de muito treino para isso.

Circula na internet um vídeo sobre um inusitado exercício no Barcelona, datado de 2011, no qual os então comandados de Pep Guardiola aprendiam até a rolar pelo gramado, caindo às vezes espalhafatosamente, com o intuito óbvio de passar a lábia nos árbitros. A prática é repetida exaustivamente até que os jogadores aprendam a cair de forma convincente.

O tema tem sido alvo de críticas ferozes no atual Campeonato Brasileiro e a cobrança sobre a arbitragem tem aumentado em função da expressiva quantidade de jogos decididos por pênaltis mandrakes. Um dos mais recentes foi marcado em favor do Flamengo durante confronto com o Bahia.

No lance, o meia rubro-negro Ibson se projeta no espaço ao pressentir a aproximação de um zagueiro baiano. Incontinenti, o árbitro, posicionado a poucos metros, apontou a marca fatal, para vibração incontida da “vítima” da falta inexistente. A dupla cena, do penal fantasioso e da comemoração do jogador, tornou-se exemplo de malandragem a ser coibida pelos árbitros brasileiros.

Por influência desse jeito macunaímico de levar vantagem em campo, Neymar, nosso principal jogador, anda exagerando também nas simulações. É verdade que leva muita pancada dos marcadores, mas desenvolveu também um jeito esperto de enganar os juízes. No Brasil, o truque costuma dar certo, mas lá fora a vigilância é mais rigorosa.

Em consequência das faltas que cavou no amistoso contra a seleção olímpica inglesa, sexta-feira passada, Neymar passou a sofrer impiedosa marcação da imprensa londrina. Até o sisudo The Guardian baixou o sarrafo no astro santista, com ilustrações que criticam o estilo cai-cai. Uma das charges coloca Neymar como especialista em saltos ornamentais, outra como músico de rock, e assim por diante.

Prova mais do que evidente de que a Europa continua intransigente quanto ao anti-jogo e às trapaças. Pior para o Brasil, que sonha com o ouro no futebol e tem em Neymar seu principal trunfo para a conquista. Ruim também para o próprio jogador, que tem planos de jogar no futebol europeu e já será recebido por lá com desconfianças quanto às quedas, problema que atrapalhou bastante a carreira de outros brasileiros igualmente habilidosos, como Sávio, Robinho e Diego.

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Derrotas dramáticas para times sem pedigree fazem parte da história recente de Remo e Paissandu. Os remistas têm na memória nomes como Palmas, Holanda e Vila Aurora. O Atlético Acreano, novo emergente do futebol nortista, surge como o adversário a ser batido no grupo A da Série D. Com duas vitórias sobre Náutico e Penarol, o time assumiu a liderança, desbancando o próprio Remo por ter melhor saldo de gols.

Depois de 15 dias de folga na tabela, com dois amistosos no meio, o time de Edson Gaúcho reencontra a torcida no Baenão e tem obrigação de vencer. A competição tem baixo nível técnico e, mesmo com alguns problemas no meio-de-campo, o Remo pode ser considerado favorito. O que não exclui a necessidade imperiosa de evitar descuidos.

A comissão técnica trabalha com a ideia de que os três jogos que fará em casa – contra Atlético, Vilhena e Náutico – são suficientes para que o Remo garanta classificação em primeiro no grupo. A execução desse planejamento começa hoje.

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Depois de alguns meses sem notícias, eis que ressurge Josiel, o atacante que chamou as garotas de Belém de “paquitas queimadas”. Depois de defender o Paissandu em 11 jogos da Série C 2011 e marcar somente três gols, o jogador cobra na Justiça do Trabalho o pagamento de R$ 115 mil em salários e prêmios. O clube soube ontem também que seu ex-lateral Cláudio Allax também deu entrada de reclamação trabalhista.

Josiel e Allax juntam-se a outros reclamantes conhecidos, como Alexandre Fávaro e Sandro. Todas essas pendências ainda podem ser resolvidas por acordo. Dureza mesmo é a situação com Arinelson e Jobson, aos quais o Paissandu foi condenado a pagar mais de R$ 5 milhões. Sem direito a apelação.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 25)