Papão levou mais de 10 mil pagantes à Curuzu

Apesar da noite chuvosa, a torcida do Paissandu prestigiou em grande estilo a estreia do time na Série C, lotando o estádio da Curuzu. Segundo borderô distribuído pela assessoria da FPF, 10.722 pagantes proporcionaram arrecadação bruta de R$ 202.400,00. Descontadas as despesas (R$ 52.761,91), o Paissandu ficou com o valor líquido de R$ 149.638,09. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola)

Paissandu vai à Justiça por vaga na Série B

A diretoria do Paissandu manifestou nesta segunda-feira a intenção de reclamar na Justiça a vaga na Série B 2012, baseando-se no precedente do Treze de Campina Grande, que conseguiu ser incluído na Série C mesmo sem amparo legal. O Paissandu alegará que tem direito à vaga, pois perdeu 3 pontos da partida realizada na Arena da Floresta posteriormente anulada. Terminou com 7 pontos no grupo. Caso o resultado do jogo fosse mantido, teria terminado com 10 pontos – um à frente do América, que conseguiu o acesso com 9 pontos.

Papão está pronto para encarar o Luverdense

O Paissandu faz sua aguardada estreia no Campeonato Brasileiro da Série C e o técnico Roberval Davino definiu desde sexta-feira o time titular para enfrentar o Luverdense-MT nesta segunda-feira, às 20h30, na Curuzu. A escalação é a seguinte: Paulo Rafael; Marcus Vinícius, Tiago Costa e Fábio Sanches; Pikachu, Fabinho, Capanema, Leandrinho (foto) e Régis; Kiros e Tiago Potiguar. Rafael Oliveira e Héliton são opções no banco de reservas. Do lado do Luverdense, a principal esperança de gols é o veterano centroavante Valdir Papel, ex-Vasco. (Foto: MÁRIO QUADROS/Arquivo Bola)

O triunfo da determinação

Por Gerson Nogueira

Não foi uma exibição memorável, mas o Remo conseguiu vencer e isso já foi suficiente para dar algum alento ao torcedor. Mesmo possa ter sido produto da melhora passageira que novos técnicos costumam obter, o resultado recoloca o time na disputa por uma das vagas do grupo. O jogo foi fácil desde o começo e só a ansiedade impediu que o gol saísse antes dos 10 minutos. O ataque remista criou várias situações de perigo, culminando com o penal desperdiçado por Fábio Oliveira.
Determinado, o Remo não arrefeceu os ataques e chegou ao gol aos 29 minutos, em lance individual de Cassiano. O desentrosamento da equipe, visível em quase todos os momentos, foi superado por vontade e postura agressiva. Diferente do time atrapalhado e vulnerável das últimas derrotas – contra Paissandu e Vilhena -, o Remo de ontem esteve plugado o tempo todo. As jogadas aconteciam mais pelo lado direito, a partir dos avanços do lateral
Dida e da facilidade com que Cassiano envolvia a marcação do Penarol por ali. Além do gol, o atacante produziu praticamente metade das jogadas perigosas do ataque remista no primeiro tempo.


Em função de orientações do técnico Edson Gaúcho, o meio-de-campo tentava se manter adiantado a fim de pressionar a marcação adversária e provocar erros. Reis teve movimentação irregular no período, alternando lances de aproximação com o ataque e poucos momentos de inspiração para o drible e o arremate. Jhonnatan também sofreu com oscilações ao longo dos primeiros 45 minutos. Errou passes em excesso e a insegurança indica que ainda não se recuperou dos embates com o técnico Flávio Lopes.
O segundo gol, quase ao final da etapa inicial, trouxe ainda mais tranquilidade ao Remo diante de um oponente que mal passava do meio-campo. Na cobrança de escanteio, o volante André surgiu por trás da zaga, como elemento surpresa, apanhando a bola com um sem-pulo certeiro. O Remo era amplamente superior, embora sem encantar a torcida pelo excesso de erros na troca de passes. Uma exceção era Edu Chiquita, menos adiantado que Reis, cuidando de arrumar a saída de bola.


Impressionante como Chiquita, descartado pelo técnico Flávio Lopes, mostrava desembaraço e atitude, apesar de estar pela primeira vez atuando como titular. Sua escalação, por sinal, foi uma boa sacada de Edson Gaúcho. Mais seguro que Ratinho, o meia funcionou às vezes como um terceiro volante adiantado, tornando ainda mais sólida a primeira linha de combate aos atacantes do Penarol. É indiscutível que o jogo se tornou mais favorável ao Remo pela desenvoltura de Chiquita no setor.
Depois do intervalo, o Remo voltou sem alterações e continuou mandando em campo. Logo aos 5 minutos, Dida foi à linha de fundo e descolou um
cruzamento perfeito para Fábio Oliveira cabecear para as redes. O placar folgado parece ter operado um efeito psicológico negativo no time, que deu um freio nas ações ofensivas e cedeu pela primeira vez espaço para o contra-ataque amazonense. De tanto insistir, mesmo sem organização, o Penarol ganhou uma sequencia de escanteios. Acabou chegando ao primeiro gol em cruzamento que evidenciou o mau posicionamento dos zagueiros remistas, defeito que vem desde as finais do Campeonato Paraense. Marinho apareceu livre entre os zagueiros, na pequena área, para marcar de cabeça.
Três minutos depois, a casa caiu outra vez. Nervosa, a zaga cometeu falta desnecessária e propiciou a Fininho a chance de mostrar todo o seu talento em bolas paradas. O ex-meia remista mandou a bola no ângulo direito do goleiro Adriano, colocando na partida um inesperado tempero de incerteza. A torcida sentiu o baque e silenciou. Antes, porém, que se estabelecesse um tropeço desastroso, eis que Marcelo Maciel (que havia substituído a Fábio Oliveira) surgiu com extrema rapidez para aproveitar rebote do goleiro e ampliou definitivamente a contagem. Esse gol restituiu a tranquilidade ao Remo e a justiça ao placar.


Cassiano ainda teve duas boas oportunidades e Tiago Cametá errou um disparo aos 40 minutos, mas a vitória já estava consolidada. Mesmo que ainda tenha sobressaltos com a linha de zagueiros, o torcedor saiu satisfeito com a disposição do time para atacar. O mérito certamente é de Gaúcho, pela tranquilidade que deu à equipe após três treinos apenas. Teve ainda a clareza de optar por Chiquita na criação, mas certamente irá rever a titularidade de Aldivan. Além de Chiquita, os grandes destaques no Remo foram Cassiano, André e Dida. Falta organizar melhor o time e encorpar mais o meio-campo, mas o passo inicial foi dado. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola) 

Foi a afirmação definitiva e categórica da hegemonia espanhola no primeiro mundo do futebol. A terceira grande conquista em sequência não deixa margem a dúvidas quanto à excelência da seleção de Vicente Del Bosque e confirma a superioridade de um estilo de jogo. Vitoriosa na Euro-2008 e na Copa do Mundo de 2010, faltava à Espanha um terceiro troféu de peso para calar as insistentes críticas à maneira cadenciada de impor sua presença em campo. Ontem, diante de uma aparvalhada Itália, a Fúria foi mais do que nunca fiel ao receituário que o Barcelona executa por música.
O segredo está no passe ágil e na aproximação entre os jogadores. Não há segredo quanto a isso. Todos sabem como a Espanha joga, mas ninguém
consegue um meio eficiente de conter seus avanços em triângulos imaginários desde a zona de defesa até a área de chute. Iniesta e Xavi, que não tinham ainda desabrochado inteiramente na competição, tiveram atuações impecáveis. Tão intensa é a Espanha que até coadjuvantes brilharam a partir da excelência do conjunto. Poucas seleções no mundo ousariam confiar tanto numa filosofia de jogo hoje. Del Bosque escala seu time com apenas um volante, Busquets, e deixa que a rotatividade dos demais jogadores compense o que seria uma fragilidade defensiva. Acontece que a Espanha não dá a bola para ninguém e aí reside tanto sua força ofensiva quanto a pujança na marcação. Mais que isso: cansa e desorienta seu adversário, como ficou
escancarado na angústia dos italianos desde o primeiro tempo. Pirlo, o mais lúcido deles, até tentava organizar as coisas, mas padecia com os
erros dos companheiros. No final, sucumbiu junto os demais.
Já há quem festeje a Espanha antecipadamente como favorita ao título mundial de 2014, não sem alguma razão. A esperança dos demais candidatos está no tempo. Em dois anos é perfeitamente possível apresentar um antídoto para essa fulgurante combinação de rapidez com talento. É difícil, mas não improvável.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 02)